quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O Yom Kipur e a lambança Teológica de Agenor Duque

Celebração do dia do perdão
       O Yom Kippur (yom hakkippurim) ou Dia da Expiação é uma festa anual apresentado em Levítico 16; 23.26-32 como o ato supremo da expiação nacional pelo pecado do povo:

“Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: Mas aos dez dias desse sétimo mês será o dia da expiação; tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao Senhor. E naquele mesmo dia nenhum trabalho fareis, porque é o dia da expiação, para fazer expiação por vós perante o Senhor vosso Deus. Porque toda a alma, que naquele mesmo dia se não afligir, será extirpada do seu povo. Também toda a alma, que naquele mesmo dia fizer algum trabalho, eu a destruirei do meio do seu povo. Nenhum trabalho fareis; estatuto perpétuo é pelas vossas gerações em todas as vossas habitações. Sábado de descanso vos será; então afligireis as vossas almas; aos nove do mês à tarde, de uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sábado”. (Levítico 23:26-32) (NVI)

       Ocorria no dia 10 do sétimo mês, Tisri, marcado por um período de profunda análise da alma, e aponta para a tristeza e o arrependimento de Israel na segunda vinda de Cristo (Lv 23.29; Nm 29.7; Zc 12.10ss.; 13.6; Mt 25.30; Ap 1.7). Além das ofertas diárias regulares, deveriam ser oferecidos um bezerro, um carneiro e sete cordeiros, uma oferta de manjares de flor de farinha misturada com azeite e um bode, para expiação do pecado (Nm 29.7-11). O jejum era ordenado desde o entardecer do dia 9 até o entardecer do dia 10, acompanhando a santidade incomum deste dia. Neste dia era feita uma expiação pelo povo, pelo sacerdócio e pela tenda da congregação, porque esta morava “com eles no meio das suas imundícias” (Lv 16.16).

O ritual


       Este era dividido em dois atos, um desempenhado em favor do sacerdócio, e um em favor da nação de Israel. O sumo sacerdote, que havia se mudado uma semana antes desse dia de sua própria habitação para o santuário, apresentava-se no Dia da Expiação e, tendo se banhado e posto de lado o seu traje normal de sumo sacerdote, vestia-se com uma roupa de linho branco sagrada. Essas roupas não tinham nenhum dos ornamentos das peças usadas normalmente pelo sumo sacerdote e incluíam apenas os calções, a túnica, o cinto e a mitra, e todas eram feitas com linho branco. Essa variação no vestuário representava a extraordinária solenidade e a importância dessa cerimônia de expiação. A simplicidade e a brancura das vestes, assim como seu uso apenas durante essa cerimônia, indicavam a pureza e a santidade necessárias para entrar no Santo dos Santos ou no Lugar Santíssimo, onde Deus habitava entre os querubins.

       O sacerdote apresentava um novilho como uma oferta pelo pecado, por si mesmo e pela sua casa. Os outros sacerdotes, que em outras ocasiões serviam no santuário, neste dia tomavam seus lugares com a congregação pecadora por quem a expiação deveria ser feita (Lv 16.17). O sumo sacerdote matava a oferta pelo pecado por si mesmo e entrava no Santo dos Santos com um incensário, para que uma nuvem de incenso pudesse encher o ambiente e cobrir a arca para que ele não morresse. Então ele voltava com o sangue da oferta pelo pecado e o aspergia sobre a frente do propiciatório, e sete vezes diante do propiciatório para a purificação simbólica do Santo dos Santos, contaminado por estar presente entre o povo pecador. Tendo feito a expiação por si mesmo, ele retornava ao pátio do santuário. Em seguida, o sumo sacerdote apresentava os dois bodes, que haviam sido trazidos como a oferta pelo pecado do povo, ao Senhor, à porta do Tabernáculo e lançava sortes sobre eles, sendo que um era destinado a Jeová e o outro a Azazel (ou bode emissário). O bode sobre o qual a sorte havia caído era morto para o Senhor, e o sumo sacerdote repetia o ritual de espargir o sangue como antes. Além disso, ele purificava o lugar santo espargindo o sangue sete vezes, e, no final, purificava o altar de ofertas queimadas.

               Deve ser observado que o sistema sacrificial hebraico tinha a intenção de cuidar principalmente dos pecados por acidente, inadvertência, profanação cerimonial e assim por diante, e nenhuma expiação era providenciada para as transgressões cometidas em um espírito de absoluta obstinação contra o caráter da aliança (Nm 15.30). Nesse dia é proibido comer ou beber, banhar-se, usar sandálias ou deliciar-se na relação sexual. Quando o dia caía em um sábado, a obrigação do jejum assumia precedência sobre a maneira normal da observância do Sábado. (M. Menahott 11.9).

       Esse cenário forma a base para a presença do sangue de Cristo no NT. O derramamento do sangue de Jesus na cruz encerrou sua vida terrena, pois Ele, voluntariamente, ofereceu-se para morrer em nosso lugar, como o Cordeiro de Deus que foi assassinado para nos redimir (1 Pe 1.18-20; Ap 5.6,9,12); e a aspersão desse sangue trouxe o perdão de todos os pecados dos homens (Rm 3.25). Seguindo o padrão do Dia da Expiação dos judeus (Lv 16), Cristo é o nosso sacrifício expiatório (Hb 9.11-14; 1 Jo 2.2; Ap 1.5) e também a nossa oferta pelo pecado (1 Pe 1.18,19; Ap 5.9). Assim como Moisés selou o pacto entre Deus e a antiga nação de Israel, no Sinai, com a aspersão de sangue (Êx 24.8; cf. Hb 9.19-21), também o novo pacto de Jeremias (31.31-34) foi selado pelo sangue de Cristo (Hb 9.14,15; 10.14-19,29; 13.20). Ao instituir a Ceia do Senhor, Jesus falou do cálice como “o Novo Testamento ou aliança” no seu próprio sangue (1 Co 11.25; Lc 22.20; cf, Mc 14.24).


Como os Judeus veem essa questão? 


A transcrição abaixo, foi retirada de um site judaico e mostra a relação do Judaísmo com esse ritual:


“(...) Mas como Yom Kipur consegue isto? A expiação não é meramente a remissão da punição pelo pecado; significa também que a alma de um judeu é purificada das máculas causadas pelo pecado. Além disso, não apenas nenhuma impressão das transgressões permanece, como as transgressões são transformadas em méritos. Que isto possa ser atingido através de teshuvá é compreensível; um judeu sente genuíno remorso pelas falhas cometidas erradicando o prazer que extraiu dos pecados. Sua alma é então purificada. O próprio pecado deve ser visualizado como uma contribuição ao processo de teshuvá.(grifo meu)

        Como está claro, para aqueles que não aceitam o sacrifício do Nosso Senhor Jesus Cristo, o Dia da Expiação é extremamente importante para que eles (dentro da visão judaica), recebam o perdão dos seus pecados. Essa é a forma que os judeus fazem. Eles não aceitam o sacrifício perfeito de Jesus. Então eles precisam repetir anualmente uma cerimônia que prefigurava o sacrifício único do Messias. Dentro de um contexto sem Jesus, é até compreensível que se faça isso! 

       Mas, o sacrifício de Jesus foi suficiente ou é necessário, que nós cristãos, façamos algum ritual para corroborar ou até mesmo substituir esse sacrifício? Seria correto os cristãos observarem esse ritual, visto de que aceitamos o sacrifício de Jesus, o Cristo? Para respondermos à essas questões usaremos o livro de Hebreus, que trata exaustivamente de algumas questões relacionadas aos rituais do povo de Israel e especificamente acerca do sacrifício. Vejamos:
“Estando tudo assim preparado, os sacerdotes entravam regularmente no Lugar Santo do tabernáculo, para exercer o seu ministério. No entanto, somente o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, apenas uma vez por ano, e nunca sem apresentar o sangue do sacrifício, que ele oferecia por si mesmo e pelos pecados que o povo havia cometido por ignorância. Dessa forma, o Espírito Santo estava mostrando que ainda não havia sido manifestado o caminho para o Santo dos Santos enquanto ainda permanecia o primeiro tabernáculo. ” (Hebreus 9:6-8) (grifo meu)
        Aqui, o autor de Hebreus relembra seus leitores de como era realizado o sacrifício pelo Sumo sacerdote, dentro do contexto da Antiga Aliança e sua relevância para o perdão do povo de Israel. O autor continua:
“Isso é uma ilustração para os nossos dias, indicando que as ofertas e os sacrifícios oferecidos não podiam dar ao adorador uma consciência perfeitamente limpa. Eram apenas prescrições que tratavam de comida e bebida e de várias cerimônias de purificação com água; essas ordenanças exteriores foram impostas até o tempo da nova ordem. (Hebreus 9:9,10) (NVI) grifo meu.

        A partir desses versículos, o autor começa a demonstrar, inspirado pelo Espírito Santo, que esses rituais eram transitórios e apontavam para o verdadeiro sacrifício, que seria realizado pelo Messias:
“Quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação. Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, e obteve eterna redenção. Ora, se o sangue de bodes e touros e as cinzas de uma novilha espalhadas sobre os que estão cerimonialmente impuros os santificam de forma que se tornam exteriormente puros, quanto mais, então, o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, de modo que sirvamos ao Deus vivo! ” (Hebreus 9:11-14) (NVI) (grifo meu)
         Acredito que mais claro que isso, impossível! O Filho tornou-se o Sacerdote Supremo e Perfeito para todos os homens (e não exclusivamente o representante do povo da antiga aliança). Ele é o Sacerdote Supremo porque sua reconciliação não precisará jamais ser repetida, ano após ano, e pelos mesmos pecados, mas foi feita “de uma vez por todas”. Ele é o perfeito Sacerdote-Salvador porque verdadeiramente realizou a remoção real do pecado e a redenção do pecador ao invés de simplesmente cobrir o que ainda permanece na consciência. Mantendo a imagem do Dia da Expiação, o Senhor Jesus é representado como o Supremo Sumo Sacerdote!


       Mas parece que o “apóstolo” Agenor Duque pensa diferente. Pois como você poderá perceber pelo vídeo abaixo, auxiliado por Yossef Akiva (ou seria José Marcelo Pessoa de Paula), ele acredita que a observância do Dia de Yom Kipur é essencial para a vida cristã, além de trazer inúmeros “benefícios” para aqueles que celebram essa data. Não faço uma crítica aqui, o simples fato de um líder ensinar sua igreja a importância do arrependimento para a vida cristã, que devemos sempre estar orando à Deus pedindo perdão pelos nossos pecados e até separar um dia para que a igreja, em comunhão faça um jejum voluntário e oração. Isso é até louvável e oportuno e também indiscutível! Porém um líder ensinar seus membros a seguirem festas judaicas que eram sombras da verdadeira revelação em Jesus Cristo, que já não fazem sentido à luz da Nova Aliança e ainda por cima usar desse artifício para arrancar dinheiro dos fiéis, é um absurdo! 

         Mas como Duque não é tão inocente assim, ele em momento nenhum diz que o sacrifício de Jesus não vale mais, ou que é necessário o uso do sangue, como os sacerdotes faziam antigamente. Ele transforma o sangue do sacrifício em uma oferta financeira! Isso mesmo. Ele diz que após o jejum, ninguém deverá se apresentar à Deus de mãos vazias, mas trazer sua “oferta voluntária” simbolizando o sangue nas mãos do sacerdote. Assista:


Bom, se você conseguiu ver todo o vídeo irá perceber:


1) Já no início do vídeo Akiva se diz detentor de um conhecimento especial que lhe foi revelado por Deus e que deveria compartilhar essa “nova revelação”. Esse seria um conhecimento restrito, que poucos tem acesso à ele. Para quem conhece um pouco de história, irá perceber que o que ele faz é ressuscitar uma heresia, combatida pela igreja desde o período apostólico, chamada gnosticismo, onde os precursores dessa heresia se diziam conhecedores de verdades ocultas e mistérios, alegando um conhecimento (gnose) esotérico e secreto revelada para os “iniciados”. Durante todo o vídeo, o leitor irá perceber uma gama de elementos cabalísticos e esotéricos, estilo Paulo Coelho, utilizados como “verdades” bíblicas e insinuações de que existe um “segredo” de que aqueles que o conhecem, tem poder sobre o mundo espiritual.

2) A partir dos 18:00 minutos do vídeo, Akiva defende o uso de Atos proféticos que, segundo ele, abrem “portas” de interligação entre o mundo físico e o mundo espiritual. Defende que as portas que são colocadas no meio da igreja plenitude, para que as pessoas passem por debaixo delas, dão acesso ás oportunidades. Ele continua dizendo que existem três portas, que são abertas em determinados períodos: Páscoa, Tabernáculos e Pentecostes (além da porta do Sábado que se abre a cada 7 dias, só faltou dizer que a igreja também deveria guardar o sábado!). E o “cabalismo” continua até que o “apóstolo” (a partir 37:30) reassume o controle do microfone para dizer a todos aqueles que seguem o calendário Gregoriano estão debaixo do jugo de Roma. Ele diz que Deus não fez domingo, mas fez a "primeira-feira", mas o “papa Domiciliano” (sic) tirou a primeira feira e colocou o domingo. Talvez ele não saiba, mas Domiciano e não “Domiciliano” nunca foi papa, mas um imperador Romano, grande perseguidor da igreja primitiva que nada teve a ver com a mudança de calendário. O nosso calendário foi instituído pelo Papa Gregório em 1.582, quase 1.500 anos depois do reinado de Domiciano. Ele continua dizendo que não existe ano de 2016, pois estamos no ano 5.77... aí ele pede ajuda ao Akiva, pois nem ele sabe em que ano está! E conclui: “Desde a criação do homem no sétimo dia....” (Sim, ele disse isso!) que as pessoas comemoram a virada do ano na época errada, onde nada ocorre no mundo espiritual, pois o ano novo que deve ser seguido é o ano novo Judaico.

3) Akiva reassume o microfone dizendo que: “Mandamento perpétuo não pode ser mudado (...)” O que talvez ele não saiba ou finge não saber, é que a circuncisão e guarda do sábado, assim como a celebração da Páscoa Judaica e das outras festas, também são estatutos perpétuos ordenados à Israel. Pegando pelo argumento dele, então a igreja hoje deve seguir todos os estatutos perpétuos da Bíblia, inclusive a circuncisão! O pastor Akiva poderia terminar muito bem a mensagem (aliás ele disse muitas coisas corretas) dizendo que Jesus foi o cumprimento desse ritual e hoje a igreja não necessita mais de realizar o Yom Kipur, pois o sacrifício foi feito uma vez por todas e que todo dia é dia de Perdão! Mas ele preferiu ir pelo caminho oposto e ensinar a igreja a se voltar para as sombras e rudimentos judaicos e ainda dizer que as “coisas” acontecem na Plenitude devido à obediência dessa igreja à esse ritual. Diz também que a igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus está na vanguarda, pois é a única igreja cristã que celebra o Yom Kipur (Porquê será?) e usa de um pragmatismo tolo ao dizer que existem igreja muito mais antigas que não tem uma parte dos membros que a Plenitude tem (por que será?). Akiva termina sua participação, dizendo:

“Se só Jejuar, se só orar, se só se consagrar e, na hora fatídica de selar, não tiver o seu sacrifício, perdeu tempo”. 

Entenderam? O sacrifício (financeiro, claro) é muito mais importante! 

       E, finalizando, Agenor Duque ao ser lhe dirigida a palavra como o anjo da igreja, abre o jogo de como será esse “sacrifício”. Aí você já pode imaginar o que vem por aí, vindo desse movimento denominado Teologia da Prosperidade. Mas antes ele tenta intimidar a igreja, impedindo as pessoas de saírem, pede para que os obreiros fechem as portas do templo e começa o festival de ameaças. Primeiro, ele diz que o fiel talvez não esteja vivo no ano que vem e aquela pode ser a sua última oportunidade. Depois coloca um vídeo do Silvio Santos (que é judeu), para corroborar com a sua visão. O problema é que se você prestar atenção, perceberá que o próprio Silvio Santos detona toda a artimanha do “apóstolo”. Dando tons mais severos às suas ameaças, Duque diz que havia um bispo  da sua igreja que disse que o Yom Kipur “é coisa de judeu, eu não sou judeu, eu sou cristão” e, por não ter se consagrado, aquele ano, Deus deu fim ao ministério dele. Tipo essas pragas e correntes de internet, que se você não repassar vai encontrar sua mãe morta atrás da porta, você vai morrer ou uma grande desgraça vai se abater sobre sua vida.

       Exatamente, às 01:31 min. do vídeo ele diz: “Ah! Um detalhe. ” Aí você vai entender o sentido de todo esse ritual e para onde converge a ministração do sr. Akiva. Ele apresenta um envelope onde será trazida a “oferta de sacrifício. Nele o fiel deverá colocar ou um valor de 2.017,00 reais, ou o fiel vai colocar uma oferta de 1.000,00 reais. Cada pessoa também irá receber uma Mezuzah, que é um artefato judaico que deve ser afixado na porta de cada dependência do lar (e não pendurado no pescoço como ele faz), para “proteger” os moradores e “afastar os infortúnios”. 

Mezuzah
(Veja esse link que explica como a Mezuzah deve ser colocada. Você perceberá que Agenor Duque quer sincretizar judaísmo com cristianismo, porém ele nem entende o que ele está fazendo. A Mezuzah que ele oferece é uma ofensa ao conceito judaico!)

       Infelizmente, é muito difícil ter que escrever sobre isso. Mas é necessário. Pessoas estão seguindo líderes que vem com aparência de piedade, mas no fundo são lobos devoradores. E essas não são somente minhas palavras, a própria Palavra de Deus nos alerta sobre isso:

“No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade. Em sua cobiça, tais mestres os explorarão com histórias que inventaram. Há muito tempo a sua condenação paira sobre eles, e a sua destruição não tarda. ” (2 Pedro 2:1,3) (NVI) grifo meu.
       Não existe celebração nem ritual de Yom Kipur para a igreja. Os apóstolos nada ensinaram a igreja sobre isso, nem os pais da igreja, nem os reformadores. Ensinaram sim, o verdadeiro significado e o cumprimento em Jesus. Não existe perdão sem derramamento de sangue! (Hb 9.22) O Yom Kipur dos Judeus, por não haver o sacrifício com o derramamento de sangue está incompleto. Os Judeus Messiânicos que celebram o Yom Kipur como um dia de perdão e arrependimento, entendem que sem o sangue esse ritual não faz sentido. Mas por crerem em Yeshua, o Messias, acreditam que é o Seu sangue que nos redime do pecado. Eles celebram essa festa como parte de sua identidade judaica e como um dia de reflexão sobre o novo ano que se inicia. Porém, entendem que sem o sacrifício do Messias não existe verdadeiro perdão.  Para encerrar, deixo as palavras do rabino Marcelo M. Guimarães, Judeu Messiânico sobre o Yom Kipur:

“Para o povo Judeu que não acredita em Yeshua, o processo de arrependimento é complicado pelo fato de que há muitos textos bíblicos que são lidos nos cultos do dia da expiação que mencionam a necessidade de sangue e sacrifício para a perdão de pecados. Aqueles que acreditam em Yeshua, o Messias, sabem que o sangue de bodes e touros não mais corre no altar para expiar os pecados de Israel, mas o sangue derramado por Yeshua por nossas transgressões está ainda disponível para expiar e perdoar e redimir os judeus de seus pecados. Minha oração neste ano é que durante estes dez dias de arrependimento o Senhor revelará ao Seu povo amado, que já proveu o cordeiro para expiação dos pecados. Por outro lado, minha oração é também para que o mundo cristão gaste tempo e avalie seus erros e pecados coletivos e individuais cometidos, e gaste mais tempo ainda reaplicando o sangue de Yeshua que está ainda fresco e não seco, capaz de perdoar os pecados da humanidade. ”
       
       Mas parece que o “apóstolo” prefere se voltar aos rudimentos da fé, dando ouvidos à fábulas engenhosas, costurando o véu que Jesus rasgou e levando atrás de si uma multidão ávida pelas riquezas desse mundo. E o pior: se utiliza de um ritual que não é necessário ser repetido pela Igreja para explorar a fé dos fiéis com sacrifícios financeiros. Que esse senhor se converta verdadeiramente ao Eterno e passe a pregar o verdadeiro Evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo. Ainda há tempo. 
“Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos. (2 Timóteo 4:3,4) (NVI) (grifo meu)
“Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado! (Gálatas 1:6-9) (grifo meu)
Paz do Senhor à todos os que estão em Cristo Jesus.

Maranata!

Prof. Saulo Nogueira

Referências Bibliográficas:

Dicionário Bíblico Wycliffe - 2ª edição - Rio de Janeiro: CPAD, 2007;

Tenney, Merrill C. Enciclopédia da Bíblia Volume 3. 1ª edição - São Paulo: Cultura Cristã, 2008;

http://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/659934/jewish/Significado.htm; 

http://www.chabad.org.br/mitsvot/mezuza/home.htm;

http://ensinandodesiao.org.br/artigos-e-estudos/yom-kipur-dia-do-perdao/;

(acesso em 18/10/2016)