quarta-feira, 4 de março de 2015

Eu sou um fundamentalista!

     As pessoas erroneamente associam sempre fundamentalismo com pessoas violentas, cegas, despóticas, ditadoras e cruéis. Infelizmente, essa é a realidade em algumas religiões, pois seus fiéis se apegam aos seus fundamentos, ou os deturpam de acordo com suas conveniências. Em relação ao termo Fundamentalismo, o Dicionário online Priberam traz em uma de suas definições: "Doutrina que defende a fidelidade absoluta á interpretação literal dos textos religiosos". Ou seja, ser fundamentalista é defender a fidelidade, a base doutrinária, os princípios da fé que professamos e, acima de tudo, buscar resgatar esses valores. 
         Mas qual o fundamento da fé cristã? São os ensinamentos de Jesus e de seus apóstolos! Para argumentar sobre esse assunto, quero me prender aqui somente no Novo Testamento e seus  ensinamentos.

      O fundamento do cristão é a Bíblia. Para um cristão que crê na Bíblia, especificamente no Novo Testamento, ele deve observar e pôr em prática aquilo que ele ensina, ou seja, o amor, a paz, a tolerância, o perdão, etc. Até mesmo o maior inimigo do cristianismo é forçado a reconhecer que Jesus, além de pregar sobre essas características, Ele próprio foi o modelo absoluto daquilo que Ele ensinava. Só o sermão do monte contraria qualquer um que diz que o Cristianismo não ensina os fundamentos supracitados. E nós como cristãos devemos seguir aquilo que foi deixado pelo nosso Mestre. Vamos analisar apenas alguns poucos versículos:

“Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34). 

“Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt 18.21-22). 

“Então, ajoelhando-se (Estêvão), clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu” (At 7.60). 

“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25). 

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens” (1 Tm 2.1). 

“Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor” (Fp 4.5). 

     Todos esses textos bíblicos demonstram que Jesus Cristo, o fundamento de todo cristão convicto, detesta a violência e em lugar dela prega o amor – até mesmo o amor aos inimigos – que Ele mesmo viveu. Neste sentido a vida de Jesus Cristo é única no mundo, independentemente de que seja considerado revolucionário, profeta, insano ou Filho de Deus. Em resumo, nenhum “cristão” que propague ou use de violência é fundamentalista. Pois dessa forma ele se opõe completamente aos mandamentos de Deus e ao ensino de Jesus Cristo. Norbet Lieth, grande escritor e Conferencista, escreveu na revista Chamada: 

       “... Por exemplo, a luta entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte não foi uma guerra civil entre fundamentalistas cristãos, mas apenas um conflito em que a religião serviu como pretexto. O mesmo vale para a Guerra dos Trinta Anos: nem os católicos nem os protestantes podiam basear-se em seu fundamento – o Novo Testamento e os ensinos de Cristo – para justificar-se. As cruzadas medievais e a terrível Inquisição nunca foram obras de cristãos fundamentalistas, mas de fanáticos tomados por um ódio cego, que no fim das contas não passavam de bárbaros sem Deus em túnicas cristãs. Já um cristão fundamentalista deveria ser insuperável em sua verdadeira humildade e em suas atitudes pacíficas. ’’ 

         "Afinal, quem chega à fé em Jesus recebe o Espírito Santo (Ef 1.13), que permanece nele para sempre (Jo 14.16-17) e produz o seguinte fruto: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros” (Gl 5.22-26). 

         Que julga ser um cristão autêntico deve apresentar estas qualidades, ou seja, estes frutos. Como alguém que mata em nome da fé, tortura, persegue pode ser considerado um cristão fundamentalista se eles não seguem os mínimos padrões da fé? 

    "De qualquer forma, nesse contexto a designação “cristão fundamentalista” certamente deve ser considerada um grande elogio. Também aqui os frutos falam por si. A fundação da Cruz Vermelha, por exemplo, tem sua origem no pensamento e nos fundamentos da fé cristã. A maioria das instituições sociais e a construção de hospitais igualmente é algo que devemos ao cristianismo.”Acrescenta Lieth. 

     Eu sou um Cristão fundamentalista (dentro da concepção do que eu acredito ser fundamentalista), pois acredito que eu sigo os fundamentos da fé Cristã, (pelo menos me esforço pra isso), como o amor incondicional ao próximo, a bondade, a tolerância, o respeito e acima de tudo a Fé em Jesus. Pra mim isso é ser fundamentalista. Aquele que está firme nos fundamentos, que segue a Plenitude dos ensinamentos de Cristo e vive de acordo com Sua Palavra.

Paz á todos que estão em Cristo Jesus.
Prof. Saulo Nogueira