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terça-feira, 19 de julho de 2016

CPAD cancela evento com Augustus Nicodemus após pressão de pastores assembleianos

    Foi lamentável saber que alguns pastores assembleianos se posicionaram contra uma Palestra que seria ministrada pelo Reverendo Augustus Nicodemus Lopes, na CPAD Mega Store no Rio de Janeiro, sobre o lançamento do Seu Livro Apóstolos: verdades bíblicas sobre o apostolado. (Que, aliás, estou lendo e considerando um livro esclarecedor!) A editora cedeu a pressão e emitiu uma nota de esclarecimento em razão de sua decisão:
“Em razão da repercussão não desejada que estava causando nas últimas semanas entre alguns irmãos em Cristo, a palestra foi… por hora, suspensa”, afirma a nota.  Acrescenta ainda que: “Não é do interesse da CPAD causar ou alimentar celeuma alguma dentro da igreja, mas promover a edificação do Corpo de Cristo”.
    Com essa situação, criou-se no mínimo um "incidente diplomático", pois trata-se do vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil e um grande defensor das verdades Ortodoxas do Evangelho. Compreendo que alguns líderes argumentam que, pelo fato da CPAD ser uma editora confessional, não poderia abrir espaço para um autor que siga uma linha doutrinária divergente (e também por ser cessacionista), e tenha em outras ocasiões criticado alguns exageros pentecostais. Porém, a palestra do reverendo não seria sobre assuntos Soteriológicos, onde reside a maior parte das divergências entre Arminianos e Calvinistas, mas uma apresentação da sua mais recente obra, o Livro Apóstolos, que fala sobre a “Nova Reforma Apostólica”, assunto pontual, visto a visão de alguns líderes em defender a autoridade e a restauração do ofício apostólico para os dias de hoje. Perderam uma grande oportunidade de ouvirem um homem de Deus expor um assunto que ele se aprofundou tanto para a edificação do corpo de Cristo e colaborar de forma positiva na construção de um melhor entendimento entre as várias confissionalidades.

Transcrevo na íntegra o desabafo do Pastor assembleiano, jornalista e escritor Geremias Couto, que é amigo pessoal de Nicodemus e foi um dos que escreveram uma breve nota no início do Livro em questão:
“Estive ontem na Mega Store da CPAD para assistir à palestra do rev. Augustus Nicodemus Lopes. Como fora de casa só tenho acesso à internet onde houver wifi, só fiquei sabendo do cancelamento quando lá cheguei por volta das 17:00hs. A decisão tinha sido tomada poucas horas antes. A nota publicada pela CPAD é mero eufemismo para não mencionar os verdadeiros motivos. Não tenho outra forma de qualificar a atitude, a não ser como vergonhosa, descortês, desrespeitosa e anticristã até porque o rev. Augustus já estava no Rio de Janeiro, quando foi comunicado da decisão. Criou-se no mínimo um "incidente diplomático", pois trata-se do vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil. 

Não é a fé reformada que está fazendo mal às Assembleias de Deus no Brasil. A ser assim, os livros reformados deveriam ser definitivamente banidos das estantes das lojas da CPAD. É incoerente vendê-los e fechar às portas a um de seus expoentes. É contraditório afirmar, como já fez um dos expoentes da CPAD, que são obras piedosas, ortodoxas, profundas e cristãs, no estrito sentido do termo, mas "desconvidar" de forma deselegante um de seus autores, como se fez ontem.

O que tem feito mal às Assembleias de Deus é a politicagem que há anos vem nela imperando da forma mais rasteira possível, principalmente entre a cúpula. O que tem feito mal às Assembleias de Deus é o coronelismo opressor, que se vale de um semipelagianismo disfarçado de Arminianismo para manter sob cabresto o povo que pouco conhece as doutrinas da graça.

O que tem feito mal às Assembleias de Deus é fechar os olhos, fazer vistas grossas, ao liberalismo teológico que hoje infesta as cátedras de nossas faculdades teológicas. É só ler certos textos no CPAD News e visitar a FAECAD em dias de aula que isso salta aos olhos. É o liberalismo teológico que mata a igreja! O que tem feito mal às Assembleias de Deus é a opulência de muitos líderes que vivem de forma nababesca, enquanto os seus obreiros que estão no campo sofrem com pouca renda e muitas vezes passam até fome. O que tem feito mal às Assembleias de Deus é a porta larga para as práticas do neo pentecostalismo e a liberdade dada aos pregadores triunfalistas, que propalam heresias a olhos vistos sem que sejam advertidos e mudem o conteúdo de suas mensagens. Estes jamais pregam em igrejas e denominações sérias.

Os "guerrilheiros" da internet ontem vibraram e zombaram como se tivessem ganho uma Copa do Mundo. Eu, de minha parte, com todos os dissabores que o episódio causou, prefiro acreditar que Deus, em sua soberania, já fez dele algo que redunde para a sua glória e vergonha para esses que "sobrevivem" à custa dessa "esquizofrenia" nas redes virtuais. Fica aqui o meu desagravo pessoal ao rev. Augustus Nicodemus Lopes. ”
     Só faltou o pastor falar sobre os absurdos pregados no Congresso Gideões, que tem sido um celeiro de heresias disseminadas no Brasil, uma vergonhosa farra de autopromoção de “levitas” e “conferencistas”e antro de prostituições. Fora a musicalidade triunfalista que infesta os "altares" das igrejas. Só nos resta clamar pela misericórdia do Senhor e que a editora reconsidere e, de fato realize o evento que servirá para a edificação do corpo de Cristo.

Maranata.


Prof. Saulo Nogueira.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Não estou ofendido...

    Quando vi as imagens da transexual "crucificada"na parada gay não me senti ofendido, como cristão. É óbvio que discordei da estratégia de marketing dos organizadores e sem dúvida percebi que o alvo era mesmo a provocação aos cristãos. Embora o episódio tenha sido justificado como sendo uma forma de expor a humilhação sofrida pelos gays, a impressão que dá é outra.

     Mas, afora isto, não me senti provocado, atingido ou ofendido. Por uma razão simples. Ali não estava acontecendo uma profanação de objetos sagrados para mim - no caso, a cruz - simplesmente por que para mim uma cruz de madeira nada tem de sagrada nela. Meu cristianismo evangélico reformado não tem templos sagrados, objetos sagrados, images sagradas, símbolos sagrados ou líderes sagrados. 

       Por isto não ficamos explodindo bombas quando zombam de Lutero, Zuinglio ou Calvino, quando tripudiam sobre a Bíblia ou quando picham as igrejas. E por isto eu não me sinto ofendido quando alguém usa uma cruz de madeira para suas manifestações anticristãs ou para outros objetivos. As coisas que considero santas estão muito além do alcance dos homens, para que estes possam profaná-las. O meu Salvador está nos céus, o meu Deus é rei do universo, minha morada é celestial, a Palavra de Deus está escrita nos céus e é eterna, o pão e o vinho nada mais são que representações materiais daquele que se assenta no trono do universo. Realmente, não há nada no meu cristianismo que esteja ao alcance de quem deseja me ofender através da profanação.


       Claro, para quem a cruz é sagrada, as imagens são sagradas, os templos são sagrados, seus líderes são sagrados... estes ficarão ofendidos. Eu os entendo. Devemos respeitar toda crença. Mas, no meu caso, uma transexual pendurada numa cruz provoca, no máximo, a confirmação do que eu já sei, que nenhum pecador consegue se livrar de Deus, ou daquilo que ele pensa que é Deus. Só me vem à mente o Salmo 2:

"Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs?
Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas.
Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles.
Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá."

Augustus Nicodemus Lopes

Nota do Blog: Concordo plenamente com a posição do Reverendo Augustus Nicodemus, apesar de que se o movimento LGBT quer respeito, primeiramente deve respeitar os outros, suas crenças, ideologias e tradições. A parada gay já perdeu o seu foco à muito tempo, e hoje simplesmente se transformou num festival de fornicação, prostituição, uso de drogas e adoração ao deus desse século, além de um desfile onde candidatos tentam alavancar carreiras políticas. Pena que o dinheiro público, nessa decadência econômica, seja utilizada para propósitos tão baixos e sem propósitos.

Prof. Saulo Nogueira

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Qual o futuro da igreja evangélica no Brasil?



       Apesar de discordar da visão Calvinista do amado Reverendo Augustus Nicodemus Lopes, concordo com sua visão acerca dos rumos que a Igreja tem tomado. Gosto de sua mensagens e da forma que ele expõe o Evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo. Abaixo transcrevo na íntegra o texto publicado em seu Blog pessoal:
     
   
     "Quando olho o atual cenário da igreja evangélica brasileira – estou usando o termo “evangélica” de maneira ampla – confesso que me sinto incapaz de prever o que vem pela frente. Há muitas e diferentes forças em operação em nosso meio hoje, boa parte delas conflitantes e opostas. Olho para frente e não consigo perceber um padrão, uma indicação que seja, do futuro da igreja.
      
          Há, em primeiro lugar, o crescimento das seitas neopentecostais. Embora estatísticas recentes tenham apontado para uma queda na membresia de seitas como a Universal do Reino do Deus - que ressurge das cinzas com o "templo de Salomão" - , outras estão surgindo no lugar, como na lenda grega da Hidra de Lerna, monstro de sete cabeças que se regeneravam quando cortadas. A enorme quantidade de adeptos destes movimentos que pregam prosperidade, cura, libertação e solução imediata para os problemas pessoais acaba moldando a imagem pública dos evangélicos e a percepção que o restante do Brasil tem de nós. Na África do Sul conheci uma seita que mistura pontos da fé cristã com pontos das religiões africanas, um sincretismo que acaba por tornar irreconhecível qualquer traço de cristianismo restante. Temo que a continuar o crescimento das seitas neopentecostais e seus desvios cada vez maiores do cristianismo histórico, poderemos ter uma nova religião sincrética no Brasil, uma seita que mistura traços de cristianismo com elementos de religiões afro-brasileiras, teologia da prosperidade e batalha espiritual em pouquíssimo tempo.
      
       Depois há o movimento “gospel”, que mostrou sua popularidade ao ter o festival “Promessas” veiculado pela emissora de maior audiência do país. Não me preocupa tanto o fato de que a Rede Globo exibiu o show, mas a mensagem que foi passada ali. A teologia gospel confunde “adoração” com pregação, exalta o louvor como o principal elemento do culto público, anuncia um evangelho que não chama pecadores e crentes ao arrependimento e mudança de vida, que promete vitórias mediante o louvor e a declaração de frases de efeito e que ignora boa parte do que a Bíblia ensina sobre humildade, modéstia, sobriedade e separação do mundo. Para muitos jovens, os shows gospel viraram a única forma de culto que conhecem, com pouca Bíblia e quase nenhum discipulado. O impacto negativo da superficialidade deste movimento se fará sentir nesta próxima geração, especialmente na incapacidade de impedir a entrada de falsos ensinamentos e doutrinas erradas.
       
        Notemos ainda o crescimento do interesse pela fé reformada, não nas igrejas históricas, mas fora delas, no meio pentecostal. Não são poucos os pentecostais que têm descoberto a teologia reformada – particularmente as doutrinas da graça, os cinco slogans (“solas”) e os chamados cinco pontos do calvinismo. Boa parte destes tem tentado preservar algumas idéias e práticas características do pentecostalismo, como a contemporaneidade dos dons de línguas, profecia e milagres, além de uma escatologia dispensacionalista. Outros têm entendido – corretamente – que a teologia reformada inevitavelmente cobra pedágio também nestas áreas e já passaram para a reforma completa. Mas o tipo de movimento, igrejas ou denominações resultantes desta surpreendente integração ainda não é previsível.
     
         O impacto das mídias sociais também não pode ser ignorado. E há também o número crescente de desigrejados, que aumenta na mesma proporção da apropriação das mídias sociais pelos evangélicos. Com a possibilidade de se ouvir sermões, fazer estudos e cursos de teologia online, além de bate-papo e discipulado pela internet, aumenta o número de pessoas que se dizem evangélicas mas que não se congregam em uma igreja local. São cristãos virtuais que “freqüentam” igrejas virtuais e têm comunhão virtual com pessoas que nunca realmente chegam a conhecer. Admito o benefício da tecnologia em favor do Reino. Eu mesmo sou professor a quinze anos de um curso de teologia online e sei a benção que pode ser. Mas, não há substituto para a igreja local, para a comunhão real com os santos, para a celebração da Ceia e do batismo, para a oração conjunta, para a leitura em uníssono das Escrituras e para a recitação em conjunto da oração do Pai Nosso, dos Dez Mandamentos. Isto não dá para fazer pela internet. Uma igreja virtual composta de desigrejados não será forte o suficiente em tempos de perseguição.
   
        Eu poderia ainda mencionar a influência do liberalismo teológico, que tem aberto picadas nas igrejas históricas e pentecostais e a falta de maior rapidez e eficiência das igrejas históricas em retomar o crescimento numérico, aproveitando o momento extremamente oportuno no país. Afinal, o cristianismo tem experimentado um crescimento fenomenal no chamado Sul Global, do qual o Brasil faz parte. Algumas coisas me ocorrem diante deste quadro, quando tento organizar minha cabeça e entender o que se passa.

1 – Historicamente, as igrejas cristãs em todos os lugares aqui neste mundo atravessaram períodos de grande confusão, aridez e decadência espiritual. Depois, ergueram-se e experimentaram períodos de grande efervescência e eficácia espiritual, chegando a mudar países. Pode ser que estejamos a caminho do fundo do poço, mas não perderemos a esperança. A promessa de Jesus quanto à Sua Igreja (Mateus 16:18) e a história dos avivamentos espirituais nos dão confiança.

2 – Apesar de toda a mistura de erro e verdade que testemunhamos na sincretização cada vez maior das igrejas, é inegável que Deus tem agido salvadoramente e não são poucos os que têm sido chamados das trevas para a luz, regenerados e justificados mediante a fé em Cristo Jesus, apesar das ênfases erradas, das distorções doutrinárias e da negligência das grandes doutrinas da graça. Ainda assim, parece que o Espírito Santo se compraz em usar o mínimo de verdade que encontra, mesmo em igrejas com pouca luz, na salvação dos eleitos. Não digo isto para justificar o erro. É apenas uma constatação da misericórdia de Deus e da nossa corrupção. Se a salvação fosse pela precisão doutrinária em todos os pontos da teologia cristã, nenhum de nós seria salvo.

3 –  Deus sempre surpreende o Seu povo. É totalmente impossível antecipar as guinadas na história da Igreja. Muito menos, fazer com que aconteçam. Há fatores em operação que estão muito acima dos poderes humanos. Resta-nos ser fiéis à Palavra de Deus, pregar o Evangelho completo – expositivamente, de preferência – viver uma vida reta e santa, usar de todos os recursos lícitos para propagar o Reino e plantar igrejas bíblicas e orar para que nosso Deus seja misericordioso com os seus eleitos, com a Sua igreja, com aqueles que Ele predestinou antes da fundação do mundo e soberanamente chamou pela Sua graça, pela pregação do Evangelho."

Reverendo Augustus Nicodemus Lopes
O Tempora O Mores