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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A Universal e o "demônio" arrependido pregador da Palavra

     A cada dia a igreja Universal nos surpreende com as suas bizarrices. Parece uma disputa entre a IURD de Macedo e a IAPTD de Agenor Duque para quem vai ganhar o troféu heresia do ano. Esses caras deixam os heresiarcas da igreja primitiva no chinelo e inventam histórias que até “Deus duvida”. A Universal adora fazer entrevistas com o “capiroto” e isso não é novidade para ninguém. Os pastores fazem até pregações em cima das revelações do “tinhoso”! Mas o cúmulo do absurdo foi um vídeo postado pelo bispo Edir Macedo, onde durante uma sessão de descarrego, prática espírita muito comum na IURD, o bispo Rogério Formigoni faz uma “entrevista” com uma mulher supostamente possuída por um “demônio”. A filmagem inicia com ela já falando com a voz característica de quem está tomada por um espírito imundo. Gravado dentro de um templo, com toda a pompa e sensacionalismo, a mulher aparece no “altar”, sendo segura pelos cabelos, enquanto os fiéis cantam um louvor. O bispo ergue a mulher que começa a vociferar:
“Desgraçado, você tomou meu lugar. Você está no coração dele [Deus] e eu fui expulso”, diz o que seria o demônio que possuía a mulher. E continua: “Você tem direito a uma coisa que eu queria. Você tem direito à salvação e eu não posso”.
       Vamos dá uma paradinha aqui. O suposto “demônio” se mostra arrependido e anseia pela salvação. Isso mesmo, nobre leitor! Nos é apresentado aqui, um “demônio” que anseia pela salvação, mas devido à sua situação, ele já não tem mais esse direito. Mas não é isso que a Palavra de Deus ensina. A Bíblia diz que o diabo está tão “arrependido”, que usará de todas as suas forças nos últimos dias para tentar distorcer, reprimir e destruir a palavra de Deus. Ele e seus anjos trabalham incansavelmente em prol da destruição de ser humano. O próprio Jesus, em uma analogia, disse que o “ladrão veio para matar, roubar e destruir” (Jo. 10-10). Isso nos mostra um pouco da ambição de Satanás em relação ao ser humano. O livro de Apocalipse também nos traz um vislumbre da verdadeira natureza e intenções de Satanás, enganar as pessoas:
“O grande dragão foi lançado fora. Ele é a antiga serpente chamada diabo ou Satanás, que engana o mundo todo. Ele e os seus anjos foram lançados à terra. ” (Ap. 12:9) (NVI)
E também o apóstolo Pedro:
“Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar. ” (1 Pedro 5:8) (NVI)
        Continuando, a mulher supostamente endemoninhada diz: “Eu faria tudo para ter mais uma chance, e esses desgraçados não aproveitam, brincam. O inferno é deles”, confessa. O bispo esclarece que ela está se referindo à salvação. Logo em seguida, Formigoni questiona: “Se você tivesse uma única chance ainda para ser salvo, como você faria? ”
“Eu agarraria com toda minha força, eu faria de tudo, de tudo! Eu buscaria Ele todo dia, todo minuto, todo segundo”. Perguntada pelo bispo se voltaria nos cultos de meio de semana, a entidade discorda: “Eu tava aqui todos os dias. Eu ia servir a Ele com o melhor de mim”. Para terminar (como não podia deixar de falar de dinheiro) o bispo indaga ao “demônio” se ele seria dizimista fiel, e a resposta ouvida foi:  “Seu Deus, ele dá o melhor. Ele é zeloso”. Voltando-se para os presentes, Formigoni chama atenção para o que acabou de ouvir. “Não é forte isso? … O Diabo sabe como é o reino de Deus.” 

       O demônio da Universal está arrependido, prega a palavra de Deus e ainda por cima dá lições sobre dízimo e ofertas! Esse é dos “bão” mesmo! A mulher termina fazendo uma “revelação” acerca do inferno: “Horrível. Fogo, grito, dor, tormento, 24 horas tem alma gritando para Ele [Deus] dar mais uma chance. O pior de tudo é que o seu Deus não vai dar”. Formigoni expulsa então o demônio da mulher, pedindo que todos os crentes no local orassem com ele. A mulher cai e, quando se levanta, já recomposta, fala com sua voz "normal", dizendo estar aliviada.

      Diante de uma situação dessas, temos três opções: 

1) ou essa senhora foi muito bem paga para fazer esse teatro;
2) ou ela sofre de algum caso severo de esquizofrenia ou outra doença mental; 
3) ou de fato, é mesmo uma possessão onde o demônio está usando suas habilidades e mentiras para manter essas pessoas mais aprisionadas às essas seitas neo pentecas. Ele usa suas distrações e mentiras, desviando o foco da Verdade do Evangelho. Pois isso nunca foi, nem será Evangelho! 

       Mas será que o diabo não é obrigado à falar a verdade mediante ao nome de Jesus? Creio que se tivesse um propósito específico e Jesus desse uma ordem direta à ele, creio que sim. Mas não é esse o caso. Eles usam desse sensacionalismo para enganar as pessoas. E nisso Nosso Senhor não tem parte! Jesus disse que o diabo é mentiroso:
“(...) Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira. ” (João 8:44b) (grifo meu)
       Será que podemos confiar em que Satanás diz? De forma alguma! Devemos confiar na Palavra de Deus e usá-la como direção para as nossas vidas, pois “a Tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho. ” (Salmos 119:105); Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. (João 17:17) (grifo meu)

Paz do Senhor à todos que estão em Cristo.
Maranata!

Prof. Saulo Nogueira

Assista o vídeo:


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O Yom Kipur e a lambança Teológica de Agenor Duque

Celebração do dia do perdão
       O Yom Kippur (yom hakkippurim) ou Dia da Expiação é uma festa anual apresentado em Levítico 16; 23.26-32 como o ato supremo da expiação nacional pelo pecado do povo:

“Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: Mas aos dez dias desse sétimo mês será o dia da expiação; tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao Senhor. E naquele mesmo dia nenhum trabalho fareis, porque é o dia da expiação, para fazer expiação por vós perante o Senhor vosso Deus. Porque toda a alma, que naquele mesmo dia se não afligir, será extirpada do seu povo. Também toda a alma, que naquele mesmo dia fizer algum trabalho, eu a destruirei do meio do seu povo. Nenhum trabalho fareis; estatuto perpétuo é pelas vossas gerações em todas as vossas habitações. Sábado de descanso vos será; então afligireis as vossas almas; aos nove do mês à tarde, de uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sábado”. (Levítico 23:26-32) (NVI)

       Ocorria no dia 10 do sétimo mês, Tisri, marcado por um período de profunda análise da alma, e aponta para a tristeza e o arrependimento de Israel na segunda vinda de Cristo (Lv 23.29; Nm 29.7; Zc 12.10ss.; 13.6; Mt 25.30; Ap 1.7). Além das ofertas diárias regulares, deveriam ser oferecidos um bezerro, um carneiro e sete cordeiros, uma oferta de manjares de flor de farinha misturada com azeite e um bode, para expiação do pecado (Nm 29.7-11). O jejum era ordenado desde o entardecer do dia 9 até o entardecer do dia 10, acompanhando a santidade incomum deste dia. Neste dia era feita uma expiação pelo povo, pelo sacerdócio e pela tenda da congregação, porque esta morava “com eles no meio das suas imundícias” (Lv 16.16).

O ritual


       Este era dividido em dois atos, um desempenhado em favor do sacerdócio, e um em favor da nação de Israel. O sumo sacerdote, que havia se mudado uma semana antes desse dia de sua própria habitação para o santuário, apresentava-se no Dia da Expiação e, tendo se banhado e posto de lado o seu traje normal de sumo sacerdote, vestia-se com uma roupa de linho branco sagrada. Essas roupas não tinham nenhum dos ornamentos das peças usadas normalmente pelo sumo sacerdote e incluíam apenas os calções, a túnica, o cinto e a mitra, e todas eram feitas com linho branco. Essa variação no vestuário representava a extraordinária solenidade e a importância dessa cerimônia de expiação. A simplicidade e a brancura das vestes, assim como seu uso apenas durante essa cerimônia, indicavam a pureza e a santidade necessárias para entrar no Santo dos Santos ou no Lugar Santíssimo, onde Deus habitava entre os querubins.

       O sacerdote apresentava um novilho como uma oferta pelo pecado, por si mesmo e pela sua casa. Os outros sacerdotes, que em outras ocasiões serviam no santuário, neste dia tomavam seus lugares com a congregação pecadora por quem a expiação deveria ser feita (Lv 16.17). O sumo sacerdote matava a oferta pelo pecado por si mesmo e entrava no Santo dos Santos com um incensário, para que uma nuvem de incenso pudesse encher o ambiente e cobrir a arca para que ele não morresse. Então ele voltava com o sangue da oferta pelo pecado e o aspergia sobre a frente do propiciatório, e sete vezes diante do propiciatório para a purificação simbólica do Santo dos Santos, contaminado por estar presente entre o povo pecador. Tendo feito a expiação por si mesmo, ele retornava ao pátio do santuário. Em seguida, o sumo sacerdote apresentava os dois bodes, que haviam sido trazidos como a oferta pelo pecado do povo, ao Senhor, à porta do Tabernáculo e lançava sortes sobre eles, sendo que um era destinado a Jeová e o outro a Azazel (ou bode emissário). O bode sobre o qual a sorte havia caído era morto para o Senhor, e o sumo sacerdote repetia o ritual de espargir o sangue como antes. Além disso, ele purificava o lugar santo espargindo o sangue sete vezes, e, no final, purificava o altar de ofertas queimadas.

               Deve ser observado que o sistema sacrificial hebraico tinha a intenção de cuidar principalmente dos pecados por acidente, inadvertência, profanação cerimonial e assim por diante, e nenhuma expiação era providenciada para as transgressões cometidas em um espírito de absoluta obstinação contra o caráter da aliança (Nm 15.30). Nesse dia é proibido comer ou beber, banhar-se, usar sandálias ou deliciar-se na relação sexual. Quando o dia caía em um sábado, a obrigação do jejum assumia precedência sobre a maneira normal da observância do Sábado. (M. Menahott 11.9).

       Esse cenário forma a base para a presença do sangue de Cristo no NT. O derramamento do sangue de Jesus na cruz encerrou sua vida terrena, pois Ele, voluntariamente, ofereceu-se para morrer em nosso lugar, como o Cordeiro de Deus que foi assassinado para nos redimir (1 Pe 1.18-20; Ap 5.6,9,12); e a aspersão desse sangue trouxe o perdão de todos os pecados dos homens (Rm 3.25). Seguindo o padrão do Dia da Expiação dos judeus (Lv 16), Cristo é o nosso sacrifício expiatório (Hb 9.11-14; 1 Jo 2.2; Ap 1.5) e também a nossa oferta pelo pecado (1 Pe 1.18,19; Ap 5.9). Assim como Moisés selou o pacto entre Deus e a antiga nação de Israel, no Sinai, com a aspersão de sangue (Êx 24.8; cf. Hb 9.19-21), também o novo pacto de Jeremias (31.31-34) foi selado pelo sangue de Cristo (Hb 9.14,15; 10.14-19,29; 13.20). Ao instituir a Ceia do Senhor, Jesus falou do cálice como “o Novo Testamento ou aliança” no seu próprio sangue (1 Co 11.25; Lc 22.20; cf, Mc 14.24).


Como os Judeus veem essa questão? 


A transcrição abaixo, foi retirada de um site judaico e mostra a relação do Judaísmo com esse ritual:


“(...) Mas como Yom Kipur consegue isto? A expiação não é meramente a remissão da punição pelo pecado; significa também que a alma de um judeu é purificada das máculas causadas pelo pecado. Além disso, não apenas nenhuma impressão das transgressões permanece, como as transgressões são transformadas em méritos. Que isto possa ser atingido através de teshuvá é compreensível; um judeu sente genuíno remorso pelas falhas cometidas erradicando o prazer que extraiu dos pecados. Sua alma é então purificada. O próprio pecado deve ser visualizado como uma contribuição ao processo de teshuvá.(grifo meu)

        Como está claro, para aqueles que não aceitam o sacrifício do Nosso Senhor Jesus Cristo, o Dia da Expiação é extremamente importante para que eles (dentro da visão judaica), recebam o perdão dos seus pecados. Essa é a forma que os judeus fazem. Eles não aceitam o sacrifício perfeito de Jesus. Então eles precisam repetir anualmente uma cerimônia que prefigurava o sacrifício único do Messias. Dentro de um contexto sem Jesus, é até compreensível que se faça isso! 

       Mas, o sacrifício de Jesus foi suficiente ou é necessário, que nós cristãos, façamos algum ritual para corroborar ou até mesmo substituir esse sacrifício? Seria correto os cristãos observarem esse ritual, visto de que aceitamos o sacrifício de Jesus, o Cristo? Para respondermos à essas questões usaremos o livro de Hebreus, que trata exaustivamente de algumas questões relacionadas aos rituais do povo de Israel e especificamente acerca do sacrifício. Vejamos:
“Estando tudo assim preparado, os sacerdotes entravam regularmente no Lugar Santo do tabernáculo, para exercer o seu ministério. No entanto, somente o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, apenas uma vez por ano, e nunca sem apresentar o sangue do sacrifício, que ele oferecia por si mesmo e pelos pecados que o povo havia cometido por ignorância. Dessa forma, o Espírito Santo estava mostrando que ainda não havia sido manifestado o caminho para o Santo dos Santos enquanto ainda permanecia o primeiro tabernáculo. ” (Hebreus 9:6-8) (grifo meu)
        Aqui, o autor de Hebreus relembra seus leitores de como era realizado o sacrifício pelo Sumo sacerdote, dentro do contexto da Antiga Aliança e sua relevância para o perdão do povo de Israel. O autor continua:
“Isso é uma ilustração para os nossos dias, indicando que as ofertas e os sacrifícios oferecidos não podiam dar ao adorador uma consciência perfeitamente limpa. Eram apenas prescrições que tratavam de comida e bebida e de várias cerimônias de purificação com água; essas ordenanças exteriores foram impostas até o tempo da nova ordem. (Hebreus 9:9,10) (NVI) grifo meu.

        A partir desses versículos, o autor começa a demonstrar, inspirado pelo Espírito Santo, que esses rituais eram transitórios e apontavam para o verdadeiro sacrifício, que seria realizado pelo Messias:
“Quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação. Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, e obteve eterna redenção. Ora, se o sangue de bodes e touros e as cinzas de uma novilha espalhadas sobre os que estão cerimonialmente impuros os santificam de forma que se tornam exteriormente puros, quanto mais, então, o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, de modo que sirvamos ao Deus vivo! ” (Hebreus 9:11-14) (NVI) (grifo meu)
         Acredito que mais claro que isso, impossível! O Filho tornou-se o Sacerdote Supremo e Perfeito para todos os homens (e não exclusivamente o representante do povo da antiga aliança). Ele é o Sacerdote Supremo porque sua reconciliação não precisará jamais ser repetida, ano após ano, e pelos mesmos pecados, mas foi feita “de uma vez por todas”. Ele é o perfeito Sacerdote-Salvador porque verdadeiramente realizou a remoção real do pecado e a redenção do pecador ao invés de simplesmente cobrir o que ainda permanece na consciência. Mantendo a imagem do Dia da Expiação, o Senhor Jesus é representado como o Supremo Sumo Sacerdote!


       Mas parece que o “apóstolo” Agenor Duque pensa diferente. Pois como você poderá perceber pelo vídeo abaixo, auxiliado por Yossef Akiva (ou seria José Marcelo Pessoa de Paula), ele acredita que a observância do Dia de Yom Kipur é essencial para a vida cristã, além de trazer inúmeros “benefícios” para aqueles que celebram essa data. Não faço uma crítica aqui, o simples fato de um líder ensinar sua igreja a importância do arrependimento para a vida cristã, que devemos sempre estar orando à Deus pedindo perdão pelos nossos pecados e até separar um dia para que a igreja, em comunhão faça um jejum voluntário e oração. Isso é até louvável e oportuno e também indiscutível! Porém um líder ensinar seus membros a seguirem festas judaicas que eram sombras da verdadeira revelação em Jesus Cristo, que já não fazem sentido à luz da Nova Aliança e ainda por cima usar desse artifício para arrancar dinheiro dos fiéis, é um absurdo! 

         Mas como Duque não é tão inocente assim, ele em momento nenhum diz que o sacrifício de Jesus não vale mais, ou que é necessário o uso do sangue, como os sacerdotes faziam antigamente. Ele transforma o sangue do sacrifício em uma oferta financeira! Isso mesmo. Ele diz que após o jejum, ninguém deverá se apresentar à Deus de mãos vazias, mas trazer sua “oferta voluntária” simbolizando o sangue nas mãos do sacerdote. Assista:


Bom, se você conseguiu ver todo o vídeo irá perceber:


1) Já no início do vídeo Akiva se diz detentor de um conhecimento especial que lhe foi revelado por Deus e que deveria compartilhar essa “nova revelação”. Esse seria um conhecimento restrito, que poucos tem acesso à ele. Para quem conhece um pouco de história, irá perceber que o que ele faz é ressuscitar uma heresia, combatida pela igreja desde o período apostólico, chamada gnosticismo, onde os precursores dessa heresia se diziam conhecedores de verdades ocultas e mistérios, alegando um conhecimento (gnose) esotérico e secreto revelada para os “iniciados”. Durante todo o vídeo, o leitor irá perceber uma gama de elementos cabalísticos e esotéricos, estilo Paulo Coelho, utilizados como “verdades” bíblicas e insinuações de que existe um “segredo” de que aqueles que o conhecem, tem poder sobre o mundo espiritual.

2) A partir dos 18:00 minutos do vídeo, Akiva defende o uso de Atos proféticos que, segundo ele, abrem “portas” de interligação entre o mundo físico e o mundo espiritual. Defende que as portas que são colocadas no meio da igreja plenitude, para que as pessoas passem por debaixo delas, dão acesso ás oportunidades. Ele continua dizendo que existem três portas, que são abertas em determinados períodos: Páscoa, Tabernáculos e Pentecostes (além da porta do Sábado que se abre a cada 7 dias, só faltou dizer que a igreja também deveria guardar o sábado!). E o “cabalismo” continua até que o “apóstolo” (a partir 37:30) reassume o controle do microfone para dizer a todos aqueles que seguem o calendário Gregoriano estão debaixo do jugo de Roma. Ele diz que Deus não fez domingo, mas fez a "primeira-feira", mas o “papa Domiciliano” (sic) tirou a primeira feira e colocou o domingo. Talvez ele não saiba, mas Domiciano e não “Domiciliano” nunca foi papa, mas um imperador Romano, grande perseguidor da igreja primitiva que nada teve a ver com a mudança de calendário. O nosso calendário foi instituído pelo Papa Gregório em 1.582, quase 1.500 anos depois do reinado de Domiciano. Ele continua dizendo que não existe ano de 2016, pois estamos no ano 5.77... aí ele pede ajuda ao Akiva, pois nem ele sabe em que ano está! E conclui: “Desde a criação do homem no sétimo dia....” (Sim, ele disse isso!) que as pessoas comemoram a virada do ano na época errada, onde nada ocorre no mundo espiritual, pois o ano novo que deve ser seguido é o ano novo Judaico.

3) Akiva reassume o microfone dizendo que: “Mandamento perpétuo não pode ser mudado (...)” O que talvez ele não saiba ou finge não saber, é que a circuncisão e guarda do sábado, assim como a celebração da Páscoa Judaica e das outras festas, também são estatutos perpétuos ordenados à Israel. Pegando pelo argumento dele, então a igreja hoje deve seguir todos os estatutos perpétuos da Bíblia, inclusive a circuncisão! O pastor Akiva poderia terminar muito bem a mensagem (aliás ele disse muitas coisas corretas) dizendo que Jesus foi o cumprimento desse ritual e hoje a igreja não necessita mais de realizar o Yom Kipur, pois o sacrifício foi feito uma vez por todas e que todo dia é dia de Perdão! Mas ele preferiu ir pelo caminho oposto e ensinar a igreja a se voltar para as sombras e rudimentos judaicos e ainda dizer que as “coisas” acontecem na Plenitude devido à obediência dessa igreja à esse ritual. Diz também que a igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus está na vanguarda, pois é a única igreja cristã que celebra o Yom Kipur (Porquê será?) e usa de um pragmatismo tolo ao dizer que existem igreja muito mais antigas que não tem uma parte dos membros que a Plenitude tem (por que será?). Akiva termina sua participação, dizendo:

“Se só Jejuar, se só orar, se só se consagrar e, na hora fatídica de selar, não tiver o seu sacrifício, perdeu tempo”. 

Entenderam? O sacrifício (financeiro, claro) é muito mais importante! 

       E, finalizando, Agenor Duque ao ser lhe dirigida a palavra como o anjo da igreja, abre o jogo de como será esse “sacrifício”. Aí você já pode imaginar o que vem por aí, vindo desse movimento denominado Teologia da Prosperidade. Mas antes ele tenta intimidar a igreja, impedindo as pessoas de saírem, pede para que os obreiros fechem as portas do templo e começa o festival de ameaças. Primeiro, ele diz que o fiel talvez não esteja vivo no ano que vem e aquela pode ser a sua última oportunidade. Depois coloca um vídeo do Silvio Santos (que é judeu), para corroborar com a sua visão. O problema é que se você prestar atenção, perceberá que o próprio Silvio Santos detona toda a artimanha do “apóstolo”. Dando tons mais severos às suas ameaças, Duque diz que havia um bispo  da sua igreja que disse que o Yom Kipur “é coisa de judeu, eu não sou judeu, eu sou cristão” e, por não ter se consagrado, aquele ano, Deus deu fim ao ministério dele. Tipo essas pragas e correntes de internet, que se você não repassar vai encontrar sua mãe morta atrás da porta, você vai morrer ou uma grande desgraça vai se abater sobre sua vida.

       Exatamente, às 01:31 min. do vídeo ele diz: “Ah! Um detalhe. ” Aí você vai entender o sentido de todo esse ritual e para onde converge a ministração do sr. Akiva. Ele apresenta um envelope onde será trazida a “oferta de sacrifício. Nele o fiel deverá colocar ou um valor de 2.017,00 reais, ou o fiel vai colocar uma oferta de 1.000,00 reais. Cada pessoa também irá receber uma Mezuzah, que é um artefato judaico que deve ser afixado na porta de cada dependência do lar (e não pendurado no pescoço como ele faz), para “proteger” os moradores e “afastar os infortúnios”. 

Mezuzah
(Veja esse link que explica como a Mezuzah deve ser colocada. Você perceberá que Agenor Duque quer sincretizar judaísmo com cristianismo, porém ele nem entende o que ele está fazendo. A Mezuzah que ele oferece é uma ofensa ao conceito judaico!)

       Infelizmente, é muito difícil ter que escrever sobre isso. Mas é necessário. Pessoas estão seguindo líderes que vem com aparência de piedade, mas no fundo são lobos devoradores. E essas não são somente minhas palavras, a própria Palavra de Deus nos alerta sobre isso:

“No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade. Em sua cobiça, tais mestres os explorarão com histórias que inventaram. Há muito tempo a sua condenação paira sobre eles, e a sua destruição não tarda. ” (2 Pedro 2:1,3) (NVI) grifo meu.
       Não existe celebração nem ritual de Yom Kipur para a igreja. Os apóstolos nada ensinaram a igreja sobre isso, nem os pais da igreja, nem os reformadores. Ensinaram sim, o verdadeiro significado e o cumprimento em Jesus. Não existe perdão sem derramamento de sangue! (Hb 9.22) O Yom Kipur dos Judeus, por não haver o sacrifício com o derramamento de sangue está incompleto. Os Judeus Messiânicos que celebram o Yom Kipur como um dia de perdão e arrependimento, entendem que sem o sangue esse ritual não faz sentido. Mas por crerem em Yeshua, o Messias, acreditam que é o Seu sangue que nos redime do pecado. Eles celebram essa festa como parte de sua identidade judaica e como um dia de reflexão sobre o novo ano que se inicia. Porém, entendem que sem o sacrifício do Messias não existe verdadeiro perdão.  Para encerrar, deixo as palavras do rabino Marcelo M. Guimarães, Judeu Messiânico sobre o Yom Kipur:

“Para o povo Judeu que não acredita em Yeshua, o processo de arrependimento é complicado pelo fato de que há muitos textos bíblicos que são lidos nos cultos do dia da expiação que mencionam a necessidade de sangue e sacrifício para a perdão de pecados. Aqueles que acreditam em Yeshua, o Messias, sabem que o sangue de bodes e touros não mais corre no altar para expiar os pecados de Israel, mas o sangue derramado por Yeshua por nossas transgressões está ainda disponível para expiar e perdoar e redimir os judeus de seus pecados. Minha oração neste ano é que durante estes dez dias de arrependimento o Senhor revelará ao Seu povo amado, que já proveu o cordeiro para expiação dos pecados. Por outro lado, minha oração é também para que o mundo cristão gaste tempo e avalie seus erros e pecados coletivos e individuais cometidos, e gaste mais tempo ainda reaplicando o sangue de Yeshua que está ainda fresco e não seco, capaz de perdoar os pecados da humanidade. ”
       
       Mas parece que o “apóstolo” prefere se voltar aos rudimentos da fé, dando ouvidos à fábulas engenhosas, costurando o véu que Jesus rasgou e levando atrás de si uma multidão ávida pelas riquezas desse mundo. E o pior: se utiliza de um ritual que não é necessário ser repetido pela Igreja para explorar a fé dos fiéis com sacrifícios financeiros. Que esse senhor se converta verdadeiramente ao Eterno e passe a pregar o verdadeiro Evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo. Ainda há tempo. 
“Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos. (2 Timóteo 4:3,4) (NVI) (grifo meu)
“Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado! (Gálatas 1:6-9) (grifo meu)
Paz do Senhor à todos os que estão em Cristo Jesus.

Maranata!

Prof. Saulo Nogueira

Referências Bibliográficas:

Dicionário Bíblico Wycliffe - 2ª edição - Rio de Janeiro: CPAD, 2007;

Tenney, Merrill C. Enciclopédia da Bíblia Volume 3. 1ª edição - São Paulo: Cultura Cristã, 2008;

http://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/659934/jewish/Significado.htm; 

http://www.chabad.org.br/mitsvot/mezuza/home.htm;

http://ensinandodesiao.org.br/artigos-e-estudos/yom-kipur-dia-do-perdao/;

(acesso em 18/10/2016)


segunda-feira, 4 de abril de 2016

O apóstolo Paulo vendia lenços consagrados para curar os enfermos?

      Um pseudoapóstolo tupiniquim disse em resposta á uma pastora, que tem base bíblica para vender indulgências modernas, como os famigerados "lencinhos ungidos". Mas antes de prosseguir, sugiro que para entender a história, leia esse artigo

       Bom, agora que voltamos e, você está de boca aberta com tanta bobagem, perguntamos: existe base bíblica para defender a venda de "lencinhos ungidos"? O texto base usado pelos pregadores da prosperidade é Atos 19, onde se diz:

"E Deus pelas mãos de Paulo fazia milagres extraordinários, de sorte que lenços e aventais eram levados do seu corpo aos enfermos, e as doenças os deixavam e saíam deles os espíritos malignos." (Atos 19:11,12)

     Esse texto pode ser usado para defender essa prática, muito comum nessas denominações? Vamos fazer uma análise sistemática desse versículo, desmascarando que ao contrário do que eles pregam, jamais foi a intenção, nem de Paulo, nem de nenhum outro apóstolo dar brecha para que essa abominação atualmente fosse feita.

Pano de Fundo

      Paulo, após sua miraculosa conversão e chamado, se tornou um pregador itinerante. Porém, exercia trabalhos manuais, como a fabricação de tendas para se sustentar e não ser pesado à nenhuma igreja (At. 18.3). Paulo era um apóstolo e trabalhador incansável, que, quando não estava exercendo seu ofício, estava pregando o evangelho. Durante o período em que passou em Éfeso, um pouco mais de dois anos, Paulo exerceu grande influência e obteve significativo êxito, que foram relatados por Lucas:


“Todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos” (19.10); “assim, a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia” (19.20).

      "Em Éfeso, ele desempenhou o ministério na sinagoga durante cerca de três meses, e depois passou a pregar no edifício de Tirano durante dois anos. Era uma característica de Paulo levantar cedo e executar a tarefa do dia com as suas mãos — provavelmente junto com Aqüila em sua profissão de fazer tendas para sustentar a si mesmo e aos seus colegas (At. 20.34) — e depois pregar e ensinar durante cinco horas enquanto dispunha do uso do edifício. Evidentemente, ele passava as noites ministrando aos convertidos, pois lembrou aos anciãos de Efeso: "... durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar, com lágrimas, a cada um de vós” (At. 20.31). Paulo foi um dos mais consagrados e abnegados pregadores de todos os tempos. Uma vez, ele disse: “eu tenho trabalhado mais do que eles” (2 Co 11.23, Phillips). Sua vida e sua obra são um desafio a todo ministro da atualidade que foi chamado por Deus."[1]

       Essa pregação no edifício de Tirano continuou pelo espaço de dois anos. Como aconteceu em Corinto, o ministério de Paulo era dividido em duas partes. Em Corinto, o apóstolo discutiu na sinagoga todo sábado (At. 18.4), durante um desconhecido período de tempo, e ensinou a Palavra de Deus na casa de Justo durante um ano e meio (At. 18.7-11). 

       Analisando a narrativa do livro de Atos dos apóstolos, alguns dos métodos usados podem parecer um pouco surpreendentes para nós. Mas temos que term em mente, que Atos é um livro descritivo, não normativo. E nem tudo que ocorreu naquele momento ímpar da história, ocorrerá necessariamente nos dias de hoje. O texto diz que do corpo de Paulo, eram levados lenços — lenços usados na cabeça e aventais (lit., aventais dos trabalhadores).[2] Estas peças de tecido, que Paulo usava no trabalho, não produziam, de fato, nenhuma cura. Mas Deus pode se ajustar à demanda humana por alguma coisa tangível, pois até o Senhor Jesus usou terra e saliva (Jo. 9.6) como amparos materiais para uma fé frágil demonstrada pelas pessoas (cf. At. 5.15; Lc. 8.44). Deus pode trabalhar com ou sem materiais intermediários. Neste caso, as pessoas não só eram curadas das doenças, como os demônios eram expulsos. Devemos entender essas atitudes, dentro de um contexto judaico, onde sacrifícios, atos proféticos e outras coisas palpáveis eram comuns como forma muito mais didática do que dogmática em si. 

      Porém, em momento nenhum, a igreja primitiva usou desses recursos para ganhar dinheiro ou fazer campanhas onde esse material fosse utilizado como elemento místico, como vemos no atual cenário das igrejas neopentecostais. E tem mais: os reformadores lutaram ferozmente contra esse tipo de misticismo durante a Idade Média, abrindo os olhos dos fiéis contra qualquer tipo de doutrina que os levasse à idolatria, veneração de relíquias, ou elementos dotados de "poderes", como água benta e ossos de santos. Por mais que a situação estivesse crítica naquele período, os proponentes da atual venda de indulgências estão conseguindo superar a própria igreja de Roma em seus devaneios heréticos. (Veja aqui, aqui e aqui.)
       
       Interessante é que os modernos "apóstolos" se acham no direito de repetir aquilo que os verdadeiros apóstolos de Cristo faziam, porém, não os imitam nas questões concernentes à viver uma vida de abnegação e renúncia, se afastando da cobiça e da inveja, mas pelo contrário, se degladiam  por horários de TVs superfaturados e só envergonham o Verdadeiro Evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo. Vender lencinho "ungido" é fácil. Difícil mesmo é colocar a própria vida em risco por causa do Evangelho, como Paulo e os demais fizeram. Defender a Verdade das heresias que impregnam as denominações. Se levantar no meio de uma geração corrupta e perversa para desmascarar a hipocrisia, a mentira e o engano. Isso sim é que é difícil. E, já que gostam de imitar o feitos do verdadeiros apóstolos, porque também não são arrebatados de uma nação para outra para a divulgação mais rápida do evangelho, como ocorreu com Felipe (At. 8.39), que nem apóstolos era, ao invés de comprar jatinhos de luxo?

       Mesmo diante desses exemplos, temos que entender que jamais Paulo ou qualquer apóstolo vendeu esses lenços ou, muito menos, construiu impérios e fortunas através desse ato. Muito pelo contrário, morreram sem honras humanas ou riquezas, mas ajuntaram tesouros no céu, "onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam". (Mateus 6:20)

     Os defensores dos vendedores e cambistas do templo, tentando defender o indefensável, vão dizer que esses lenços não são vendidos, mas são doados para aqueles que depositam sua "oferta" no "altar de Deus". Bom, chamem do que quiser, mas se um valor é estipulado sobre determinada mercadoria, e o freguês paga aquele valor determinado, ele está de fato comprando o referido produto. E não adianta mentir: eles vendem sim, e de maneira descarado e absurda, tentando enganar os mais incautos de que receberão o lenço em troca de uma oferta. 


        Para finalizar, deixo aqui algumas questões relevantes levantadas pelo Pastor Renato Vargens em seu Blog:

1-) O livro de Atos é um livro histórico, e não doutrinário, além disso não encontramos nas epístolas bem como em todo Novo Testamento orientações por parte de Jesus e dos apóstolos sobre a necessidade de ungir lenços, aventais e semelhantes.

2-) O ocorrido em Atos 19:11-12, foi a narrativa  de que algumas pessoas tiveram contato com as peças de roupa de Paulo sendo curadas de suas enfermidades. Ao ler o texto sou tomado pela convicção que Paulo não tomou a iniciativa de ungir lenços e aventais. Na verdade, o texto nos trás a ideia que isso aconteceu de forma espontânea e não dogmática.

3-) Embora Deus tenha curado inúmeras pessoas através dos lenços e aventais de Paulo, conforme é mencionado no capítulo 19 de Atos, em todo o Novo Testamento não encontramos nenhuma permissão ou ordem nas Escrituras ensinando ou orientando a prática de distribuição de objetos ungidos. Ademais, vale a pena ressaltar que do ponto de vista hermenêutico não devemos elaborar ou instituir doutrinas em textos isolados, o que é o caso de Atos 19.

4-) Em nenhum lugar no Novo Testamento, encontramos Jesus ou os apóstolos orientando a igreja a ungir objetos.

5-) Em Atos 19, vemos que os lenços foram levados aos enfermos e não vendidos ou comercializados, isto é, não existiu o comércio dos lenços ou dos aventais ungidos, como acontece nos dias de hoje, mesmo porque, a  prática da simonia era fortemente rechaçada pelos apóstolos e igreja.

6-) Não encontramos nos reformadores nem tampouco na Reforma protestante o incentivo aos crentes possuírem objetos mágicos. Na verdade, vemos os reformadores condenando o uso de utensílios como instrumentos de bênçãos e milagres.

     Diante do exposto, creio que é indefensável, com base bíblica, a venda de lenços ungidos ou similares e, que somente através de uma distorção do texto é possível defender essa prática em nosso meio. 

Soli Deo Gloria.

Prof. Saulo Nogueira

Referências:
[1] Comentário Bíblico Beacon, João à Atos, Vol. 7. 1ª edição - Rio de Janeiro: CPAD, 2006. pg. 353
[2] Ibid. pg. 354
Dicionário Bíblico Wyclif.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Os primeiros frutos do Congresso de "Avivamento" do "apóstolo" Agenor Duque

     A cantora e pastora Ana Paula Valadão participou do 8º Congresso Fogo de Avivamento para o Brasil organizado pelo "apóstolo" Agenor Duque com a participação de Benny Hinn. O evento aconteceu de 4 a 10 de fevereiro no Estádio do Canindé, em São Paulo, e atraiu milhares de pessoas. Durante sua ministração, Ana Paula alertou os presentes que a toalha “ungida” comercializada ou doada pela igreja organizadora do evento não fazia milagres, assim como ela e os demais ministros que participariam do evento. A líder do Diante do Trono ministrou durante uma das canções que os milagres são feitos por Jesus e que Ele é que deve ser adorado.
“Você recebeu um símbolo para ajudar na sua fé (sic) que é uma toalhinha, daqui a pouco mais pessoas de Deus vão orar aqui e você vai ser curado, vai receber vitórias. Mas eu quero dizer que você não estará recebendo da parte de homens, você não estará recebendo da parte de pessoa que tem nome na Terra, mas que você dê sempre o reconhecimento aquele que é o Todo Poderoso. Honre somente a Ele, Jesus Cristo”.
       Porém Agenor Duque não gostou do que Ana Paula falou e resolveu atacá-la durante um programa. O autointitulado apóstolo – ex-pastor das igrejas Universal do Reino de Deus e Mundial do Poder de Deus – relembrou o episódio onde a cantora caminhou de quatro pelo palco rugindo como um leão. Agenor disse que não tem base bíblica para tal ato e que a venda de toalhas “ungidas” sim teria base bíblica, pois os apóstolos de Jesus curavam e expulsavam demônios usando lenços pessoais dessas pessoas. 
“Se você não crê eu respeito, mas respeita quem crê. Teve uma pastora que falou mal dos lencinhos na televisão, mas eu tenho base bíblica para mostrar isso”, disse Agenor.
“Eu poderia pegar o meu horário, mas eu não vou fazer isso, e colocar uma imagem da senhora dizendo que está cheia do Espírito Santo andando de quatro e fingindo que é um leão. Eu nunca achei base bíblica nisso”.
       Ele ainda diz que a pose de Ana Paula Valadão não curou ninguém, mas que os lenços vendidos ou doados  na igreja curam e libertam muitas pessoas.

Veja:




Nota do Blog: Não entendi a bronca do "apóstolo". O que Ana Paula Valadão disse de mais? Apesar dela também estar envolvida com a Nova Reforma Apostólica, atos proféticos e outras heresias, ela disse a mais pura verdade. Creio o que o grande erro dela foi ter aceitado participar desse grande engodo. É Deus quem faz os milagres: "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós." (2 Coríntios 4:7). Ela apenas fez uma citação bíblica. (Claro que no versículo acima, Paulo se refere ao Evangelho, mas vamos dar uma colher de chá pra ela). O poder é de Deus, a glória é de Deus e nós somos meramente instrumentos nas mãos dEle. Quase que ela "estragou" tudo por dizer a verdade. Duque também disse que tem base bíblica para vender "toalhinhas ungidas" (estou extremamente ansioso pelas suas referências). Mas o grande problema e, que talvez a maioria das pessoas não notaram, é que Agenor Duque, de fato acredita que as toalhinhas têm poder de curar as pessoas. Ele não está afirmando que é o poder de Deus que cura, mas a unção da toalhinha. Caso contrário ela confirmaria a opinião de Ana Paula. 

Soli Deo Gloria!

Prof. Saulo Nogueira

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Grandes heresias neopentecostais: Congresso de "Avivamento" com área VIP

       VIP é a sigla em inglês de “Very Important Person”, uma expressão utilizada para se referir a uma pessoa muito importante e ilustre. Este termo geralmente é dado para pessoas que, por sua importância, tem alguns privilégios que não são concedidos aos demais. Normalmente, uma pessoa VIP é uma celebridade artística, como cantores e atores famosos, ou indivíduos que pertençam a um grupo exclusiva da alta classe social, como as socialites, por exemplo. As celebridades podem ser também os chefes de Estado, os chefes de governo, empresários de grandes grupos, políticos com grande influência sobre a mídia ou pessoas com grandes fortunas.[1]

       As pessoas consideradas socialmente VIP’s costumam utilizar este título para influenciar ou persuadir outras pessoas para conseguirem algo que desejam, como participar de um evento restrito, por exemplo. Este termo surgiu entre as décadas de 1930 e 1940, que inicialmente referia-se principalmente aos clientes de determinada loja ou banco que possuíam altos limites financeiros. Atualmente, o termo é utilizado em qualquer lugar como sinônimo de exclusividade, como por exemplo, nos aeroportos onde existem zonas VIP para alguns passageiros com privilégios de embarque e comodidades especiais.[2]

       Após essa rápida explanação sobre o significado do termo VIP, podemos elaborar algumas questões: Esse termo caberia em um conceito de Cristianismo, que prega a igualdade entre todos e a não fazer acepção de pessoas? Como um Congresso dito evangélico, pode cobrar valores exorbitantes para que as pessoas tenham acesso a uma área, que segundo o próprio conceito da expressão, seria para pessoas mais importantes que as demais ou que gozem de alguns privilégios que não são concedidos aos outros? Será que aqueles que tiverem na área VIP receberão mais bênçãos por estarem mais próximas ao "altar" e mais perto dos "apóstolos", "bispas" e "pastores consagrados"?

       Me causa espanto e perplexidade diante de tanta bizarrice junta. Me refiro ao Congresso de Fogo e Avivamento para o Brasil da igreja apostólica plenitude do trono de Deus, do auto intitulado apóstolo Agenor Duque, que ocorrerá  entre os dias 4 e 10 de Fevereiro de 2016. [3] A entrada para o congresso é 1 kg de alimento, porém, para aqueles que quiserem ficar mais próximos de seus ídolos, terão que desembolsar a bagatela de R$ 1.000,00 (isso mesmo, mil reais) para terem acesso exclusivo a área VIP. Além disso, aqueles que "investirem" esse dinheiro, terão o privilégio de almoçar, ou tomar café da manhã (dependendo do local do evento) com o Pr. Benny Hinn, o Apóstolo Agenor Duque e Bispa Ingrid Duque. Aliás, os ingressos da área VIP de São Paulo já estão esgotados.  E não são poucos não: são 1.000 convites, somando a bagatela de 1 milhão de reais!

       O evento contará com a presença de ilustres pregadores da prosperidade, como "apóstolo" Agenor Duque, "bispa" Ingrid Duque, Mike Murdock, Marcos Feliciano, Abílio Santana, apóstolo Fred Berry, entre outros. Contará também com a indispensável presença do, segundo a propaganda, o maior avivalista do mundo, Benny Hinn, que promete uma "nova unção" para o Brasil! Que maravilha! Além das celebridades da música gospel nacional, como Fernandinho, André Valadão, Aline Barros, Anderson Freire, Roy Fields (aquele da música de fundo dos seus programas) entre outros. Me admira muito, esses pregadores e cantores compactuarem com tamanha distorção dos princípios bíblicos. Se Jesus estivesse em um túmulo, ele estaria se revirando nele!

"Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. Porque, se entrar na vossa reunião algum homem com anel de ouro no dedo e com traje esplêndido, e entrar também algum pobre com traje sórdido, e atentardes para o que vem com traje esplêndido e lhe disserdes: Senta-te aqui num lugar de honra; e disserdes ao pobre: Fica em pé, ou senta-te abaixo do escabelo dos meus pés, não fazeis, porventura, distinção entre vós mesmos e não vos tornais juízes movidos de maus pensamentos?" (Tiago 2:1-4)

Prof. Saulo Nogueira


Referência: 

[1],[2] http://www.significados.com.br/vip/;
[3] http://www.congressofogodeavivamento.com.br/





quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Agenor Duque: O autointitulado apóstolo com “vocação teatral”

Revista Época faz extensa reportagem sobre o líder que "anda de Porsche e voa de jatinho"
      O "apóstolo" Agenor Duque, da Igreja Plenitude do Trono de Deus, segue a mesma fórmula da  Igreja Universal do Reino de Deus e da Igreja Mundial do Poder de Deus. Tendo passado pelas duas, em setembro de 2006, disse ter recebido uma visão de Deus para abrir seu próprio ministério. Vendeu seu carro, um Astra, e usou os R$ 25 mil para comprar espaço nas madrugadas de rádios. Alugou um galpão na Avenida Celso Garcia, em São Paulo e em pouco tempo começou a multiplicar os templos de sua própria denominação.
      Segundo reportagem extensa da revista Época desta semana, Duque é o mais novo fenômeno das igrejas neopentecostais. Hoje comanda pelo menos 20 templos, espalhados por São Paulo, Amazonas, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal. Além disso, são dezenas de núcleos, galpões que, por não terem toda a documentação, não são considerados templos. Nos últimos dois anos, a Plenitude do Trono de Deus saiu de quatro para 18 horas no canal de televisão RBI. Também ocupa mais de nove na Rede Brasil TV.  Ainda segundo a Época, seu crescimento “começa a incomodar as igrejas concorrentes”. Acostumado a negociar produtos “ungidos” nos seus cultos, vários trechos de suas campanhas e ensinos não ortodoxos estão disponíveis na internet. Comumente ele sobe ao púlpito da igreja vestindo uma roupa que imita estopa, para imitar o que a Bíblia chama de “pano de saco”, que representaria a humildade.
        Agenor Duque é ex-viciado em drogas. Tem 37 anos e vem de uma família pobre da Zona Leste de São Paulo.  Após sua conversão, passou a pregar a doutrina da prosperidade que atrai milhões aos cultos em diferentes igrejas no Brasil. Casado com a bispa Ingrid Duque, tem um filho adotivo, o pastor Allan. Milionário, dirige um Porsche e um BMW. Posa fotos nas redes sociais com cordões, anéis e relógios dourados, bonés e tênis de marcas como Nike e Hugo Boss. Também faz uso de um jatinho Cessna Citation.
       Para teólogos, como Paulo Romeiro, doutor em ciências da religião e autor de livros sobre o movimento neopentecostal. “A igreja neopentecostal brasileira é cega, infantilizada, cheia de picaretas e cambalacheiros”. Rodrigo Franklin de Sousa, professor de pós-graduação em ciências da religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, “A religiosidade brasileira sempre foi muito sincrética. O brasileiro valoriza tudo o que o ajuda a se relacionar diretamente com o sagrado”.
       O que Duque mostra em seus programas no rádio e na TV da Igreja Plenitude do Trono de Deus é quase sempre a mesma coisa. Embora a pregação da Bíblia seja quase inexistente, há vários "milagres e libertações". Quase sempre como um prelúdio para se pedir dinheiro e ofertas “de sacrifício” como prova de fé. A Época entrevistou um ex-obreiro da Igreja Plenitude do Trono de Deus, o qual afirma que as ações de Duque não passam de uma “trapaça”. Segundo ele, os pastores da denominação que arrecadam mais são recompensados e crescem. “Eles recebem até bônus, eles dizem que você tem de entrar na mente da pessoa, convencê-la a aceitar o que você diz”, conta.

Sinais e campanhas

       Nos cultos de sua igreja, além das curas de doenças e vícios, Duque promete apagar o passado da mente dos fiéis. Em um dos vídeos mais conhecidos, ele trava (e vence) uma ‘batalha espiritual’ com um homem que diz ser pai-de-santo. Seguindo a tradição de outras igrejas similares, ele constantemente promove campanhas temáticas com objetivos específicos. A mais recente, chamada de Vale de Elah, coloca no templo um boneco de isopor que procura reproduzir a figura de Golias, vestido como um guerreiro, com escudo e espada no altar da igreja. Com um ‘grito de vitória’ dado pelo apóstolo o boneco (representando todas as lutas dos fiéis) cai ao chão e se quebra.
         Para 2016, já anunciou que irá lotar o Maracanãzinho, no Rio de Janeiro – capacidade para 13 mil pessoas, e o estádio do Canindé, em São Paulo, que acomoda 21 mil pessoas. Para isso, trará o polêmico pastor Benny Hinn.

Nota do Blog: Algumas considerações que eu gostaria de fazer sobre a reportagem da Revista Época:

1) A reportagem da revista já começa da seguinte forma:
"Numa incansável cruzada por arrecadação, o autointitulado apóstolo Agenor Duque, da Igreja Plenitude do Trono de Deus, pede à plateia que raspe a carteira e que doe até o décimo terceiro salário. Já anda de Porsche e voa de jatinho."


       Essa é a visão que as igrejas neopentecostais tem passado: uma ânsia de arrecadação que tem beirado o ridículo! A comparação do repórter é que enquanto as pessoas tem que doar, a ponto de não sobrar nada para elas, o seu líder, que deveria ser o extremo máximo de simplicidade anda de Porsche e jatinho.


2) "No concorrido mercado das igrejas neopentecostais, Duque é o pastor emergente do momento. Com uma forte vocação teatral e adepto da prática de prometer o impossível, Duque abocanha cada vez mais fiéis e começa a incomodar as igrejas concorrentes. Além das usuais curas de doenças e vícios, Duque promete apagar o passado da mente dos fiéis."


       A repórter é feliz ao separar as coisas: Ela entende que as igrejas neopentecostais é que  estão distorcendo o verdadeiro Evangelho e, até criando um mercado onde as igrejas que deveriam ter comunhão se tornam concorrentes. São como empresas que se utilizam de um Marketing agressivo, fazendo até promessas antibíblicas e infundadas com o intuito de enganar os mais incautos.

3) "Num roteiro já conhecido entre os pastores das neopentecostais, Duque começou na Igreja Universal do Reino de Deus e migrou para a Mundial – até que teve uma “visão espiritual” e decidiu criar seu próprio templo. Em setembro de 2006, abria a porta da Igreja Plenitude do Trono de Deus. Com R$ 25 mil da venda de um Astra, Duque comprou algumas poucas horas nas madrugadas de rádios e alugou um galpão na Avenida Celso Garcia – que, pela facilidade de acesso e circulação intensa, concentra boa parte das igrejas neopentecostais. Há dois anos, Duque tinha cinco modestas igrejas em São Paulo."

       Aqui a repórter desvenda o sucesso das neopentecostais: pragmatismo, Marketing e aposta na ignorância dos fiéis. Duque foi muito bem treinado pelo seu mestre Macedo e depois fez uma pós graduação com o "apóstolo" Valdemiro Santiago. Quando pensou que já estava preparado para alçar sua própria carreira solo, se utiliza da mesma tática dos outros: diz ter recebido uma "revelação especial" para abrir seu próprio ministério (como se já não tivessem tantos), como se as suas igrejas fossem as únicas representantes de Cristo na Terra. Não admitem isso obviamente, mas lutam com todas as forças para atraírem membros de outras igrejas para sua grei. Dizem que a "mão de Deus está aqui" ou levam em seus "altares" testemunhos de pessoas que peregrinaram por várias denominações e só encontraram a verdadeira paz espiritual em seus ministérios. Como um empresário, Duque fez um investimento na certeza de lucro garantido. Ele conhece as fórmulas e "macetes" para tirar o máximo daqueles que chegam desesperados e moribundos em suas igrejas, buscando o reino do homem e suas riquezas e curas somente físicas, mas não a cura da alma. Por que ser um pastor subordinado a uma "bispo" ou um "apóstolo" se ele mesmo pode ter sua própria igreja?

3) "A pregação da Bíblia é quase inexistente. Invariavelmente, o pastor apresenta um “milagre” e, na sequência, pede dinheiro ostensivamente."

   Outro ponto importante levantado pela autora. A pregação e o ensino da Palavra são indispensáveis para o crescimento e edificação do corpo de Cristo. Se você priva sua Igreja disto, produzirá apenas crentes egoístas e hedonistas que sempre irão querer ver e receber mais e mais, sem buscarem verdadeiramente o mais importante: O Reino de Deus e a sua justiça (Mt. 6.33)

      A autora da matéria, além de separar esses movimentos das igrejas sérias, convida teólogos idôneos e gabaritados para darem suas opiniões sobre a reportagem. Um deles é o Dr. Rodrigo Franklin de Sousa, professor de pós-graduação em ciências da religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Outro convidado é Paulo Romeiro, doutor em ciências da religião, pastor da Igreja Cristã da Trindade e autor da obra SuperCrentes, Evangélicos em Crise e Decepcionados com a Graça, todos publicados pela Editora Mundo Cristão. Completando o tríduo, temos o teólogo João Flávio Martinez, presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas. 

       Quero deixar claro, que a intenção do presente artigo não é fazer uma crítica ao ministério nem a pessoa de Agenor Duque. Porém, demonstrar como esse movimento, da qual ele também faz parte, tem escandalizado a verdadeira Igreja e até os que estão de fora. E não falo isso sem conhecimento de causa. Quem quiser comprovar isso, é só ligar no canal RBI e assistir horas de espetáculo e distorção da Palavra de Deus ou acessar inúmeros vídeos no Youtube como esse, esse e esse para comprovar. 

Maranata!

Paz do Senhor à todos que amam a Palavra de Deus.

Prof. Saulo Nogueira

sábado, 11 de abril de 2015

Thalles: sua Bíblia e suas contradições

     Todo mundo já sabe do novo lançamento gospel no Brasil. A polêmica em torno da tal Bíblia do cantor Thalles Roberto já é grande pelas redes sociais, infelizmente. Digo infelizmente porque esse produto não deveria ser nem tema de discussão entre nós. Seríamos bem mais sensatos se todos recusassem esse tipo de coisa instantaneamente. Pena que não é assim. Muitos, milhares, gostam desse tipo de produto e discurso. Já que o cenário não é, nem de perto, o ideal, a polêmica se faz necessária pelo menos pra dizer que também existem milhares que não apoiam esse tipo de “auto promoção canonizada”. Talvez você ainda não tenha visto o vídeo em que Thalles divulga sua Bíblia, mas eu o encorajo a vê-lo (aqui). Sei que você tem a mente voltada para a palavra e não se deixará levar pelas contradições da fala do cantor. E se isso acontecer, leia o resto do texto abaixo. Rapidamente farei uma análise daquilo que foi dito. São dois minutos de contradições, mentiras e uma pitada de prepotência. Com vocês, Thalles Roberto:
1. Thalles começa de um jeito que me indigna. Ele justifica seu produto dizendo que “Jovem não lê Bíblia. Jovem gosta de música, de louvor, de pular. Jovem não tem consistência”. Eu sou jovem e não gosto nenhum pouco dessa caricatura preconceituosa e mentirosa da nossa juventude. Poderíamos lotar um show dele no maracanã só com jovens estudiosos da Bíblia. Mas ai é que está o problema (do Thalles): esses jovens não estão lá. Pelo menos não deveriam. Fica claro que o cantor está falando do seu próprio público. E eis ai uma das poucas verdades que ele disse. Ele poderia resolver esse problema com uma reforma no seu estilo e letras, não poderia? Mas isso o faria perder mercado, é melhor uma Bíblia com seu próprio nome, fotos e história.
2. Isso mesmo, nas primeiras páginas da Bíblia veremos a História, letras e fotos do Thalles. Ele que tanto fala na trindade parece não crer que a história e doutrinas das três pessoas divinas são suficientes para atrair o jovem. Eu já tinha visto grandes comentaristas colocarem seus nomes. Até mesmo cantoras, mas criar um “prefácio bíblico” com sua própria história e fotos é inédito pra mim, e absurdo. Eu usei “pitada de prepotência” no início do texto pra ser bonzinho.
3. Não satisfeito Thalles afirma que sua Bíblia é “estratégia de Deus” e foi dada pelo “Espírito Santo”. Vocês conseguem imaginar Deus planejando colocar antes da sua Palavra fotos e histórias de um cantor que declarar aos microfones letras contrárias a própria Palavra. É bem difícil pra mim crer que o Espírito que convence, consola e regenera planeje algo desse tipo para atrair os jovens. Arrependimento e mudança de vida e letra são estratégias do Espírito, já se divulgar com a Bíblia é do Thalles mesmo. Os versículos devem estar brotando na sua mente também. 
4. “Eu quero influenciar o jovem a ler a Bíblia, por isso coloquei meu nome aqui”. Mais uma pitada. Ou colherada. E de novo eu me pergunto: Que tal fazer isso com cantando as Escrituras? Que tal fazer isso estudando primeiro a Palavra e disseminando o que ela realmente ensina? É possível. É transformador. É correto. Só não tão rentável.
5. No vídeo que assisti Thalles afirmou que seu objetivo “não é vender Bíblia”. Ainda imaginei ele distribuindo essas Bíblias como os gideões e outros projetos fazem. Foi rápido, mas só imaginei. Não sou tão ingênuo assim. Se o objetivo não é vender era isso que ele deveria fazer. Dar junto com o ingresso do show talvez. Mas é claro que esse não é objetivo. E pra que fique claro, não há mal nenhum em vender Bíblia, mas mentir é feio e errado.
6. Falando em venda, vamos ao preço. A tal Bíblia custa 110 reais. Eu sei que existem Bíblias até mais caras, mas vamos pensar. O objetivo dito por Thalles é que mais jovens tenham acesso e leiam a Bíblia. Agora me digam, esse é um preço acessível ao jovem e adolescente? Thalles tem um grande público entre as classes mais baixas, esse é um preço acessível para esse público? Um preço menor não seria uma estratégia para alcançar os jovem? Pois é… 
7. Pra finalizar fico com outra contradição do cantor, talvez a maior. Ele diz que “o diabo é contra a Palavra de Deus” num contexto onde está falando sobre seus críticos. Isso é realmente forte. Quem estaria contra a Palavra, quem canta e ensinas heresias ou quem critica esse produto do Thalles? Sabemos que também que uma das principais armas do diabo é usar a música para contaminar a igreja. Infelizmente isso tem acontecido no Brasil, e Thalles tem desempenhado um papel de contaminador de muitos jovens. Espero que isso mude.
Bem, esse blog não é um dos maiores do país, nem o nosso Facebook é como o do Thalles, mas espero que você leia e pense nessas coisas. Se você pensou em comprar essa Bíblia, invista seu dinheiro em outra melhor. Estamos realmente entristecidos pelos caminhos trilhados por essa fama, mas oramos pra que a situação mude de alguma forma. Thalles realmente poderia usar sua influência de um modo mais santo. 
Vamos ler a Bíblia! Vamos ler pelo nome de Deus Pai, Jesus Cristo e Espírito Santo! Eles são suficientes e bem mais atrativos que qualquer celebridade gospel!
Nota do Blog: Eu tenho várias Bíblias de Estudo e defendo que a diversidade de Bíblias possam nos auxiliar melhor na compreensão da Verdade. Mas quando um estudioso, como MacArthur, Shedd, Scofield, Charles Ryrie "fazem" uma Bíblia de estudo se justifica, pois foi empregada toda uma equipe de estudiosos, tantos leigos, quanto Phds com diversas formações teológicas, notas de rodapés, introdução aos livros da Bíblia, comentários baseados nos textos originais, etc. Dá até pra desembolsar umas 70 pilas ou mais para pagar por uma vida inteira de trabalhos acadêmicos. Agora pagar 110,00 numa bíblia só porque leva a assinatura do Thalles é piada. Se ele quer promover a Palavra de Deus, então distribua essas Bíblias de graça nos seus Shows superfaturados. Ou pelo menos cobra só o valor do custo. A simples pregação do Evangelho genuíno sempre funcionou e sempre funcionará. Eu trabalho como professor de Jovens na EBD e sabe qual é a "estratégia" que eu uso com eles: dou à eles doses cavalares da Palavra de Deus e os desafio a buscar conhecimento sobre o Deus que eles servem. Isso sempre funcionou e sempre funcionará, pois "Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente. (Hb. 13.8)
Que o Senhor abra os olhos desse senhor antes de Sua volta. Maranata.
Paz do Senhor à todos.
Prof. Saulo Nogueira