Mostrando postagens com marcador Inerrância Bíblica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Inerrância Bíblica. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Água escondida debaixo da terra cobriria todo o planeta

      O volume total de água armazenada no subsolo do planeta é estimado em 23 milhões de km³. Seria o suficiente para cobrir toda a superfície da Terra com uma camada de 180 metros de profundidade.
     Essa foi a conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores canadenses e publicado na revista científica Nature GeoscienceMas apenas 6% dessa água é própria para consumo humano. Isso porque a chamada água "moderna" presente no subsolo está próxima da superfície e pode ser extraída ou usada para complementar recursos localizados acima do solo, em rios e lagos.
"Esta é a água que é renovada mais rapidamente ─ na escala de vida humana", explicou Tom Gleeson, da Universidade de Victoria, no Canadá, responsável pelo estudo.
"Ao mesmo tempo, é a mais sensível a mudanças climáticas e contaminação humana. Trata-se, portanto, de um recurso vital que precisa ser melhor gerenciado."
       Para quantificar a água armazenada nos dois primeiros quilômetros da superfície da Terra, Gleeson e sua equipe combinaram extensas bases de dados e modelos computacionais. Foram analisados, entre outros fatores, a permeabilidade de rochas e do solo, sua porosidade e características dos lençóis freáticos. A chave para determinar a idade de toda a água armazenada foram medições feitas com trítio, uma forma radioativa de hidrogênio que surgiu na atmosfera há 50 anos como resultado de testes de bombas termonucleares. A partir desse elemento químico, os cientistas puderam identificar toda a chuva que chegou ao subsolo desde então.
       O mapa abaixo mostra a distribuição da água moderna presente no subsolo ao redor do mundo. As manchas em azul escuro mostram onde ela é renovada rapidamente. Em tom mais claro, a água mais antiga, que em sua maioria está estagnada e não pode ser renovada.
       "As características dessa água antiga variam muito", disse Gleeson à BBC News. "Em alguns lugares, é muito profunda. Em outros, não. Em muitos lugares, ela é de má qualidade e pode ser mais salina que a água do mar, além de ter metais e outros componentes químicos dissolvidos nela e que teriam de ser tratada antes de se tornar potável ou usada na agricultura."
      Isso torna ainda mais importante as reservas modernas e a necessidade de administrá-las de forma sustentável, alertam os cientistas. O estudo destaca ainda como elas estão distribuídas de forma desigual no planeta. O próximo passo, afirmou Gleeson, é determinar o ritmo com que algumas reservas estão sendo consumidas.
      "Essa visão global da água no subsolo irá conscientizar de que nossas reservas mais recentes no subsolo, aquelas que são mais sensíveis a mudanças ambientais e provocadas pelo homem, são finitas", disse Ying Fan, da Rutgers University, nos Estados Unidos.
O mapa acima mostra a distribuição da água moderna presente no subsolo ao
redor do mundo. As manchas em azul escuro mostram onde ela é renovada rapidamente.
Em tom mais claro, a água mais antiga, que em sua maioria está estagnada e não pode ser renovada.
Nota do Blog: No dia em que Noé completou seiscentos anos, um mês e dezessete dias, nesse mesmo dia todas as fontes das grandes profundezas jorraram, e as comportas do céu se abriram” (Gênesis 7:11)
Prof. Saulo Nogueira

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Se eu me converter, toda a minha família será salva?

Imagem: Revista Critério
       Muitas pessoas têm dúvidas sobre uma passagem bíblica que se encontra no Livro de Atos: "Responderam eles: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa." (Atos 16:31) e se indagam se existe a possibilidade de um membro da família ser "salvo por tabela" pelos méritos de outro membro da família, salvo em cristo Jesus. Uma análise superficial do versículo poderia sim dar essa impressão, mas não podemos nos esquecer que a Bíblia como um Livro inerrante não se contradiz e dever ser entendida num plano geral e não em versículos isolados. Vamos analisar o texto á luz de outras passagens Bíblicas e de seu próprio contexto:

1 - A Palavra de Deus é muito clara quando diz que a Salvação é individual. (cf. Rm. 14.12; Ap. 22.12; 2Co. 5.10;)

2 - O texto pose ser visto como uma promessa e não como uma garantia. Os demais membros da família só serão salvos mediante a sua experiência particular de uma fé salvadora em Cristo Jesus.

3 - A condição para a Salvação da família, incluía que todos ouvissem e cressem no Senhor Jesus, sem exceção. Se algum membro deixasse de ouvir o Evangelho ou não cresse, de forma alguma seria salvo; 

4 - Quando continuamos a ler o texto, percebemos que toda a família do carcereiro deu uma resposta favorável à pregação do Evangelho: "Então lhe pregaram a palavra de Deus, e a todos os que estavam em sua casaTomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes as feridas; e logo foi batizado, ele e todos os seusEntão os fez subir para sua casa, pôs-lhes a mesa e alegrou-se muito com toda a sua casa, por ter crido em Deus. (Atos 16:32-34), pela exegese do texto, temos a certeza que todos ouviram e aceitaram a mensagem de Salvação e, consequentemente "sua casa" foi toda salva.

5- Em Atos 11.13-14 ocorre praticamente a mesma situação:  "E ele nos contou como vira o anjo em pé em sua casa e que lhe dissera: Envia a Jope e manda chamar Simão, por sobrenome Pedro, o qual te dirá palavras mediante as quais serás salvo tu e toda a sua casa". O princípio exegético aqui é o mesmo: aceitação do Evangelho por toda a família como pré requisito para a Salvação de todos.

        Conclusão: Devemos entender então, que os membros da família do carcereiro foram salvos mediante a fé verdadeira que professaram após ouvirem crerem na Mensagem dos apóstolos. O carcereiro serviu como um "missionário" para os seus, pois pela sua fé, proporcionou que toda a sua família ouvisse o Evangelho e fossem salvas.

        Se você tem algum membro da sua família, esposo, esposa ou filhos que ainda não entregaram a sua vida á Jesus, não se sinta frustrado pelo fato de que a Salvação dependa da resposta individual de cada um ao chamado de Deus. Jamais desista. Use desse fato para ser um referencial de fé para eles, através de suas atitudes, devoção, conversão verdadeira, pois sendo assim, através do seu testemunho e da obra que o Senhor tem feito em sua vida, eles possam abrir seu coração para que o Espírito Santo ente a faça morada. Como pais, devemos ensinar nossos filhos no caminho da Salvação e instruí-los a viver uma fé viva e verdadeira no Senhor Jesus.

Paz do Senhor Jesus á todos.

Prof. Saulo Nogueira

terça-feira, 10 de março de 2015

Para que serve a exegese Bíblica?

       A interpretação incorreta de passagens bíblicas pode trazer sérios prejuízos para aqueles que prezam pela sã doutrina e, em alguns casos, pode até comprometer o verdadeiro sentido e a intenção do autor criando uma dificuldade interpretativa ou até mesmo uma heresia. Daí a grande importância da exegese bíblica. Mas o que significam exegese ?

   "Todas as heresias e aberrações doutrinárias são provenientes de interpretações errôneas da Bíblia e significados diferentes às palavras básicas da fé cristã. O sentido correto de um texto só é possível mediante a aplicação correta da exegese e da hermenêutica. O exegeta sincero procede conforme certos princípios básicos para uma análise honesta do texto. Para a interpretação é necessário considerar o sentido contextual, analógico e histórico. O vocábulo "exegese" vem do grego exegesis, duas palavras ek e egeomai, que juntas significam: "extraio, tiro, saco", de sacar, conduzir para fora. A "exegese" é a ciência da interpretação, é a extração do autêntico sentido da palavra. É a análise do que a palavra diz, e não do que eu quero que ela diga. As doutrinas bíblicas são de dentro para fora. Isso se chama exegese. As dos homens, são de fora para dentro, a eisegese. Esse último os cristãos ortodoxos rejeitam, mesmo que apareçam travestidas de roupagens bíblicas."[1]

       "Podemos afirmar também que "a exegese é o estudo cuidadoso e sistemático da Escritura para descobrir o significado original que foi pretendido. (...) É a tentativa de escutar a Palavra conforme os destinatários originais devem tê-la ouvido; descobrir qual era a intenção original das Palavras da Bíblia" [2]

        Quando lemos um capítulo ou versículos da Bíblia, por mais que saibamos que aquela passagem se destina também á nós hoje (pois a Palavra de Deus é viva), temos que entender que ela tinha um objetivo, um destinatário, um propósito um pouco diferente da nossa realidade. Tirar um texto do seu contexto pode acarretar em um sério problema interpretativo. Por exemplo: algumas pessoas pegam sua Bíblia e pedem á Deus que falem com elas. Abrem aleatoriamente em qualquer versículo, completamente descontextualizado e acreditam que a sua interpretação pessoal ou sua "eisegese" seria a resposta de Deus para os seus problemas. Conta-se que certo cristão pegou sua Bíblia e foi ver o que Deus tinha para ele. Abriu aleatoriamente e caiu em Mt. 27.5:  "E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar."
Pensou: bom, vamos ver o que Deus quer falar. E abriu novamente sua Bíblia. O texto que saiu foi Lc. 10.37: "E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira."

       Será que Jesus queria que o irmão fosse se enforcar como Judas? Ou corremos sérios riscos quando descontextualizamos os versículos Bíblicos? Não podemos colocar as nossas emoções, sentimentos e vontades acima da exegese."O que fala a mim" ou "o que me toca" são preocupações egocêntricas de quem quer ver na Palavra de Deus uma caixinha de promessas, pronta para tirarmos bênção e prosperidade, sem entender que existe um "se" por trás dessas dádivas de Deus. A "caixinha de promessas" só mostra o que você vai receber, mas não traz as condições para isso.

A Bíblia e as seitas

       De todos os livros do mundo, creio que a Bíblia seja o mais maltratado, pois muitas pessoas usam de passagens isoladas para construir doutrinas e seitas. As inúmeras seitas cristãs ou igrejas pseudocristãs se utilizam de interpretações equivocadas para embasar as mais variadas heresias e distorções. Por exemplo: algumas igrejas neopentecostais se utilizam do Antigo Testamento para criar as mais absurdas campanhas em seus templos, ignorando completamente a sociedade, cultura, dispensação, cronologia e propósitos divinos para a ocasião. Se utilizam de "atos proféticos" e de elementos sincréticos, como Arca da Aliança, Candelabro, Talit, kipá desassociando esses elementos de seus reais propósitos e fazendo um tremendo malabarismo e uma péssima exegese para tentar se utilizar desses recursos na atual dispensação. 

       Seitas como os testemunhas de Jeová e os mórmons, além de usarem de uma falsa interpretação, mutilam o texto bíblico ou complementam com outras literaturas "divinamente" reveladas. Os espíritas vão além, criando a sua própria interpretação dos textos sagrados, negligenciando completamente a boa hermenêutica. E, ainda grupos ortodoxos, que por falhas na observância das regras de exegese, criam doutrinas que escravizam seus membros, proibindo coisas que a Bíblia não proíbe ou colocando fardos pesados sobre seus membros, baseados em opiniões pessoais, doutrinas humanas, falsa piedade ou interpretações particulares.

E o Espírito Santo? Como que Ele ilumina os cristãos para compreenderem a Palavra?


       "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.(1 Coríntios 2:14-16)


       Um professor Universitário de Teologia pode compreender perfeitamente toda a Doutrina Bíblica mas ser um ateu. Ele pode saber usar todas as regras de Hermenêutica  e exegese, conhecer as línguas originais, saber interpretar corretamente as parábolas, símiles, alegorias e mesmo assim ser um descrente inveterado. Ele pode fazer aquilo que a nossa razão e inteligência permite, mas se ele não tiver uma disposição intelectual para aceitar aquilo que ele conhece, ou seja, permitir que o Espírito Santo, o ilumine para aplicar em sua vida o conhecimento divino, ele não passará de um mero entendedor de regras.  

       "Não há dúvidas que a Bíblia exige um conjunto diferente de regras. É preciso que o intérprete seja iluminado espiritualmente para que possa compreender a Escritura.Todavia é preciso não exagerar na dose. Não há duas lógicas e duas hermenêuticas no mundo, uma natural e outra espiritual. O que Paulo tem em mente em 1Coríntios 2.14-16 é a aplicação e a significação pessoal do significado básico que se depreende de suas palavras. É lógico que o indivíduo precisa também revestir-se de um estado mental e de uma disposição intelectual própria para começar a compreender assuntos para os quais não se acha naturalmente inclinado - seja no campo da astrofísica, da matemática, da poesia ou da Bíblia. Consequentemente, não se pode tomar a palavra de Paulo e afirmar com base nela que sem o Espírito ninguém pode compreender a Bíblia, a menos que se deixe guiar por Ele. Tal afirmativa contradiz frontalmente tanto a experiência quanto os ensinamentos da Escritura, segundo o qual os homens serão julgados também por rejeitarem aquilo que a Bíblia declara ser extremamente claro a todos, porque recusam-se a aceitá-lo.(...) Cremos que é obra especial do Espírito Santo convencer as pessoas a entenderem essa relação, acreditarem nela e a viverem de acordo com ela. Isso, porém, não contradiz o fato de que Deus quis que Sua revelação fosse compreendida".[3]

        "Em contraste com o homem espiritual está o homem natural. A palavra para natural (psychikos) sempre denota “a vida do mundo natural e aquilo que pertence a ele, em contraste com o mundo sobrenatural, que é caracterizado pelo pneuma (espírito)”. Portanto, o homem natural é “aquele que possui... simplesmente o órgão da percepção puramente humana, mas que ainda não possui o órgão da percepção religiosa no... espírito”. O homem natural possui apenas os poderes comuns do homem separado de Deus; como tal, ele não compreende as coisas do Espírito de Deus... e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Visto que as habilidades naturais do homem “são totalmente corruptas por causa do pecado, consequentemente toda a atividade de sua alma e mente será obscurecida”[4]

     As regras de hermenêutica e exegese Bíblicas servem como um norteador para estudantes, professores, críticos e cristãos, crentes e descrentes e para um bom entendimento dos textos e doutrinas, mas ela é ineficiente para salvar o pecador, pois essa é a função do Espírito Santo de Deus, que "convence o homem do pecado, da justiça e do juízo" (Jo. 16.8) Mas isso não significa de devemos deixar de lado o estudo sistemático da Palavra de Deus, pois na hora de instruirmos as pessoas no caminho da Salvação, ou argumentarmos com pessoas escravizadas pelas seitas, o Espírito Santo usará o nosso conhecimento e nos lembrará das palavras previamente aprendidas, "para estarmos sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós."(1Pe. 3.15)

       A hermenêutica, como toda ciência, tem seus critérios e métodos que se não forem bem observados trarão um resultado final diferente para cada observador. E infelizmente temos visto isso muito por aí.

Professor Saulo Nogueira
Paz á todos que estão em Cristo Jesus.


Referências Bibliográficas:

[1]Soares, Ezequias. Manual de Apologética cristã. Defendendo os fundamentos da verdadeira fé bíblica - São Paulo; 2º edição: CPAD, 2003

[2]D. Free, Gordon, Stuart, Douglas. Entendes o que lês? São Paulo; 2º edição: Editora Vida Nova, 1997

[3]Geisler, Norman L. A inerrância da Bíblia - São Paulo: Editora Vida, 2003

[4]Comentário Bíblico Beacon - Rio de Janeiro; 1° edição: CPAD, 2006

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O Códex Vaticano e o final "estendido" de Marcos

      O Vaticano digitalizou e disponibilizou na internet uma edição da Bíblia datada do século 4º d.C.. Trata-se do manuscrito conhecido como Códex Vaticano, talvez seja o mais antigo uncial em velino ou em pergaminho (325-350), sendo uma das mais importantes testemunhas do texto do Novo Testamento. "Foi desconhecido dos estudiosos bíblicos até depois de 1475, quando foi catalogado na Biblioteca do Vaticano. Foi publicado pela primeira vez em 1889-1890 em fac-símile fotográfico. Contém a maior parte do Antigo Testamento grego (LXX), o Novo Testamento grego e os livros apócrifos, com algumas omissões."[1] O texto foi, provavelmente, produzido no Egito e está guardado na Biblioteca do Vaticano desde o século XV. O manuscrito tem 759 folhas de velino escritas em letras unciais. A peça é famosa e tem importância histórica por ser considerada como uma das edições da Bíblia mais próxima do original. O manuscrito é um instrumento de trabalho para muitos estudiosos e pesquisadores católicos. Interessados em conhecer o Códex Vaticano podem acessar o site da Biblioteca do Vaticano pelo link digi.vatlib.it.
       A grande questão porém, está no fato de que o Códex Vaticano e o Códex Sinaítico, que são os manuscritos mais antigos e mais confiáveis, não fazerem menção há alguns versículos encontrados nas atuais traduções e, devido a esse problema alguns tem levantado dúvidas e questionamentos quanto a autenticidade dos textos que temos em mãos. A principal ausência é verificada no livro de Marcos, quando Jesus ressuscitado teria dito aos discípulos para espalharem a mensagem do Evangelho por todo o mundo.
“E disse-lhes: “Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal nenhum; imporão as mãos sobre os doentes, e estes ficarão curados”. Marcos 16:15-18.
       Em relação ao final "estendido" de Marcos, o comentário Bíblico de Beacon traz a seguinte informação:

       "Esses últimos versículos apresentam o que se chama de “um dos maiores problemas textuais do Novo Testamento”. Os fatos são os seguintes: Os dois manuscritos mais antigos e mais confiáveis (Vaticano e Sinaítico) omitem totalmente estes versículos, e encerram o Evangelho de Marcos em 16.8. Estes versículos também não aparecem em vários outros antigos manuscritos e também em algumas versões. Vários patriarcas da Igreja Primitiva confirmam essa omissão, inclusive o grande historiador da igreja, Eusébio, e Jerônimo, o tradutor da Vulgata. Além disso, o comentário mais antigo que existe sobre Marcos termina em 16.8. Ainda outras evidências poderiam ser apresentadas, inclusive o fato de Mateus e Lucas, que também incluem quase todo o Evangelho de Marcos, não usarem esses versículos da maneira como foram registrados aqui."
E continua:

      "Outro fato, não evidente na versão King James em inglês, também deveria ser observado. Um manuscrito latino e vários manuscritos gregos incluem um “final abreviado” (além dos versículos 9-20, o chamado “final alongado”) entre os versículos 8 e 9. Acredita-se que estes “finais” tenham sido tentativas primitivas - não da autoria de Marcos - de completar o Evangelho. Seria um erro muito grave acrescentar alguma coisa à Bíblia, da mesma forma que o seria retirar alguma coisa dela (Ap 22.18-19). Alguns estudiosos acreditam que Marcos pretendia encerrar sua mensagem com o versículo 8, não com uma observação de temor, mas com uma de admiração. Mas a maioria deles, entretanto, acredita que esse final abrupto no versículo 16.8 significa que o verdadeiro final do antigo manuscrito estava danificado, e, portanto, perdido, ou que Marcos foi impedido de completar seu Evangelho talvez por causa do martírio." [2] 
        
       "A omissão desses textos que não aparecem no Códex Vaticano não é nenhuma novidade. Além desses versículos, também faltam nesse Códice: Gênesis 1.1-46.28; 2Reis 2.5-7,10-13; Salmos 106.27-138.6, bem como Hebreus 9.14 até o fim do Novo Testamento."[3] Marcos 16.9-20 e João 7.58-8.11 são os textos mais debatidos. 

         Grandes eruditos Bíblicos já apontaram essas diferenças desde a época de sua publicação entre os anos de 1889 e 1890. As traduções atuais trazem esses textos entre colchetes assim como 1Jo 5.7, com as devidas notas de rodapé. O que devemos observar é que esses versículos não foram tirados das atuais versões porque não confrontam nem ferem nenhuma doutrina Bíblica, ou seja, mesmo se fossem retirados, a doutrina cristã não sofreria nenhum tipo de prejuízo. E mesmo que essas passagens não estivessem nos originais não contradizem ou confrontam nenhuma doutrina que não esteja bem embasada de forma cristalina em outra passagens. O que pode ter ocorrido, é que algum cristão piedoso, por considerar o final de Marcos muito abrupto, se baseou em outras partes do Novo Testamento, para dar um final mais harmonioso ao texto, conforme podemos observar no seguinte esboço:

   Marcos 16.9-11 são uma versão condensada de João 20.11-18.

   Marcos 16.12-13 fazem um resumo de Lucas 24.13-35 (a caminhada para Emaús).

   Marcos 16.14-15 lembram Lucas 24.36-49 e Mateus 28.16-20.

   Marcos 16.17-18 a maioria dos sinais aqui descritos encontra paralelos em Atos.

   Marcos 19-20 Cf. Atos 1.9-11.
         
       Não há motivos para pensar que há erros nas Sagradas Escrituras, isso é natural e pertinente em um texto antigo a qual nós não temos os originais. Isso mostra a necessidade da crítica textual para a construção de um texto o mais fiel possível aos originais. 

Paz á todos que estão em Cristo Jesus.

Prof. Saulo Nogueira   

Referência Bibliográfica:
[1] Geisler, Norman L; Nix, Willian. Introdução Bíblica. Como a Bíblia chegou até nós.
[2] Comentário Bíblico Beacon versículo por versículo.
[3]Ibid. [1]

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Havia filisteus na Palestina na época de Abraão?

       
       Gênesis 20 relata a viagem de Abraão a Gerar, onde ele apelou para a mentira sobre seu verdadeiro relacionamento com Sara, a fim de livrar-se do perigo de ser assassinado, caso viessem a saber que ela era sua esposa. O capítulo 21 registra o episódio em que ele assegura os direitos de propriedade do poço de Berseba. A seguir, lemos: "Firmado esse acordo em Berseba, Abimeleque e Ficol, comandante das suas tropas, voltaram para a terra dos filisteus" (v. 32). Em Gênesis 26.1, somos informados de que "Isaque foi para Gerar, onde Abimeleque era rei dos filisteus". (Podemos presumir com segurança que, tendo havido um intervalo de mais de sessenta anos entre os capítulos 21 e 26 [cf. 25.26], o Abimeleque mencionado em 26.1 era filho ou neto do outro cujo nome herdara, costume freqüente entre os nobres das dinastias egípcias e fenícias.)

       Essas referências aos filisteus como existentes antes de 2050 a.C. (no caso de Abraão) têm sido consideradas impossíveis por muitos estudiosos. A Encyclopaedia Britannica (14a ed., s.v. "Filistia") declara categoricamente: "Em Gênesis 21.32, 34 e Êxodo 13.17; 15.14; 23.31, as referências à Filistia e aos filisteus são anacrônicas". A base dessa assertiva encontra-se na circunstância de que até o presente momento, pelo menos, a mais antiga referência a filisteus nos registros egípcios encontra-se nos relatos de Ramesés III, com respeito à sua vitória sobre os "povos do mar" numa batalha naval travada no rio Nilo em 1190 a.C. Supõe-se que depois de os P-r-s-t (como os egípcios grafavam o nome deles) e seus aliados terem sido expulsos pelo faraó, retiraram-se para a região costeira da Palestina e ali se estabeleceram permanentemente como colônia militar. Entretanto, não se pode concluir, a partir desse mero fato, e que as referências mais antigas aos filisteus nos registros egípcios (que datam de mais ou menos 1190 a.C.) constituem prova objetiva de que jamais houve imigrantes filisteus de Creta, na Palestina, em tempo algum, antes dessa data; tal conclusão seria violação irresponsável da lógica.

       As Escrituras Sagradas constituem o registro mais digno de confiança, mais que os documentos arqueológicos, visto que aquelas estão investidas da confiança divina do princípio ao fim e afirmam com toda a clareza que os filisteus moravam na Filistia pelo século XXI a.C. Afirmam também as Escrituras que as fortalezas filistinas que guardavam a rota do norte do Egito para a Palestina eram tão poderosas nos dias mosaicos (em 1140 a.C), que o caminho mais seguro para os israelitas em sua jornada para a Terra Prometida era o do sul (Êx 13.17). É óbvio que esse registro feito por Moisés foi composto séculos antes do de Ramsés III, não havendo razão para supor-se que, quanto mais antigo for um documento, menos digno de confiança deve ser. (Até recentemente usava-se o argumento do silêncio por alguns críticos para desacreditar as referências em Gênesis 18 e 19 a Sodoma e Gomorra, que teriam sido meras lendas destituídas de historicidade. Agora, depois de terem sido descobertas as tabuinhas de Ebla, datadas do século XXIV a.C., que contêm informações sobre o relacionamento comercial de ambas as cidades com Ebla, aquele argumento contrário tornou-se absurdo. G. Pettinato ["BAR Interviews Pettinato", p. 48], a respeito de referências a Si-da-mu e a I-ma-ar). De novo se comprovou que o argumento baseado no silêncio é enganoso. As cinco principais cidades dos filisteus, ou pelo menos aquelas que foram escavadas, demonstram igualmente a existência de uma ocupação que se estende até os tempos dos hicsos, e mesmo antes. 

        O nível mais antigo descoberto em Asdode é com toda certeza, do século XVII a.C. (cf. H. F. Vos, Archaeology in Bible lands [Chicago, Moody, 1977], p. 146). Selos encontrados em Gaza trazem os nomes da décima segunda dinastia de reis do Egito, como Amenemhat III (ibid., p.167). Daí não pode haver dúvida de que essa área foi ocupada por reinos poderosos antigos na era dos patriarcas. É possível que suas populações tenham sido pré-filistéias, mas não existe prova disso. A costa sul da Palestina com toda certeza teria sido uma região favorável ao comércio e ao estabelecimento definitivo dos povos, no que diz respeito à população cretense. As Escrituras referem-se aos filisteus como pertencentes a vários grupos, como os caftoritas, os queretitas e os peletitas. As atividades comerciais de Creta Minoana teriam sido intensas; seus marinheiros teriam descoberto ainda antes do tempo de Abraão que o litoral filisteu era dotado de clima ameno, solo rico e dadivosas chuvas para as colheitas de cereais. Aparentemente emigraram para lá em levas sucessivas, mais ou menos da forma como os dinamarqueses emigravam para a costa leste da Inglaterra ao longo de um período de séculos até que "Danelaw" alargou-se a ponto de cobrir toda a região da fronteira escocesa até a própria Londres. As migrações das populações que saem de sua terra natal, atravessando mares, são um fenômeno freqüente por toda a história do mundo; por isso, não deveria causar surpresa a migração contínua dos povos cretenses e sua fixação ao longo de vários séculos, a partir da época anterior a Abraão até o período da expedição naval fracassada contra o Egito, no início do século XII a.c. Portanto, podemos concluir que não existem evidências verdadeiramente científicas para que se classifiquem as referências aos filisteus no Pentateuco como destituídas de veracidade histórica ou anacrônicas.

Bibliografia: Archer; Gleason L. Enciclopédia de Temas Bíblicos

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

As Profecias num Relance: Profecias já cumpridas e as que ainda faltam se cumprir.

“Eis que as primeiras predições já se cumpriram, e novas coisas eu vos anuncio; e, antes que sucedam, eu vô-las farei ouvir” (Is 42.9).
       A Palavra de Deus é eterna e infalível e podemos olhar para ela como a única fonte confiável da Revelação de Deus ás nós. A Bíblia Sagrada é o único livro que contém profecias que se cumpriram de forma inequívoca e fiéis ao que foi entregue por Deus aos seus santos profetas. Nesse artigo, demonstrarei de forma resumida algumas profecias que foram cumpridas cabalmente, em relação á Israel, as Nações e á Igreja do Senhor.

As Profecias que já foram cumpridas

Em relação á Israel
Abraão e Sara teriam um filho chamado Isaque (Gn 15.4-6; Gn 17.17-19; Gn 18.9-15). Cumprida literalmente (Gn 21.1-5; Hb 11.17-19).
Jacó e Esaú: o mais velho serviria ao mais novo (Gn 25.23). Cumprida literalmente (vv.30-34; Gn 27.1-46).
Escravidão no Egito, seguida de libertação e grande recompensa (Gn 15.13-14; Gn 46.1-4). Cumprida literalmente (Êx 5.1-14.31).
A Tribo de Judá governaria (Gn 49.10). Cumprida literalmente através do rei Davi (1Sm 16.1-13).
Remoção da terra por causa de pecado (Dt 28.15-68). Cumprida literalmente: cativeiro na Assíria, 722 a.C.; cativeiro na Babilônia, 586 a.C.
Problemas de Davi devido ao pecado com Bate-Seba (2Sm 11.1-12.11). Cumprida literalmente: Amnom estupra Tamar (2Sm 13.1-39); Absalão mata Amnom (vv.28-30); Absalão se rebela e morre (2Sm 14.1-18.33).
O reino seria dividido devido ao pecado de Salomão (1Rs 11.29-40). Cumprida literalmente (1Rs 12.16-24).
Julgamento de Jeroboão; nomeação de Josias (1Rs 13.1-5). Cumprida literalmente 300 anos mais tarde (2Rs 23.15-20).
O cativeiro duraria 70 anos; o retorno seria sob o governo de Ciro (Is 44.21-28; Is 45.1,5; Jr 25.11-12). Cumprida literalmente (Ed 1; Dn 9.2).

Em relação ás Nações

Síria (Damasco): Destruição por meio do fogo (Am 1.3-5). Cumprida literalmente: a Assíria arrasa Damasco em 732 a.C. (2Rs 16.7-9).
Filístia (terra dos filisteus): Punição por vender o povo judeu à escravidão (Am 1.6-8). Cumprida literalmente: a Babilônia destrói as cidades dos filisteus (2Cr 26.6).
Tiro (Fenícia): Punição por quebrar os votos e entregar o povo judeu a Edom (Am 1.9-10). Cumprida literalmente: Alexandre, o Grande, derrota a fortaleza da ilha em 322 a.C.
Edom: Punição por causa da crueldade e do ódio ao povo judeu (Jr 49.15-20; Ez 25.12; Am 1.11-12; Ob 10). Cumprida literalmente: Roma conquista os nabateus no ano 106 a.C.; no século IV, Petra fica desabitada.
Amom: Punição por seus freqüentes ataques às fronteiras, tortura de mulheres e morte de crianças antes de seu nascimento (Am 1.13-15). Cumprida literalmente: a Assíria destrói Amom em 732 a.C.
Babilônia: Seria capturada por medos e persas (Is 21.1-9; Jr 25.11-12; Jr 51.1,7-14). Cumprida literalmente em 539 a.C. (Dn 5.25-30).

As Profecias que serão cumpridas: 

em relação á Israel
O povo judeu retorna à sua terra, vindo dos países para onde havia sido levado (Jr 16.14-15; Jr 23.7-8; Jr 24.6).
O Anticristo promete a Israel sete anos de paz (Dn 9.27).
O Anticristo desencadeia terrível perseguição contra Israel (Dn 7.24-25; Mt 24.21; Ap 12.13).
Israel foge para o deserto em busca de proteção (Ap 12.6,14).
Israel volta para Deus de todo o seu coração (Jr 24.7; Zc 12.10-13.1).
O Senhor Retorna. Ele defende Seu povo e destrói seus inimigos (Zc 9.14-17; Zc 12.1-9; Zc 14.3-5; Ap 19.17-21).
O Rei Messias governa sobre o novo Reino Davídico (Is 9.7; 11.1-5; Jr 23.5-6; Jr 33.14-17).
Israel recebe uma porção dobrada de bênçãos em sua terra (Is 61.7).
O lobo habita junto com o cordeiro, e o leão come palha no Reino Messiânico (Is 11.6-9; Is 65.25).
Israel habita em paz e segurança em sua Terra Prometida (Jr 23.6).
Israel guia os gentios em louvor ao Deus de Israel (Is 61.6; Zc 8.23).

Em relação ás Nações 
A Rússia, o Irã, a Líbia, a Etiópia (hoje o Sudão) e outras nações atacam Israel (Gogue e Magogue, Ez 38-39).
O Anticristo surge do Império Romano reavivado (Dn 7.7-8; Ap 13.1-2).
Os juízos dos selos, das trombetas e dos flagelos (Ap 6.1-12; Ap 8.1-9.21; Ap 11.15; Ap 15.5-16.21).
O Anticristo exige adoração e engana o mundo (Dn 11.36-37; 2Ts 2.3-4; Ap 13.2,4,8).
Os sistemas comerciais e os falsos sistemas religiosos do mundo são destruídos (Ap 17-18).
As nações vêm a Armagedom. O Senhor Retorna. Ele derrota o Anticristo e Satanás (Jl 3.9-16; Zc 14.2-4; Ap 19.11-20).
As nações são julgadas com base no tratamento que deram ao povo judeu (Mt 25.31-46).
Os gentios são abençoados no Reino Messiânico Milenar (Is 11.10; Is 42.1; Is 49.1; Is 66.12,19).
O Egito, a Assíria e Israel são bênçãos (Is 19.23-25).
O Julgamento do Grande Trono Branco. Todo joelho se dobrará diante do Messias, Jesus, e todos confessarão que Ele é o Senhor (Fp 2.10-11; Ap 20.11-15).

Em relação á Igreja 
Livrada da Tribulação (o Tempo da Angústia de Jacó) por meio do Arrebatamento (Jo 14.2-3; 1 Ts 4.13-18; Ap 3.10.
Os crentes recebem corpos ressurretos como o de Cristo e O vêem fisicamente (1Co 13.12; 1Co 15.52; 1Jo 3.2-3).
Trono do Julgamento de Cristo; recebimento de recompensas; ceia das Bodas do Cordeiro (Rm 14.10; 1Co 3.12-15; 2Co 5.10; Ap 19.9).
O Senhor retorna. Os santos vêm com Ele e Ele prende Satanás por 1.000 anos (Zc 14.5; Ap 20.1-3).
Os santos reinam e governam com o Messias no Reino Messiânico (2Tm 2.12; Ap 20.4-6).
Os santos julgam os anjos (1Co 6.3).
No final dos 1.000 anos, após uma breve rebelião de Satanás, todos os redimidos, de todos os tempos, judeus e gentios, entram na eternidade, onde estarão diante do Senhor nos novos céus e na nova terra, para sempre (Is 66.22; Ap 21.1-7).

Nunca mais chorarão, nunca mais morrerão, nunca mais serão separados de seus amados (Ap 7.17; Ap 21.4).

Maranata! Vem, Senhor Jesus! (Thomas C. Simcox - Chamada.com)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Cópia mais antiga do Evangelho é encontrada em múmia

       Cientistas encontraram a cópia mais antiga de um Evangelho dentro de uma tumba egípcia. O fragmento em papiro do Evangelho de Marcos fazia parte da máscara de uma múmia e foi achada três anos atrás. Porém, somente agora conseguiram comprovar que é autêntico. Trata-se de uma dentre as centenas de documentos analisadas pela equipe de Craig Evans, doutor em Estudos Bíblicos, ligado à Universidade Evangelista de Acadia, no Canadá.
       O grupo comandado por Evans reúne mais de 30 especialistas. Oficialmente, este é o manuscrito do Novo Testamento mais antigo de que se tem conhecimento. Testes indicam que ele foi escrito entre o ano 80 e 90 d.C. Até recentemente, as cópias mais antigas eram do segundo século depois de Cristo. A datação do material é realizada utilizando-se o isótopo carbono-14.
        O papiro era um material muito caro na época e alguém reutilizou o material na confecção da máscara funerária provavelmente sem saber do que se tratava. Segundo a tradição, o evangelista Marcos escreveu seu evangelho em Roma, seguindo o relato do apóstolo Pedro.
       Como essa cópia chegou ao Egito? “No antigo Império Romano, o correio tinha a mesma velocidade de hoje em dia. Uma carta escrita em Roma poderia chegar a um destinatário no Egito poucas semanas depois. Marcos escreveu seu evangelho no final da década de 60 d.C. Logo, seria possível encontrar uma cópia dele no Egito 20 anos depois”, esclarece Evans. O especialista relata inda que as máscaras funerárias de papiro eram comuns entre a população mais pobre, nada tendo a ver com as luxuosas máscaras de ouro dos faraós. Usando uma técnica delicada, eles eliminam as camadas de tinta, dissolvem a tinta para então ler o conteúdo do material, mesmo após milhares de anos.
      “Estamos recuperando vários documentos antigos, do primeiro, do segundo e do terceiro século depois de Cristo. Não apenas documentos bíblicos. Há também textos gregos clássicos ou cartas pessoais”asseverou ele ao site LiveScience. O que diz o trecho recuperado somente será revelado quando todas as descobertas forem publicadas em uma revista especializada, o que deve ocorrer nos próximos meses.
       Um dos principais debates entre os especialistas é que o fragmento poderá mostrar se houve algum tipo de alteração nos fragmentos do Evangelho de Marcos datados de séculos posteriores. Como papiro dura muito tempo, os cientistas acreditam que “um escriba podia fazer uma cópia de um texto no terceiro século tendo à sua disposição (os) originais do primeiro século, ou cópias do primeiro século, ou ainda cópias do segundo século”.
Comentário de Luiz Gustavo Assis, ao Site CriacionismoHá uns três anos, outro estudioso do Novo Testamento, Daniel Wallace, já havia mencionado a existência desse manuscrito. Ele de certa forma é revolucionário, já que o fragmento mais antigo do Novo Testamento era o chamado P52, Papiro Johns Rylands, contendo alguns versos do capítulo 18 de João, produzido aproximadamente em 125 d.C. Há uma discussão envolvendo um fragmento encontrado em Khirbet Qumran, o local onde os Manuscritos do Mar Morto foram encontrados. O 7Q5, como ele é chamado, estaria aparentemente relacionado com o evangelho de Marcos capítulo 7, e sendo que a comunidade que ali morava foi destruída no começo dos anos 60, o livro de Marcos teria de ter sido escrito na década de 50. Mas essa opinião está longe de ser dogmática. Esse novo manuscrito recentemente anunciado é inquestionavelmente do primeiro século d.C. Se a tradição estiver correta ao afirmar que esse evangelho foi escrito em Roma por João Marcos, o fato de ele ter sido encontrado no Egito é sugestivo. Sugere que o cristianismo, de fato, estava se espalhando pelo Oriente em um curto período de tempo e numa época em que testemunhas oculares dos eventos ali narrados ainda estavam vivas. Um dos acadêmicos que estão trabalhando no estudo desse manuscrito e de outros ali encontrados é Craig Evans, da Acadia Divinity College, no Canadá. Ele é um dos entrevistados por Lee Strobel, no livro Em Defesa de Cristo.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Existiam camelos domesticados no período patriarcal?

 Alguns dias atrás, saiu uma matéria no site Globo.com, alegando que segundo pesquisas recentes, a afirmação de que existiam camelos domesticados no período Patriarcal é um grande anacronismo Bíblico, ou seja, Abraão, Isaque e Jacó não possuíam camelos, visto que eles só foram domesticados em torno do séc. X a.C. Sendo assim, a história de José sendo vendido a uma caravana de ismaelitas montados a camelo (Gn 37:23) não passaria de pura fantasia dos tempos monárquicos. A matéria é recente, mas a briga é antiga. Essa argumentação vem desde o tempo de W. F. Albrigth (meados do século passado), onde as pesquisas na época pareciam demonstras que de fato o texto Bíblico estava errado.
A questão é que pelo simples fato de se ter encontrado evidências de que os camelos já eram domesticados no Séc. VI a.C., não significa que não existia esta prática antes.Não era comum, mas já existia. O próprio relato Bíblico nos diz que nesse período se fazia uso do leite desses animais, conforme Gênesis 32:15:
“Trinta camelas de leite com suas crias, quarenta vacas e dez novilhos; vinte jumentas e dez jumentinhos…”
Mas para não parecer um argumento circular, apresentarei algumas descobertas de arqueólogos que comprovam que já existiam camelos domesticados no tempo dos Patriarcas:
Randall Younker, arqueólogo da Universidade Andrews, Michigan, encontrou em Assuã, no Egito, um desenho esculpido na rocha de um homem guiando um camelo por uma corda. A inscrição ao lado do desenho sugere a data de 2.300 a.C. Também escavações nas ruínas em Ur dos caldeus, região em que Abraão morava, trouxe á tona uma representação em ouro de um camelo ajoelhado, que datava o período da 3ª dinastia (2050 a.C.) dessa importante cidade no passado. Diante dessas evidências, parece ser bem provável a domesticação de camelos como uma técnica bem mais antiga do que sugere os estudiosos de Tel Aviv, remontando sim ao período Patriarcal.
Além disso, um texto Sumeriano, datado de 2.000 a.C., encontrado em Nipur, fala sobre o uso do leite da fêmea de camelos. E em Biblos, região da antiga Síria, também foi descoberta uma figura incompleta de um camelo ajoelhado datada ente o séc. 19 e 18 a.C. Kenneth Kitchen, egiptólogo e membro honorário de pesquisa em arqueologia, resume bem estas evidências:
“Com frequência tem sido afirmado que a menção a camelos e sua utilização é um anacronismo no livro de Gênesis. Tal acusação simplesmente não está ao lado da verdade, visto que existem evidências tanto filológicas quanto arqueológicas no tocante ao conhecimento e à utilização desse animal nos começos do segundo milênio a.C., e mesmo antes”. Prosseguiu ele em sua explanação: “Apesar de uma possível referência a camelos, em uma lista de rações de Alalakh (cerca do século 18 a.C.), ter sido disputada, as grandes listas léxicas mesopotâmicas, que se originaram no antigo período babilônico, mostram que o camelo era conhecido desde cerca de 2000 — 1700 a.C., incluindo sua domesticação. Outrossim, um texto sumério de Nipur, pertencente ao mesmo antigo período, fornece-nos uma clara evidência da domesticação do camelo nesse tempo, através de suas alusões a leite de camela. Ossos desse animal têm sido encontrados nas ruínas de casas em Mari, pertencente ao período anterior ao rei Sargão – séculos 25 e 24 a.C. Essas e uma grande variedade de evidências não podem ser descartadas levianamente. Quanto aos começos e aos meados do segundo milênio a.C., um uso limitado do camelo é pressuposto tanto por evidências bíblicas quanto evidências externas, até o século 12 a.C.”.[1]

A Bíblia de Estudo Arqueológica, também traz uma interessante nota esclarecedora:

"(...) Foi descoberto uma corda trançada de pelos de camelos do período pré-dinástico egípcio, além de um texto Ugatítico do início do II milênio a.C. retrata o camelo como animal doméstico [2]
O arqueólogo brasileiro Rodrigo Silva, apresentador do programa Evidências, também confirma os relatos Bíblicos:
“O curioso é que esse tipo de pesquisa é encabeçada por professores das Universidade de Tel Aviv e Haifa, mas não é endossada por grande parte dos arqueólogos de outras universidades, como a Universidade do Cairo, Universidade Hebraica de Jerusalém e outras. Há menos de um mês, eu pessoalmente pude fotografar desenhos rupestres no deserto de Wadi Rum, na Jordânia, que mostram o camelo em situação domesticada servindo de montaria e animal de companhia de um caçador (fotos abaixo). Esses desenhos são do período Calcolítico, que é anterior à época dos patriarcas, indicando que esses animais já eram domesticados quando Abraão andou por aquelas paragens.”

“E tem mais: um texto sumeriano do ano 2000 a.C., encontrado em Nippur, e outro menos preciso encontrado em Alalaque, mencionam não só a existência desse animal entre as tribos, mas também o uso costumeiro de seu leite. Ora, para se obter leite de um animal, ele deve ser domesticado! A figura de um camelo encontra-se desenhada em uma estela da cidade de Umm An Nar, no sudoeste da Arábia, e é datada com segurança como pertencente ao terceiro milênio antes de Cristo. Também junto às ruínas descobriram ainda ossos de camelo datados do terceiro milênio antes de Cristo, o que, segundo a Dra. Ilse Kohler-Rollefson, autoridade mundial no assunto, seria “uma forte evidência de que o camelo já era um animal domesticado nos tempos patriarcais”.

Figura em terracota, encontrada na região de Mênfis,
pertence ao período dinástico mais antigo da história 
egípcia (a partir de 2700 a.C.) e atesta que o uso do 
camelo já tinha chegado ao Egito muito antes da con-
quista assíria. Observem que a figura mostra o uso de 
uma selao que indica a sua domesticação.

A respeito da matéria que saiu no Globo.com, sobre o “anacronismo”, o máximo que pode se concluir é que NAQUELA região onde foram encontrados os ossos se fez um uso regular desse animal nesse período, não significando que em NENHUM outro lugar do crescente fértil se usasse esse animal domesticado anteriormente. De marcas em ossos, eles obtêm uma certeza absoluta e causam a impressão generalizada para todo o território no qual se passa a história bíblica, deixando de lado muitas outras provas arqueológicas que eles sequer mencionam superficialmente. Notícias que confirmam narrativas Bíblicas saem em cantos de matérias nas últimas páginas de revistas. Notícias que expõe “erros” da Bíblia, ou “As verdades sobre Jesus Cristo” todos os anos estampam capas de revistas de grande circulação, apostando no sensacionalismo para vender suas revistas. Por que o que é polêmico é a receita de vendagem. Falar que pesquisas confirmam relatos Bíblicos, não vende.

Prof. Saulo Nogueira.

Fonte: [1] Kitchen, Kenneth. On the Reliability of the Old Testament, Grand Rapids and Cambridge: William B. Eerdmans Publishing Company, 2003.
[2] Bíblia de estudo Arqueológica 
[3] Criacionismo