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terça-feira, 14 de julho de 2015

Preparativos para a construção do Terceiro Templo avançam em Israel

     O Instituto do Templo tem mostrado com regularidade os avanços na preparação para o restabelecimento dos cultos no Templo, segundo o modelo do Antigo Testamento. Eles se dedicam a isso há 27 anos. Depois de vários dias anunciando que fariam uma grande revelação, neste domingo (12) veio a notícia que depois de quase dois mil anos, Israel voltará a criar novilhas vermelhas, de acordo com o mandamento bíblico de Números 19.
      Em parceria com um experiente criador de gado de Israel, cujo nome não foi revelado, o Instituto explica que os animais serão gerados em condições específicas e num ambiente controlado. Embora existam várias espécies de gado desse tipo sendo criados pelo mundo, até hoje não se encontrou um que se encaixe na descrição bíblica. De acordo com o Israel National News, os embriões congelados da raça Red Angus foram levados para Israel e em breve devem ser fecundadas as primeiras matrizes. A novilha precisa ser perfeita e com o pelo totalmente vermelho. Ela é fundamental para o trabalho dos sacerdotes do Templo na realização dos sacrifícios. Segundo o livro de Números, suas cinzas são usadas ​​para a purificação ritual. Essa é a penúltima peça para a restauração plena do trabalho sacerdotal em Jerusalém.  A última será, sem dúvida, a Arca da Aliança.
      Vários especialistas em profecias estão comentando o anúncio do Instituto do Templo. A opinião quase unânime é que daqui a três anos os animais estariam prontos para serem abatidos e usados no serviço do templo segundo os requisitos bíblicos (Gn 15:9). Considerando que o Estado de Israel completará 70 anos em 2018, essa data é vista como o cumprimento de um tempo profético, pois marcaria o fim de uma geração. Ou seja, se tudo estiver pronto em três anos, Israel poderá retomar os sacrifícios rituais na mesma época em que se espera o fechamento de um ciclo profético. Chama atenção o fato de o anúncio ser feito nas vésperas do período anual de três semanas, quando os judeus de todo o mundo lamentam a destruição do Templo de Salomão e do Segundo Templo (ou Templo de Herodes).

As preparações para o Terceiro Templo

      O Instituto do Templo já anunciou que produziu mais de 70 objetos sagrados, com destaque para as vestes do sumo-sacerdote, incluindo o peitoral incrustado de pedras preciosas. Somente o peitoral custou quase 500 mil reais. Há também trombetas de prata e harpas de madeira, bandejas para coletar o sangue dos sacrifícios, um incensário e a mesa onde fica o pão ritual. O candelabro (menorá) feito com 90 kg de ouro e pesando 1,5 tonelada está exibido ao público perto do muro das lamentações. Seu custo aproximado foi 3,2 milhões de reais. Os 20 estudiosos do Talmude, que trabalham para o Instituto em tempo integral, elaboraram em detalhes todos os procedimentos seguindo as leis elaboradas cerca de 3.000 anos atrás. O Instituto afirma que já gastou mais de 30 milhões de dólares até o momento. Os sacerdotes e levitas estão sendo treinados para os sacrifícios segundo a revelação de Moisés e o novo véu que separa o santo dos santos já está pronto.
       O líder e fundador do Instituto, rabino Chaim Richman, em outras ocasiões confirmou que sabe exatamente onde está a Arca, desaparecida desde a tomada de Jerusalém pelos babilônicos. Questionado novamente sobre o assunto, reiterou hoje que eles mantiveram uma tradição há séculos e afirma que ela estaria num túnel cavado no tempo de Salomão. Quando chegar a hora, irá mostra-la ao mundo. No mês passado, ele anunciou que teria condições de financiar a construção do Terceiro Templo assim que o governo os autorizar. Uma campanha on-line já tem arrecadado dinheiro para isso desde o ano passado. O único empecilho para isso é que o local hoje é ocupado por duas mesquitas muçulmanas, num local que embora esteja no centro de Jerusalém não está sequer sob o controle do governo israelense.
      Para os judeus que estudam as profecias sobre o final dos tempos, a restauração dos sacrifícios rituais em Jerusalém é o início do processo de aparecimento do Messias esperado por eles.  Para a maioria dos cristãos que estudam escatologia, o surgimento do Anticristo depende da restauração do templo e dos sacrifícios, segundo a interpretação de Daniel 9:27. Existe uma divisão de opiniões sobre o Terceiro Templo. Uma corrente teológica defende que ele só será construído durante a Grande Tribulação. Outros acreditam que ele só estará de pé novamente durante o reino milenar de Cristo na Terra.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Melquisedeque foi uma pessoa histórica e real ou uma figura mitológica?

O Encontro de Abraão e Melquisedeque de
Dieric Bouts O Velho14641467
       O relato de Gênesis 14.18-20 parece um episódio eminentemente histórico, da mesma forma que o resto do capítulo. A passagem nos fala da existência de um rei-sacerdote de Salém (isto é, Jerusalém, com toda a probabilidade) chamado Melquisedeque, o qual achou-se na obrigação de saudar Abraão, que voltava da guerra e do morticínio dos reis da Mesopotâmia, entre Dã e Hobá (v. 15), e fornecer provisões para os soldados fatigados da guerra. Deu-lhe os parabéns pela vitória heroica e derramou uma bênção sobre ele, em nome do "Deus Altíssimo" (’El ‘Ēlyôn) — título jamais aplicado nas Escrituras a alguém que não o próprio Iavé. É óbvio que Melquisedeque era um verdadeiro crente que permanecia fiel ao culto ao autêntico e único Deus (da mesma forma que Jó e seus conselheiros do norte da Arábia e Jetro, sogro de Moisés). O testemunho de Noé e de seus filhos evidentemente fora mantido em outras partes do Oriente Médio, além de Ur e Harã. Houve, todavia, um aspecto de grande importância a respeito da maneira como Melquisedeque foi introduzido na narrativa: seus pais não são mencionados, não havendo declaração alguma a respeito de seu nascimento e morte. A razão dessa falta de informações se torna clara em Hebreus 7.3: 

"Sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio de dias nem fim de vida, feito semelhante ao Filho de Deus, ele permanece sacerdote para sempre"

       O contexto esclarece que Melquisedeque entrou em cena como um tipo do Messias, o Senhor Jesus. A fim de salientar essa característica típica desse sumo sacerdote, o registro bíblico omite de propósito a menção de seu nascimento, filiação, parentesco e linha genealógica. Isso não quer dizer que ele não teve pai (pois até o antítipo, Jesus de Nazaré, teve o Espírito Santo como seu Pai — e sua mãe, Maria, é mencionada nos evangelhos) nem que ele jamais nascera (pois até Cristo, em sua forma humana, teve seu natal). É que o aparecimento dramático e repentino de Melquisedeque ficou mais saliente quando ele foi apresentado como porta-voz do Senhor a Abraão, servindo como arquétipo do futuro Cristo, que derramaria bênçãos sobre o povo de Deus.

       Melquisedeque apresentou-se como precursor ou tipo do grande Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, que desempenharia uma função sacerdotal muito mais elevada e eficaz que Arão e os levitas. Isso foi ensinado nos dias de Davi, em Salmos 110.4, referindo-se ao futuro Libertador de Israel: "O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque". Hebreus 7.1, 2 salienta as características de Melquisedeque como tipo de Cristo:

1. Melki-sedeq de fato significa "rei da justiça".
2. Ele era rei de šālēm, que vem da mesma raiz de šālōm, "paz".
3. É apresentado sem menção de nascimento, filiação ou genealogia, como convém ao tipo do Verbo, o Deus eterno, que não tem começo nem fim, que se encarnou em Jesus de Nazaré.
4. Como o Sumo Sacerdote eterno, segundo a "ordem de Melquisedeque" (Sl 110.4), Cristo desempenharia um sacerdócio que substituiria de modo total o de Arão, estabelecido sob a lei de Moisés, o qual duraria para sempre, por causa da eternidade do Sumo Sacerdote divino, e era por isso imperecível (Hb 7.22-24).

         A despeito das tradições fantasiosas mantidas e ensinadas por alguns rabinos (que apareceram bem cedo, ao surgir a seita de Qumran — cf. Fragmento de Melquisedeque da caverna 11), segundo a qual Melquisedeque teria sido uma espécie de anjo ou ser sobrenatural, os dados da própria Escritura apontam com clareza para a historicidade desse homem como sendo o rei de Jerusalém nos dias de Abraão. Sua descrição em Hebreus 7.3 como apatōr, amētōr, agenealogētos ("sem pai, sem mãe, sem genealogia") não pode significar que Melquisedeque jamais teve pais ou linha de ancestrais, visto que ele era um tipo de Jesus Cristo, a respeito de quem nenhum desses adjetivos é literalmente verdadeiro. Antes, o texto simplesmente está dizendo que nenhum desses itens de informação foi incluído no registro de Gênesis 14 e que foram omitidos de propósito a fim de enfatizar a natureza divina e a impossibilidade de o Messias, o antítipo, vir a perecer.

Fonte: Archer L., Gleason. Enciclopédia de Temas Biblicos.

Paz á todos que estão em Cristo Jesus.
Prof. Saulo Nogueira