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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Qual é a explicação para o dia prolongado de Josué 10.12-14?

“No dia em que o Senhor entregou os amorreus aos israelitas, Josué exclamou ao Senhor, na presença de Israel: "Sol, pare sobre Gibeom! E você, ó lua, sobre o vale de Aijalom!" O sol parou, e a lua se deteve, até a nação vingar-se dos seus inimigos, como está escrito no Livro de Jasar. O sol parou no meio do céu e por quase um dia inteiro não se pôs. Nunca antes nem depois houve um dia como aquele, quando o Senhor atendeu a um homem. Sem dúvida o Senhor lutava por Israel! ” (Josué 10:12-14)(NVI)

     Um dos milagres mais comentados e discutidos da Bíblia é o que se refere a um dia prolongado no Livro de Josué, corrido na batalha de Gibeom. Tem-se objetado que, se de fato a Terra houvesse parado de girar por 24 horas, uma catástrofe inconcebível teria esmagado o planeta e tudo que estivesse em sua superfície. Para os que creem na onipotência de Deus de modo nenhum concordam com a ideia de que O SENHOR não teria impedido a tragédia; suspendendo temporariamente as leis físicas que provocariam o desastre. No entanto, com base no próprio texto hebraico, não nos parece necessário crer que a Terra subitamente tenha parado, deixando de executar o movimento de rotação sobre si mesma. Assim diz o versículo 13: "O sol parou no meio do céu e por quase um dia inteiro não se pôs". A frase "não se apressou" (RA) parece indicar um retardamento do movimento solar (ou seja, da rotação da Terra). Em vez de 24 horas, o dia teria tido quase 48 horas.[1] 

     Há apoio para essa ideia: pesquisas trouxeram à luz relatos de fontes egípcias, chinesas e hindus a respeito de um dia muito longo. Harry Rimmer relata que alguns cientistas astrônomos chegaram à conclusão de que está faltando um dia inteiro no cálculo astronômico. Declara Rimmer que alguns cientistas do Observatório de Harvard traçaram a origem desse dia que falta aos tempos de Josué. De semelhante modo se pronuncia Totten, de Yale [2].

      Outra possibilidade de interpretação decorre de um entendimento um tanto diferente da palavra dôm (traduzida por KJV por "mantém-te quieto"). É vocábulo que normalmente se traduz por "estar em silêncio", "cessar" ou "partir". E. W. Maunders, de Greenwich e Robert Dick Wilson, de Princeton, interpretaram a oração de Josué como petição no sentido de o Sol cessar de derramar seu calor sobre suas tropas em batalha, de tal modo que pudessem prosseguir lutando sob condições mais favoráveis. A tempestade destruidora, de granizo, que acompanhou a batalha, dá alguma credibilidade a essa opinião, a qual tem sido defendida por homens de inquestionável ortodoxia. No entanto, é preciso que se admita que o versículo 13 parece favorecer o prolongamento do dia: "O sol parou, e a lua se deteve, [...] O sol parou no meio do céu e por quase um dia inteiro não se pôs" (ARA).

     Keil e Delitzsch (Joshua, Judges, Ruth, p. 110) sugerem que ocorreu um prolongamento miraculoso do dia, de modo que apenas apareceu a Josué e a todo o Israel que ele se prolongou de fato. O exército conseguiu fazer em um dia o trabalho de dois. Teria sido difícil para eles dizer se a Terra estava girando à velocidade normal se a rotação fosse o único critério para a medida do tempo. Eles acrescentam outra possibilidade: Deus poderia ter produzido um prolongamento da luz solar, tendo prosseguido a visibilidade após a hora normal do crepúsculo, mediante uma refração especial dos raios solares.

          Samuel Schultz [3] parece concordar com essa opinião. Em sua obra "A História de Israel no Antigo Testamento" ele diz:
"(...) E também aos israelitas foi dado um longo dia para que perseguissem seu inimigo. A ambiguidade da linguagem concernente a este longo dia de Josué tem dado origem a variadas interpretações. Era esta uma linguagem poética? Solicitou Josué uma maior duração da luz do sol ou para descanso do calor do dia? [4] Se for uma linguagem poética, então somente se trata de uma chamada feita por Josué por ajuda e forças [5]. Como resultado, os israelitas foram de tão modo revigorados que o trabalho de um dia foi realizado em metade de um dia. Aceito como uma prolongação da duração da luz, isto foi um milagre no qual o sol ou a lua e a terra ficaram detidos [6]. Se o sol e a lua detiveram seus cursos regulares, pôde ter sido um milagre de refração ou uma miragem dada sobrenaturalmente, estendendo a luz do dia de forma tal que o sol e a lua pareceram ficar fora de seus cursos regulares. Isto proporcionou a Israel mais tempo para perseguir a seus inimigos [7]. A chamada de Josué em favor da ajuda divina pôde ter sido uma solicitude de alívio para que diminuísse o calor do sol, ordenando que o sol permanecesse silencioso ou mudo, quer dizer, que evitasse brilhar tanto. Em resposta, Deus enviou uma tormenta de saraiva que proporcionou tanto o alívio do calor solar como a destruição do inimigo. Os soldados, refrescados, realizaram um dia de marcha em meio dia de duração desde Gibeom até Maquedá, uma distância de uns 48 km [8], e lhes pareceu um dia completo quando em realidade só havia transcorrido meio dia. Embora o relato de Josué não nos proporcione detalhes de como aconteceu aquilo, resulta aparente que Deus interveio em nome de Israel e a liga dos amorreus foi totalmente derrotada."
      Hugh J. Blair ("Joshua", em Guthrie, New Bible commentary, p. 244) sugere que a oração de Josué teria sido pronunciada bem cedo, de manhã, visto que a luz ainda estava no Ocidente, e o Sol, no Oriente. A resposta veio na forma de uma tempestade de granizo que prolongou a escuridão e, dessa forma, facilitou o ataque de surpresa dos israelitas. Daí, na escuridão da tempestade, a derrota do inimigo foi completa. Deveríamos, pois, falar da "longa noite" de Josué, em vez de o "longo dia". Essa é, em essência, a opinião de Maunders e Wilson. Essa interpretação não pressupõe a parada do movimento de rotação da Terra em seu eixo, embora dificilmente se enquadre na declaração de Josué 10.13. Portanto, é uma interpretação de valor dúbio.

     Realmente, evento do dia prolongado não é facilmente explicado. Porém, é preciso reconhecer que Aquele que fez as leis da Natureza tem o direito de usá-las de acordo com seus objetivos.  Aquele que usou as pedras de granizo como arma de destruição contra seus inimigos também poderia usar a luz e as trevas para servirem aos seus propósitos. A soberania de Deus sobre a natureza o capacita a promover seu reino espiritual pelo uso do mundo físico. O salmista enfatizou que todo o universo visível existe para propósitos espirituais. Ele afirmou que “os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite” (Sl. 19.1,2). Também declarou que “do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl. 24.1). Josué não demonstrou hesitação ao chamar as forças do universo para ajudá-lo contra aqueles que se opunham a Deus (v.12). A declaração de que "não houve dia semelhante a este, nem antes nem depois dele" (v.14) reafirma a singularidade deste evento. Também destaca o fato de que Deus usa milagres com grande reserva. Ele evita que os homens se tornem dependentes deles. Deus insiste que devemos depender dEle próprio, que realiza os milagres. ” [9]


Prof. Saulo Nogueira

Referências:

[1] Archer, Gleason L. Enciclopédia de Temas Bíblicos - 2. ed. - São Paulo: Editora Vida, 2001. Pg. 142.

[2],[4] Para obter um sumário de vários pontos de vista, cf. Bernard Ramm. The Christian view of science and Scripture. Grand Rapids, Eerdmans, 1955. Pg. 156-161.

[3] Schultz, Samuel. História de Israel no Antigo Testamento - 2ª ed. - São Paulo: Editora Vida Nova, 2009. Pg.121-123.

[5] Para um discussão representativa, ver o artigo intitulado:"Sol", em Davis. Dicionário da Bíblia. Rio de Janeiro, Casa Publicadora Batista, 1973. Pg. 569-570.

[6] Cf. R. A. Torrey. Difficulties in the Bible, (1907, p. 53); Josefo, "Antiquities of the Jews", v. 1:17 e Eclesiástico 46.4.

[7] Cf. A. Rendle Short. Modern Discovery and the Bible. Londres, Interversity Fellowship of Evangelical Unions, 1943, p. 117, e Lowell Butler "Mirages are Light Benders", Jourmal of the American Scientific Affiliation, dezembro 1951.


[8] Cf. D. Maunder, "The Battle of Beth-Horon" The International Standard Bible Encyclopedia, I, 446-449. Ver também Robert Dick Wilson "What does the sun stood still mean?" Moody Monthly, 21:67 (outubro de 1920), interpreta as palavras traduzidas por "detém-te" como se significassem "escurece-te", com base da astronomia babilônica. Hugh J. Blair "Josué" em O Novo Comentário da Bíblia. São Paulo, Vida Nova, pg. 265, sugere que Josué fez tal petição na manhã para que a tormenta de saraiva prolongasse a escuridão.

[9] Comentário Bíblico Beacon. Josué a Ester - 4ª ed. – Rio de Janeiro: CPAD, 2012. Pg. 51

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Qual o significado do termo bíblico “dura cerviz”?

       Vários textos bíblicos, referindo-se ao povo de Israel, chama-os em várias ocasiões de povo obstinado e de “dura cerviz”, como por exemplo:

“Disse mais o Senhor a Moisés: Tenho observado este povo, e eis que é povo de dura cerviz. ” (Êxodo 32:9)

“Disse-me ainda o Senhor: Atentei para este povo, e eis que ele é povo de dura cerviz; ” (Deuteronômio 9:13)

“Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz. ” (Deuteronômio 10:16)

“Porque eu sabia que és obstinado, que a tua cerviz é um nervo de ferro, e a tua testa de bronze. ” (Isaías 48:4)

“Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; como o fizeram os vossos pais, assim também vós. ” (Atos 7:51)

Mas qual o significado desse termo? Segundo Strong, o termo em hebraico significa:

qasheh: procedente de qashah:
1) duro, cruel, severo, obstinado;
1a) duro, difícil;
1b) severo;
1c) feroz, intenso, veemente;
1d) teimoso, de dura cerviz, obstinado;
1e) rigoroso (referindo-se a batalha)

E do grego, o sentido completo seria:

Sklerotrachelos: de skleros, significando duro, difícil, bruto, rígido.
1a) de pessoas: metaforicamente difícil, inflexível, severo;
1b) de coisas: violento, bruto, ofensivo, intolerável;
1) teimoso;
2) obstinado, inflexível, cabeçudo

     Em português, cerviz é a região cervical, parte posterior do pescoço, a nuca. Pessoas de dura cerviz são aquelas que não "abaixam a cabeça", não aceitam a correção, inflexíveis, obstinadas, rebeldes. A própria NVI na sua tradução de Atos 7:51 traz:

“Povo rebelde, obstinado de coração e de ouvidos! Vocês são iguais aos seus antepassados: sempre resistem ao Espírito Santo! ” (Atos 7:51)

“Disse o Senhor a Moisés: "Tenho visto que este povo é um povo obstinado. ” (Êxodo 32:9)

      Não seja um homem ou mulher "de dura cerviz", aceite a correção do Senhor, se humilhe aos Seus pés e encontrará misericórdia.

Soli Deo Glória!

Prof. Saulo Nogueira

Referência:
Dicionário Bíblico Strong. Léxico Hebraico, Aramaico e Grego.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Por que Deus endureceu o coração de faraó?

“Disse mais o Senhor a Moisés: "Quando você voltar ao Egito, tenha o cuidado de fazer diante do faraó todas as maravilhas que concedi a você o poder de realizar. Mas eu vou endurecer o coração dele, para não deixar o povo ir. ” (Êxodo 4:21) (NVI)

     Alguns críticos que estudam essa passagem de forma isolada e superficialmente, argumentam que Deus é um tirano cruel e faz com que as pessoas obrigatoriamente lhe desobedeça, com o simples intuito de puni-las e mostrar a Sua soberania de forma despótica. Nada mais longe da verdade! Um estudo mais acurado, demonstra que, na realidade, graças à sua omnisciência, Deus conhece os sentimentos mais íntimos de todas as pessoas e todas as coisas estão nuas e patentes diante dos Seus olhos. (cf. Sl:139; Hb. 4:12-13).

       Podemos começar argumentando que, Faraó, pelo que podemos perceber por várias passagens bíblicas, não era inocente ou piedoso, mas um homem obstinado e de dura cerviz, responsável pela opressão ao povo de Israel. Além disso, o povo egípcio através do governo dos seus faraós, que se consideravam autênticos “deuses”, escravizara durante mais de 400 anos o povo hebreu, e foram responsáveis por inúmeras mortes, como no caso da ordem para matar todos os bebês hebreus no momento em que nascessem.

     Existem várias linhas interpretativas concernente ao endurecimento do coração de Faraó, mas praticamente todas elas convergem para a mesma direção: a Soberania de Deus e a responsabilidade humana. Tanto Teólogos de linha arminiana, como os de linha calvinista tentam equilibrar a questão, demonstrando que em última análise, nos termos mais abrangentes possíveis, toda condição humana está sob o controle de Deus (cf. Is: 45.7)  Devemos analisar essa questão, em três estágios [1]: Primeiro, a pessoa endurece o coração conscientemente:
“Mas quando o faraó percebeu que houve alívio, obstinou-se em seu coração e não deu mais ouvidos a Moisés e a Arão, conforme o Senhor tinha dito. ” (Êxodo 8:15) (NVI) 
“Mas também dessa vez o faraó obstinou-se em seu coração e não deixou que o povo saísse. ” (Êxodo 8:32) (NVI) 
“Quando o faraó viu que a chuva, o granizo e os trovões haviam cessado, pecou novamente e obstinou-se em seu coração, ele e os seus conselheiros. O coração do faraó continuou endurecido, e ele não deixou que os israelitas saíssem, como o Senhor tinha dito por meio de Moisés. ” (Êxodo 9:34-35) (NVI)
       Faraó decidiu resistir e se opor à vontade de Deus e, assim, tornou o próprio coração mais inflexível. Segundo, em consequência disso, o coração se endurece pela ação das leis psicológicas (7.13-14,22; 9.7,34-35). 
“Contudo, o coração do faraó se endureceu e ele não quis dar ouvidos a Moisés e a Arão, como o Senhor tinha dito. Disse o Senhor a Moisés: O coração do faraó está obstinado; ele não quer deixar o povo ir. ” (Êxodo 7:13-14) (NVI) 
“Mas os magos do Egito fizeram a mesma coisa por meio de suas ciências ocultas. O coração do faraó se endureceu, e ele não deu ouvidos a Moisés e a Arão, como o Senhor tinha dito. ” (Êxodo 7:22) (NVI) 
“O faraó mandou verificar e constatou que nenhum animal dos israelitas havia morrido. Mesmo assim, seu coração continuou obstinado e não deixou o povo ir. ” (Êxodo 9:7) (NVI) 
“Quando o faraó viu que a chuva, o granizo e os trovões haviam cessado, pecou novamente e obstinou-se em seu coração, ele e os seus conselheiros. O coração do faraó continuou endurecido, e ele não deixou que os israelitas saíssem, como o Senhor tinha dito por meio de Moisés. ” (Êxodo 9:34,35) (NVI) (grifo meu)
    Terceiro, quando Deus viu que Faraó estava determinado a resistir, Ele mesmo endureceu o coração do monarca (7.3; 9.12; 10.1,20,27; 14.4,8). Tratava-se de julgamento divino sobre o indivíduo (9.11,12), o qual enquanto tivesse vida, coragem física e poder humano continuaria resistindo a Deus. [2] Certamente não devemos dizer que Deus leva o homem a ser mau. Faraó era responsável por sua má escolha e por afastar seu coração de Deus. Porém, quando a pessoa fixa sua vontade contra Deus, então Deus a entrega aos desejos ignóbeis que existe em seu coração (Rm 1.24); “como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, as sim Deus os entregou a um sentimento perverso” (Rm 1.28). Deus mostra misericórdia a quem se entrega a Ele e endurece a quem o resiste (Rm: 9.18). Talvez o julgamento de Deus coloque alguns que se afastam da luz em certo lugar onde eles não podem mais se voltar para Ele (Hb 10.26-30). Deus concedeu vida e habilidade para a resistência de Faraó a fim de fazer maior demonstração de seu poder e glória. [3] Deus só endurece o coração de quem primeiro endurece o próprio coração. Ele ocasiona este endurecimento mediante intervenção extraordinária ou pelas respostas comuns às experiências da vida. [4]

       O envolvimento pessoal e direto do Senhor nos negócios dos homens para que seus propósitos fossem realizados é revelado na maneira como Deus informou Moisés sobre o que aconteceria. Faraó também foi advertido de que a sua recusa traria juízo sobre ele (v. 23). Anteriormente fora dito a Moisés que Deus estava convicto da recusa de Faraó (3.19). Essa interação entre o endurecimento da parte Deus e o endurecimento do coração da parte de Faraó deve ser mantida em equilíbrio. Dez vezes (4.21; 7.3; 9.12; 10.1,20,27; 11.10; 14.4,8,17) o registro histórico observa especificamente que Deus endureceu o coração do rei, e dez vezes (7.13-14,22; 8.15,19,32; 9.7,34-35; 13.15) o registro indica que o rei endureceu o seu próprio coração. O apóstolo Paulo usou esse endurecimento como um exemplo da vontade inescrutável de Deus e seu absoluto poder para intervir como lhe apraz, obviamente, porém, nunca sem perder a responsabilidade pessoal pelas ações tomadas (Rm 9.16-18). O enigma teológico levantado por essa interação da ação de Deus com a ação de Faraó somente pode ser resolvido pela aceitação do relato da maneira como se encontra e refugiando-se na onisciência e onipotência de Deus, que planejou e realizou a libertação de Israel do Egito; ao fazer isso, Deus também de Faraó. Em cada ocasião é registrado: "como o SENHOR tinha dito". Portanto, o que aconteceu provém de duas perspectivas intimamente relacionadas: 

1) Deus estava cumprindo o seu propósito por meio de Faraó; e 
2) Faraó foi pessoalmente responsável pelas suas ações, como se vê no v. 13. [5]

       Após essa análise, gostaria de acrescentar à essa conclusão, um fato trazido á tona pelo arqueólogo bíblico, Randall Price em sua maravilhosa obra[6], que nos ajuda a elucidar ainda mais essa questão:

A pesagem do coração
      “Descobertas egípcias nos proporcionam uma fascinante explicação sobre como Deus pode ter decidido “endurecer” o coração de Faraó. Na teologia do antigo culto egípcio à morte, conforme descrito no egípcio “Livro dos Mortos, ” depois da morte, o falecido embalsamado e colocado na tumba tinha que enfrentar um julgamento na Sala do Julgamento para determinar sua culpa ou inocência. Se julgado culpado seu destino era a destruição; se inocente, então a vida eterna com suas recompensas. Para passar por este julgamento, o morto tinha que negar uma longa lista de pecados que era lida contra ele e com êxito declarar que era puro. Este ato era chamado de “Confissão Negativa, ”[7] e enquanto estava sendo conduzido, o coração do falecido (descrito num canopo) estava sendo pesado em escalas de julgamento contra o padrão da verdade (representado pelo símbolo dos hieróglifos para pena). Este julgamento é vividamente representado num mural pintado conhecido como “a pesagem do coração. ” 

Escaravelho de pedra
       Contra o testemunho do falecido, seu coração confessaria a verdade, mostrando que sua Confissão Negativa era uma mentira. O coração, portanto, subiria as escalas em favor do julgamento que resultaria em destruição. Uma vez que todos os homens pecam e que a inclinação do coração é confessar este pecado, os engenhosos egípcios desenvolveram um meio de evitar que o coração contradissesse a Confissão Negativa. Eles fizeram isso escrevendo encantamentos sobre uma imagem de pedra de seus escaravelhos sagrados que eram entalhados na forma de um coração. [8] Este coração em forma de escaravelho de pedra era então colocado dentro ou em cima da cavidade do peito durante a mumificação (um fato revelado por raios-X de múmias egípcias).[9] Vários encantamentos que ordenavam ao coração: “não se rebele contra mim” ou “não testemunhe contra mim” transferiam o caráter do coração de pedra para o coração de carne no pós-túmulo, tornando-o “duro” e incapaz de falar.[10] Este ritual de “endurecimento do coração” revertia a função natural do coração flexível e resultava na salvação, desde que o falecido fosse agora declarado sem pecado através do silêncio.[11]

       Todavia, quando Deus “endureceu” o coração de Faraó, que como um deus em si mesmo representava a salvação do Egito, Ele reverteu a esperança teológica de todos os egípcios. Este "endurecimento" resultou na incapacidade de Faraó naturalmente responder às assustadoras pragas, e assim pará-las, rendendo-se à solicitação de Moisés. Portanto, ao invés de o “endurecimento do coração” trazer salvação, ele trouxe destruição. [12] Assim, a arqueologia proveu nova perspectiva de um conceito teológico difícil dando-nos o cenário apropriado e o esquema das crenças egípcias que, através de Moisés, Deus queria confrontar. ” 

       Interessante como um maior aprofundamento na Palavra de Deus e a busca pelo seu entendimento nos traz paz e um maior conhecimento de Deus e de sua vontade.

Maranata!

Prof. Saulo Nogueira.

Referências:

[1] Comentário Bíblico Beacon. Pentateuco. Rio de Janeiro: CPAD, 4ª edição, 2012. pg. 153-154.

[2] EXELL, Joseph S. “Homiletical Commentary on the Book of Exodus”. The Preacher’s Complete Homiletical Commentary on the Old Testament. Nova York: Funk & Wagnalls, 1892. Pg. 139.

[3] CONNELL, J. Clement. “Exodus.” The New Bible Commentary. Editado por R. Davidson. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1954. Pg.110.

[4] JOHNSON, Philip C. “Exodus.”The Wycliffe Bible Commentary. Editado por Charles F. Pfeiffer e Everett F. Harrison. Chicago: Moody Press, 1962. Pg. 58.

[5] Bíblia de Estudo John MacArthur. 

[6] Price, Randall. Arqueologia Bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 5ª edição, 2005. pg. 101-102.

[7] F. W. Read, Egyptian Religion and Ethics (Londres: Watts & Company, 1925), pg. 110, 111.

[8] Para a completa documentação deste ritual, vide A. Hermann, “Das Steinhartes Herz”, Jahrbuch für Antike und Christentum, volume 4 (M unster: Aschendorffsche Verlagsbuchandlung, 1961), pg. 102, 103.

[9] James E. Harris e Kent R. Weeks, X-Raying the Pharaohs (Nova York: Charles Scribners Sons, 1973), pg. 49.

[10] Para outros encantamentos vide J. Zandee, Death As an Enemy (Leiden: E. J. Brill, 1960), pg. 259-262.

[11] E. A. W. Budge, Egyptian Magic (Londres: K. Paul, Trench, Tribner & Company, 1899), pg. 35-37.

[12] Para completa análise e defesa desta posição sobre as narrativas das pragas do Êxodo, vide Gregory K. Beale, “The Exodus Hardening Motif of YHWH as a Polemic”, tese de Mestrado em Teologia, Dallas Theological Seminary (Dallas, Texas, 1976), especialmente as pg. 46-52.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Se Jesus é Deus, por que Ele diz que o Pai é maior que Ele?


     Conforme prometido nesse artigo, onde eu disse que em postagens posteriores eu faria uma refutação aos argumentos dos muçulmanos, que negam a divindade de Cristo. Não somente adeptos do Islã, mas também Testemunhas de Jeová, Espiritas ou os modernos adeptos do Arianismo, se utilizam de alguns versículos bíblicos para tentarem argumentar que Jesus não se considerava igual com o Pai. Um desses versículos, que analisaremos agora, se encontra em João 14.28, onde Jesus diz o seguinte:
 "Se vocês me amassem, ficariam contentes porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu". 
      A Trindade é definida no Breve Catecismo de Westminster (n.° 6) como segue: "Há três pessoas na Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; esses três são o único Deus, e cada um o mesmo em substância, igual em poder e glória". Como, pois, então pode o Filho afirmar que o Pai é maior (meizon) do que ele?

     A resposta à essa afirmação se encontra no próprio contexto. Jesus está falando aqui, não de sua natureza divina, mas da humana, como Filho do homem. Cristo veio para sofrer e morrer, não como Deus, que não pode padecer, mas como o segundo Adão, nascido de Maria. Só como ser humano poderia Jesus servir como o Messias, ou Cristo (o Ungido). A menos que tivesse uma natureza humana verdadeira, genuína, jamais poderia ter representado os descendentes de Adão e levar sobre si os nossos pecados na cruz. Por isso, como Filho do homem, é certo que ele era inferior a Deus, o Pai. Isaías 52.13-53 esclarece a questão: Jesus só poderia ser nosso Salvador ao tornar-se o Servo de Iavé que, por definição, jamais pode ser tão grande como seu senhor. Mas o que envolve sua transformação num servo? Um estado de sujeição a qual a pessoa é levada a prestar obediência. Daí decorre que Jesus só entraria na presença do Pai, que é maior em dignidade e posição do que o Filho do homem, como o Redentor que venceu a morte. Filipenses 2.5-11 nos esclarece esse espírito voluntário de Cristo:

"Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz."
    Todavia, como Deus, o Filho, à parte a encarnação, as Escrituras nunca sugerem a existência de algum contraste em glória, entre o Pai e o Filho. As seguintes passagens deixam esse ponto claríssimo:
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." (João 1.1);
 "Respondeu-lhe Jesus: Há tanto tempo que estou convosco, e ainda não me conheces, Felipe? Quem me viu a mim, viu o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? (Jo. 14.9) 
"Pois a qual dos anjos Deus alguma vez disse: "Tu és meu Filho; eu hoje te gerei"? E outra vez: "Eu serei seu Pai, e ele será meu Filho"? E ainda, quando Deus introduz o Primogênito no mundo, diz: "Todos os anjos de Deus o adorem". Quanto aos anjos, ele diz: "Ele faz dos seus anjos ventos, e dos seus servos, clarões reluzentes". Mas a respeito do Filho, diz: "O teu trono, ó Deus, subsiste para todo o sempre; cetro de equidade é o cetro do teu Reino. (Hebreus 1:5-8) 
"(...) de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas, Deus bendito eternamente. Amém. (Rm. 9.5)
"Esforço-me para que eles sejam fortalecidos em seus corações, estejam unidos em amor e alcancem toda a riqueza do pleno entendimento, a fim de conhecerem plenamente o mistério de Deus, a saber, Cristo." (Colossenses 2.2);
"(...) enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. (Tito 2.13); 
"Sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que conheçamos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna." (1 João 5.20)
(cf. também Isaías 9.6 (afirma que Emanuel, nascido da virgem também é Deus forte — ’el gibbôr).[2] (ver também: Jo 8.58; 10.30; 17.5) 
       Não nos resta dúvida que essa aparente inferioridade de Jesus em relação ao Pai fica claramente explicada quando entendemos a necessidade de Sua encarnação como homem para morrer pelos nossos pecados.

Paz do  Senhor à todos 

Prof. Saulo Nogueira

Referência Bibliográficas:

ARCHER, Gleason L. Enciclopédia de Temas Bíblicos. 2ª edição - São Paulo : Editora Vida, 2001

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Jarro de 3.000 anos com nome de personagem bíblico é encontrado

     Arqueólogos israelenses descobriram e recuperaram os pedaços de uma vasilha de 3 mil anos com uma inscrição da época do bíblico rei Davi em uma escavação no Vale do Elah, região central de Israel, informou a Autoridade de Antiguidades de Israel nesta terça-feira. Trata-se da quarta inscrição desse tipo descoberta até o momento, que data do século X a.C., no Reino da Judeia. Os pedaços do recipiente de argila foram localizados em 2012 em escavações em Khirbet Qeiyafa, próximas à cidade israelense de Beit Shemesh e onde, segundo o relato bíblico, aconteceu a mítica batalha entre Davi e Golias. Nos fragmentos foram descobertas inscrições que despertaram a curiosidade dos pesquisadores Yosef Garfinkel, do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém, e Saar Ganor, da Autoridade de Antiguidades de Israel. Ao recuperar e juntar os pedaços - um verdadeiro quebra-cabeças -, os arqueólogos encontraram recentemente o nome “Eshbaal Ben Beda” em letras antigas.
“Trata-se da primeira vez que aparece o nome Eshbaal em uma inscrição antiga no país. Eshbaal Ben Shaul, que governou Israel na mesma época que Davi, é citado pela Bíblia”, afirmou Garfinkel. Ele acrescentou que Eshbaal foi “assassinado e decapitado e sua cabeça levada a Davi em Hebron”. “É interessante destacar que o nome Eshbaal aparece na Bíblia, e agora também em um documento arqueológico. Esse nome só foi usado durante a era do rei Davi. O nome Beda é único e não aparece em inscrições antigas ou na tradição bíblica”, reforçou.
     Os pesquisadores salientaram que a descoberta de inscrições dos dias do mítico rei hebraico é um fenômeno muito recente. “Há uns cinco anos, não conhecíamos nenhuma inscrição datada no século X a.C. do Reino da Judeia. Isso muda totalmente nosso entendimento da expansão da escritura no reino e agora fica claro que estava muito mais estendida do que pensávamos”, justificaram. No lugar das escavações foram encontradas também uma fortificação, duas portas, um palácio e armazéns, além quartos e salas de culto, que faziam parte de um assentamento datado do final do século XI e princípios do X a.C.


Via: Veja.com

Nota do Blog: Alguns arqueólogos até pouco tempo duvidavam da historicidade do Rei Davi e do seu filho Salomão e, consideravam que as narrativas bíblicas sobre esses dois reis era "exagerada". Porém pesquisas e descobertas mais recentes, como a Estela de Tel-Dan e as minas de Timna não só provaram a existência de Davi, como a extensão de seu reino dentro dos limites estabelecidos pela Palavra de Deus. Cada dia mais a arqueologia comprovando atos narrados nas Escrituras e sua confiabilidade.

Prof. Saulo Nogueira

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Os dias estão se "abreviando" conforme profetizado biblicamente?

      Certo dia, conversando com uma pessoa sobre assuntos cotidianos e como o ano "está passando rapidamente", a mesma, na sua simplicidade, disse que os dias estão passando mais rapidamente e, que na Bíblia existe uma passagem que diz que nos últimos tempos os dias seriam abreviados. Por conhecer o versículo e o contexto em que ele está inserido, rapidamente expliquei aquela irmã, que o versículo em questão não se referia as horas do dia, ou os meses do ano, mas que se referem há um tempo específico.

          Na realidade não era a primeira vez que eu ouvia alguém dizer isso. Até em pregações já ouvi alguns irmãos dizendo que os dias estão se abreviando e cumprindo-se o profetizado pela Bíblia Sagrada. Resolvi então, fazer um artigo tratando sobre a interpretação dessa passagem bíblica e o que de fato ela quer nos ensinar. Vamos ao texto:

"E se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias." (Mateus 24:22)

Quais "dias" que seriam abreviados a qual o texto se refere? Voltando simplesmente alguns versículos atrás, podemos verificar a qual período de tempo específico a passagem em questão faz alusão:

"porque haverá então uma tribulação tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá." (Mateus 24:21)

        Enquanto Jesus estava sentado no monte das Oliveiras, que permite visualizar a área do Templo, os discípulos lhe fizeram uma pergunta tríplice: "Dize-nos quando serão essas coisas, (a destruição do Templo) e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?"(vs. 3). A resposta de Jesus envolve as questões que se referiam à queda de Jerusalém e consequentemente do Templo, mas também às questões concernentes à Sua Volta e ao fim. Mas é difícil separar as respostas para essas perguntas. Definitivamente, elas não parecem ser respondidas em seqüência, contudo parece que Jesus começa respondendo a segunda pergunta.

      Grande parte do capítulo 24 de Mateus se refere à profecias que ainda irão se cumprir. Porém, algumas passagens tiveram seu cumprimento durante o cerco de Jerusalém, no ano 70 pelo General Tito que, de certa forma foi um "prelúdio" da tribulação que viria sobre todos os moradores da terra. Devemos entender que também houve uma "Tribulação" sobre os Judeus, conforme profetizado por Jesus quando alertou os seus discípulos sobre a "abominação da desolação"(vs. 15). 

      O Comentário Bíblico de Beacon nos traz a seguinte nota:

     "“O termo Thlipsis é usado aqui quase no seu sentido literal para a opressão diária do cerco. Sempre se objetou que as palavras desse versículo são fortes demais, e por isso não poderiam ser aplicadas ao ano 70 d.C. Mas Josefo escreve: “Penso que os infortúnios de todos os homens, desde o princípio do mundo, se comparados ao infortúnio dos judeus, não são tão importantes”. Carr assim resume a situação:

     "Não há palavras que possam descrever os incomparáveis horrores desse cerco. Era a época da Páscoa, e os judeus de todas as partes estavam comprimidos dentro das muralhas. Três facções, inimigas entre si, estavam cravadas em Sião e no monte do Templo (...) o pátio do Templo estava inundado com o sangue da discórdia civil, que literalmente se misturava com o sangue dos sacrifícios."

    Josefo afirma que mais de um milhão de judeus morreram nessa catástrofe, e que aproximadamente cem mil foram vendidos como escravos. Parece que a melhor maneira de interpretar o versículo 21 é permitir a aplicação dupla - à queda de Jerusalém em 70 d.C., e também à “grande tribulação” do final desta era.[1](grifo meu)

      Em relação á abreviação daqueles dias, o comentarista continua:

  "Abreviar aqueles dias (versículo 22) se refere ao cerco final de Jerusalém, que surpreendentemente durou menos de cinco meses (de abril a setembro de 70 d.C.). Isto aconteceu por causa dos escolhidos - para que os judeus cristãos da Judeia não fossem, em sua totalidade, eliminados em uma guerra que visava o extermínio dos judeus. A frase por causa dos escolhidos também poderia significar “por causa das orações dos cristãos em Pella, orações pelos judeus que eles tinham deixado para trás”.[2]

         Lembrando-se das profecias de Jesus sobre a queda do Templo de Jerusalém, alguns cristãos vendo que o cerco romano era iminente, fugiram para Pella, cidade localizada do outro lado do Jordão. De alguma forma, durante a "Grande Tribulação" que virá sobre todo o mundo, podemos entender que aqueles dias também serão abreviados. 

      Alguém poderia dizer que grandes mudanças, como grandes terremotos poderiam mudar a rotação da Terra, fazendo com que ela girasse mais rapidamente. De fato, existem algumas mudanças fortes o suficiente para alterar a rotação da Terra. Por exemplo, o terremoto de 8,9 graus na escala Richter que assolou o Japão em 2011 foi tão forte que acelerou a rotação da Terra e encurtou os dias em 1,6 microssegundo, segundo a Nasa. Algo parecido ocorreu por causa do terremoto no Chile, um ano antes. Já o abalo de Sumatra, em 2004, causou uma aceleração de 6,8 microssegundos, segundo cientistas.[3] Porém essas mudanças são tão sutis que são imperceptíveis á nós.
    
Conclusão

      Os dias que foram abreviados se referiam aos dias do cerco Romano contra Jerusalém, caso contrário ninguém suportaria tamanha Tribulação. Algo parecido também ocorrerá na grande tribulação mundial, onde aqueles dias serão abreviados, para que os redimidos não sejam completamente destruídos. Tanto Daniel 7.25, quanto Ap.12.14 sugerem que o comprimento real do tempo durante o qual a Besta terá permissão de aterrorizar o mundo está fixado em três anos e meio.  Em relação a impressão que temos que o tempo está "passando mais rapidamente", é simplesmente uma questão de percepção. Devido à nossa rotina, com correria e excesso de trabalho, não encontramos tempo suficiente para realizar todas as atividades que nos propomos à fazer. A modernidade e a velocidade em que as informações chegam até nós, aliados á prazos curtos de entregas de planilhas, memorandos ou trabalhos de faculdade, nos faz ter a percepção de que o tempo de fato está passando mais rapidamente. Mas é só ficar um dia sem fazer nada, olhando para o relógio que iremos ter a percepção que de as horas custaram a passar!

Paz do Senhor Jesus à todos

Prof. Saulo Nogueira


Notas: 

[1]Comentário Bíblico Beacon, pg. 165-166
[2]Ibid.
[3]Uol Notícias Ciência

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Se eu me converter, toda a minha família será salva?

Imagem: Revista Critério
       Muitas pessoas têm dúvidas sobre uma passagem bíblica que se encontra no Livro de Atos: "Responderam eles: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa." (Atos 16:31) e se indagam se existe a possibilidade de um membro da família ser "salvo por tabela" pelos méritos de outro membro da família, salvo em cristo Jesus. Uma análise superficial do versículo poderia sim dar essa impressão, mas não podemos nos esquecer que a Bíblia como um Livro inerrante não se contradiz e dever ser entendida num plano geral e não em versículos isolados. Vamos analisar o texto á luz de outras passagens Bíblicas e de seu próprio contexto:

1 - A Palavra de Deus é muito clara quando diz que a Salvação é individual. (cf. Rm. 14.12; Ap. 22.12; 2Co. 5.10;)

2 - O texto pose ser visto como uma promessa e não como uma garantia. Os demais membros da família só serão salvos mediante a sua experiência particular de uma fé salvadora em Cristo Jesus.

3 - A condição para a Salvação da família, incluía que todos ouvissem e cressem no Senhor Jesus, sem exceção. Se algum membro deixasse de ouvir o Evangelho ou não cresse, de forma alguma seria salvo; 

4 - Quando continuamos a ler o texto, percebemos que toda a família do carcereiro deu uma resposta favorável à pregação do Evangelho: "Então lhe pregaram a palavra de Deus, e a todos os que estavam em sua casaTomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes as feridas; e logo foi batizado, ele e todos os seusEntão os fez subir para sua casa, pôs-lhes a mesa e alegrou-se muito com toda a sua casa, por ter crido em Deus. (Atos 16:32-34), pela exegese do texto, temos a certeza que todos ouviram e aceitaram a mensagem de Salvação e, consequentemente "sua casa" foi toda salva.

5- Em Atos 11.13-14 ocorre praticamente a mesma situação:  "E ele nos contou como vira o anjo em pé em sua casa e que lhe dissera: Envia a Jope e manda chamar Simão, por sobrenome Pedro, o qual te dirá palavras mediante as quais serás salvo tu e toda a sua casa". O princípio exegético aqui é o mesmo: aceitação do Evangelho por toda a família como pré requisito para a Salvação de todos.

        Conclusão: Devemos entender então, que os membros da família do carcereiro foram salvos mediante a fé verdadeira que professaram após ouvirem crerem na Mensagem dos apóstolos. O carcereiro serviu como um "missionário" para os seus, pois pela sua fé, proporcionou que toda a sua família ouvisse o Evangelho e fossem salvas.

        Se você tem algum membro da sua família, esposo, esposa ou filhos que ainda não entregaram a sua vida á Jesus, não se sinta frustrado pelo fato de que a Salvação dependa da resposta individual de cada um ao chamado de Deus. Jamais desista. Use desse fato para ser um referencial de fé para eles, através de suas atitudes, devoção, conversão verdadeira, pois sendo assim, através do seu testemunho e da obra que o Senhor tem feito em sua vida, eles possam abrir seu coração para que o Espírito Santo ente a faça morada. Como pais, devemos ensinar nossos filhos no caminho da Salvação e instruí-los a viver uma fé viva e verdadeira no Senhor Jesus.

Paz do Senhor Jesus á todos.

Prof. Saulo Nogueira

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O que significa batismo com fogo em Lucas 3.16?

"João respondeu a todos: "Eu os batizo com água. Mas virá alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de curvar-me e desamarrar as correias das suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo." (Lucas 3:16) NVI. (grifo meu)
          
      Esse versículo, encontrado nos Evangelhos de Mateus 3.11, Marcos 1.8 e Lucas 3.16, causam uma grande polêmica no meio Evangélico. Alguns defendem que esse batismo é um simbolismo do fogo purificador, que queima o pecado e as impurezas que contaminam o cristão. Outros concluem que esse batismo se refira ao juízo de Deus sobre os ímpios e, consequentemente, não faz referência aos cristãos. Sem querer criar polêmica, mas simplesmente querendo colaborar com o bom diálogo e interpretação, darei minha contribuição nessa questão, baseado na opinião de grandes especialistas, tanto da ala Pentecostal quando da ala Reformada.

       Todo bom estudioso e intérprete Bíblico deve conhecer algumas regras simples e básicas de hermenêutica. E uma dessas regras é que o próprio contexto define o sentido do versículo em questão. Já no começo do capítulo, João Batista se refere a um juízo vindouro de Deus sobre aqueles que praticam todo tipo de impiedade: "João dizia às multidões que saíam para serem batizadas por ele: "Raça de víboras! Quem lhes deu a ideia de fugir da ira que se aproxima?" (Lucas 3:7). A ideia  transmitida por João aqui é de serpentes fugindo de um incêndio numa floresta.

       E acrescenta: "O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo" (Lucas 3:9). Indicando que a punição era iminente.

      Fica claro, já no início do capítulo, que a mensagem de João era direcionada a dois grupos de pessoas: Aquelas que realmente estavam arrependidas e queriam o perdão de Deus e aquelas que se auto-justificavam por crerem que a obediência á Lei e por serem filhos de Abraão era garantia de Salvação: "Dêem frutos que mostrem o arrependimento. E não comecem a dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão." (Lucas 3:8).

      Que existe a necessidade absoluta do crente ser batizado com o Espírito Santo é uma verdade inegável nas escrituras sagradas. Mas pensar que o batismo com o Espírito Santo é o mesmo batismo de fogo é não compreender o significado real do versículo.

       Mas isso não é uma questão de opinião, vejamos o que dizem os especialistas em hermenêutica:

     A Bíblia de Estudo Plenitude, de orientação pentecostal, no texto de Lc 3.16 remete para um comentário de Mt 3.11 como segue:

“O batismo de João é um tipo de experiência de salvação de ser batizado no Espírito. Como o batismo de João colocava o indivíduo dentro da água, o batismo de Jesus coloca o cristão no Espírito, identificando-o como totalmente ligado ao Senhor. O fogo purifica ou destrói. Portanto, a salvação em Jesus Cristo será purificadora para os verdadeiros judeus que o aceitarem como o Messias, e destruidora para aqueles que o rejeitarem.”

       A Bíblia de Estudo Genebra comenta assim a questão do fogo em Lc 3.16: “O batismo com fogo aponta para o juízo (v.9 nota). A pá para limpar sua eira’ é outro símbolo para o juízo (v. 17)...”. 

      A Bíblia de Estudo NVI assim comenta o mesmo texto: “... e com fogo. Aqui, o fogo está associado ao juízo (v.17)...”.

     A Bíblia de Estudo Shedd analisa o texto assim: “... Fogo. O contexto (17) parece exigir o sentido de prova, de  julgamento (Lc 12.39-53; 1 Co 3.13).”  Ainda a mesma Bíblia comenta Mt 3.11 assim: “Com o Espírito Santo e com fogo. Refere-se ao ministério espiritual de Cristo. Sua obra começou acompanhada pela energia sobrenatural do Espírito Santo, colhendo-se algum ‘trigo’ (os fiéis), e revelando-se quem seria ‘palha’ para julgamento. A doutrina do batismo no Espírito Santo não recebe luzes neste trecho, pois o assunto pertence à época posterior à ressurreição de Jesus (1 Co 12.13)".   

    R. N. Champlin, em sua obra “O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo”, relaciona o texto de Lc 3.16 com o comentário de Mt 3.11, como segue: “...Há várias interpretações dessas palavras: 1. Alguns acham que aqui temos dois batismos, um do Espírito e outro de fogo, e que esse último fala de juízo, provavelmente até de inferno. Assim interpretaram Orígenes e outros pais da igreja...alguns bons intérpretes reputam esse batismo de fogo como algo que se refere ao juízo."

       John F. MacArthur na sua Bíblia de Estudo traz a seguinte nota de rodapé: "com fogo". Pelo fato de, nesse contexto, o fogo ser usado como meio de punição (v. 9), isso é provavelmente uma referência a um batismo de castigo sobre os ímpios.

       Charlie C. Ryrie, grande comentarista bíblico, autor da Bíblia de estudo anotada, na versão expandida, traz a seguinte informação:"fogo". Provavelmente uma referência aos julgamentos associados á segunda vinda de Cristo. O batismo com o Espírito Santo ocorreu no dia de Pentecostes, ao passo de que o batismo com fogo se refere aos juízo que acompanharão a segunda vinda de Cristo.


     Lendo a ilustração que o Apóstolo Pedro faz sobre a Vinda de Cristo, conseguimos visualizar o quadro profetizado por João Batista: " Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma Palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios" (2Pe. 3.7). E também o escritor de Hebreus: "Pois o nosso Deus é um fogo consumidor"


      Podemos apresentar ainda outros versículos bíblicos que corroboram com nossa conclusão: no início do Livro de Atos dos Apóstolos, também escrito pelo médico Lucas, vemos Jesus ratificando sua promessa aos seus discípulos fazendo a seguinte declaração:
"Certa ocasião, enquanto comia com eles, deu-lhes esta ordem: "Não saiam de Jerusalém, mas esperem pela promessa de meu Pai, da qual lhes falei. Pois João batizou com água, mas dentro de poucos dias vocês serão batizados com o Espírito Santo". (Atos 1:4,5) 
      Note que pelo fato de Jesus estar se referindo apenas aos seus discípulos ele não faz nenhuma referência à nenhum tipo de batismo de fogo, confirmando a ideia de que este seria somente para os ímpios no fim dos tempos.

       Também no Livro de Atos, quando Pedro se defende diante dos Judaizantes pelo fato de ter levado o Evangelho aos gentios, ele relembra a promessa do Batismo feita por Jesus:
"Quando comecei a falar, o Espírito Santo desceu sobre eles como sobre nós no princípio. Então me lembrei do que o Senhor tinha dito: ‘João batizou com água, mas vocês serão batizados com o Espírito Santo’. (Atos 11:15,16)

     Além disso, podemos traçar um paralelo entre os versículos, para que a conclusão fique ainda mais clara e óbvia:

"... ele vos batizará com os Espírito Santo." ______"... para limpar completamente a sua                                                                                 eira e recolher o trigo no seu celeiro"


"...e com fogo"________________________________  "...porém queimará a palha em                                                                                              fogo inextinguível"



Mas, então por que a referência ao fogo em Atos 2? Não seria o cumprimento da Palavra de João Batista: "com o Espírito Santo e com fogo"?


Vamos ao texto:
"Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um ruído, como que de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E lhes apareceram umas línguas como que de fogo, que se distribuíam, e sobre cada um deles pousou uma. E todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. (Atos 2:1-4)
       Lucas não disse que as línguas eram de fogo ou que desceu fogo literal do céu, mas que pareciam "línguas como que de fogo". O autor de Atos se utiliza aqui de uma linguagem comparativa, ou seja, uma analogia, para repassar de uma maneira compreensível aquilo que estava além da compreensão humana. Os discípulos não podiam compreender o significado da Vinda do Espírito sem que o Senhor ilustrasse soberanamente com um fenômeno visível o que estava acontecendo. O uso que Deus faz com aparência de fogo aqui é paralelo ao que faz com a pomba quando Jesus foi batizado. (Lc. 3.21-22). Nenhum cristão em sã consciência diz que o Espírito Santo é uma pomba. Além disso, se Atos 2 cumprisse totalmente Lc. 3.16, o próprio autor, que escreveu tanto um quanto o outro faria menção ao cumprimento proposto por João Batista.

Conclusão


       Por mais que haja discordância de alguns em relação ao texto, o sentido mais fluente e natural da narrativa é que o batismo de fogo de Jesus, se refere claramente a uma condenação na Sua segunda Vinda, que não será administrada sobre os cristão, mas sobre os ímpios.

Prof. Saulo Nogueira.

Bibliografia:

Bíblia de Estudo Plenitude;
Bíblia de Estudo de Genebra;
Bíblia de Estudo NVI;
Bíblia de Estudo Shed;
Bíblia de Estudo MacArthur;
Bíblia de Estudo Anotada Expandida;
Champlin; R.N. O Novo Testamento interpretado.