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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Sabemos o que é Igreja?

      Igreja não é templo, não é sinagoga, não é mesquita. Não é o santuário onde os fiéis se reúnem para cultuar a Deus. Igreja é gente, e não lugar. É a assembléia de pecadores perdoados; de incrédulos que se tornam crentes; de pessoas espiritualmente mortas que são espiritualmente ressuscitadas; de apáticos que passam a ter sede do Deus vivo; de soberbos que se fazem humildes; de desgarrados que voltam ao aprisco. Igreja é mistura de raças diferentes, distâncias diferentes, línguas diferentes, cores diferentes, nacionalidades diferentes, culturas diferentes, níveis diferentes, temperamentos diferentes. A única coisa não diferente na Igreja é a fé em Jesus Cristo. A Igreja não é igreja ocidental nem igreja oriental. Não é Igreja Católica Romana nem igreja protestante. 

       Não é igreja tradicional nem igreja pentecostal. Não é igreja liberal nem igreja conservadora. Não é igreja fundamentalista nem igreja evangelical. A Igreja não é Igreja Adventista, Igreja Anglicana, Igreja Assembléia de Deus, Igreja Batista, Igreja Congregacional, Igreja Deus é Amor, Igreja Episcopal, Igreja Holiness, Igreja Luterana, Igreja Maranata, Igreja Menonita, Igreja Metodista, Igreja Morávia, Igreja Nazarena, Igreja Presbiteriana, Igreja Quadrangular, Igreja Reformada, Igreja Renascer em Cristo nem igrejas sem nome.

        A Igreja é católica (universal), mas não é romana. É universal (católica) mas não é a Universal do Reino de Deus. É de Jesus Cristo, mas não dos Santos dos Últimos Dias. Porque é universal, não é igreja armênia, igreja búlgara, igreja copta, igreja etíope, igreja grega, igreja russa nem igreja sérvia. Porque é de Jesus Cristo, não é de Simão Pedro, não é de Miguel Cerulário, não é de Martinho Lutero, não é de Simão Kimbangu, não é de Sun Myung Moon, não é de Bento XVI. Em todo o mundo e em toda a história, a única pessoa que pode chamar de minha a Igreja é o Senhor Jesus Cristo. Ele declarou a Cefas: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mt 16.18).

        Não há nada mais inescrutável e fantástico do que a Igreja de Jesus Cristo. Ela é o mais antigo, o mais universal, o mais indiscriminatório, o mais inexpugnável e o mais misterioso de todos os agrupamentos. Dela fazem parte os que ainda vivem (igreja militante) e os que já se foram (igreja triunfante). Seus membros estão entrelaçados, mesmo que, por enquanto, não se conheçam plenamente. Todos igualmente são “concidadãos dos santos” (Ef 2.19), “co-herdeiros com Cristo” (Ef 3.6; Rm 8.17) e “co-participantes das promessas” (Ef 3.6). Eles são nada menos e nada mais do que a Família de Deus (Ef 2.19; 3.15). Ali, ninguém é corpo estranho, ninguém é estrangeiro, ninguém é de fora. É por isso que, na consumação do século, “eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles” (Ap 21.3). A Igreja de Jesus, também chamada Igreja de Deus (1 Co 1.2; 10.22; 11.22; 15.9; 1 Tm 3.5 e 15), Rebanho de Deus (1 Pe 5.2), Corpo de Cristo (1 Co 12.27) e Noiva de Cristo (Ap 21.2), tem como Esposo (Ap 21.9), Cabeça (Cl 1.18) e Pastor (Hb 13.20) o próprio Jesus.

       A tradicional diferença entre igreja visível e igreja invisível não significa a existência de duas igrejas. A Igreja é uma só (Ef 4.4). 

A igreja invisível é aquela que reúne o número total de redimidos, incluindo os mortos, os vivos e os que ainda hão de nascer e se converter. Eventualmente pode incluir pecadores arrependidos que nunca frequentaram um templo cristão nem foram batizados. Somente Deus sabe quantos e quais são: “O Senhor conhece os que lhe pertencem” (2 Tm 2.19). 

A igreja visível é aquela que reúne não só os redimidos, mas também os não redimidos, muito embora passem pelo batismo cristão, se declarem cristãos e possam galgar posições de liderança. É a igreja composta de trigo e joio, de verdadeiros crentes e de pseudocrentes. Dentro da igreja visível está a igreja invisível, mas dentro da igreja invisível nunca está toda a igreja visível. A Igreja de Jesus é uma só, porém é conhecida imperfeitamente na terra e perfeitamente no céu.

Fonte: Ultimato Online

terça-feira, 11 de novembro de 2014

A loucura do Evangelho, sim. A "loucura dos evangélicos", jamais!

Por Antognoni Misael    

 Como bem dizia Lutero: “quanto ao amor devemos ser flexíveis como uma cana ou a folha, pois o amor cede, mas quanto à verdadeira fé devemos ser invencíveis, e, se possível, mais duros do que o diamante”.

     Portanto, amigos leitores quando posto algum comentário sobre algum vídeo ou notícia relacionada o meio evangélico (com todas suas variedades e esquisitices) não estou falando sobre amor, logo posso não ser flexível como a cana, ou folha. A saber, que o amor não depende de convicções pessoais, o amor é mandamento. Assim, do mesmo modo, para que eu ame não significa que devo me omitir em lançar opinião. O que ocorre frequentemente nesse espaço é que alguns colegas confundem “defesa de fé” com falta de amor – desta feita, confesso que é muito difícil ser entendível pra estes. Alguns interpretam que estamos dividindo a igreja, ou que estamos provocando a falta de união. Recentemente postei algo relacionado aos Aviva’s, cuja prática está linkada ao modus operandi do suposto avivamento que o Brasil estaria experimentando, vide líderes da Teologia da Prosperidade e alguns artistas do segmento Gospel.

Quero fazer as seguintes considerações:

1) Entendo que a igreja evangélica brasileira de um modo geral está mal nutrida da sua bússola de fé (as escrituras).

2) O movimento gospel, abastecido por alguns astros da música, cujos manjares é idêntico ao dos comerciantes do pop music secular, representa bem mais um mercado do que um reduto de verdadeira adoração ou um campo missionário.

3) Os avivamentos pautados na palavra de Deus ocorreram com o retorno as escrituras sagradas, a auto consciência do estado de pecaminosidade, e não na ênfase de experiências humanas, ou bênçãos materiais.

4) Segundo pesquisa realizada e publicada na obra Reforma Agora, do Pr. Renato Vargens, 50% dos pastores do Brasil nunca leram a Bíblia toda. Ou seja, uma enorme quantidade de igrejas cristãs no Brasil são lideradas por homens despreparados e sujeitos a qualquer vento de doutrina vã.

5) Atualmente você não vê nenhum outro segmento religioso no Brasil nos dando mais indícios de loucura e insanidade do que os "evangélicos" - basta computar as centenas de vídeos insanos, bizarros, forjados e vergonhosos.

       Diante disso, quando expomos alguma opinião relacionada a tal quadro, não o faço por desejar desunião ou por falta de amor. Só o faço por democraticamente expor a minha fé; ratificar que isso ou aquilo não representa biblicamente o Evangelho, e acenar para a necessidade de uma “nova reforma”, ou redefinição dos postulados da fé cristã nos dias de hoje. O que me entristece? O fato de receber ataques Ad Hominem por parte daqueles que acham que tudo está normal e me acusam de “perseguir” o movimento evangélico. O que, sinceramente tenho a dizer é: eu defendo a “Loucura do Evangelho”, e não a “Loucura de alguns Evangélicos”. Note:

a) Somos acusados de dividir o reino

b) Somos acusados de tocar nos “ungidos do Senhor”

c) Somos acusados de não entender as coisas espirituais (principalmente quando não se há respaldo bíblico para elas)

d) Corremos o grande risco de que alguns crentes se afastem de nós

e) Corremos o grande risco de nos tornarmos uma espécie de intruso dentro da igreja

       Uma característica do inchaço de muitas igrejas é o pragmatismo, o hedonismo, as ênfase nas bênçãos, o bem estar das coisas de Deus e não o próprio Deus... isso nos lembra os tempos do profeta Jeremias quando o povo de Israel se mostrou tão hedônico, apegado as coisas da terra, fartos porém das coisas dEle e esquecidos do próprio Deus.
“Como, vendo isto, te perdoaria? Teus filhos me deixam a mim e juram pelos que não são deuses; quando os fartei, então adulteraram, e em casa de meretrizes se ajuntaram em bandos. Como cavalos bem fartos, levantam-se pela manhã, rinchando cada um à mulher do seu próximo. Deixaria Eu de castigar por estas coisas, diz o SENHOR, ou não se vingaria a minha alma de uma nação como esta?” (Jeremias 5:7-9)
     Portanto, se você querido leitor, hostiliza alguns comentários e críticas relacionadas aos postulados que fiz acima, eu entendo que você:

1) Defende que a igreja evangélica brasileira está crescendo por motivo de um avivamento e está bem nutrida da Palavra.

2) Defende que movimento gospel tem representado o evangelho de Jesus sendo um reduto de verdadeira adoração e um campo missionário.

3) Defende que os avivamentos pautados na palavra de Deus ocorreram na ênfase de experiências humanas, bênçãos materiais e multiplicação do número de igrejas (mesmo aquelas que surgem de rachas, ou por insubmissão).

4) Defende que apesar de 50% dos pastores do Brasil nunca terem lido a Bíblia toda, isso não importa porque “a letra mata e a teologia enterra” – logo, o que vale é ser cheio do Espírito Santo.

5) Defende que o que tem ocorrido no segmento religioso no Brasil não são indícios de loucura e insanidade; boa parte dos vídeos esquisitos que circulam pela net são “mistérios” e devem ser assimilados como um mover de Deus. Isto posto, se você considera corretas estas cinco observações acima, e discorda da crítica relacionada ao nosso panorama geral. E se isso pra você é dividir o reino (embora pra mim não seja). Que este se divida!

***

Antognoni Misael, editor do Arte de Chocar, co-editor do Púlpito Cristão.

Nota do Blog: Compartilho a opinião do irmão Antognoni Misael. Muitas pessoas pensam que nós apologistas gostamos ou temos prazer em expor os erros da"igreja". Primeiramente acredito que agindo assim, não estamos despindo a igreja do Senhor diante do mundo. Muito pelo contrário. Creio que verdadeira Igreja, a noiva do cordeiro, permanece imaculada, justa e Santa diante de Seu esposo Jesus Cristo. O que nós expomos é a prostituta, a falsa igreja, a grande meretriz babilônica que se prostitui com os reis da terra. De forma alguma atacamos a Esposa do Cordeiro, (não somos loucos!) pois também fazemos parte dessa Igreja, mas abominamos a "igreja" que deturpa o Verdadeiro Evangelho do Senhor Jesus, que cria uma teologia baseada na prosperidade financeira como sinais da bênção de Deus e acima de tudo menospreza a Graça e a Misericórdia do Senhor. Oremos à Deus que levantem outros apologistas, que assim como Paulo, Lutero, Calvino, eu e você, tenham  a coragem de defender a Verdadeira Igreja e expor e combater a heresias propagadas pela falsa igreja. 

"Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos."
Judas 1:3

Prof. Saulo Nogueira

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Dilma, os políticos e suas visitas ás Igreja Evangélicas

Por Renato Vargens 

       Em época de eleição os púlpitos de algumas igrejas evangélicas ficam lotados de políticos. Para piorar a situação muitos desses senhores durante os anos que antecedem o pleito, negligenciam Cristo, seu evangelho e o povo de Deus, todavia, bastam as eleições se aproximarem que essa corja se aproxima da igreja na expectativa de conseguir votos que os conduza a um novo mandato.
  
   Pois é, confesso que estou impressionado com a quantidade de candidatos dispostos a irem a igreja e a "cultuar" a Cristo. Há pouco recebi o pedido de um "crente" candidato a deputado federal querendo o meu apoio incondicional. Noutra ocasião, um destes políticos oportunistas, me pediu a oportunidade de compartilhar seu "plano de governo" numa cerimônia fúnebre que na ocasião oficializei. Complicado sabe?

        Na semana passada fui surpreendido com a ida da presidente Dilma a uma igreja evangélica (pela foto dá pra ver qual a igreja). Na ocasião a "camarada Estrela" leu a Bíblia, pediu orações e cantou louvores. Ora, vamos combinar uma coisa? A presidente depois que se elegeu em 2010 nunca foi uma igreja, antes pelo contrário, defendeu com unhas e dentes conceitos e valores que nós cristãos abominamos e agora a eleição se aproxima se dispõe a ir a igreja e pedir a bênção de Deus? 

      Prezado amigo, eu não sou simplista nem tampouco ingênuo, até porque, bem sei que os outros candidatos a presidência farão a mesma coisa. No entanto, choca-me ver pastores "comercializando a fé". Caro leitor,  pra  vergonha do evangelho de Cristo e tristeza daqueles que amam ao Senhor, os lobos (ops) digo, alguns pastores, tem feito negócios escusos em troca de apoio e benesses para a igreja do Cordeiro. (II Pedro 2:1-3) Todavia, a contrário destes,  decidi que o púlpito da minha igreja está fechado pra todo aquele que usa do nome de Deus para fins pessoais e que por mais que tentem me convencer ao contrário eu não abrirei espaço na liturgia de minha comunidade local para qualquer tipo de campanha política.

É o que penso, é o que digo!

Nota do Blog: Penso ser um tremendo absurdo e falta de reverência pastores permitirem que seus púlpitos sejam usados como plataforma política e de discursos mentirosos, para receber benefícios daqueles que estão almejando o poder. Púlpito é lugar de se pregar a Palavra de Deus, instruir o povo na Verdade e Glorificar o Nome do Nosso Senhor Jesus Cristo. Se querem pedir votos ou lançar suas candidatura e planos de governo, estão dentro do seus direitos, e é louvável que ouçamos suas propostas e analisemos suas intenções. Mas há lugares apropriados para isso e jamais nos púlpitos de Igrejas.

Prof. Saulo Nogueira


  

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Qual o futuro da igreja evangélica no Brasil?



       Apesar de discordar da visão Calvinista do amado Reverendo Augustus Nicodemus Lopes, concordo com sua visão acerca dos rumos que a Igreja tem tomado. Gosto de sua mensagens e da forma que ele expõe o Evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo. Abaixo transcrevo na íntegra o texto publicado em seu Blog pessoal:
     
   
     "Quando olho o atual cenário da igreja evangélica brasileira – estou usando o termo “evangélica” de maneira ampla – confesso que me sinto incapaz de prever o que vem pela frente. Há muitas e diferentes forças em operação em nosso meio hoje, boa parte delas conflitantes e opostas. Olho para frente e não consigo perceber um padrão, uma indicação que seja, do futuro da igreja.
      
          Há, em primeiro lugar, o crescimento das seitas neopentecostais. Embora estatísticas recentes tenham apontado para uma queda na membresia de seitas como a Universal do Reino do Deus - que ressurge das cinzas com o "templo de Salomão" - , outras estão surgindo no lugar, como na lenda grega da Hidra de Lerna, monstro de sete cabeças que se regeneravam quando cortadas. A enorme quantidade de adeptos destes movimentos que pregam prosperidade, cura, libertação e solução imediata para os problemas pessoais acaba moldando a imagem pública dos evangélicos e a percepção que o restante do Brasil tem de nós. Na África do Sul conheci uma seita que mistura pontos da fé cristã com pontos das religiões africanas, um sincretismo que acaba por tornar irreconhecível qualquer traço de cristianismo restante. Temo que a continuar o crescimento das seitas neopentecostais e seus desvios cada vez maiores do cristianismo histórico, poderemos ter uma nova religião sincrética no Brasil, uma seita que mistura traços de cristianismo com elementos de religiões afro-brasileiras, teologia da prosperidade e batalha espiritual em pouquíssimo tempo.
      
       Depois há o movimento “gospel”, que mostrou sua popularidade ao ter o festival “Promessas” veiculado pela emissora de maior audiência do país. Não me preocupa tanto o fato de que a Rede Globo exibiu o show, mas a mensagem que foi passada ali. A teologia gospel confunde “adoração” com pregação, exalta o louvor como o principal elemento do culto público, anuncia um evangelho que não chama pecadores e crentes ao arrependimento e mudança de vida, que promete vitórias mediante o louvor e a declaração de frases de efeito e que ignora boa parte do que a Bíblia ensina sobre humildade, modéstia, sobriedade e separação do mundo. Para muitos jovens, os shows gospel viraram a única forma de culto que conhecem, com pouca Bíblia e quase nenhum discipulado. O impacto negativo da superficialidade deste movimento se fará sentir nesta próxima geração, especialmente na incapacidade de impedir a entrada de falsos ensinamentos e doutrinas erradas.
       
        Notemos ainda o crescimento do interesse pela fé reformada, não nas igrejas históricas, mas fora delas, no meio pentecostal. Não são poucos os pentecostais que têm descoberto a teologia reformada – particularmente as doutrinas da graça, os cinco slogans (“solas”) e os chamados cinco pontos do calvinismo. Boa parte destes tem tentado preservar algumas idéias e práticas características do pentecostalismo, como a contemporaneidade dos dons de línguas, profecia e milagres, além de uma escatologia dispensacionalista. Outros têm entendido – corretamente – que a teologia reformada inevitavelmente cobra pedágio também nestas áreas e já passaram para a reforma completa. Mas o tipo de movimento, igrejas ou denominações resultantes desta surpreendente integração ainda não é previsível.
     
         O impacto das mídias sociais também não pode ser ignorado. E há também o número crescente de desigrejados, que aumenta na mesma proporção da apropriação das mídias sociais pelos evangélicos. Com a possibilidade de se ouvir sermões, fazer estudos e cursos de teologia online, além de bate-papo e discipulado pela internet, aumenta o número de pessoas que se dizem evangélicas mas que não se congregam em uma igreja local. São cristãos virtuais que “freqüentam” igrejas virtuais e têm comunhão virtual com pessoas que nunca realmente chegam a conhecer. Admito o benefício da tecnologia em favor do Reino. Eu mesmo sou professor a quinze anos de um curso de teologia online e sei a benção que pode ser. Mas, não há substituto para a igreja local, para a comunhão real com os santos, para a celebração da Ceia e do batismo, para a oração conjunta, para a leitura em uníssono das Escrituras e para a recitação em conjunto da oração do Pai Nosso, dos Dez Mandamentos. Isto não dá para fazer pela internet. Uma igreja virtual composta de desigrejados não será forte o suficiente em tempos de perseguição.
   
        Eu poderia ainda mencionar a influência do liberalismo teológico, que tem aberto picadas nas igrejas históricas e pentecostais e a falta de maior rapidez e eficiência das igrejas históricas em retomar o crescimento numérico, aproveitando o momento extremamente oportuno no país. Afinal, o cristianismo tem experimentado um crescimento fenomenal no chamado Sul Global, do qual o Brasil faz parte. Algumas coisas me ocorrem diante deste quadro, quando tento organizar minha cabeça e entender o que se passa.

1 – Historicamente, as igrejas cristãs em todos os lugares aqui neste mundo atravessaram períodos de grande confusão, aridez e decadência espiritual. Depois, ergueram-se e experimentaram períodos de grande efervescência e eficácia espiritual, chegando a mudar países. Pode ser que estejamos a caminho do fundo do poço, mas não perderemos a esperança. A promessa de Jesus quanto à Sua Igreja (Mateus 16:18) e a história dos avivamentos espirituais nos dão confiança.

2 – Apesar de toda a mistura de erro e verdade que testemunhamos na sincretização cada vez maior das igrejas, é inegável que Deus tem agido salvadoramente e não são poucos os que têm sido chamados das trevas para a luz, regenerados e justificados mediante a fé em Cristo Jesus, apesar das ênfases erradas, das distorções doutrinárias e da negligência das grandes doutrinas da graça. Ainda assim, parece que o Espírito Santo se compraz em usar o mínimo de verdade que encontra, mesmo em igrejas com pouca luz, na salvação dos eleitos. Não digo isto para justificar o erro. É apenas uma constatação da misericórdia de Deus e da nossa corrupção. Se a salvação fosse pela precisão doutrinária em todos os pontos da teologia cristã, nenhum de nós seria salvo.

3 –  Deus sempre surpreende o Seu povo. É totalmente impossível antecipar as guinadas na história da Igreja. Muito menos, fazer com que aconteçam. Há fatores em operação que estão muito acima dos poderes humanos. Resta-nos ser fiéis à Palavra de Deus, pregar o Evangelho completo – expositivamente, de preferência – viver uma vida reta e santa, usar de todos os recursos lícitos para propagar o Reino e plantar igrejas bíblicas e orar para que nosso Deus seja misericordioso com os seus eleitos, com a Sua igreja, com aqueles que Ele predestinou antes da fundação do mundo e soberanamente chamou pela Sua graça, pela pregação do Evangelho."

Reverendo Augustus Nicodemus Lopes
O Tempora O Mores

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Israel - Dividindo a Igreja, ou Definindo-a?

Israel - Dividindo a Igreja, ou Definindo-a?

Então disse o Senhor: Considerai no que diz este juiz iníquo. Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lc 18.6-8).

      A pergunta dificilmente poderia ter conseqüências mais graves, portanto, não é facilmente feita. Mas ela está em aberto bem diante de nós, com crescente estridência, exigindo uma resposta. Será que a questão de Israel (o povo e a terra) – quer sejamos a favor ou contra – está finalmente criando uma divisão irreversível na comunidade cristã global? Para levarmos essa questão ainda mais adiante: Será que grande número de pessoas que se consideram cristãs um dia perceberão que, ao escolherem ficar do lado das nações contrárias a Israel, de fato estão se unindo ao campo do inimigo e contra o próprio Senhor que professam amar? Ou será que grandes números de pessoas que se consideram cristãs um dia descobrirão que, ao apoiarem Israel em face de incessantes críticas internacionais, permitiram ser enganadas, esqueceram-se do que realmente é o cristianismo e apoiaram e estimularam um regime embusteiro que abusa criminalmente de seus inimigos? A questão não pode ser evitada, pois um profundo cisma no cristianismo – que se aprofunda cada vez mais – já existe em relação a ela. E, inevitavelmente, ele vai se fender ainda mais.

Os Cristãos a Favor de Israel

       
        Por um lado, temos milhões de cristãos comprometidos, que crêem que os judeus permanecem o Povo Escolhido de Deus, e que a terra de Israel permanece a Terra Prometida por Deus àquele povo. Esses cristãos crêem que as ondas de imigração de judeus para a histórica Terra de Israel, que começaram no final dos anos 1800, e o renascimento de um Estado nacional judeu independente naquela terra, são cumprimentos de profecias bíblicas e, como tal, estão alinhadas com o plano pré-ordenado de Deus. Eles esperam ansiosamente que essa reconstrução física seja seguida por um despertar espiritual e um reavivamento nacional em Israel, que significará “vida dentre os mortos” para toda a humanidade.

       Eles crêem que todas as nações do mundo que rejeitaram a Deus virão – e já estão vindo – e se posicionarão contra Israel e contra aqueles que se colocarem ao lado de Israel. Assim, esses cristãos entendem que a vontade e o propósito de Deus são que eles se aliem a Israel e façam sua parte em confortar, encorajar e apoiar o ancestral “povo de Deus” de inúmeras maneiras, especialmente em face de uma hostilidade sempre crescente por parte da comunidade internacional. E eles entendem que o maior produtor dessa inimizade coesa contra Israel é a mídia noticiosa global, que descaradamente patrocina a versão muçulmana/árabe sobre a história do Oriente Médio e a posse da terra, e rejeita a versão judaico-cristã que se baseia na Palavra de Deus, nos direitos históricos e nas reivindicações do povo judeu, e na lei internacional.

       De acordo com esses cristãos: Deus deu incondicionalmente a Terra de Canaã (que inclui pelo menos toda a área que hoje está debaixo do controle israelense), exclusiva e irrevogavelmente para a descendência de Israel, o neto de Abraão. Essa descendência perdeu o direito de viver naquela terra porque foi infiel ao Senhor. Deus, por meio da Babilônia e depois de Roma, expulsou-os de seu país, permitindo que outras nações governassem sobre a terra deles pelo tempo da duração de seu exílio. E Deus prometeu que, depois do segundo exílio, Ele os ajuntaria novamente na terra e os manteria lá. Os judeus nunca renunciaram ao direito documental de sua terra natal histórica. Nenhum outro grupo de pessoas jamais estabeleceu sua terra natal naquele território. O Império Otomano perdeu essa terra (e outras) quando foi derrotado na Primeira Guerra Mundial, e os vitoriosos naquele conflito escolheram criar diferentes Estados independentes no recentemente libertado Oriente Médio. Finalmente, 21 Estados foram estabelecidos para a nação árabe. Na Declaração Balfour foi prometido o estabelecimento de apenas um pequeno Estado para a nação judaica – dentro das fronteiras de sua antiga terra, à época conhecida como Palestina.

       A Liga das Nações ratificou a Declaração Balfour e, em San Remo, em 1923, estabeleceu-a em lei internacional – lei esta que permanece até hoje, de acordo com a Carta das Nações Unidas. A Grã-Bretanha recebeu a tarefa de supervisionar a implantação daquela lei. Para apaziguar os árabes violentamente intransigentes, que exigiam soberania sobre toda a terra, os britânicos traíram os judeus, fechando uma potencial rota de escape para os judeus europeus, mesmo quando o Holocausto já se delineava. Como resultado da carnificina de um terço da população mundial dos judeus, as Nações Unidas votaram a divisão de uma fatia do território original da Palestina entre os judeus e os árabes, mas depois planejaram revogar aquela resolução para novamente aplacar os clamorosos Estados árabes. O povo judeu, por sua própria iniciativa, e totalmente dentro de seus direitos, baseados em fatos bíblicos, históricos e legais, declarou a independência e o renascimento, após 2000 anos, de seu Estado Judeu independente. Nos 64 anos desde então, o mundo árabe tem buscado repetidas vezes apagar essa realidade, forçando os israelenses a enfrentarem pelo menos uma guerra a cada década e a suportarem ataques terroristas para destruir Israel e matar seu povo, durante 24 horas por dia, 7 dias por semana. Mesmo assim, o Estado Judeu tem prosperado, evoluindo para ser uma potência econômica, tornando-se um exemplo de democracia e modelo de direitos humanos e civis no Oriente Médio.

       Mas o anti-semitismo, a maior parte dele camuflado com um disfarce mais politicamente correto de anti-sionismo, tem difamado Israel incansavelmente. Relatos diários de notícias falsas e enganosas, e favoritismos pró-Palestina, subjetivos e descarados, mascarados como jornalismo, têm sido explorados oportunisticamente pelas nações, mais interessadas em assegurar seu acesso ao petróleo árabe do que em seguir o caminho do que é correto e justo, moral e eticamente.


A despeito disso, a Bíblia promete que Israel sobreviverá, superará tudo, prosperará e florescerá, e que, um dia, será novamente elevado à posição de destaque, como cabeça das nações do mundo, em vez do que tem sido até agora – a cauda. Para esses cristãos, tomar o partido de Israel em tudo isso é tomar o partido dos propósitos de Deus e contra um mundo que odeia a Deus. A fé deles significa que não podem fazer nada menos que isso.

Os Cristãos Contra Israel


       Do lado oposto desses milhões estão outros milhões de cristãos professos que defendem uma convicção tão contrária à daqueles que se torna impossível uma reconciliação entre os dois lados. Essas pessoas crêem que, já que Israel como nação rejeitou Jesus, perdeu seu status especial e já não pode afirmar ser o Povo Escolhido de Deus. Eles crêem que a “Igreja” (não necessariamente alguma denominação em particular, mas o “Corpo de Cristo” global) substituiu Israel, e que os cristãos – pela exclusão do Israel nacional – agora são os eleitos de Deus. Essas pessoas crêem que, após a vida de Jesus na terra, e com a supressão cruel da rebelião judaica por Roma – a destruição de Jerusalém e o banimento dos sobreviventes judeus para o exílio – a Terra de Israel perdeu todo o significado no que diz respeito ao plano de redenção de Deus para o mundo; o Senhor “já não se preocupa mais com territórios”, como dizem eles. Os judeus banidos e seus descendentes já não possuem um propósito nacional; suas esperanças de um dia retornarem à sua antiga terra não são nada mais que sonhos vãos; suas orações para retornarem foram sempre ilusórias. Portanto, para esses cristãos, o fluxo de milhões de judeus para a Palestina (posteriormente Israel) tem sido um acontecimento por acaso; nada mais que uma reação instintiva a uma perseguição anti-semítica. E a criação do Estado de Israel em 1948 foi simplesmente uma ocorrência política – um “acidente”, como muitos afirmam – não tendo nada de profético. Eles consideram a hostilidade do mundo contra Israel como uma resposta adequada ao “comportamento ímpio” – e cada vez mais da “ilegitimidade” – do Estado Judeu, como é veiculado incessantemente pela imprensa. Conforme os relatos da mídia, a lista de crimes de Israel é deveras longa. Esses cristãos escolheram crer nela. Portanto, eles entendem que:

       A Declaração Balfour foi um ato ilegítimo perpetrado pelo Império Britânico colonizador e, como tal, não tem nenhuma validade. Depois da Segunda Guerra Mundial, as potências mundiais, levadas pela culpa por causa do Holocausto, realizaram a criação de um Estado Judeu em cima de “terras ancestrais árabes” à custa do povo nativo dali, a saber, os árabes. Usando o poderio militar, Israel purificou etnicamente essas terras árabes de seus proprietários legais, estabelecendo seu Estado por meio da força e criando uma crise de refugiados palestinos através da beligerância.


Considere o seguinte: quando se trata de seus companheiros crentes, onde você se posiciona? Toma o partido dos poucos odiados, que buscam seguir o Senhor e agem motivados pela convicção de que estão alinhados com a Palavra de Deus no que se refere a Israel? Ou toma o partido das massas que negam a existência de Deus e/ou rejeitam Sua Palavra?
      Não satisfeitos com o território que tinham após 1949, os israelenses se tornaram provocadores, através de repetidas agressões contra os árabes, estendendo seu controle sobre mais e mais terras, e causando cada vez maior miséria aos palestinos. Israel é uma potência que ocupa o território palestino, e, enquanto sucessivos governos israelenses falam da boca para fora clichês sobre a paz, continuam a construir obstáculos para a paz e a tornar cada vez mais difícil a sua remoção pelas Nações Unidas. Os árabes palestinos têm direitos nacionais históricos à Margem Ocidental e, na verdade, a todo o território atualmente sob o controle israelense. Os judeus roubaram a terra dos árabes. 

       Em seus esforços para suprimir os protestos legais dos árabes e os esforços dos mesmos para readquirirem as terras, as Forças de Defesa de Israel lançam mão freqüentemente do uso da força excessiva, e são culpadas de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade. Israel rouba as terras árabes, impede os árabes de terem acesso à água, destrói as plantações de oliveiras dos árabes, levanta muros de apartheid, atira contra civis árabes, espalha AIDS e outras doenças de propósito entre as populações árabes ao redor de Israel, ameaça o mundo árabe/muçulmano com armamentos nucleares. Destituídos de toda esperança em face da tremenda força israelense, os pobres palestinos são deixados sem nenhum recurso a não ser usar quaisquer armas nas quais consigam colocar as mãos, inclusive seus próprios corpos, para garantirem que sua justa causa não seja esquecida. A resposta do mundo é a criação de um Estado Palestino, mas nem esta solução de negociação é aceitável para Israel. Israel prefere ter conflitos contínuos a ceder às exigências de renunciar às terras sobre as quais não tem direito algum. Para esses cristãos, estar contra Israel é obedecer à ordem de Deus de clamar contra a injustiça e apoiar aqueles que são criminalmente oprimidos. A fé deles significa que não podem fazer nada menos que isso.

E Quando o Dia do Julgamento Chegar?

     
       Todos os cristãos (penso eu) crêem que está chegando o dia no qual todas as pessoas terão que prestar contas das escolhas que fizeram e de suas atitudes – e dos motivos por fazerem aquelas escolhas; por adotarem aqueles lados; por lutarem aquelas batalhas; por fazerem aquelas coisas. Antes que esse dia chegue para cada um de nós, seria bom que considerássemos pessoalmente como e por que nos relacionamos com Israel e com o povo judeu do jeito que o fazemos. Não seria inadequado que aqueles que se consideram cristãos crentes na Bíblia avaliassem como se sentem acerca de Israel à luz das Escrituras – e como se sentem acerca de outros cristãos que mantêm a crença oposta à deles sobre um assunto de tanto significado, que está causando divisão em famílias e em congregações do mundo todo.

       No final das contas, cada um de nós deve fazer o que crê ser o certo, mas deveríamos pesar cuidadosamente nossas razões para crermos da forma que cremos. Considere o seguinte: quando se trata de seus companheiros crentes, onde você se posiciona? Toma o partido dos poucos odiados, que buscam seguir o Senhor e agem motivados pela convicção de que estão alinhados com a Palavra de Deus no que se refere a Israel? Ou toma o partido das massas que negam a existência de Deus e/ou rejeitam Sua Palavra?
Há uma relação estreita entre tomar o partido dos crentes que amam o Senhor e tomar o partido de Deus (Lc 9.50). E há uma distância perigosamente curta entre tomar o partido dos que são contra a nação que o Senhor diz que ama “com amor eterno” (Jr 31.3) e tomar o partido dos que são contra Deus. 

"Pergunto, pois: Acaso Deus rejeitou o seu povo? De maneira nenhuma! Eu mesmo sou israelita, descendente de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo, o qual de antemão conheceu. Ou vocês não sabem como Elias clamou a Deus contra Israel, conforme diz a Escritura?"Senhor, mataram os teus profetas e derrubaram os teus altares; sou o único que sobrou, e agora estão procurando matar-me". E qual foi a resposta divina? "Reservei para mim sete mil homens que não dobraram os joelhos diante de Baal". Assim, hoje também há um remanescente escolhido pela graça. E, se é pela graça, já não é mais pelas obras; se fosse, a graça já não seria graça.Que dizer então? Israel não conseguiu aquilo que tanto buscava, mas os eleitos o obtiveram. Os demais foram endurecidos, como está escrito: "Deus lhes deu um espírito de atordoamento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até o dia de hoje". E Davi diz: "Que a mesa deles se transforme em laço e armadilha, pedra de tropeço e retribuição para eles. Escureçam-se os seus olhos, para que não consigam ver, e suas costas fiquem encurvadas para sempre". Novamente pergunto: Acaso tropeçaram para que ficassem caídos? De maneira nenhuma! Ao contrário, por causa da transgressão deles, veio salvação para os gentios, para provocar ciúme em Israel. Mas se a transgressão deles significa riqueza para o mundo, e o seu fracasso, riqueza para os gentios, quanto mais significará a sua plenitude!  
(Romanos 11:1-12) (NVI) (grifo meu)
"Pois se a rejeição deles é a reconciliação do mundo, o que será a sua aceitação, senão vida dentre os mortos? Se é santa a parte da massa que é oferecida como primeiros frutos, toda a massa também o é; se a raiz é santa, os ramos também o serão. Se alguns ramos foram cortados, e você, sendo oliveira brava, foi enxertado entre os outros e agora participa da seiva que vem da raiz da oliveira, não se glorie contra esses ramos. Se o fizer, saiba que não é você quem sustenta a raiz, mas a raiz a você. Então você dirá: "Os ramos foram cortados, para que eu fosse enxertado". Está certo. Eles, porém, foram cortados devido à incredulidade, e você permanece pela fé. Não se orgulhe, mas tema. Pois se Deus não poupou os ramos naturais, também não poupará você. Portanto, considere a bondade e a severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, mas bondade para com você, desde que permaneça na bondade dele. De outra forma, você também será cortado. E quanto a eles, se não continuarem na incredulidade, serão enxertados, pois Deus é capaz de enxertá-los outra vez. Afinal de contas, se você foi cortado de uma oliveira brava por natureza e, de maneira antinatural, foi enxertado numa oliveira cultivada, quanto mais serão enxertados os ramos naturais em sua própria oliveira? Irmãos, não quero que ignorem este mistério, para que não se tornem presunçosos: Israel experimentou um endurecimento em parte, até que chegasse a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: "Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade. E esta é a minha aliança com eles quando eu remover os seus pecados". Quanto ao evangelho, eles são inimigos por causa de vocês; mas quanto à eleição, são amados por causa dos patriarcas, pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis." 

(Romanos 11:15-29) (NVI) (grifo meu)

       Eu já tomei posição á favor do Povo de Deus, Israel e creio firmemente que no final dos tempos Deus se reconciliará com sua Nação Santa e escolhida, pois como nos diz Paulo: " os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis" 

Prof. Saulo Nogueira

(Stan Goodenough stangoodenough.com ) 
Via:  Beth Shalom

Baixas civis em Gaza: a verdade é muito diferente

Por Richard Kemp*

Coronel Richard Kemp

     Todo mundo agora que ser mais entendido de Oriente Médio do que os próprios habitantes da região. Pessoas sem um pingo de conhecimento, postam "opiniões", como se fossem experts em assuntos internacionais. Esse post e os que seguirem após esse, não são minhas opiniões, mas de especialistas e pessoas que estão envolvidos diretamente com o conflito ou já viveram de perto essa realidade, como o Coronel Richard Kemp, que passou a maior parte de seus 30 anos de carreira no Exército Britânico comandando tropas na frente de combate em luta contra o terrorismo e a insurgência em focos de crise, incluindo o Iraque, os Bálcãs, o Sul da Ásia e a Irlanda do Norte. Ele foi comandante das Forças Britânicas no Afeganistão em 2003. De 2002 a 2006, dirigiu o grupo de contra-terrorismo internacional na Comissão de Inteligência do Gabinete do Primeiro-Ministro Britânico. Bom penso que ele sabe muito bem o que fala.

      "Com raras exceções, repórteres, comentaristas e analistas aceitam sem questionamento as estatísticas sobre as baixas fornecidas pelas autoridades médicas controladas pelo Hamas em Gaza, que atribuem todas as mortes às Forças de Defesa de Israel (FDI). Nunca se vê um sinal de combatentes mortos ou feridos. Análises dos detalhes sobre as baixas divulgados pela Al-Jazeera, com base no Qatar, indicam que a grande maioria daqueles que foram mortos em Gaza são homens jovens em idade de combate; não mulheres, crianças ou pessoas idosas. A morte de todos os civis palestinos nesse conflito resulta, em última análise, da agressão dos terroristas de Gaza contra Israel, e do uso que o Hamas faz de escudos humanos - a mais importante plataforma da política de combate do Hamas.

        "Então, você está indo atrás de civis inocentes ou trata-se de incompetência, coronel Lerner?", pergunta a entrevistadora, tendo seu rosto contorcido pelo desprezo aparentemente reservado apenas para israelenses. Esse tom penetrante de desrespeito, proferido diante de um oficial americano ou britânico, alienaria os espectadores e, diante de um comandante árabe, provocaria acusações de racismo. Esta linha de questionamento, repetida diariamente nas redes da mídia,  trai uma ingênua e incompreensível disposição para crer, e encoraja os espectadores a crerem, na noção absurda de que as Forças de Defesa de Israel são comandadas e compostas de alto a baixo por psicopatas assassinos de crianças. Sugerir que a incompetência militar seja a única explicação para as mortes de civis, além do deliberado assassinato em massa, revela uma ignorância de tirar o fôlego,  mas não surpreendente, das realidades do combate.

      Embora raramente tenham permissão para completarem uma única sentença, as tentativas dos israelenses de explicarem as políticas de alvejamento das FDI são inevitavelmente rejeitadas como mentiras deslavadas. A verdade é muito diferente. As FDI têm desenvolvido as mais abrangentes e sofisticadas medidas para minimizar as mortes de civis durante os ataques contra alvos militares legítimos. O uso obrigatórios de sistemas de inteligência multissensorial e de segurança, para confirmar a presença ou ausência de civis, precede os ataques em todos os alvos vistos do ar. Mensagens de texto, chamadas telefônicas e mensagens por rádio em árabe avisam os ocupantes para evacuarem aquela área. Folhetos são lançados do ar e incluem mapas mostrando onde estão as áreas de segurança. Quando os avisos são ignorados ou não são percebidos, aeronaves jogam explosivos não-letais para avisar a população que um ataque acontecerá em breve. Somente quando pilotos e controladores do vôo têm certeza de que os civis estão fora do alvo é que é dada a autorização para atacar. Quando os pilotos usam munições dirigidas por laser, eles devem pré-designar áreas de segurança para onde desviar os mísseis que já foram disparados, caso apareçam civis repentinamente.

           Forças de terra têm procedimentos de combate equivalentes, embora a natureza do combate no solo implica que este é mais direto e menos sofisticado. As discussões com os homens da infantaria das FDI, recém-chegados da fronteira com Gaza, confirmam, entretanto, que evitar a morte de civis está predominantemente em suas mentes, mesmo quando eles próprios estão debaixo de fogo. Entrementes, de volta à segurança do estúdio, a visível fúria da entrevistadora contra o porta-voz das FDI sobrepuja a objetividade profissional:

 "Vocês ficam falando interminavelmente sobre todos os avisos que dão, mas o fato é que mataram mil e quinhentas pessoas, senda a maioria esmagadora composta por civis!".

          Evidentemente o coronel não tem permissão para dar uma resposta adequada, que poderia ajudar os espectadores a entenderem a realidade da situação. Com raras exceções, repórteres, comentaristas e analistas aceitam sem questionamento as estatísticas sobre as baixas fornecidas pelas autoridades médicas controladas pelo Hamas em Gaza, que atribuem todas as mortes às Forças de Defesa de Israel (FDI). Há alguém em Gaza morrendo de causas naturais? A execução em massa dos "colaboradores" e de civis mortos por mau funcionamento dos foguetes do Hamas, é sempre atribuída ao fogo das FDI. Será que a "maioria esmagadora" dos mortos é mesmo composta por civis? Pareceria que sim. Vemos uma grande quantidade de filmes grotescos e aflitivos de mulheres e crianças mortas ou sangrando, mas nunca vemos nada sobre combatentes mortos ou feridos. Tampouco os repórteres questionam ou comentam sobre a completa ausência de mortes dentre os combatentes de Gaza, um fenômeno extraordinário, exclusivo desse conflito. A realidade é, logicamente, que o Hamas faz grandes esforços para esconder a morte de seus militantes para preservar a ficção de que Israel está matando somente civis. Há também crescentes indicações de que o Hamas, através de força direta ou de ameaças, está impedindo jornalistas de filmarem seus combatentes, estejam estes vivos ou mortos.

         Não chegaremos à verdade enquanto a batalha não terminar. Mas sabemos que o Hamas deu ordens a seu povo para reportar todas as mortes como se fossem de civis inocentes. Sabemos também que o Hamas tem um sólido histórico de mentiras sobre baixas. Depois da Operação Chumbo Moldado, os combates de 2008-2009 em Gaza, as FDI estimaram que dos 1.166 palestinos mortos 709 eram combatentes. O Hamas, sustentado por várias ONGs,  afirmou que apenas 49 de seus combatentes haviam sido mortos, e que os restantes eram civis inocentes. Muito tempo depois, foi obrigado a admitir que as FDI tinham falado a verdade o tempo todo, e que entre 600 e 700 mortes haviam sido, de fato, dos combatentes. Mas a mídia de memória curta é incapaz de ponderar sobre isto antes de divulgar amplamente suas afirmativas erradas e inflamadas. Análises dos detalhes sobre as baixas divulgados pela Al-Jazeera, com base no Qatar, indicam que a grande maioria daqueles que foram mortos em Gaza são homens jovens em idade de combate; não mulheres, crianças ou pessoas idosas. De acordo com um analista, a despeito de representarem 50% da população, a proporção de mulheres entre os mortos é de 21%. Análises preliminares, feitas pelo Centro Meir Amit de Inteligência e Informações Sobre Terrorismo, sugerem que 71, ou seja, 46,7% dos primeiros palestinos mortos eram combatentes, e 81, ou seja, 53,3% eram civis não-envolvidos.

       Nenhuma dessas análises é definitiva. Mas elas lançam dúvidas sobre as acusações de ataque indiscriminado contra a população pelas FDI e sobre as estimativas da ONU,  divulgadas amplamente como fato pela mídia e pelas não exatamente imparciais Nações Unidas,  de que 70% a 80% das baixas palestinas foram de civis. Não obstante, tragicamente, muito civis inocentes foram mortos. Como isto aconteceu, se as medidas das FDI tinham como objetivo diminuir o número de tais mortes? Comandantes das FDI dizem que nunca abrem fogo intencionalmente contra alvos nos quais civis não-envolvidos estão presentes, uma política que vai muito além das exigências da Convenção de Genebra. Esta política tem sido confirmada a mim por soldados no campo de batalha e por pilotos de F16 realizando ataques sobre Gaza. Mas, erros acontecem. Vigilância e inteligência nunca são infalíveis. Tem havido relatos de que o Hamas força civis a voltarem para os prédios que foram evacuados. Às vezes, há efeitos inesperados dos ataques, por exemplo, quando desmorona um edifício adjacente, no qual havia civis, o que é freqüentemente causado por explosões secundárias das munições do próprio Hamas, armazenadas no local. Erros podem ser cometidos na interpretação das imagens, na passagem de informações, e na entrada de dados sobre o alvo. [...] Às vezes, sistemas de direcionamento de armamentos funcionam mal e bombas, balas e mísseis podem atingir lugares que não deveriam. Mesmo os sistemas de comunicação mais avançados tecnologicamente podem falhar em momentos críticos. Em nenhum lugar esses erros são mais freqüentes e catastróficos do que em combate no solo, onde os comandantes e os soldados experimentam o caos, o barulho, a fumaça, o medo, a exaustão, o choque, a mutilação, a morte e a destruição, que estão além da compreensão de nossa entrevistadora, em seu estúdio de TV com ar condicionado.

          Esses erros e maus funcionamentos acontecem em todos os exércitos e em todos os conflitos. E, em todos os conflitos, os erros incluem a morte de soldados pelo fogo amigo. Será que aqueles que condenam a morte de civis palestinos como atos deliberados das FDI sugerem que os incidentes de fogo amigo em Gaza também são intencionais? Contudo, é provável que a política israelense de não atacar alvos nos quais civis estejam presentes seja deliberadamente posta de lado em uma situação específica. Se as tropas estiverem debaixo de fogo letal a partir de uma posição do inimigo, as FDI têm direito de atacar o alvo mesmo tendo certeza de que civis serão mortos, sujeitos que estão às regras usuais de proporcionalidade. Por definição, as vidas dos soldados israelenses estão colocadas em um risco maior pelas regras restritivas do combate com a intenção de minimizar as mortes de civis. Mas os comandantes no campo de batalha devem equilibrar suas preocupações pelos civis com a preservação das vidas de seus próprios homens e a efetividade da luta. À parte dessas realidades, a morte de todos os civis palestinos nesse conflito resulta, em última análise, da agressão dos terroristas de Gaza contra Israel, e do uso que o Hamas faz de escudos humanos,  a mais importante plataforma da política de combate do Hamas.

Um comandente militar do Hamas relata na TV palestina (assista aqui) como as forças israelenses o alertaram com antecipação para que evacuasse sua casa antes que ela fosse bombardeada. Ele prossegue, descrevendo como, após o alerta, correu para juntar amigos, familiares e vizinhos no topo do edifício.
Escudos humanos palestinos aglomerados sobre edifícios a respeito dos quais a Força Aérea de Israel tinha dado avisos antecipados de bombardeio iminente.

     Guardar armas e abrir fogo com elas dentro de áreas densamente povoadas, forçar civis a permanecerem num determinado lugar quando foram avisados para sair, atrair as forças israelenses para atacarem e matarem seu próprio povo, mostra que o número de vítimas palestinas é vital para a guerra de propaganda do Hamas, que tem por objetivo pressionar Israel e incitar o ódio contra Israel e anti-semita em todo o mundo. Esta exploração doentia do sofrimento de seu próprio povo e a cumplicidade da mídia nessa exploração não poderia ser mais cinicamente demonstrada do que nas salas de emergência da Faixa de Gaza. Sem a menor consideração pela higiene necessária no salvamento de vidas, ou pelo cuidado, privacidade e dignidade dos feridos, os militantes palestinos empurram entusiasticamente as equipes de filmagem para dentro das salas de emergência à medida que os cirurgiões, desesperados, lutam para manter a vida de uma criança ensanguentada.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Qual Igreja Jesus frequenta?

Quero te convidar para um exercício de imaginação. Imagine que você é um não-cristão, e que de repente, sente uma enorme sede e desejo em conhecer "algo que venha a preencher o vazio de sua alma." Decide buscar na fé o sentido da vida e a razão da sua existência. Resolve, assim, antes de optar de cara por uma religião, fazer uma pesquisa. Você parte, talvez por insistência de amigos ou parentes evangélicos, a tentar descobrir o que significa afinal, ser um cristão e o que é a igreja evangélica brasileira dos nossos dias. Pois, quem sabe, não está ali a resposta? É uma tradição religiosa que, afinal, tem crescido, algo de bom deve ter ali. Então você decide ver como é essa tal de igreja evangélica. E, acima de tudo, você quer encontrar esse tal de Jesus, que dizem que preenche a nossa vida e a nossa alma. Mas…por onde começar?

Na dúvida, em vez de ir a um templo pessoalmente, prefere ligar a TV. Mais fácil, rápido e sem envolvimento com todas as questões (e pessoas) de uma igreja local. Você sabe que na TV tem pastores. Não conhece muitos, logo, conclui, naturalmente, que aqueles ali devem ser a representação fiel de todo e qualquer pastor. Mas engraçado… quem você vê não se parece com um, afinal pelo que você se lembra do pouco que você conhece sobre Jesus, um homem que falava com amor e mansidão, chamando os que estão cansados e sobrecarregados para os braços do Pai. Mas, pelo contrário, vê um homem que só berra. Em vez de falar sobre dar a outra face, amar os inimigos e caminhar a segunda milha, ele gasta uma hora para pedir dinheiro para pagar aquela uma hora que ele ficou pedindo o dinheiro.. E você, o não-cristão, que ligou naquele programa ávido por aprender mais sobre Jesus e sobre o que é a vida com Cristo, começa a achar que aquilo ali é ser cristão. Afinal, aquele senhor é um pastor, embora ele não diga nada parecido com o que você esperava, como, por exemplo, “bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês“.

Decide esperar um pouco mais e, de repente, parece que valeu a pena… vê o mesmo pastor mudar de discurso, adotar uma postura mais suave, um tom de voz mais brando. Você sente-se aliviado, achando que agora ele vai falar de Jesus ou algo como “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam” ou mesmo “Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar Cristo". Mas, para sua surpresa, o pastor continua a falar de dinheiro, dinheiro, dinheiro e a vender produtos e mais produtos, livros, bíblias, CDs, DVDs… montes de coisas, no cartão ou cheque pré. Parece a grande queima de estoque gospel de um camelódromo qualquer. Você acha aquilo muito estranho.
   
      Ainda tentando entender se o cristianismo é a fé que vai preencher seu coração, decide procurar informações em outras fontes. Acessa então o website de outro conhecido pastor, que faz transmissões diárias pela Internet. Ah, agora sim, longe das pressões financeiras de manter uma mega estrutura de TV, você tem certeza que ouvirá o Evangelho genuíno. Naquele dia, curiosamente, em vez de falar sobre o amor de Jesus ou a eternidade, aquele pastor está comentando uma reportagem que saiu numa revista sobre os evangélicos. Uau, que legal! Agora você vai aprender muito sobre o cristianismo. Você espera que o tal pastor ensine algo como: 
“Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.(Mateus 5:21-22)

      Mas, em vez disso, o pastor começa a dizer que todos os outros pastores que foram mencionados na matéria são “bundões”. Você não entende nada. Não era afinal o cristianismo aquela religião em que seu fundador disse “Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, abençoem os que os amaldiçoam, orem por aqueles que os maltratam“? E no entanto aquele pastor que fala tanto sobre amor chama outros pastores de “bundões”. Você fica confuso. Muito confuso.

       Decide então ir para uma mídia social. Entra no twitter. Mas sai rapidinho, pois a quantidade de coisas que os cristãos falam ali são tão diferentes, sem uma linha em comum, são tantas visões diversas, tanta opinião sem embasamento bíblico, tanta frase tuitada fora de contexto, tanta gente defendendo tanta coisa díspares. Aquilo te deixa meio zonzo. Ficar 5 minutos no twitter faz você achar que Cristo era um cara muito confuso e que a fé cristã é uma grande Babel. Resolve então que vai buscar mais sobre Jesus e a igreja em outro lugar. Que tal… a rádio! Sim! A rádio! Ali certamente só haverá coisa boa! Então você sintoniza numa rádio gospel e ouve um grupo famoso que começa uma canção com o cantor dizendo “Senhor, eu quero ter um romance contigo!”. Você se assusta. Como assim? Seria esse o mesmo Senhor a quem o salmista diz “Pois tu, Senhor, és o Altíssimo sobre toda a terra! És exaltado muito acima de todos os deuses!“? Você acha estranhíssima essa coisa de ter um romance com Deus e cantores que cantam músicas que só exaltam o ser humano, antropocêntricas e cheias de triunfalismo e vingança a La "sabor de mel". 

     Você muda de estação. Outra rádio gospel. Se assusta de cara, pois parece que a cantora está chorando. É o que ela chama de “ministrar”. Mas, meu Deus, que choradeira!  Aquilo te incomoda tanto que você resolve então mudar para uma rádio onde haja pregações.
Sim! Se a Bíblia diz que é por ouvir a Palavra que vem a fé, nada melhor do que ouvir uma pregação. O pregador começa. E, rapaz, ele grita tanto! Berra! O povo em volta se sacode e se remexe muito, uma coisa estranhíssima. O homem no púlpito agarra o microfone e, em gritos alucinados, grita para Deus, repreende e amarra coisas que você não entende direito, grita, grita, grita…parece afinal que o Deus dos cristãos é surdo. Mas Jesus disse: "E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens". Mas o pastor diz que cristão que não faz barulho tá com defeito de fabricação. Por um desses acasos, você se lembra da oração silenciosa de Jesus em que Ele diz:
 “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; O pão nosso de cada dia nos dá hoje; E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém“. (Mt. 6.9-13)

         E não entende por que aquele rapaz da rádio precisa gemer e gritar tanto.Você decide perguntar para alguém da sua família que frequenta uma igreja e essa pessoa explica que aquilo é “manifestação do poder de Deus”. Você pensa então nas milhares de igrejas pelo mundo onde se ora num tom de voz normal, sem impostação, sem grito, apenas numa conversa franca, suave e aberta com o Pai… e pega-se pensando “será que, afinal, nessas igrejas não está o poder de Deus? Será que em igrejas em que não se grita nem se rodopia Jesus não salva almas, não cura enfermos, não restaura os caídos, não abraça os feridos?”. Você ouve até esse seu parente fazer uma piada com outros irmãos em Cristo, falando sobre “igreja sorveteriana, de tão fria”, e tem a nítida sensação (que não pode estar certa, deve ser impressão sua) que os cristãos são muito desunidos. Esse pensamento, de tão absurdo, foge rápido da sua mente, e você volta a refletir sobre a questão de se igrejas que não são barulhentas não têm o poder de Deus. E aí você se lembra que é impossível o poder de Deus estar ausente de onde Deus está e que a Bíblia assegura, nas palavras do próprio Cristo que “onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles” e repara que o poder de Deus se manifesta em qualquer ambiente em que haja pessoas reunidas em seu nome. E decididamente fica sem entender aquela coisa de que para haver poder de Deus é preciso berrar, bater no púlpito e se comportar de modo até meio descontrolado. “Mas tudo bem, faz parte da cultura dessa ou daquela denominação” e, conformado, decide continuar em sua busca.

       Afinal, você tem um vazio na alma. Então, embora tudo aquilo lhe pareça muito estanho, você insiste. Muda de estação de rádio. O que ouve ali é um pastor… conversando com um demônio! Aquilo então lhe soa bizarro, pois pelo que já ouvira, a forma bíblica de Jesus de lidar com os demônios era não lhes dar nenhum papo, como diz Mateus 8.16 “Ao anoitecer foram trazidos a ele muitos endemoninhados, e ele com sua palavra expulsou deles os espíritos...". E, de repente, tem pastores usando espaço em que poderiam estar pregando que “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores“, como ensina 1 Tm 1.15, mas…ficam dando oportunidade a demônios para tagarelarem sobre um altar que deveria estar sendo usado para exaltar o Todo-Poderoso ou ficam "usando" o demônio para falar mal de outra denominações, fazendo proselitismo para sua igrejas. 

       Cansado de tentar entender a fé cristã pela mídia – sem conseguir entender, pois a cada nova tentativa a coisa parece mais complicada – você opta por vencer a preguiça e visitar diferentes tipos de igrejas e comunidades cristãs. Vai primeiro a uma igreja de um pastor famoso, que tem milhares de seguidores no twitter. Mas o homem começa a ensinar que Deus não está no controle de tudo o que acontece, que as desgraças que ocorrem no mundo não têm anuência do Onipotente… só que aquilo contraria toda a lógica de dois mil anos de cristianismo, como você superficialmente conhecia. Você se lembra de Jó, se lembra do Dilúvio, dos exércitos de faraó sendo afogados…não, aquilo não pode ser cristianismo, Deus ainda deve estar no controle. Mesmo que um ou outro pastor-celebridade diga que não.

Sai do culto e vai a outra igreja. Linda, pessoas muito bem arrumadas, opa! Quem sabe não é ali que você vai compreender Cristo? A pregadora começa a falar sobre Jesus te dar carro do ano se você crer, em ganhar uma bolsa Louis Vuitton se declarar a vitória e tomar posse da bênção, sobre como Deus pode fazer sua empresa prosperar se você der uma gorda oferta…. mas estranhamente nada daquilo preenche o vazio da sua alma. Você abre a Bíblia que comprou (uma cheia de estudos, de capa colorida e que estava numa promoção única) e lê “Aquele que é cobiçoso corre atrás das riquezas; e não sabe que há de vir sobre ele a penúria” e percebe que aquele discurso daquela senhora soa muito contraditório. Aí vira mais algumas páginas da sua Bíblia e lê lá no Novo Testamento que o próprio Jesus de Nazaré afirma: 
"Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." (Mateus 6:19-21)
Tem algo muito estranho acontecendo nessa tal igreja, mas você ainda não conseguiu definir o que é. Resolve continuar procurando. E você, incansável, segue num périplo para entender o que é a igreja. E, mais que isso, para tentar conhecer esse tal de Jesus que dizem que preenche a nossa vida. Mas percebe que a linguagem de muitas igrejas é apenas dirigida pelo marketing, que sabe que cliente satisfeito volta, e por isso, muitas estão regendo suas práticas pelo mercado e buscam satisfazer o cliente. Contratam marqueteiros para fazerem suas igrejas aparecerem, esquecendo que é "Deus é quem dá o crescimento". Nota ainda uma característica presente em quase todas: não se fala de morte, pois pelo discurso geral o negócio é aqui e agora, é o imediatismo (igrejas essas cheias de pessoas desesperadas, que estão atrás de uma ajuda rápida para situações urgentes ou curas milagrosas). E sua cabeça dá um nó, pois afinal Jesus afirmou sem sombra de dúvida que o que importa no grande esquema das coisas é a eternidade, é a vida eterna, é o porvir: 
Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou." (João 6:27)
Já cansado da busca, você ouve falar de comunidades alternativas, que fogem do modelo institucional de igreja. Os chamados desigrejados, que saíram de igrejas tradicionais decepcionados não só com práticas e doutrinas, mas com pessoas. Resolve ir aos encontros de alguns desses grupos, vai que ali sim existe um cristianismo mais cristalino, longe da poluição das instituições maquiavélicas que “manipulam a Palavra de Deus”. Descobre, no entanto, que as pessoas que frequentam essas comunidades criticam hierarquias mas têm modelos hierárquicos, que criticam liturgias mas seguem liturgias, que abominam pastores mas têm seus “irmãos mais experientes na fé”, que não se reúnem em templos mas se reúnem em algum lugar. Mudam o nome das coisas (em vez de “igreja” se chamam “comunidades”, por exemplo), mas na essência nada muda, pois são formadas por pessoas e pessoas pecam . E aí você percebe que a igreja dos sem igreja é apenas mais do mesmo, só que com cores diferentes, e não se empolga com esse modelo.

Disposto a dar mais uma chance, pois aquele vazio continua, você vai junto com aquele seu primo crente que é adepto de um negócio chamado “batalha espiritual’ a um seminário onde ensinam montanhas de coisas sobre demônios, hierarquias demoníacas, nomes e cargos de demônios, mapeamento espiritual, quebras de maldições….rapaz, é demônio pra tudo que é lado. Curioso, você indaga, cochichando, ao seu primo de que lugar da Bíblia eles tiraram tanto conhecimento assim e ele gagueja, hesita e diz que na verdade são revelações obtidas ou da boca dos próprios demônios (que, curiosamente mentem o tempo todo) ou de “ex-satanistas” que juram que faziam parte dos mais altos escalões do movimento satanista e começam a escrever livros e mais livros sobre o tema. Claro que viajam dando seminários (cobrando taxas bem gorduchas) , dando palestras e “ministrando” sobre o assunto. Mas nada daquilo veio da Bíblia! E, adivinha só, você que esperava conhecer mais sobre Cristo e o cristianismo, só fica mais e mais e mais confuso – e, agora, cheio de doutrinas de demônios na cabeça.

Exausto por tentar entender o que são afinal de contas a igreja e o cristianismo (e esse Cristo, que até agora você não encontrou), começa a detectar problemas gerais. Falta de acolhimento, frustração com o estilo de liderança, frustração com as ênfases doutrinárias, ênfase excessiva na contribuição e escândalos pululam em cada esquina. Abre o jornal e vê deputados, senadores, governadores e outros políticos da chamada “bancada evangélica” metidos em um monte de escândalos. É tanta coisa, tanto troço, tanta tramoia que você se vira para os seus parentes e diz:
- Querem saber de uma coisa?! Desisti desse negócio de tentar conhecer Jesus! Não entendi se ser cristão é ser manso ou agressivo, se tenho de orar berrando ou não, se devo seguir a Bíblia ou coisas ensinadas por demônios, se devo cantar a Deus com respeito ou se devo ter um romance com Ele, se devo ir a uma igreja ou a uma comunidade que se reúne numa sala de estar…o que, afinal, é ser cristão?! Cadê a união?! Cadê a unidade?! Cadê “para que sejam um, assim como somos um”? Chega! Cansei! Preciso de um lugar onde eu encontre amor verdadeiro, unidade, paz e esperança! E não estou encontrando isso nessa tal igreja evangélica! Fui! Igreja evangélica? Não, obrigado.
E aqui acaba nosso exercício de imaginação, com a derrota total do cristianismo. Com uma chamada “igreja evangélica” tão falida que mais espanta que atrai. Que não tem apresentado nem representado Jesus de Nazaré. The End.

Mas…
Um segundo só. Por favor, ainda não vá embora.
Pois essa história não pode acabar aqui.
Façamos outro rápido exercício de imaginação. Imagine uma igreja onde o Evangelho é pregado como Jesus ensinou. Sem shows, sem balbúrdia, sem marketing. Sem palcos iluminados, com sistemas de som espetaculares e sem nenhum equipamento de filmagem. Que siga hierarquias e liturgias bíblicas, não opressoras, mas defensoras da ordem e da boa administração e condução do Corpo de Cristo. Que tenha um modelo discipular, voltado a formar não consumidores da fé, mas discípulos do Senhor Jesus. Onde a leitura da Bíblia, o jejum, a meditação, a oração e outras disciplinas fundamentais da fé cristã sejam estimuladas. Onde haja poucos membros, mas que esses poucos se conheçam pelo nome, se tolerem, se ajudem, intercedam uns pelos outros. Onde seja pregado o verdadeiro Evangelho, o Evangelho da renúncia, do “tome a sua cruz e siga-me“. Onde a mensagem não seja “o que eu posso ganhar”, mas “o que eu posso dar”. Onde ame-se a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (pelo menos tente-se fazê-lo). Onde dinheiro não seja causa, mas consequência, e algo que fique lá no fim da fila em termos de importância. Onde os pecadores não sejam apedrejados e expulsos, mas amparados, acolhidos, orientados, discipulados e postos novamente de pé. Onde Cristo seja glorificado na simplicidade. Onde uns lavem os pés dos outros. Onde haja contrição, confissão de pecados e acima de tudo, ensinamento da Palavra. Onde se pregue sobre morte, sofrimento, derrotas e dor – porque sim, isso também faz parte da fé. Essa igreja é possível. 

       Acredite, é possível. Não há uma igreja perfeita. Mas essas igrejas onde busca-se o Evangelho puro e simples, longe dos holofotes e das colunas sociais gospel existem. Geralmente são anônimas, desconhecidas da mídia ou do grande público. Geralmente, seus pastores têm nomes que você nunca ouviu falar. Geralmente é onde se reune aquele remanescente que não dobrou seus joelhos a Baal. Não desista dessa busca. Ainda há igrejas onde você encontra Jesus de Nazaré. E onde você consegue viver o cristianismo como o cristianismo foi feito para ser. Desligue a TV com seus astros da fé, pare de ouvir grupos e cantores da moda, esqueça os ventos e os modismos, fuja de seminários estranhos, tire o diabo do centro e concentre-se em Deus… e procure essas igrejas. São igrejas anônimas, pequenas e desconhecidas, mas onde Jesus frequenta e se orgulha de entrar e de dizer: “Aqui sim me sinto em casa”.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Prof. Saulo Nogueira. 

*Artigo adaptado do texto "A abominável Igreja cristã" de Maurício Zágari