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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Ciência é incapaz de provar os “intangíveis deste mundo”, explica físico.

     Segundo o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, “cientificismo” é “uma concepção filosófica que afirma a superioridade da ciência sobre todas as outras formas de compreensão humana da realidade (religião, metafísica etc.), sendo a única capaz de apresentar benefícios práticos e alcançar autêntico rigor cognitivo”. Essa percepção é, via de regra, ensinada nas universidades e ajuda na formação da percepção da sociedade sobre o mundo. Contudo, o erudito Ian Hutchinson, físico e professor de Ciência e Engenharia Nuclear no Massachusetts Institute of Technology (MIT), explicou as deficiências dessa filosofia.

Hutchinson é cristão e já palestrou muitas vezes em universidades sobre questões relacionadas a “ciência e fé”. Em uma entrevista ao The Veritas Forum, argumentou que o cientificismo é uma “crença amplamente aceita, mas falha por ignorar que a ciência é inerentemente incapaz de provar a existência dos ‘intangíveis deste mundo’”.

“Ela não prova que existe coisas como justiça, misericórdia ou amor. No entanto, essas são realidades em nosso mundo que todos reconhecemos e consideramos muito importantes”, destaca o professor. “O mesmo vale para as questões teológicas. Elas são importantes, são vitais e, no entanto, não são suscetíveis à investigação pela ciência.”

A crítica de Hutchinson ao cientificismo baseia-se também no fato que muitas figuras importantes na história da ciência eram cristãos devotos e, portanto, não aderiam ao cientificismo. “Os fundadores da Revolução Científica no século 17 eram religiosos, a maioria cristãos”, lembra. “Eles certamente acreditavam que muito do que sabemos vem de fontes externas à ciência… acreditavam em milagres. No mínimo, acreditavam no milagre da ressurreição.”

Em outros momentos, como em sua participação no evento do Veritas Forum na Universidade Quinnipiac (EUA), Hutchinson mostrou que a ciência “não pode explicar tudo” e que a ideia comum de que a ciência e a fé estão em conflito foi rejeitada pelos historiadores especializados na história da ciência.

“Isso foi completamente desmentido pelos historiadores da ciência nos últimos 50 anos por cristãos sérios, incluindo membros do clero, fundamentais no desenvolvimento da ciência moderna por séculos”, asseverou. “Infelizmente, esse mito ainda exerce poderosa influência. Ele se sustenta por uma afirmação frequente de que não há evidência para o cristianismo, mas isso não é verdade.”

O livro mais recente de Hutchinson “Can a Scientist Believe in Miracles?” [Um cientista pode acreditar em milagres?], é um tratado apologético respondendo a centenas de perguntas que ele recebeu de estudantes sobre ciência, teologia e sua fé cristã. Ele explica sua motivação para escrever a obra: “Quero alcançar os cristãos que buscam entender melhor a relação entre fé e ciência, e os não-cristãos que estão interessados ​​na questão de como ciência e fé são compatíveis”. Encerrou dizendo que “as grandes questões sobre a vida permanecem importantes”, e podemos buscar uma melhor compreensão tanto na ciência quanto no cristianismo. 

Christian Post, via Gospel Prime

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

A dívida da ciência com a religião

O estudo científico teve como impulso o método de
interpretação da Bíblia redescoberto pelos protestantes.
      Vivemos num mundo estruturado sobre a tecnologia e que, por isso, é incrivelmente dependente dela. Graças ao avanço científico, somos capazes de enviar robôs a outros planetas, carregar computadores na palma da mão ou amarrados ao pulso e até modificar o código genético de espécies. No entanto, a ciência nem sempre teve essa precisão e status. Os “cientistas” da Idade Média trabalharam em condições bem precárias, comparadas às atuais. E essa diferença não se explica somente pelo abismo tecnológico e de conhecimento que separa os dois ­períodos, mas também pelo modo com o qual as pessoas interpretavam os fenômenos naturais. Alguns estudiosos defendem a ideia de que existe uma relação íntima entre a forma com que a Bíblia (o livro da revelação especial de Deus) era interpretada e como a natureza (o livro da revelação natural de Deus) era estudada. Este artigo pretende mostrar como o método de interpretar o texto sagrado redescoberto pelos protestantes teve impacto no modo de fazer ciência. 

Do alegórico para o literal


       Durante a Idade Média, o método de interpretação alegórico proposto por Orígenes (185-253) foi o mais empregado no estudo da Bíblia. Em seu livro Tratado Sobre os Princípios, ele desenvolve sua teoria hermenêutica (de interpretação) defendendo que todo texto bíblico tem três sentidos: o literal, o moral e o alegórico, sendo que o último deveria ser o mais almejado pelos intérpretes cristãos[1]. O método alegórico buscava encontrar o sentido espiritual do texto bíblico. Assim, objetos, animais, lugares ou pessoas relatados na Bíblia representavam verdades espirituais além deles mesmas. As cinco pedrinhas que Davi pegou para matar Golias, por exemplo, eram interpretadas por exegetas (intérpretes) católicos como significando fé, obediência, serviço, oração e Espírito Santo. Por sua vez, para o abade francês Bernardo de Claraval (1090-1153), os dentes da amada de Cantares 4:2 significavam os monges e a vida no mosteiro.

     Nesse tempo, tudo era visto de forma simbólica; e esse método era aplicado à natureza também. O valor simbólico da natureza era visto como superior a seu aspecto físico. E somente os fenômenos naturais mencionados nas Escrituras recebiam atenção. Sendo assim, a natureza não era explorada por seu valor intrínseco nem pelo interesse em seus mecanismos, mas era utilizada apenas como um repertório para lições teológicas e morais. Basílio de Cesareia (329-379), por exemplo, afirmava que “todo animal venenoso é aceito como a representação dos poderes contrários e perversos” encontrados no ser humano[2]. Agostinho, por sua vez, acreditava que criaturas aladas representassem os fiéis que haviam recebido instrução na fé cristã, e que, assim, poderiam “voar pelos céus”[3]. 


Pesquisa restrita aos livros


      Outro contraste entre a ciência moderna e a medieval é que a daquela época não tinha como base a observação e a experimentação, não era empírica como a de hoje. Os “cientistas”, como podemos chamar os filósofos naturais daquele período, restringiam suas pesquisas às bibliotecas. Quando os oceanos ou as estrelas eram o objeto de estudo, eles recorriam aos livros de pensadores gregos como Aristóteles e Platão, porque não entendiam a pesquisa científica como um empreendimento exploratório ou inquisitivo. Predominava a cultura do livro, na qual a ciência era entendida como uma atividade de preservação e transmissão do conhecimento obtido pelos autores clássicos da Antiguidade [4]. Porém, com o advento do protestantismo, Lutero passou a defender uma hermenêutica literalista da Bíblia. Para muitos protestantes, o que importava era o sentido óbvio que emana do texto. Desse ponto de vista, não mais era preciso depender dos pais da igreja para entender a Bíblia. Cada leitor tinha autonomia para interpretar as Escrituras. Em busca do sentido literal do texto, os exegetas protestantes se voltaram para as línguas originais da Bíblia a fim de corrigir os erros que haviam sido inseridos nas traduções do livro sagrado e que, consequentemente, influenciaram a distorção de algumas doutrinas cristãs. O esforço deles acabou resultando no retorno à fonte do verdadeiro conhecimento espiritual. 

Da contemplação para a observação


      As mudanças propostas por reformadores como Martinho Lutero, João Calvino e Ulrico Zuínglio impactaram a sociedade europeia do século 16 de tal maneira a ponto de mudar a filosofia, a educação e as ciências. A exemplo dos intérpretes da Bíblia, estudiosos de outras áreas perceberam que precisavam urgentemente romper com o pensamento medieval a fim de encontrar novos métodos para a obtenção do conhecimento. Assim como os teólogos, os cientistas migraram do estudo alegórico ou simbólico da natureza para uma análise literal e concreta do mundo que os cercava. Deixaram a ênfase mais contemplativa para procurar entender os mecanismos naturais por meio da observação e experimentação. O objetivo deles era controlar a natureza a fim de aprimorar a condição humana. De certa maneira, o ideal protestante de encontrar o sentido óbvio do texto bíblico contribuiu para que a sociedade da época procurasse métodos “científicos” de explicar os fenômenos naturais e de utilizar esse conhecimento de forma prática.

      Além disso, a leitura literalista do livro de Gênesis ajudou os cientistas a olhar de outra forma para o mundo natural, pois eventos, pessoas e lugares relatados na Bíblia passaram a ser interpretados como reais e históricos. As referências ao jardim do Éden, por exemplo, atraíram esforços de curiosos para identificar sua verdadeira localização e características físicas. “O texto de Gênesis, lido literalmente, proporciona lampejos de volta à época em que a humanidade teve conhecimento completo do mundo natural, exerceu domínio total sobre todas as criaturas e se comunicou numa linguagem natural que fosse perfeitamente capaz de retratar a essência de todas as coisas”, analisa o historiador Peter Harrison[5].

O papel redentivo da ciência


      Naquele contexto, a queda moral de Adão e Eva também passou a ser interpretada como um fato histórico. Assim, exegetas protestantes começaram a acreditar que toda a perfeição da humanidade, incluindo sua capacidade de obter conhecimento, havia se perdido com a expulsão do paraíso. Por isso, como forma de redenção, os cientistas protestantes passaram a ver na empreitada científica um modo de restaurar a humanidade à sua condição de soberania original. Essa restauração do ser humano (e da criação, por consequência) deveria se dar em duas frentes. Na primeira, a mente humana restauraria todas as coisas à sua unidade original pelo conhecimento do mundo natural. Na segunda, o ser humano assumiria o controle da natureza, retomando a posição de Adão como mordomo da criação. Como podemos ver, para muitos, a investigação científica se tornou uma atividade redentiva e com motivação espiritual.

      Esse foi um conceito especialmente defendido pelo inglês Francis Bacon (1561-1626). Em sua obra Novum Organum, Bacon argumenta que “o ser humano, por meio de sua queda no pecado, perdeu tanto seu estado de inocência quanto seu domínio sobre a criação. Ambas as perdas, entretanto, podem ser reparadas nesta vida de forma parcial – a primeira por meio da religião e da fé; a última por meio das artes e das ciências”[6]. Movido por esse ideal “restauracionista”, ele conseguiu criar uma “reforma das ciências”, fundamentando-a em seu conhecido método de indução. Bacon também foi fundamental no estabelecimento da Sociedade Real de Londres, renomada instituição que até hoje patrocina o avanço da ciência no Reino Unido. “O domínio sobre as coisas” era um dos objetivos da sociedade, conforme relata Thomas Sprat, primeiro historiador da entidade[7]. Graças a esse espírito, a Inglaterra foi o berço do método empírico de Bacon e das invenções tecnológicas que viabilizaram a revolução industrial nos séculos 18 e 19. “Se não fosse o conhecido empirismo britânico, fundado por Francis Bacon durante a era elisabetana, as ciências modernas teriam permanecido, em grande medida, um ramo especulativo da ‘filosofia ­natural”, analisa o filósofo e teólogo norte-americano Carl Raschke.[8]

      Em resumo, podemos concluir que a interpretação literal do texto bíblico resgatada pelos protestantes foi um dos fatores a impulsionar o surgimento da ciência moderna, com sua ênfase no estudo empírico da natureza. É, portanto, uma ironia pensar que, em nossos dias, interpretar literalmente o texto bíblico seja visto como símbolo de fundamentalismo e um obstáculo para o avanço científico. Ao que parece, a moral da história entre ciência e religião é que a primeira tem uma dívida com a Reforma Protestante.  

Via: Criacionismo

Notas bibliográficas:

1 - The AnteNicene Fathers, v. 4, p. 359;

2- Fathers of the Church, v. 46, p. 207;

3 - Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church, v. 1, p. 199;

4 - The New Cambridge Modern History: The Reformation, 1520-1559, v. 2, p. 423;

5 - The Bible, Protestantism, and the Rise of Natural Science (p. 70);

6 - Works, v. 4, p. 247;

7 -  History of the Royal Society, p. 62;

8 - Encyclopedia of Sciences and Religions (p. 1751).


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Bebês sem mãe e a criação de uma manchete mentirosa

      Foi destaque na mídia na semana passada: um grupo de pesquisadores do Reino Unido afirmou que no futuro talvez seja possível criar embriões com dois pais e sem mãe, supostamente derrubando um “dogma científico” de quase dois séculos, segundo o qual só um óvulo em estado natural seria capaz de ativar alterações na atividade dos genes de um espermatozoide para dar origem a uma prole saudável. No experimento, realizado com camundongos, os cientistas liderados por Tony Perry, do Departamento de Biologia e Bioquímica da Universidade de Bath, no Sudoeste da Inglaterra, usaram tratamentos químicos para “enganar” óvulos e fazer com que eles começassem a se desenvolver em embriões sem ter sido fertilizados. Mas, com apenas metade do código genético necessário para formar um organismo, esses embriões haploides, conhecidos como partenotos, são inviáveis, morrendo em poucos dias. Antes disso, no entanto, os pesquisadores injetaram neles espermatozoides, fornecendo a segunda metade dos pares de cromossomos necessários para que continuassem a se desenvolver em um ser diploide.

          Parecia, finalmente, a solução para que “casais” masculinos pudessem ter filhos. Só que não. As coisas permanecerão do jeito que Deus idealizou. Nada como um dia depois do outro para a gente sentir vergonha alheia de alguns coleguinhas da imprensa.

      Segundo matéria publicada no site da revista Science, tudo não passou de espetáculo. Os cientistas não descobriram como fazer “bebês sem mãe”, nem chegaram perto de criar um embrião sem o uso de um óvulo. Diz a matéria: “Um artigo publicado na Nature Communications provocou uma enxurrada de manchetes sobre formas futuristas de contornar a fórmula básica ‘espermatozoide + óvulo = embrião’. Foram contadas histórias de pesquisadores que teriam usado uma célula da pele, por exemplo, em vez de um óvulo, para fazer um bebê, o que, segundo eles, poderia tornar possível para um casal gay ter um bebê por meio da fusão do espermatozoide de um homem com a célula da pele do outro.”

        Só que, segundo a Science, o que foi divulgado não tem nada a ver com a ideia de criar um embrião sem o uso de um óvulo. Como a maioria dos livros de biologia introdutória explica, o que faz com que espermatozoide e óvulo sejam capazes de se fundir e dar origem a um novo organismo é que cada um deles contém apenas metade dos cromossomos. O termo técnico para isso é uma célula haploide. As células da pele são definitivamente não haploides, e ninguém chegou perto de descobrir como torná-las assim.

         Além disso, o óvulo contém poderosos fatores ainda desconhecidos que lhe permitem dirigir os primeiros passos do desenvolvimento embrionário. Resumindo, os óvulos ainda são insubstituíveis e revelam tremendo design inteligente e complexidade irredutível. Os mecanismos complexos que promovem a fecundação, como a afinidade bioquímica entre as duas células germinativas totalmente diferentes, e a capacidade do óvulo de dirigir o desenvolvimento do embrião deveriam estar presentes desde a primeira vez em que um óvulo foi fecundado por um espermatozoide, do contrário, não estaríamos aqui falando sobre isso.

       A matéria da Science também dá as dicas de como tornar uma pesquisa não conclusiva em um “fato” midiático. Anote aí:

1. Crie um título cheio de jargão: “Ratos produzidos por reprogramação mitótica do esperma injetado em partenogênese haploide.” Ou algo do gênero.

2. Divulgue sua pesquisa em linguagem mais acessível e crie um título interessante: “Esperma de rato gera descendência viável sem fertilização de um óvulo.”

3. Organize uma conferência para a imprensa com os autores do paper.

4. Consiga uma citação elogiosa de um cientista bem conhecido e respeitado. Tipo:
“[É] um tour de force técnico.”

E funciona. Veja a manchete no Telegraph: “Bebês sem mãe são possíveis: como os cientistas criaram descendência viva, sem necessidade de um óvulo feminino”; e no The Guardian: “Células da pele podem ser usadas em lugar de óvulos para fazer embriões, dizem cientistas.”


      Por enquanto, para continuar existindo, a espécie humana continua dependendo da maravilhosa união entre as células germinativas de um homem e uma mulher. E fica a grande lição: não confie em tudo o que lê e vê por aí. 

Michelson Borges

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Novos estudos reforçam a tese criacionista sobre a variabilidade dos seres vivos

     Matthew Ravosa, da Universidade de Notre Dame, liderou uma equipe que publicou recentemente um artigo na Biological Reviews[1, 2] a respeito da plasticidade dos aspectos físicos de uma dada espécie. Animais submetidos a dietas diferentes possuem desenvolvimentos diferentes nos mais diversos níveis, como afirma o professor Ravosa: 
“Durante o crescimento pós-natal, mostramos que essas variações no estresse de mastigação relacionadas à dieta induzem uma cascata de mudanças nos níveis celular, de tecidos, protéicos e genéticos, de forma a manter a integridade das estruturas craniomandibulares envolvidas no processamento de alimento.”[1]
As variações induzidas nesses experimentos chegam mesmo a ser comparadas a diferenças observadas entre espécies distintas: 
“Em terceiro lugar, dada a longa duração dos experimentos, somos capazes de demonstrar que um padrão dietético iniciado ainda no período pós-natal e de duração prolongada pode resultar em níveis de variações das mandíbulas de uma única espécie em par com aquelas observadas entre espécies.”[1] 
       O professor Ravosa também chama a atenção para o tipo de dificuldade que isso traz para a interpretação dos fragmentos de ossos encontrados no registro fóssil: 
“Essas análises longitudinais mostram que os efeitos morfológicos da ‘sazonalidade’ dietética são detectados apenas em algumas regiões do crânio, o que atrapalha ainda mais nossa habilidade de reconstruir acuradamente a biologia de organismos fósseis representados por espécimes singulares e fragmentados.”[1
    Em outras palavras, um pesquisador corre o risco de anunciar a descoberta de uma nova espécie com base em uns poucos fragmentos de ossos, quando na verdade o que tem em mãos pode ser apenas uma variação de uma espécie já conhecida induzida pela própria alimentação. Ressalte-se que a definição de espécies é, há muito tempo, um tema controverso.

     Os criacionistas, ao contrário do que afirmam determinados livros-texto universitários,[3] não são fixistas, isto é, não defendem que as espécies que existem hoje foram criadas da forma como as conhecemos desde o início. A própria tese criacionista para o repovoamento do mundo animal após o dilúvio depende da existência de variabilidade. Alguns chamam isso de microevolução, embora existam boas razões para utilizarmos termos como diversificação de baixo nível.

     O tipo de variabilidade que normalmente é encontrado no registro fóssil, e que é invocado exaustivamente como evidencia a favor da evolução, ajusta-se melhor à ideia criacionista de variações limitadas. É comum, quando se pesquisa o argumento em fonte evolucionista, encontrarmos um cenário que coloca de um lado a proposta evolucionista, que prevê variações, e do outro uma distorcida proposta criacionista, que não prevê variações. Diante das variações observadas em experimentos e no registro fóssil, argumenta-se então que a evidência é favorável à evolução. Nada mais enganoso.

    Quando se entende que ambas as propostas preveem variações, recai sobre os evolucionistas o ônus de demonstrar as transformações que excedem essas mudanças em pequena escala, ou o que muitos chamariam de macroevolução. Nas palavras de um evolucionista sincero nesse ponto, “é possível imaginar, por extrapolação, que, se os processos em pequena escala que vimos continuassem por um período de tempo suficientemente longo, eles poderiam produzir a variedade moderna da vida”.[3] E é este o ponto que realmente deveria figurar no centro do debate: Essa extrapolação é válida? Não seriam o grande número de fraudes e interpretações equivocadas sintomas de que a extrapolação evolucionista se sustenta forçosamente, mais apoiada em uma visão de mundo do que em evidência palpável?

(Rodrigo Meneghetti Pontes - Doutor em Química pela UEM)


[1] University of Notre Dame. “Reinterpreting the fossil record on jaws.” ScienceDaily, 17 August 2016.

[2] Matthew J. Ravosa, Rachel A. Menegaz, Jeremiah E. Scott, David J. Daegling, Kevin R. McAbee. “Limitations of a morphological criterion of adaptive inference in the fossil record”. Biological Reviews, 2015; DOI: 10.1111/brv.12199

[3] Mark Ridley, Evolução, 3a Ed., Artmed, 2006, p. 67, 77.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Estudo científico comprova que ficar remoendo mágoa e não perdoar traz danos mentais

     Ficar “remoendo” mágoas já é comprovado cientificamente que se trata de um comportamento bastante prejudicial à saúde. De acordo com um novo estudo na revista científica Journal of Health Psychology , perdoar aos outros e si mesmo protege seu corpo de uma grande onda de estresse e te levar a uma boa saúde mental. Os responsáveis pelo estudo analisaram os efeitos do stress sobre a saúde mental de uma pessoa, e como as pessoas mais tolerantes saíram em comparação com pessoas que não eram tão compreensivas. Para fazer isso, eles pediram 148 jovens adultos para preencher questionários que avaliaram seus níveis de estresse, a sua tendência para perdoar e sua saúde física e mental.

       Não foi nenhuma surpresa para os autores quando analisaram os dados e viram que as pessoas que se cobravam muito a si e aos outros durantes suas vidas, tinham pior saúde mental e física. Mas, também ficou claro que as pessoas eram altamente tolerantes a si mesmos e os outros, eram praticamente livres de qualquer estresse ou doença mental.

"O ato de perdoar funciona como uma espécie de amortecedor contra o stress. Se você não tem tendência para perdoar, sente os efeitos brutos do stress de forma absoluta", disse Loren Toussaint, professor de psicologia na Luther College e principal autor do estudo.

       Embora não possam afirmar definitivamente de que forma o perdão resguarda a saúde contra os males do stress, os pesquisadores esperam que pessoas mais tolerantes tenham mais habilidade para lidar com as adversidades da vida ou ainda podem ter uma reação mais suave em situações estressantes. Toussaint acredita que todas as pessoas podem aprender a perdoar e serem mais tolerantes. Segundo ele, a prática é passível de ser trabalhada em sessões de terapia. “O perdão elimina a conexão entre stress e doença mental. Eu acho que a maioria das pessoas quer se sentir bem e o perdão lhes oferece essa oportunidade”, conclui.


Nota do Blog: O próprio Deus nos ensinou através da Sua Palavra a fórmula para a Felicidade: o Perdão.

"Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? " Jesus respondeu: "Eu lhe digo: não até sete, mas até setenta vezes sete." (Mateus 18:21,22)

"Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará.
Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas".
(Mateus 6:14,15)

segunda-feira, 14 de março de 2016

Estudo sugere que não existe nenhum planeta como a Terra nesse universo

     Uma equipe de astrônomos de diversas universidades ao redor do mundo fizeram um censo de exoplanetas e, partir dele, estimam que não existe nada como a Terra pelo universo que habitamos. Os resultados foram publicados recentemente no periódico científico The Astrophysical Journal. Eles fizeram uma compilação de todos os exoplanetas terrestres que existem - foram descobertos dois mil deles, mas estima-se que existam 700 quintilhões no universo. Com esses dados foi possível fazer uma simulação no computador.

       Em um primeiro momento, os astrônomos criaram uma espécie de mini universo que continha os modelos das primeiras galáxias. A partir disso, as leis da física foram aplicadas e, a partir daí, os cientistas conseguiram simular com as galáxias crescem e como os planetas se desenvolvem. Os astrônomos aceleraram a simulação em 13,8 bilhões de anos de história cósmica. Os dados mostram que a formação da Terra é única entre todos. Isso porque, de acordo com os cálculas, o nosso planeta é uma espécie de anomalia: não há nenhum outro na Via Láctea que seja mais velho, maior e tenha a capacidade de sustentar vida.

"É supreendente que estejamos em um ponto em que finalmente conseguimos fazer esse tipo de coisa", disse Andrew Benson, coautor do estudo, em entrevista ao Scientific American.

       Como aponta o Science Alert, os cientistas admitem que essas previsões possam ter falhas, ainda mais considerando o quão pouco se sabe sobre os exoplanetas. "Claro que há bastante incerteza nesse tipo de cálculo, nosso conhecimento dessas parcelas é imperfeito", disse Benson. Ainda assim, ter a possibilidade de fazer esse tipo de simulação é incrível - e pode trazer muitos benefícios para os estudos astronômicos nos próximos anos.

Galileu

Nota do Blog: Claro que, cientificamente falando, essa pesquisa ainda não é conclusiva. Porém, para nós que cremos é apenas mais uma prova de que fomos criados e colocados (temporariamente, claro) em um lugar especialmente projetado para receber o homem, obra prima da Criação de Deus.

Prof. Saulo Nogueira

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Expressar gratidão pode mudar seu cérebro

     Pesquisadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, chegaram à conclusão de que ser grato pelas pequenas coisas da vida pode causar grandes mudanças – inclusive cerebrais. Um artigo publicado no jornal científico NeuroImage atesta que, depois de poucos meses exercitando sua gratidão por meio da escrita, seu cérebro passa a se sentir ainda mais condicionado a ser grato. E isso traz benefícios. Para a experiência, foram chamados 43 voluntários que passavam por terapia para tratar depressão e problemas relacionados à ansiedade. Todos foram recrutados para uma terapia em grupo semanal, porém apenas 22 deles foram chamados para a “sessão de gratidão”, por assim dizer: nos três primeiros encontros, os participantes passaram vinte minutos escrevendo cartas em que revelavam gratidão pelo destinatário (e poderiam escolher se enviariam ou não a carta). O outro grupo não participou desse exercício. 

     Três meses depois desses encontros, todos passaram por um escaneamento cerebral, que ocorria simultaneamente a outro exercício: eram exibidas fotos de pessoas que, em tese, teriam feito grandes doações de dinheiro à pesquisa. Os participantes precisavam agradecer a eles pelo investimento, enquanto seus cérebros eram examinados. Todo mundo sabia que era apenas um exercício, mas foi dito a cada um deles que as doações realmente seriam feitas em algum momento. 

     O teste foi claro: quem escreveu as cartas, três meses antes, demonstrou mais atividade cerebral nas áreas relacionadas ao sentimento de gratidão. Vale ressaltar que essas áreas responderam de forma ímpar: ações como se colocar no lugar do outro ou demonstrar empatia não reverberam da mesma forma no cérebro. É um sentimento único. E o mais empolgante é que o efeito de “exercitar a gratidão” é realmente duradouro: seja duas semanas ou três meses depois da experiência, é como se a massa cinzenta se “lembrasse” do comportamento carinhoso e passasse a agir mais dessa forma. A pesquisa compara esse treinamento a como exercitar um músculo: quanto mais você pratica a gratidão, mais propenso estará a senti-la espontaneamente no futuro. Isso ajuda a diminuir a depressão e passar mais tempo com aquele calorzinho bom de se sentir feliz com a ajuda de alguém.

      Essas investigações sobre os efeitos de se sentir grato ainda são bastante primordiais – e os próprios pesquisadores admitem isso. Há muito a aprender em termos de efeitos desse sentimento no cérebro e se realmente podemos relaciona-los a efeitos de longo prazo na forma como pensamos e agimos no cotidiano. Mas enquanto isso, talvez seja mesmo bom espalhar #gratidão por aí – e não apenas em uma hashtag. 


Nota do Blog: Muito interessante a pesquisa. Porém, não creio que somente a gratidão seja uma qualidade que, se exercitada, se torna um hábito na vida das pessoas. Tanto a gratidão, como o bem, a bondade e a empatia, se tornando corriqueiros na vida das pessoas, também possuem essas características de moldar o nosso cérebro a fazer as coisas corretas. Tudo nessa vida são hábitos que devem ser exercitados como um músculo. Fazendo sempre o que é correto, isso vai se tornando mais fácil para nós, ainda mais que o próprio Deus nos oferece uma "ajudinha extra", o Seu próprio Espírito para nos ajudar nas nossas fraquezas. Creio que se as pessoas seguissem as orientações Bíblicas, sobre amor ao próximo e como viver bem com seu semelhante, teríamos um mundo bem melhor. Interessante é que a Bíblia nos ensina sobre isso:

"O amor deve ser sincero. Odeiem o que é mau; apeguem-se ao que é bom. Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios. Nunca lhes falte o zelo, sejam fervorosos no espírito, sirvam ao Senhor. Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração. Compartilhem o que vocês têm com os santos em suas necessidades. Pratiquem a hospitalidade. Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem. Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram. Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior. Não sejam sábios aos seus próprios olhos. Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: "Minha é a vingança; eu retribuirei", diz o Senhor. Pelo contrário: "Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele". Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem." (Romanos 12:9-21)

Paz do Senhor à todos
Prof. Saulo Nogueira


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Água escondida debaixo da terra cobriria todo o planeta

      O volume total de água armazenada no subsolo do planeta é estimado em 23 milhões de km³. Seria o suficiente para cobrir toda a superfície da Terra com uma camada de 180 metros de profundidade.
     Essa foi a conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores canadenses e publicado na revista científica Nature GeoscienceMas apenas 6% dessa água é própria para consumo humano. Isso porque a chamada água "moderna" presente no subsolo está próxima da superfície e pode ser extraída ou usada para complementar recursos localizados acima do solo, em rios e lagos.
"Esta é a água que é renovada mais rapidamente ─ na escala de vida humana", explicou Tom Gleeson, da Universidade de Victoria, no Canadá, responsável pelo estudo.
"Ao mesmo tempo, é a mais sensível a mudanças climáticas e contaminação humana. Trata-se, portanto, de um recurso vital que precisa ser melhor gerenciado."
       Para quantificar a água armazenada nos dois primeiros quilômetros da superfície da Terra, Gleeson e sua equipe combinaram extensas bases de dados e modelos computacionais. Foram analisados, entre outros fatores, a permeabilidade de rochas e do solo, sua porosidade e características dos lençóis freáticos. A chave para determinar a idade de toda a água armazenada foram medições feitas com trítio, uma forma radioativa de hidrogênio que surgiu na atmosfera há 50 anos como resultado de testes de bombas termonucleares. A partir desse elemento químico, os cientistas puderam identificar toda a chuva que chegou ao subsolo desde então.
       O mapa abaixo mostra a distribuição da água moderna presente no subsolo ao redor do mundo. As manchas em azul escuro mostram onde ela é renovada rapidamente. Em tom mais claro, a água mais antiga, que em sua maioria está estagnada e não pode ser renovada.
       "As características dessa água antiga variam muito", disse Gleeson à BBC News. "Em alguns lugares, é muito profunda. Em outros, não. Em muitos lugares, ela é de má qualidade e pode ser mais salina que a água do mar, além de ter metais e outros componentes químicos dissolvidos nela e que teriam de ser tratada antes de se tornar potável ou usada na agricultura."
      Isso torna ainda mais importante as reservas modernas e a necessidade de administrá-las de forma sustentável, alertam os cientistas. O estudo destaca ainda como elas estão distribuídas de forma desigual no planeta. O próximo passo, afirmou Gleeson, é determinar o ritmo com que algumas reservas estão sendo consumidas.
      "Essa visão global da água no subsolo irá conscientizar de que nossas reservas mais recentes no subsolo, aquelas que são mais sensíveis a mudanças ambientais e provocadas pelo homem, são finitas", disse Ying Fan, da Rutgers University, nos Estados Unidos.
O mapa acima mostra a distribuição da água moderna presente no subsolo ao
redor do mundo. As manchas em azul escuro mostram onde ela é renovada rapidamente.
Em tom mais claro, a água mais antiga, que em sua maioria está estagnada e não pode ser renovada.
Nota do Blog: No dia em que Noé completou seiscentos anos, um mês e dezessete dias, nesse mesmo dia todas as fontes das grandes profundezas jorraram, e as comportas do céu se abriram” (Gênesis 7:11)
Prof. Saulo Nogueira

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Cientistas têm classificado símios como hominídeos

       [Os comentários entre colchetes são do jornalista Michelson Borges] Uma parte crucial da árvore genealógica da espécie humana virou um saco de gatos, uma bagunça completa, argumentam dois respeitados paleoantropólogos americanos. O problema é o conjunto de espécies hoje classificadas no gênero Homo, grupo ao qual pertence, é claro, o Homo sapiens, ou seja, o ser humano de anatomia moderna, e seus primos europeus extintos, os neandertais. É verdade que, nesses dois casos, não há grandes dúvidas – tanto que análises de DNA revelaram episódios de miscigenação entre humanos modernos e neandertais [claro, porque eram todos humanos]. Para Jeffrey Schwartz, da Universidade de Pittsburgh, e Ian Tattersall, do Museu Americano de História Natural, no entanto, a coisa fica feia quando o objetivo é entender formas mais arcaicas de ancestrais da humanidade. Escavações na África e em outros lugares do mundo revelaram um minizoológico dessas criaturas – há o H. habilis, o H. rudolfensis, o H. ergaster, o H. erectus e formas mais misteriosas, conhecidas simplesmente como “Homo primitivo”, isso sem falar em alguns outros nomes científicos que acabaram não pegando [aí estamos falando de fragmentos de ossos de macacos que os darwinistas querem sempre promover a “elo perdido”]. Tais nomes científicos designam fósseis que viveram num intervalo relativamente curto do tempo geológico – grosso modo, entre 2,5 milhões e 1,5 milhão de anos atrás [segundo a cronologia evolucionista].

     Em artigo na última edição da revista especializada Science, Schwartz e Tattersall defendem que esse milagre da multiplicação da nomenclatura foi longe demais [milagre a Science ter publicado um artigo tiro no pé como esse...]. Boa parte dos fósseis [...] não deveria estar no gênero Homo, dizem eles. “Monofilético” é a palavra-chave, disse Tattersall à Folha. O termo, empregado em estudos sobre o parentesco evolutivo entre seres vivos, designa um grupo que inclui uma espécie ancestral e todos os seus descendentes. O indício-chave desse parentesco são (prepare-se para outro palavrão em grego) as chamadas sinapomorfias, que não passam de características compartilhadas por todos os membros do grupo – e apenas entre eles.

      Gêneros de seres vivos, como o Homo, precisam ser grupos monofiléticos. Embora não haja uma regra estrita sobre quão inclusivos eles podem ser (ou seja, sobre a diversidade de espécies que podem “caber” dentro de um gênero), de modo geral um gênero congrega espécies de parentesco bastante próximo. Um exemplo que ajuda a entender isso no caso de mamíferos como nós é o do gênero Panthera, que congrega, entre outros, onças-pintadas, leopardos, leões e tigres [convenhamos, muito mais semelhantes entre eles do que macacos e humanos].

     A principal ferramenta usada ainda hoje pelos cientistas para classificar espécies (ainda vivas ou extintas) em gêneros é a semelhança anatômica ou morfológica. “Uma vez que o gênero Homo necessariamente tem de abrigar o H. sapiens, o jeito óbvio de organizar as coisas é partir dessa espécie e ver quais formas extintas formam um agrupamento monofilético e morfologicamente unificado com ele”, explica Tattersall. Para ele, porém, não é o que anda sendo feito. “Os paleoantropólogos têm simplesmente enfiado fósseis mais e mais antigos [ou muito diferentes de nós] no gênero sem se preocupar muito com a questão da morfologia. Em vez de fazer as coisas com cuidado, os trabalhos seguem o desejo de descobrir o ‘Homo mais antigo’, o que não dá muito certo.” [E por que fazer isso? Para ter seus quinze minutos de fama, promovidos por alguma publicação científica ou pela mídia popular, que adora publicar matérias sensacionalistas sobre nossos supostos ancestrais.] Segundo ele, essa corrida acabou praticamente abandonando a busca por sinapomorfias, ou seja, traços capazes de unir de forma coerente os fósseis classificados como Homo.

       De fato, existe uma enorme diversidade entre os primatas extintos hoje incluídos no gênero: há desde tampinhas (com 1,40 m de altura ou menos) de cérebro pouco maior que o de um chimpanzé, como o Homo habilis, até criaturas que fabricavam ferramentas relativamente complexas e tinham o corpo alto e esguio de um maratonista queniano, caso de alguns exemplares do Homo erectus. [Veja quanta diferença agrupada aleatoriamente num mesmo grupo.] Outros cientistas, como Esteban Sarmiento, da Fundação Evolução Humana (EUA), dizem que tal tendência tem levado cientistas mais afoitos a enxergar hominídeos em toda parte [Uau! É exatamente o que nós criacionistas temos dito há muito tempo. Mas quem ouve os criacionistas?] - certos fósseis na verdade seriam de grandes macacos primitivos. “Existe um desejo subliminar de enxergar certos fósseis como hominídeos”, pondera Tattersall. “Nós, por exemplo, descobrimos que muitos dentes do Extremo Oriente atribuídos ao Homo erectus poderiam ser interpretados de forma mais razoável como pertencentes a primos dos orangotangos [pois é...]. O status de hominídeo de algumas formas africanas muito antigas chegou a ser contestado.”

     Diante do aparente impasse, o que fazer? A sugestão de Schwartz e Tattersall é simples: começar de novo, praticamente do zero. Eles defendem que é preciso reanalisar cuidadosamente a morfologia de cada fóssil de hominídeo e, a partir daí, propor agrupamentos novos e mais coerentes. [Será que os editores de livros e revistas darão o braço a torcer e estarão dispostos a enviar para a reciclagem de papel tudo o que já foi publicado e continua em circulação? Por quanto tempo mais os livros didáticos vão apresentar a hipotética “árvore evolutiva” humana como um “fato confirmado”? Quantas pessoas ainda serão ensinadas a respeito disso e continuarão crendo que temos ancestrais simiescos?]

     Segundo eles, isso quase certamente levará os especialistas a jogar na lata do lixo da nomenclatura paleontológica vários dos nomes científicos que são populares hoje; ao mesmo tempo, novos gêneros deverão ser criados para acomodar os hominídeos “sem-teto”. [E de novo deverá entrar em cena muita especulação, muita imaginação e muito trabalho de pintores e escultores.] [...]


Nota do Blog: Pois é, quantas certezas indo por água a baixo. Existe uma pressão tão grande por publicações, que alguns cientistas no afã de mostrarem seus resultados "conclusivos" se precipitam com as suas "especulações". A ciência não é onipotente, claro, e grande parte dos cientistas sabem disso. Mas às vezes parecem ignorar esse fato e praticamente a tornam uma divindade. Como diz Enézio de Almeida: "Alguém me belisque, mas é assim que caminha o fato, Fato, FATO da evolução de um Australopithecus afarensis se transmutar em antropólogo amazonense - sem evidências, mas muito desejo subliminar".

Pobre ciência!


Prof. Saulo Nogueira 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Explosão de equívocos e fraudes em estudos publicados deixam a ciência em xeque

       Observação e formulação de hipótese, realização de testes e experimentos, compilação e interpretação dos resultados, construção de teoria, redação de artigo, análise dos pares, publicação em um periódico reconhecido e replicação. Um breve resumo do método científico moderno mostra o rigor que as pesquisas devem seguir. Mesmo assim, a expansão da pesquisa veio acompanhada de uma explosão no número de estudos retirados da literatura, seja por erros sistemáticos ou de modelagem, má conduta ou mesmo má-fé, formada pela infame trinca plágio, manipulação e fraude. Um levantamento da revista Nature mostrou que, só na primeira década deste século, o índice de anúncios dos temidos retracts, palavra em inglês que define o envio dos artigos para o esquecimento dos anais da ciência, multiplicou-se por dez, muito acima da alta de 44% na produção científica. Para além de apenas manchar ou destruir reputações, os casos de fraude são os que mais preocupam os especialistas por colocar em risco o próprio futuro da ciência, tanto pela má distribuição dos já limitados recursos investidos em pesquisas quanto por minar a confiança da sociedade nos seus cientistas, o que pode se traduzir em ainda menos investimentos. [Continue lendo]

Nota do químico da Unicamp Dr. Marcos Eberlin: “Sou um grande fã da ciência, minha casa e minha vida (profissional), e respeito muito os muitos que tentam contribuir por meio dela, com sinceridade, para uma sociedade e um mundo melhores - eu faço o que posso -, e jamais venderia a minha ‘alma’ por um artigo que fosse, pois dou contas, sobretudo, a um Deus que tudo vê e tudo sabe, e é bom, mas justo. Lembrei-me do versículo “maldito o homem que confia no homem”, e de tantos artigos que leio, às vezes na NatureScience e outras, sobre provas da ‘coisa horrorosa’. Lembrei-me de elos perdidos, vida em sopa escaldante, dinos & canários, semelhança genética... a foto acima me lembrou dos embriões de Haeckel, sem falar das mariposas de Manchester, dos bicos de tentilhões. Olha o estrago à ciência que uma cosmovisão equivocada tem feito. Se fossem todos retratados, aí, caramba, a porcentagem de retracts explodiria!”

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O apêndice não tem nada de “órgão vestigial”

       Há muito tempo o apêndice tem sido considerado pelos naturalistas darwinianos como um “órgão vestigial”, isto é, vestígios evolutivos de um passado terrestre com ancestralidade comum entre as espécies. Charles Darwin foi o primeiro a sugerir que o apêndice teria surgido durante a transição da dieta de folhas para uma alimentação baseada no consumo de frutos.[1] Para ele, os supostos ancestrais primatas dos humanos necessitavam de um ceco de grandes dimensões para a digestão das folhas fibrosas, que se tornou desnecessário quando passaram a se alimentar, sobretudo, de frutas. Essa mudança no hábito alimentar teria provocado a atrofia do ceco, e o apêndice corresponderia a uma das suas pregas. Segundo sua (i)lógica reducionista, devido ao fato de o alimento não passar mais pelo apêndice ao longo do percurso intestinal, isso sugere que ele não possui função alguma. É fato que ele não possui a função digestiva. No entanto, o intestino é muito mais do que apenas um órgão digestivo. Um exame microscópico do apêndice mostra que ele contém uma quantidade significativa de tecido linfoide.[2] Agregados semelhantes de tecido linfoide (conhecido como tecidos linfoides associados ao intestino, GALT) ocorrem em outras áreas do sistema gastrointestinal. Os GALT estão envolvidos na capacidade do corpo de reconhecer antígenos estranhos no material ingerido. 

        A medicina tem lucrado muito com o conceito evolucionista de que o apêndice não tem função, causa inflamação e leva pessoas à morte. Assim, o apêndice é frequentemente retirado por meio de cirurgias. No entanto, pesquisas demonstram por meio de experimentos em coelhos que a apendicectomia (retirada do apêndice) em filhotes recém-nascidos prejudica o desenvolvimento da imunidade da mucosa.[3] Estudos morfológicos e funcionais do apêndice de coelhos indicam que ele é provavelmente o equivalente à bursa das aves em mamíferos.[4, 6] A bursa (órgão linfoide onde são formados os linfócitos B) tem um papel crucial no desenvolvimento da imunidade humoral em aves. A semelhança histológica e imuno-histoquímica do apêndice humano e do coelho sugere que o apêndice humano tem uma função similar à do apêndice do coelho. Para indivíduos adultos a retirada do apêndice pode não causar tantos prejuízos, porém ele é essencial nas primeiras fases da vida.

          Sabe-se hoje que o apêndice humano é importante no início da vida porque ele atinge o seu maior desenvolvimento logo após o nascimento e, em seguida, regride com a idade, assemelhando-se, eventualmente, a outras regiões de GALT como placas de Peyer no intestino delgado. De acordo com o Dr. Moore, o apêndice em lactentes e crianças tem a aparência de um órgão linfoide bem desenvolvido e possui importantes funções imunológicas.[7] Pesquisa recente revelou que o apêndice humano pode proteger contra a infecção recorrente por Clostridium difficile.[8] Os resultados indicaram que indivíduos sem apêndice foram quatro vezes mais propensos a ter uma infecção recorrente por Clostridium difficile (um patógeno comum em hospitais). Enquanto a infecção recorrente nos indivíduos com o apêndice intacto foi de apenas 11%, em indivíduos sem o apêndice a recorrência atingiu 48% dos casos.

       Outro estudo sugere que o apêndice vermiforme funciona como uma casa segura para a sobrevivência de bactérias intestinais comensais (bactérias boas), facilita o crescimento da flora bacteriana normal (cultiva as bactérias boas), e permite a recolonização do cólon após diarreias ou uso de antibióticos que matam as bactérias benéficas.[9] A forma do apêndice é perfeita para armazenar essas bactérias benéficas. Ele possui um fundo cego e uma abertura estreita, impedindo assim o influxo dos conteúdos intestinais. As bactérias benéficas estão presentes no intestino e vivem em harmonia com o hospedeiro, ajudando a digerir a celulose, sintetizando compostos nutricionais como a vitamina K e componentes vitamínicos do complexo B. Também ajudam a matar bactérias que podem agredir o intestino humano. 

       Um estudo de anatomia comparativa sugeriu que o apêndice evoluiu minimamente 32 vezes, mas foi perdido menos que sete vezes.[10] O autor concluiu a partir de seus resultados, e juntamente com outras evidências médicas e imunológicas, que as hipóteses de Darwin já estão refutadas. Ademais, o autor sugeriu que o apêndice é adaptável, mas não evoluiu como uma resposta a qualquer fator social ou dieta particular avaliada no estudo. Como pode ser observado, não é pelo fato de a ciência não saber a função de um órgão que isso significa que esse não tenha alguma função. Somente agora a ciência sabe que o apêndice humano não é um órgão vestigial, como tem sido argumentado durante tantas décadas a favor do evolucionismo. Ainda assim, diante de tantas evidências, há os que se mantêm céticos devido ao filtro naturalista e ao dogmatismo darwiniano.

(Everton F. Alves, mestre em Ciências da Saúde)


Referências:
[1] Barras C. Appendix Evolved More Than 30 Times. Science magazine. [Fev. 2013]. Disponível em:http://news.sciencemag.org/plants-animals/2013/02/appendix-evolved-more-30-times
[2] Spencer J, Finn T, Isaacson PG. Gut associated lymphoid tissue: a morphological and immunocytochemical study of the human appendix. Gut. 1985; 26(7):672-679.
[3] Dasso, J. F. and M. D. Howell. Neonatal appendectomy impairs mucosal immunity in rabbits. Cellular Immunology 1997; 182:29-37.
[4] Weinstein PD, Mage RG, Anderson AO. The appendix functions as a mammalian bursal equivalent in the developing rabbit.Advances in Experimental Medicine & Biology 1994; 355:249-253.
[5] Dasso JF., H. Obiakor, H. Bach, A.O. Anderson and R.G. Mage. A morphological and immunohistological study of the human and rabbit appendix for comparison with the avian bursa. Developmental & Comparative Immunology 2000; 24:797-814.
[6] Fisher RE. The primate appendix: a reassessment. The Anatomical Record 2000; 261: 228-236.
[7] Moore KL. Clinically Oriented Anatomy. Baltimore: Williams & Wilkins, 1992.
[8] Im GY, Modayil RJ, Lin CT, Geier SJ, Katz DS, Feuerman M, Grendell JH. The Appendix May Protect Against Clostridium difficileRecurrence. Clin Gastroenterol Hepatol. 2011; 9(12):1072-7.
[9] Bollinger RR, Barbas AS, Bush EL, Lin SS, Parker W. Biofilms in the large bowel suggest an apparent function of the human vermiform appendix. J Theor Biol. 2007; 249(4):826-31.
[10] Smith HF, Parker W, Kotzé SH, Laurin M. Multiple independent appearances of the cecal appendix in mammalian evolution and an investigation of related ecological and anatomical factors. Comptes Rendus Palevol 2013; 12(6):339-354.