sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Expressar gratidão pode mudar seu cérebro

     Pesquisadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, chegaram à conclusão de que ser grato pelas pequenas coisas da vida pode causar grandes mudanças – inclusive cerebrais. Um artigo publicado no jornal científico NeuroImage atesta que, depois de poucos meses exercitando sua gratidão por meio da escrita, seu cérebro passa a se sentir ainda mais condicionado a ser grato. E isso traz benefícios. Para a experiência, foram chamados 43 voluntários que passavam por terapia para tratar depressão e problemas relacionados à ansiedade. Todos foram recrutados para uma terapia em grupo semanal, porém apenas 22 deles foram chamados para a “sessão de gratidão”, por assim dizer: nos três primeiros encontros, os participantes passaram vinte minutos escrevendo cartas em que revelavam gratidão pelo destinatário (e poderiam escolher se enviariam ou não a carta). O outro grupo não participou desse exercício. 

     Três meses depois desses encontros, todos passaram por um escaneamento cerebral, que ocorria simultaneamente a outro exercício: eram exibidas fotos de pessoas que, em tese, teriam feito grandes doações de dinheiro à pesquisa. Os participantes precisavam agradecer a eles pelo investimento, enquanto seus cérebros eram examinados. Todo mundo sabia que era apenas um exercício, mas foi dito a cada um deles que as doações realmente seriam feitas em algum momento. 

     O teste foi claro: quem escreveu as cartas, três meses antes, demonstrou mais atividade cerebral nas áreas relacionadas ao sentimento de gratidão. Vale ressaltar que essas áreas responderam de forma ímpar: ações como se colocar no lugar do outro ou demonstrar empatia não reverberam da mesma forma no cérebro. É um sentimento único. E o mais empolgante é que o efeito de “exercitar a gratidão” é realmente duradouro: seja duas semanas ou três meses depois da experiência, é como se a massa cinzenta se “lembrasse” do comportamento carinhoso e passasse a agir mais dessa forma. A pesquisa compara esse treinamento a como exercitar um músculo: quanto mais você pratica a gratidão, mais propenso estará a senti-la espontaneamente no futuro. Isso ajuda a diminuir a depressão e passar mais tempo com aquele calorzinho bom de se sentir feliz com a ajuda de alguém.

      Essas investigações sobre os efeitos de se sentir grato ainda são bastante primordiais – e os próprios pesquisadores admitem isso. Há muito a aprender em termos de efeitos desse sentimento no cérebro e se realmente podemos relaciona-los a efeitos de longo prazo na forma como pensamos e agimos no cotidiano. Mas enquanto isso, talvez seja mesmo bom espalhar #gratidão por aí – e não apenas em uma hashtag. 


Nota do Blog: Muito interessante a pesquisa. Porém, não creio que somente a gratidão seja uma qualidade que, se exercitada, se torna um hábito na vida das pessoas. Tanto a gratidão, como o bem, a bondade e a empatia, se tornando corriqueiros na vida das pessoas, também possuem essas características de moldar o nosso cérebro a fazer as coisas corretas. Tudo nessa vida são hábitos que devem ser exercitados como um músculo. Fazendo sempre o que é correto, isso vai se tornando mais fácil para nós, ainda mais que o próprio Deus nos oferece uma "ajudinha extra", o Seu próprio Espírito para nos ajudar nas nossas fraquezas. Creio que se as pessoas seguissem as orientações Bíblicas, sobre amor ao próximo e como viver bem com seu semelhante, teríamos um mundo bem melhor. Interessante é que a Bíblia nos ensina sobre isso:

"O amor deve ser sincero. Odeiem o que é mau; apeguem-se ao que é bom. Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios. Nunca lhes falte o zelo, sejam fervorosos no espírito, sirvam ao Senhor. Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração. Compartilhem o que vocês têm com os santos em suas necessidades. Pratiquem a hospitalidade. Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem. Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram. Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior. Não sejam sábios aos seus próprios olhos. Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: "Minha é a vingança; eu retribuirei", diz o Senhor. Pelo contrário: "Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele". Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem." (Romanos 12:9-21)

Paz do Senhor à todos
Prof. Saulo Nogueira


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Agenor Duque: O autointitulado apóstolo com “vocação teatral”

Revista Época faz extensa reportagem sobre o líder que "anda de Porsche e voa de jatinho"
      O "apóstolo" Agenor Duque, da Igreja Plenitude do Trono de Deus, segue a mesma fórmula da  Igreja Universal do Reino de Deus e da Igreja Mundial do Poder de Deus. Tendo passado pelas duas, em setembro de 2006, disse ter recebido uma visão de Deus para abrir seu próprio ministério. Vendeu seu carro, um Astra, e usou os R$ 25 mil para comprar espaço nas madrugadas de rádios. Alugou um galpão na Avenida Celso Garcia, em São Paulo e em pouco tempo começou a multiplicar os templos de sua própria denominação.
      Segundo reportagem extensa da revista Época desta semana, Duque é o mais novo fenômeno das igrejas neopentecostais. Hoje comanda pelo menos 20 templos, espalhados por São Paulo, Amazonas, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal. Além disso, são dezenas de núcleos, galpões que, por não terem toda a documentação, não são considerados templos. Nos últimos dois anos, a Plenitude do Trono de Deus saiu de quatro para 18 horas no canal de televisão RBI. Também ocupa mais de nove na Rede Brasil TV.  Ainda segundo a Época, seu crescimento “começa a incomodar as igrejas concorrentes”. Acostumado a negociar produtos “ungidos” nos seus cultos, vários trechos de suas campanhas e ensinos não ortodoxos estão disponíveis na internet. Comumente ele sobe ao púlpito da igreja vestindo uma roupa que imita estopa, para imitar o que a Bíblia chama de “pano de saco”, que representaria a humildade.
        Agenor Duque é ex-viciado em drogas. Tem 37 anos e vem de uma família pobre da Zona Leste de São Paulo.  Após sua conversão, passou a pregar a doutrina da prosperidade que atrai milhões aos cultos em diferentes igrejas no Brasil. Casado com a bispa Ingrid Duque, tem um filho adotivo, o pastor Allan. Milionário, dirige um Porsche e um BMW. Posa fotos nas redes sociais com cordões, anéis e relógios dourados, bonés e tênis de marcas como Nike e Hugo Boss. Também faz uso de um jatinho Cessna Citation.
       Para teólogos, como Paulo Romeiro, doutor em ciências da religião e autor de livros sobre o movimento neopentecostal. “A igreja neopentecostal brasileira é cega, infantilizada, cheia de picaretas e cambalacheiros”. Rodrigo Franklin de Sousa, professor de pós-graduação em ciências da religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, “A religiosidade brasileira sempre foi muito sincrética. O brasileiro valoriza tudo o que o ajuda a se relacionar diretamente com o sagrado”.
       O que Duque mostra em seus programas no rádio e na TV da Igreja Plenitude do Trono de Deus é quase sempre a mesma coisa. Embora a pregação da Bíblia seja quase inexistente, há vários "milagres e libertações". Quase sempre como um prelúdio para se pedir dinheiro e ofertas “de sacrifício” como prova de fé. A Época entrevistou um ex-obreiro da Igreja Plenitude do Trono de Deus, o qual afirma que as ações de Duque não passam de uma “trapaça”. Segundo ele, os pastores da denominação que arrecadam mais são recompensados e crescem. “Eles recebem até bônus, eles dizem que você tem de entrar na mente da pessoa, convencê-la a aceitar o que você diz”, conta.

Sinais e campanhas

       Nos cultos de sua igreja, além das curas de doenças e vícios, Duque promete apagar o passado da mente dos fiéis. Em um dos vídeos mais conhecidos, ele trava (e vence) uma ‘batalha espiritual’ com um homem que diz ser pai-de-santo. Seguindo a tradição de outras igrejas similares, ele constantemente promove campanhas temáticas com objetivos específicos. A mais recente, chamada de Vale de Elah, coloca no templo um boneco de isopor que procura reproduzir a figura de Golias, vestido como um guerreiro, com escudo e espada no altar da igreja. Com um ‘grito de vitória’ dado pelo apóstolo o boneco (representando todas as lutas dos fiéis) cai ao chão e se quebra.
         Para 2016, já anunciou que irá lotar o Maracanãzinho, no Rio de Janeiro – capacidade para 13 mil pessoas, e o estádio do Canindé, em São Paulo, que acomoda 21 mil pessoas. Para isso, trará o polêmico pastor Benny Hinn.

Nota do Blog: Algumas considerações que eu gostaria de fazer sobre a reportagem da Revista Época:

1) A reportagem da revista já começa da seguinte forma:
"Numa incansável cruzada por arrecadação, o autointitulado apóstolo Agenor Duque, da Igreja Plenitude do Trono de Deus, pede à plateia que raspe a carteira e que doe até o décimo terceiro salário. Já anda de Porsche e voa de jatinho."


       Essa é a visão que as igrejas neopentecostais tem passado: uma ânsia de arrecadação que tem beirado o ridículo! A comparação do repórter é que enquanto as pessoas tem que doar, a ponto de não sobrar nada para elas, o seu líder, que deveria ser o extremo máximo de simplicidade anda de Porsche e jatinho.


2) "No concorrido mercado das igrejas neopentecostais, Duque é o pastor emergente do momento. Com uma forte vocação teatral e adepto da prática de prometer o impossível, Duque abocanha cada vez mais fiéis e começa a incomodar as igrejas concorrentes. Além das usuais curas de doenças e vícios, Duque promete apagar o passado da mente dos fiéis."


       A repórter é feliz ao separar as coisas: Ela entende que as igrejas neopentecostais é que  estão distorcendo o verdadeiro Evangelho e, até criando um mercado onde as igrejas que deveriam ter comunhão se tornam concorrentes. São como empresas que se utilizam de um Marketing agressivo, fazendo até promessas antibíblicas e infundadas com o intuito de enganar os mais incautos.

3) "Num roteiro já conhecido entre os pastores das neopentecostais, Duque começou na Igreja Universal do Reino de Deus e migrou para a Mundial – até que teve uma “visão espiritual” e decidiu criar seu próprio templo. Em setembro de 2006, abria a porta da Igreja Plenitude do Trono de Deus. Com R$ 25 mil da venda de um Astra, Duque comprou algumas poucas horas nas madrugadas de rádios e alugou um galpão na Avenida Celso Garcia – que, pela facilidade de acesso e circulação intensa, concentra boa parte das igrejas neopentecostais. Há dois anos, Duque tinha cinco modestas igrejas em São Paulo."

       Aqui a repórter desvenda o sucesso das neopentecostais: pragmatismo, Marketing e aposta na ignorância dos fiéis. Duque foi muito bem treinado pelo seu mestre Macedo e depois fez uma pós graduação com o "apóstolo" Valdemiro Santiago. Quando pensou que já estava preparado para alçar sua própria carreira solo, se utiliza da mesma tática dos outros: diz ter recebido uma "revelação especial" para abrir seu próprio ministério (como se já não tivessem tantos), como se as suas igrejas fossem as únicas representantes de Cristo na Terra. Não admitem isso obviamente, mas lutam com todas as forças para atraírem membros de outras igrejas para sua grei. Dizem que a "mão de Deus está aqui" ou levam em seus "altares" testemunhos de pessoas que peregrinaram por várias denominações e só encontraram a verdadeira paz espiritual em seus ministérios. Como um empresário, Duque fez um investimento na certeza de lucro garantido. Ele conhece as fórmulas e "macetes" para tirar o máximo daqueles que chegam desesperados e moribundos em suas igrejas, buscando o reino do homem e suas riquezas e curas somente físicas, mas não a cura da alma. Por que ser um pastor subordinado a uma "bispo" ou um "apóstolo" se ele mesmo pode ter sua própria igreja?

3) "A pregação da Bíblia é quase inexistente. Invariavelmente, o pastor apresenta um “milagre” e, na sequência, pede dinheiro ostensivamente."

   Outro ponto importante levantado pela autora. A pregação e o ensino da Palavra são indispensáveis para o crescimento e edificação do corpo de Cristo. Se você priva sua Igreja disto, produzirá apenas crentes egoístas e hedonistas que sempre irão querer ver e receber mais e mais, sem buscarem verdadeiramente o mais importante: O Reino de Deus e a sua justiça (Mt. 6.33)

      A autora da matéria, além de separar esses movimentos das igrejas sérias, convida teólogos idôneos e gabaritados para darem suas opiniões sobre a reportagem. Um deles é o Dr. Rodrigo Franklin de Sousa, professor de pós-graduação em ciências da religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Outro convidado é Paulo Romeiro, doutor em ciências da religião, pastor da Igreja Cristã da Trindade e autor da obra SuperCrentes, Evangélicos em Crise e Decepcionados com a Graça, todos publicados pela Editora Mundo Cristão. Completando o tríduo, temos o teólogo João Flávio Martinez, presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas. 

       Quero deixar claro, que a intenção do presente artigo não é fazer uma crítica ao ministério nem a pessoa de Agenor Duque. Porém, demonstrar como esse movimento, da qual ele também faz parte, tem escandalizado a verdadeira Igreja e até os que estão de fora. E não falo isso sem conhecimento de causa. Quem quiser comprovar isso, é só ligar no canal RBI e assistir horas de espetáculo e distorção da Palavra de Deus ou acessar inúmeros vídeos no Youtube como esse, esse e esse para comprovar. 

Maranata!

Paz do Senhor à todos que amam a Palavra de Deus.

Prof. Saulo Nogueira

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Livros que não podemos deixar de ler: A História dos Hebreus, de Flávio Josefo

        
          Um clássico da história universal. Depois da Bíblia, a maior fonte de informação sobre o povo Judeu. Obra magnífica, indispensável para aqueles que buscam conhecer a história do povo de Deus e o cuidado de Deus com Seu povo. Na grande obra História dos Hebreus, o autor Flávio Josefo apresenta detalhadamente os principais acontecimentos históricos judaicos e romanos.   

        "Para os grandes estudantes da Bíblia, encontrará em Flávio Josefo descrições minuciosas de personagens do Novo Testamento (Evangelhos e Atos), como: Herodes, Pilatos,  os Agripas, Tiago, irmão de Jesus e líder da Igreja em Jerusalém e, o próprio Jesus, e centenas de outros pormenores do mundo greco-romano. Com todos os recursos disponíveis nesta obra de Flávio Josefo, o livro História dos Hebreus torna, depois da bíblia, a maior fonte de informações sobre o povo Hebreu."

       "A autor Flavio Josefo foi um brilhante historiador judeu que viveu durante os anos 37 e 103 D.C. Sua mãe era descendente da casa real hasmoneana e o seu pai, foi sacerdote. Teve uma cultura de origem judaica com fluência no grego e no latim. Com enorme zelo religioso, foi filiado ao grupo dos fariseus. Durante toda sua vida, Roma teve o domínio de seu povo. Nos anos 60 D.C irrompeu a revolta dos judeus contra os romanos. Flávio Josefo foi o escolhido para organizar operações contra o inimigo na turbulenta Galiléia. Conquistou algumas vitórias, mas, foi derrotado pelo exercito de Tito. Ao final da guerra, foi enviado à capital do Império, onde conseguiu a cidadania romana, época em que lhe foi dado o nome de Flavio. Em Roma, obteve uma pensão do Estado e viveu até o fim de sua vida, escrevendo a obra: História dos Hebreus, que atravessaria os séculos e chegaria até nós."

Esta obra tem a seguinte apresentação dos escritos de Josefo:

1ª parte - Antiguidades Judaicas
2ª parte - Guerra dos Judeus Contra os Romanos
3ª parte - Resposta de Flávio Josefo a Ápio

       Vale a pena adquirir essa obra, como complemento do nosso entendimento sobre a história do Judeus, o contexto econômico e político do Impérios Romano e o grande zelo e cuidado de Deus pelo Seu povo.

Editora: CPAD

Paz do Senhor à todos.
Prof. Saulo Nogueira


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Água escondida debaixo da terra cobriria todo o planeta

      O volume total de água armazenada no subsolo do planeta é estimado em 23 milhões de km³. Seria o suficiente para cobrir toda a superfície da Terra com uma camada de 180 metros de profundidade.
     Essa foi a conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores canadenses e publicado na revista científica Nature GeoscienceMas apenas 6% dessa água é própria para consumo humano. Isso porque a chamada água "moderna" presente no subsolo está próxima da superfície e pode ser extraída ou usada para complementar recursos localizados acima do solo, em rios e lagos.
"Esta é a água que é renovada mais rapidamente ─ na escala de vida humana", explicou Tom Gleeson, da Universidade de Victoria, no Canadá, responsável pelo estudo.
"Ao mesmo tempo, é a mais sensível a mudanças climáticas e contaminação humana. Trata-se, portanto, de um recurso vital que precisa ser melhor gerenciado."
       Para quantificar a água armazenada nos dois primeiros quilômetros da superfície da Terra, Gleeson e sua equipe combinaram extensas bases de dados e modelos computacionais. Foram analisados, entre outros fatores, a permeabilidade de rochas e do solo, sua porosidade e características dos lençóis freáticos. A chave para determinar a idade de toda a água armazenada foram medições feitas com trítio, uma forma radioativa de hidrogênio que surgiu na atmosfera há 50 anos como resultado de testes de bombas termonucleares. A partir desse elemento químico, os cientistas puderam identificar toda a chuva que chegou ao subsolo desde então.
       O mapa abaixo mostra a distribuição da água moderna presente no subsolo ao redor do mundo. As manchas em azul escuro mostram onde ela é renovada rapidamente. Em tom mais claro, a água mais antiga, que em sua maioria está estagnada e não pode ser renovada.
       "As características dessa água antiga variam muito", disse Gleeson à BBC News. "Em alguns lugares, é muito profunda. Em outros, não. Em muitos lugares, ela é de má qualidade e pode ser mais salina que a água do mar, além de ter metais e outros componentes químicos dissolvidos nela e que teriam de ser tratada antes de se tornar potável ou usada na agricultura."
      Isso torna ainda mais importante as reservas modernas e a necessidade de administrá-las de forma sustentável, alertam os cientistas. O estudo destaca ainda como elas estão distribuídas de forma desigual no planeta. O próximo passo, afirmou Gleeson, é determinar o ritmo com que algumas reservas estão sendo consumidas.
      "Essa visão global da água no subsolo irá conscientizar de que nossas reservas mais recentes no subsolo, aquelas que são mais sensíveis a mudanças ambientais e provocadas pelo homem, são finitas", disse Ying Fan, da Rutgers University, nos Estados Unidos.
O mapa acima mostra a distribuição da água moderna presente no subsolo ao
redor do mundo. As manchas em azul escuro mostram onde ela é renovada rapidamente.
Em tom mais claro, a água mais antiga, que em sua maioria está estagnada e não pode ser renovada.
Nota do Blog: No dia em que Noé completou seiscentos anos, um mês e dezessete dias, nesse mesmo dia todas as fontes das grandes profundezas jorraram, e as comportas do céu se abriram” (Gênesis 7:11)
Prof. Saulo Nogueira

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Embriologia e design inteligente (parte 2)

           
            Gastrulação

O chamado período embrionário em sentido restrito, que sucede imediatamente ao período do embrião pré-implantatório, se inicia na terceira semana após a concepção e se estende até o final da oitava semana. Ao término desse período, todos os órgãos e os tecidos do corpo humano já possuem uma estrutura rudimentar e o desenvolvimento do trofoblasto, com a troca de nutrientes e outras substâncias entre as circulações materna e embrionária, garante a formação total das várias estruturas de apoio, entre elas, a placenta e o âmnio. A placenta, com o seu desenvolvimento completo após quatro semanas a contar da concepção, serve de fígado, pulmões e rins para o embrião e para o feto.

O evento mais característico durante a terceira semana de gestação é a gastrulação, processo que estabelece os três folhetos germinativos (ectoderma, mesoderma e endoderma) no embrião. Esse é um dos processos mais fascinantes dentro do período gestacional, pois segundo Keith Moore, “é o processo formativo pelo qual as três camadas germinativas, que são precursoras de todos os tecidos embrionários, e a orientação axial são estabelecidas”. Dessa forma, será neste período que o disco embrionário bilaminar transformar-se-á em um disco embrionário trilaminar, ocorrendo inúmera mudanças morfológicas, rearranjo movimentos das células e mudanças nas propriedades adesivas, contribuindo para o processo de gastrulação. Neste período, o embrião também pode ser chamado de gástrula. 

A gastrulação começa pela formação da linha primitiva na superfície do epiblasto. Inicialmente a linha é mal definida, mas num embrião de 15 a 16 dias ela é bem visível como um sulco estreito, com regiões discretamente salientes de cada lado. A extremidade cefálica da linha, o nó primitivo, conhecido como nó de Hansen, consiste em uma área discretamente elevada circuncidando a fosseta primitiva. Logo em seguida, as células do epiblasto migram em direção à linha primitiva tomando a forma de um frasco, desprendendo-se do epiblasto e passam sobre o mesmo. Este movimento internamente dirigido é denominado invaginação. Uma vez invaginadas as células, algumas delas deslocam o hipoblasto (ou endoblasto), contribuindo para a sua diferenciação em endoderma, enquanto outras situam-se entre o epiblasto e o recém originado endoderma, formando o mesoderma. As células remanescentes no epiblasto formam então, por diferenciação, o ectoderma. Por meio da gastrulação, portanto, deduz-se que o epiblasto é responsável pela origem de todos os folhetos germinativos e que as células destes folhetos darão origem a todos os tecidos e órgão no embrião. Essas diferenciações das células dos folhetos germinativos darão origem as estruturas de acordo com o esboço a seguir:

Ectoderma:
- Epiderme e anexos cutâneos (pelos e glândulas mucosas);
- Todas as estruturas do sistema nervoso (encéfalo, nervos, gânglios nervosos e medula espinhal);
- Epitélio de revestimento das cavidades nasais, bucal e anal.

Mesoderma:
- Forma a camada interna da pele (derme).
 - Músculos lisos e esqueléticos;
- Sistema circulatório (coração, vasos sanguíneos, tecido linfático, tecido conjuntivo);
- Sistema esquelético (ossos e cartilagem);
- Sistema excretor e reprodutor (órgãos genitais, rins, uretra, bexiga e gônadas).

Endoderma:
- Epitélio de revestimento e glândulas do trato digestivo, com exceção da cavidade oral e anal;
- Sistema respiratório (pulmão);
- Fígado e pâncreas.



FORMAÇÃO DA NOTOCORDA

Ainda no começo da terceira semana, o nó primitivo produz células mesenquimais que formam o processo notocordal. Enquanto o hipoblasto (endoblasto) é substituído por células endodérmicas movendo-se para a linha primitiva, as células da placa notocordal proliferam e se destacam do endoderma. Elas formam então um sólido cordão de células, o notocórdio definitivo, subjacente ao tubo neural e que serve como base para o esqueleto axial. Como o alongamento do notocórdio é um processo dinâmico, a extremidade cefálica se forma primeiro e as regiões caudais são adicionadas quando a linha primitiva assume uma posição mais caudal. As células do notocórdio se estendem cefalicamente, a partir do nó- primitivo, como um bastão de células entre o ectoderma e o endoderma. A fosseta primitiva penetra no processo notocordal para formar o canal notocordal. Quando totalmente formado, o processo notocordal vai do nó primitivo à placa procordal. Surgem aberturas no soalho do canal notocordal que logo coalescem, deixando uma placa notocordal. A placa notocordal dobra-se para formar a notocorda:

-  A notocorda define o eixo primitivo do embrião dando-lhe uma certa rigidez;
- Fornece os sinais necessários para o desenvolvimento do embrião axial (ossos da cabeça e da coluna vertebral) e do sistema nervoso central;
- Contribui na formação dos discos intervertebrais.




FORMAÇÃO DO TUBO NEURAL

A placa neural aparece como um espessamento na linha média do ectoderma embrionário, em posição cefálica ao nó primitivo. Nessa fase começa a formação do primórdio do sistema nervoso central. O desenvolvimento da placa neural e o seu dobramento para formar o tubo neural é chamado neurulação. A placa neural é induzida a formar-se pelo desenvolvimento da notocorda e do mesênquima que lhe é adjacente. Um sulco neural, longitudinal forma-se na placa neural; o sulco neural é flanqueado pelas pregas neurais, que se juntam e se fundem para originarem o tubo neural. Estes processos, que se iniciam na terceira semana após a concepção, estão concluídos pelo fim da quarta semana, quando se fecham as aberturas nas extremidades cefálica e caudal do tubo neural, denominadas neuroporos rostral e caudal. Interessa ressaltar que, devido às pregas neurais, o disco embrionário trilaminar assume ao longo da quarta semana após a concepção uma forma ligeiramente curvada no plano mediano. Nessa etapa do desenvolvimento embrionário, o coração, que produz uma grande proeminência ventral, bombeia um filete de sangue recém-formado através de vasos ínfimos. 

     O dobramento do embrião também se dá no plano horizontal e produz as pregas laterais direita e esquerda. No entanto, a velocidade de crescimento lateral do embrião não acompanha a do crescimento do eixo longitudinal. Daí porque, ao final da quarta semana após a concepção, a cauda atenuada do embrião é-lhe um traço característico, sendo reconhecíveis, antes ainda, os brotos dos membros superiores, por primeiro, e dos membros inferiores, na sequência. Ainda durante o dobramento nos planos mediano e horizontal, convertendo o disco embrionário trilaminar em um cilindro em forma de "c", ocorre um evento importante: parte do saco vitelino é incorporada pelo embrião e origina o intestino primitivo, do qual derivam o epitélio da traqueia, dos brônquios, dos pulmões e do trato digestivo. É importante pontuar que o saco vitelino, desempenha um papel essencial na transferência de nutrientes para o embrião durante a quarta e a quinta semanas após a concepção, período em que a circulação uteroplacentária ainda está se formando.

      Cabe uma pergunta aqui: como esses processos seriam realizados perfeitamente, visto que, segundo a concepção evolucionista se deram por um processo cego e ao acaso? Será que todas essas estruturas evoluíram simultaneamente, para conferir nutrição adequada ao embrião, possibilitando seu desenvolvimento? Ou será que essas estruturas já foram criadas com esse propósito, por um design, que desde o início “programou” nosso DNA para que, através dessa “programação” todas essas estruturas trabalhassem perfeitamente? De onde veio essa informação. Existe uma lei da informação que diz que nenhum processo natural pode produzir informação inteligente e que informação inteligente somente pode ser produzida por um intelecto.  Mediante as evidências e a extrema complexidade desses eventos, cremos num design inteligente, autor da vida e não em processos cegos e aleatórios que visam produzir o caos e não a ordem.

FORMAÇÃO DOS SOMITOS

O mesoderma de cada lado da notocorda se espessa para formar as colunas longitudinais do mesoderma paraxial. A divisão dessas colunas mesodérmicas paraxiais em pares de somitos começa cefalicamente, no final da terceira semana. Os somitos são agregados compactos de células mesenquimais, de onde migram células que darão origem às vértebras, costelas e musculatura axial.

FORMAÇÃO DO CELOMA

O celoma intra-embrionário surge como espaços isolados no mesoderma lateral e no mesoderma cardiogênico. Estes espaços celômicos coalescem em seguida para formarem uma cavidade única em forma de ferradura, que, no final, dará origem às cavidades corporais (e.g.,a cavidade peritoneal). Nesse primeiro mês de vida o embrião sofrerá várias transformações maravilhosas, a maior mudança no desenvolvimento de uma vida. As centenas de células se transformam em milhares e, juntos, tornam-se 10 mil vezes maior que o aglomerado de células inicial. A maravilha de tudo isso é que essas inúmeras células se organizam em um corpo humano, com o início de todos os seus componentes perfeitamente especializados, todos em seus lugares certos e alguns já praticam suas funções.

Durante a quinta semana após a concepção, o aumento da cabeça excede o de outras regiões do corpo do embrião, causado principalmente pelo desenvolvimento do encéfalo, e os membros superiores começam a exibir alguma diferenciação local. Ao longo da sexta semana, os membros superiores do embrião mostram uma rápida diferenciação em relação aos membros inferiores. Nessa etapa, a cabeça do embrião é muito maior em relação ao seu tronco e se apresenta mais curvada sobre a saliência cardíaca. Na penúltima semana do período embrionário, todos os órgãos e todos os tecidos de um ser humano adulto já estão esboçados em miniatura e em franco funcionamento, destacando-se, no processo morfogenético, os membros superiores e os membros inferiores, que passam, então, por significativa transformação, como a formação dos dedos. Se na sexta semana após a concepção o embrião já mede 8 milímetros de comprimento, na sétima semana o seu comprimento é quase duplicado: 15 milímetros. A partir daí o que se presencia no embrião é um aumento de tamanho e de peso, uma mudança nas proporções e o aprimoramento da estrutura e das funções.

 Muitos órgãos e sistemas orgânicos importantes são formados durante o período que vai da terceira à oitava semana. Este período é crítico para o desenvolvimento normal, designado como período da organogênese. É nesse período que são induzidos muitos defeitos estruturais, influenciados na maioria das vezes por fatores externos, como fumo, álcool e medicamentos. Uma mãe que leva uma vida desregrada  pode causar danos irreversíveis ao seu bebê!

 É oportuno ressaltar que, se no início da última semana do período embrionário ainda permanece visível no embrião a cauda grossa e curta que se formara na quarta semana após a concepção, ao seu final ela desaparece por completo, formando o cóccix. Os evolucionistas se referem ao cóccix como um suposto traço vestigial de nossa descendência dos ancestrais que tinham cauda, porém pesquisas mais recentes refutaram essa argumentação como pode ser lido nessa postagem

No terceiro artigo, entraremos no período fetal e falaremos um pouco sobre os processos envolvidos nessa fase. 

A primeira fase pode ser vista aqui.

Prof. Saulo Nogueira.

Colaborou nesse artigo: Everton Fernando Alves - Enfermeiro - Mestre em Ciências da Saúde pela UEM.

                              
Referências:

Sadler, TW. Langman Fundamentos de embriologia médica. Rio de Janeiro (RJ): Guanabara Koogan; 2007.

MOORE, Keith L. Embriologia básica. Tradução de Fernando Simão Vugman. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 1991.

Geraldine Lux Flanagan, A Vida Começa. Nova York: DK, 1996.

SILVA, Reinaldo Pereira. Reflexões éticas sobre o estatuto da Vida: Uma abordagem político-jurídica da concepção humana (Tese apresentada ao curso de pós-graduação em direito para a obtenção do título de Doutor em Direito)

Departamento de Histologia e Embriologia da Universidade Federal de Pernambuco.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Se Jesus é Deus, por que Ele diz que o Pai é maior que Ele?


     Conforme prometido nesse artigo, onde eu disse que em postagens posteriores eu faria uma refutação aos argumentos dos muçulmanos, que negam a divindade de Cristo. Não somente adeptos do Islã, mas também Testemunhas de Jeová, Espiritas ou os modernos adeptos do Arianismo, se utilizam de alguns versículos bíblicos para tentarem argumentar que Jesus não se considerava igual com o Pai. Um desses versículos, que analisaremos agora, se encontra em João 14.28, onde Jesus diz o seguinte:
 "Se vocês me amassem, ficariam contentes porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu". 
      A Trindade é definida no Breve Catecismo de Westminster (n.° 6) como segue: "Há três pessoas na Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; esses três são o único Deus, e cada um o mesmo em substância, igual em poder e glória". Como, pois, então pode o Filho afirmar que o Pai é maior (meizon) do que ele?

     A resposta à essa afirmação se encontra no próprio contexto. Jesus está falando aqui, não de sua natureza divina, mas da humana, como Filho do homem. Cristo veio para sofrer e morrer, não como Deus, que não pode padecer, mas como o segundo Adão, nascido de Maria. Só como ser humano poderia Jesus servir como o Messias, ou Cristo (o Ungido). A menos que tivesse uma natureza humana verdadeira, genuína, jamais poderia ter representado os descendentes de Adão e levar sobre si os nossos pecados na cruz. Por isso, como Filho do homem, é certo que ele era inferior a Deus, o Pai. Isaías 52.13-53 esclarece a questão: Jesus só poderia ser nosso Salvador ao tornar-se o Servo de Iavé que, por definição, jamais pode ser tão grande como seu senhor. Mas o que envolve sua transformação num servo? Um estado de sujeição a qual a pessoa é levada a prestar obediência. Daí decorre que Jesus só entraria na presença do Pai, que é maior em dignidade e posição do que o Filho do homem, como o Redentor que venceu a morte. Filipenses 2.5-11 nos esclarece esse espírito voluntário de Cristo:

"Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz."
    Todavia, como Deus, o Filho, à parte a encarnação, as Escrituras nunca sugerem a existência de algum contraste em glória, entre o Pai e o Filho. As seguintes passagens deixam esse ponto claríssimo:
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." (João 1.1);
 "Respondeu-lhe Jesus: Há tanto tempo que estou convosco, e ainda não me conheces, Felipe? Quem me viu a mim, viu o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? (Jo. 14.9) 
"Pois a qual dos anjos Deus alguma vez disse: "Tu és meu Filho; eu hoje te gerei"? E outra vez: "Eu serei seu Pai, e ele será meu Filho"? E ainda, quando Deus introduz o Primogênito no mundo, diz: "Todos os anjos de Deus o adorem". Quanto aos anjos, ele diz: "Ele faz dos seus anjos ventos, e dos seus servos, clarões reluzentes". Mas a respeito do Filho, diz: "O teu trono, ó Deus, subsiste para todo o sempre; cetro de equidade é o cetro do teu Reino. (Hebreus 1:5-8) 
"(...) de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas, Deus bendito eternamente. Amém. (Rm. 9.5)
"Esforço-me para que eles sejam fortalecidos em seus corações, estejam unidos em amor e alcancem toda a riqueza do pleno entendimento, a fim de conhecerem plenamente o mistério de Deus, a saber, Cristo." (Colossenses 2.2);
"(...) enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. (Tito 2.13); 
"Sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que conheçamos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna." (1 João 5.20)
(cf. também Isaías 9.6 (afirma que Emanuel, nascido da virgem também é Deus forte — ’el gibbôr).[2] (ver também: Jo 8.58; 10.30; 17.5) 
       Não nos resta dúvida que essa aparente inferioridade de Jesus em relação ao Pai fica claramente explicada quando entendemos a necessidade de Sua encarnação como homem para morrer pelos nossos pecados.

Paz do  Senhor à todos 

Prof. Saulo Nogueira

Referência Bibliográficas:

ARCHER, Gleason L. Enciclopédia de Temas Bíblicos. 2ª edição - São Paulo : Editora Vida, 2001

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Embriologia e o design inteligente (parte 1)

(Espermatozoide fecundando o óvulo. Ilustração: koya979 / Shutterstock.com)
A notícia chegou de uma forma meio inusitada. Minha esposa e eu, após cinco anos, decidimos que já estava na hora de termos outro bebê. Agora que a nossa filha mais velha já tem mais autonomia e liberdade para fazer certos tipos de coisas, resolvemos dá à ela um irmãozinho(a). Minha esposa parou de tomar o anticoncepcional e, mais ou menos 40 dias depois fomos à médica para que ela passasse os exames necessários para sabermos se estava tudo bem. Mas para nossa surpresa, minha esposa já estava grávida de seis semanas. Pelas contas, ela teria engravidado já na primeira semana após a última menstruação. Já no primeiro ultrassom, foi possível ver o “saco vitelino” e aquele pequeno ser nas suas primeiras fases de desenvolvimento embrionário. Aproveitando a oportunidade, tive a ideia de fazer algumas postagens analisando a complexidade de cada fase de gestação, a interação mamãe-bebê e os processos de desenvolvimento semanalmente, demonstrando e extrema complexidade da gestação e a impossibilidade de uma explicação naturalista.

Fecundação

Após o ato sexual, milhões de espermatozoides “nadam” em direção ao útero. Essas células reprodutoras são produzidas nos testículos, que são verdadeiros mestres da produção em massa, cuspindo espermatozoides a uma taxa de 200 milhões por dia, numa prefeita linha de montagem. [1] Assim que o espermatozoide entra em contato com o corpo da mulher, começa toda a “magia”. A vagina é revestida por epitélio estratificado pavimentoso, cujas células produzem glicogênio usado para fermentação pelos Lactobacillus acidophilus (bacilos de Döderlein), liberando ácido lático. Isso confere ao meio vaginal um pH ácido, que impede a proliferação da maioria dos micro-organismos patogênicos. Acontece que o pH do sêmen está entre 7,0 e 8,3 e ao entrar em contato com a vagina, ocorreria a morte instantânea dos gametas. Com o pH alcalino do sêmen, o pH da vagina passa, em 10 segundos, de 3,5 para 7,2, permitindo a sobrevivência dos espermatozoides [2]. Essa mudança é indispensável para que os espermatozoides não morram ao entrar em contato com a mucosa vaginal. Isso ocorre, porque os espermatozoides são depositados durante a ejaculação no meio vaginal, protegidos pelo líquido seminal e não isolados. O líquido seminal, inicialmente “coagulado” é lentamente diluído pela acidez vaginal e seus componentes alcalinos funcionam como um tampão. Ao líquido seminal se associa a ação alcalinizante (básica, oposto de ácido) das secreções vaginais que surgem durante a excitação sexual, bloqueando a acidez vaginal em segundos e mantendo o pH adequado à sobrevida espermática por entre 6 e 16 horas [3]. O interessante é que se não ocorresse essa mudança de pH a nova vida já seria eliminada logo no início.

Dos cerca de 300 milhões de espermatozoides eliminados na ejaculação, apenas cerca de 300 atingem a tuba uterina, e somente um fecunda o Ovócito.  A ovulação ocorre através da pressão exercida pelo folículo maduro na superfície do ovário fazendo com que se inicie uma isquemia o que contribui para o enfraquecimento dos tecidos, facilitando a saída do ovócito. Esse ovócito, se desprende do ovário e segue em direção ao útero, impulsionado pelas contrações da tuba uterina e pelos movimentos ciliares do seu epitélio. A presença do ovócito é fundamental na aquisição, antes da fertilização, de propriedades funcionais por parte do espermatozoide, e também imprescindível para a ativação do metabolismo celular do ovócito, o qual será encarregado de conduzir o desenvolvimento durante os primeiros momentos após a fecundação. Como resultado da fecundação, dois padrões serão definidos em princípio: o complemento cromossômico diploide (2n) e o sexo cromossômico (XX, fêmea, e XY, macho). Os espermatozoides só conseguem encontrar o ovócito porque são atraídos por uma substância liberada pelas células foliculares. [4]

Quando o espermatozoide encontra com o ovócito, ele se depara com uma grande “barreira” que impede que ele penetre no óvulo: a corona radiata, um grupo de células foliculares que envolvem o ovócito. Acredita-se que a enzima hialuronidase, liberada do acrossoma do espermatozoide, é responsável pela dispersão das células foliculares da corona radiata. Mas não é só isso que facilita a passagem:  os movimentos da cauda do espermatozoide junto às enzimas da mucosa tubária também contribuem bastante. Além de estruturas semelhantes a “arpões”, pequenos filamentos que existem para ajudar o espermatozoide a se fixar na parede do óvulo e fecundá-lo. [5] Algumas das glicoproteínas presentes nesta zona são receptores específicos da espécie no momento da fertilização. Ou seja, somente espermatozoide humano consegue fecundar óvulo humano.

Após passar pela corona radiata e ao atingir a zona pelúcida, o espermatozoide sofre alterações formando a membrana de fecundação, que impede a penetração de outros espermatozoides no ovócito [6]. Ou seja, somente um consegue atingir seu objetivo. Isso ocorre devido à uma reação química que causa um bloqueio à polispermia.




O óvulo humano normalmente é fertilizado na ampola da tuba uterina e sua segmentação ocorre à medida que ele se desloca passivamente na direção do útero. Após a entrada do espermatozoide, o ovócito secundário termina sua divisão meiótica, formando um óvulo maduro. Começa então uma complexa sequência de eventos moleculares coordenados que se inicia com o contato entre um espermatozoide e um ovócito e termina com a mistura dos cromossomos maternos e paternos, resultando no zigoto, um embrião unicelular. 

      Todo esse processo dura cerca de 24 horas. Já nesse início de formação, as interações devem ser perfeitas, pois quaisquer alterações ocorridas em qualquer estágio dessa sequência, podem causar a morte do zigoto. Esse zigoto, (com 46 cromossomos) é formado da união das duas células. Seus núcleos perdem as membranas e se fundem, dando origem ao início da vida humana. Após a formação do zigoto, começa o processo de sucessivas divisões mitóticas, que resultam em um rápido aumento de células. O zigoto primeiramente se divide em duas células, chamadas de blastômeros, e estes se dividem em quatro blastômeros, estes quatro se dividem em oito e assim sucessivamente. Estas divisões ocorrem enquanto o zigoto atravessa a tuba uterina, em direção ao útero, e geralmente iniciam 30 horas após a fertilização. As repetidas divisões formam uma esfera compacta de células, denominada mórula.

Aproximadamente quatro dias após a fertilização, a mórula penetra no útero e, nesse estágio, surgem espaços entre os blastômeros que são preenchidos por líquidos provenientes da cavidade uterina. Com o aumento de líquido, as células são divididas em duas camadas, uma camada interna (ou embrioblasto) e uma camada externa (ou trofoblasto). Logo os espaços se fundem, e dão origem a uma só cavidade, denominada cavidade blastocística. A partir deste momento, o concepto passa a ser chamado de blastocisto.

O blastocisto permanece livre na cavidade uterina por apenas um ou dois dias, após os quais ele se implantará na parede do útero por ser envolvido pela secreção das glândulas endometriais. Na fase de blastocisto, a zona pelúcida se desfaz, permitindo que as células do trofoblasto, que têm o poder de invadir as mucosas, entrem em contato direto com o endométrio, ao qual se aderem. Ele emite substâncias químicas que debilitam o sistema imunológico da mulher dentro do útero para que este pequeno corpo estranho não seja rejeitado pelo corpo da mãe. Na realidade, é a existência de uma intensa comunicação materno-embrionária que, ao conduzir ao aumento da produção de progesterona na mãe para garantir a manutenção da gestação, também impede a rejeição do blastocisto no exato momento da nidação. Após a nidação, começa a multiplicação intensa das células do trofoblasto que vão assegurar a nutrição do embrião à custa do endométrio. 

As células do trofoblasto produzem enzimas que digerem localmente o endométrio, onde ele se fixa promovendo a implantação ou nidação do embrião no interior da mucosa uterina. A implantação inicia-se por volta do sexto dia e, aproximadamente no nono dia após a fertilização, o embrião se encontra totalmente mergulhado no endométrio, do qual receberá proteção e nutrição até o fim da gravidez [7].

Por volta do décimo dia, estágio em que o embrião já está totalmente implantado no endométrio surge uma grande cavidade envolvendo o âmnio e o saco vitelino primitivo, denominada celoma extraembrionário. O saco vitelino primitivo diminui de tamanho, e surge o saco vitelino secundário, que desempenha importante papel na transferência seletiva do líquido nutritivo para o disco embrionário. Por volta do 14° dia, o embrião ainda apresenta a forma de um disco bi laminar, e células hipoblásticas, formam uma área espessa circular, denominada placa pré-cordal, que indica o futuro local da boca, a região cranial do embrião. Enquanto todo esse processo está ocorrendo dentro do corpo da mãe, provavelmente ela ainda nem saiba que dentro do seu útero já está sendo formado um novo ser.

Esses são os primeiros dias gestacionais, marcado por reações químicas e interações que necessitam de uma interdependência mútua e perfeita. A complexidade irredutível de cada uma dessas fases, faz nos pensar como seria possível que todos esses processos fossem resultado de uma evolução cega e ao acaso. Até que esses mecanismos bioquímicos evoluíssem, como os seres humanos sobreviveram? Para que a evolução fosse crível, todas essas interações teriam que ter evoluído simultaneamente, de forma que a transição ainda fosse funcional. Por isso que eu não tenho fé para ser evolucionista, pois diante de nós está uma das mais marcantes provas de um designer inteligente.

 Na próxima postagem, daremos continuidade a essa maravilhosa viagem pelos processos gestacionais e a demonstração da perfeição e da complexidade de todo o processo, onde falaremos um pouco sobre a gastrulação e o início da morfogênese.

Prof. Saulo Nogueira

Colaborou nesse artigo: Everton Fernando Alves - Enfermeiro - Mestre em Ciências da Saúde pela UEM. 


Esse vídeo resume muito bem essa primeira fase: