quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Qual é a explicação para o dia prolongado de Josué 10.12-14?

“No dia em que o Senhor entregou os amorreus aos israelitas, Josué exclamou ao Senhor, na presença de Israel: "Sol, pare sobre Gibeom! E você, ó lua, sobre o vale de Aijalom!" O sol parou, e a lua se deteve, até a nação vingar-se dos seus inimigos, como está escrito no Livro de Jasar. O sol parou no meio do céu e por quase um dia inteiro não se pôs. Nunca antes nem depois houve um dia como aquele, quando o Senhor atendeu a um homem. Sem dúvida o Senhor lutava por Israel! ” (Josué 10:12-14)(NVI)

     Um dos milagres mais comentados e discutidos da Bíblia é o que se refere a um dia prolongado no Livro de Josué, corrido na batalha de Gibeom. Tem-se objetado que, se de fato a Terra houvesse parado de girar por 24 horas, uma catástrofe inconcebível teria esmagado o planeta e tudo que estivesse em sua superfície. Para os que creem na onipotência de Deus de modo nenhum concordam com a ideia de que O SENHOR não teria impedido a tragédia; suspendendo temporariamente as leis físicas que provocariam o desastre. No entanto, com base no próprio texto hebraico, não nos parece necessário crer que a Terra subitamente tenha parado, deixando de executar o movimento de rotação sobre si mesma. Assim diz o versículo 13: "O sol parou no meio do céu e por quase um dia inteiro não se pôs". A frase "não se apressou" (RA) parece indicar um retardamento do movimento solar (ou seja, da rotação da Terra). Em vez de 24 horas, o dia teria tido quase 48 horas.[1] 

     Há apoio para essa ideia: pesquisas trouxeram à luz relatos de fontes egípcias, chinesas e hindus a respeito de um dia muito longo. Harry Rimmer relata que alguns cientistas astrônomos chegaram à conclusão de que está faltando um dia inteiro no cálculo astronômico. Declara Rimmer que alguns cientistas do Observatório de Harvard traçaram a origem desse dia que falta aos tempos de Josué. De semelhante modo se pronuncia Totten, de Yale [2].

      Outra possibilidade de interpretação decorre de um entendimento um tanto diferente da palavra dôm (traduzida por KJV por "mantém-te quieto"). É vocábulo que normalmente se traduz por "estar em silêncio", "cessar" ou "partir". E. W. Maunders, de Greenwich e Robert Dick Wilson, de Princeton, interpretaram a oração de Josué como petição no sentido de o Sol cessar de derramar seu calor sobre suas tropas em batalha, de tal modo que pudessem prosseguir lutando sob condições mais favoráveis. A tempestade destruidora, de granizo, que acompanhou a batalha, dá alguma credibilidade a essa opinião, a qual tem sido defendida por homens de inquestionável ortodoxia. No entanto, é preciso que se admita que o versículo 13 parece favorecer o prolongamento do dia: "O sol parou, e a lua se deteve, [...] O sol parou no meio do céu e por quase um dia inteiro não se pôs" (ARA).

     Keil e Delitzsch (Joshua, Judges, Ruth, p. 110) sugerem que ocorreu um prolongamento miraculoso do dia, de modo que apenas apareceu a Josué e a todo o Israel que ele se prolongou de fato. O exército conseguiu fazer em um dia o trabalho de dois. Teria sido difícil para eles dizer se a Terra estava girando à velocidade normal se a rotação fosse o único critério para a medida do tempo. Eles acrescentam outra possibilidade: Deus poderia ter produzido um prolongamento da luz solar, tendo prosseguido a visibilidade após a hora normal do crepúsculo, mediante uma refração especial dos raios solares.

          Samuel Schultz [3] parece concordar com essa opinião. Em sua obra "A História de Israel no Antigo Testamento" ele diz:
"(...) E também aos israelitas foi dado um longo dia para que perseguissem seu inimigo. A ambiguidade da linguagem concernente a este longo dia de Josué tem dado origem a variadas interpretações. Era esta uma linguagem poética? Solicitou Josué uma maior duração da luz do sol ou para descanso do calor do dia? [4] Se for uma linguagem poética, então somente se trata de uma chamada feita por Josué por ajuda e forças [5]. Como resultado, os israelitas foram de tão modo revigorados que o trabalho de um dia foi realizado em metade de um dia. Aceito como uma prolongação da duração da luz, isto foi um milagre no qual o sol ou a lua e a terra ficaram detidos [6]. Se o sol e a lua detiveram seus cursos regulares, pôde ter sido um milagre de refração ou uma miragem dada sobrenaturalmente, estendendo a luz do dia de forma tal que o sol e a lua pareceram ficar fora de seus cursos regulares. Isto proporcionou a Israel mais tempo para perseguir a seus inimigos [7]. A chamada de Josué em favor da ajuda divina pôde ter sido uma solicitude de alívio para que diminuísse o calor do sol, ordenando que o sol permanecesse silencioso ou mudo, quer dizer, que evitasse brilhar tanto. Em resposta, Deus enviou uma tormenta de saraiva que proporcionou tanto o alívio do calor solar como a destruição do inimigo. Os soldados, refrescados, realizaram um dia de marcha em meio dia de duração desde Gibeom até Maquedá, uma distância de uns 48 km [8], e lhes pareceu um dia completo quando em realidade só havia transcorrido meio dia. Embora o relato de Josué não nos proporcione detalhes de como aconteceu aquilo, resulta aparente que Deus interveio em nome de Israel e a liga dos amorreus foi totalmente derrotada."
      Hugh J. Blair ("Joshua", em Guthrie, New Bible commentary, p. 244) sugere que a oração de Josué teria sido pronunciada bem cedo, de manhã, visto que a luz ainda estava no Ocidente, e o Sol, no Oriente. A resposta veio na forma de uma tempestade de granizo que prolongou a escuridão e, dessa forma, facilitou o ataque de surpresa dos israelitas. Daí, na escuridão da tempestade, a derrota do inimigo foi completa. Deveríamos, pois, falar da "longa noite" de Josué, em vez de o "longo dia". Essa é, em essência, a opinião de Maunders e Wilson. Essa interpretação não pressupõe a parada do movimento de rotação da Terra em seu eixo, embora dificilmente se enquadre na declaração de Josué 10.13. Portanto, é uma interpretação de valor dúbio.

     Realmente, evento do dia prolongado não é facilmente explicado. Porém, é preciso reconhecer que Aquele que fez as leis da Natureza tem o direito de usá-las de acordo com seus objetivos.  Aquele que usou as pedras de granizo como arma de destruição contra seus inimigos também poderia usar a luz e as trevas para servirem aos seus propósitos. A soberania de Deus sobre a natureza o capacita a promover seu reino espiritual pelo uso do mundo físico. O salmista enfatizou que todo o universo visível existe para propósitos espirituais. Ele afirmou que “os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite” (Sl. 19.1,2). Também declarou que “do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl. 24.1). Josué não demonstrou hesitação ao chamar as forças do universo para ajudá-lo contra aqueles que se opunham a Deus (v.12). A declaração de que "não houve dia semelhante a este, nem antes nem depois dele" (v.14) reafirma a singularidade deste evento. Também destaca o fato de que Deus usa milagres com grande reserva. Ele evita que os homens se tornem dependentes deles. Deus insiste que devemos depender dEle próprio, que realiza os milagres. ” [9]


Prof. Saulo Nogueira

Referências:

[1] Archer, Gleason L. Enciclopédia de Temas Bíblicos - 2. ed. - São Paulo: Editora Vida, 2001. Pg. 142.

[2],[4] Para obter um sumário de vários pontos de vista, cf. Bernard Ramm. The Christian view of science and Scripture. Grand Rapids, Eerdmans, 1955. Pg. 156-161.

[3] Schultz, Samuel. História de Israel no Antigo Testamento - 2ª ed. - São Paulo: Editora Vida Nova, 2009. Pg.121-123.

[5] Para um discussão representativa, ver o artigo intitulado:"Sol", em Davis. Dicionário da Bíblia. Rio de Janeiro, Casa Publicadora Batista, 1973. Pg. 569-570.

[6] Cf. R. A. Torrey. Difficulties in the Bible, (1907, p. 53); Josefo, "Antiquities of the Jews", v. 1:17 e Eclesiástico 46.4.

[7] Cf. A. Rendle Short. Modern Discovery and the Bible. Londres, Interversity Fellowship of Evangelical Unions, 1943, p. 117, e Lowell Butler "Mirages are Light Benders", Jourmal of the American Scientific Affiliation, dezembro 1951.


[8] Cf. D. Maunder, "The Battle of Beth-Horon" The International Standard Bible Encyclopedia, I, 446-449. Ver também Robert Dick Wilson "What does the sun stood still mean?" Moody Monthly, 21:67 (outubro de 1920), interpreta as palavras traduzidas por "detém-te" como se significassem "escurece-te", com base da astronomia babilônica. Hugh J. Blair "Josué" em O Novo Comentário da Bíblia. São Paulo, Vida Nova, pg. 265, sugere que Josué fez tal petição na manhã para que a tormenta de saraiva prolongasse a escuridão.

[9] Comentário Bíblico Beacon. Josué a Ester - 4ª ed. – Rio de Janeiro: CPAD, 2012. Pg. 51

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Bebês sem mãe e a criação de uma manchete mentirosa

      Foi destaque na mídia na semana passada: um grupo de pesquisadores do Reino Unido afirmou que no futuro talvez seja possível criar embriões com dois pais e sem mãe, supostamente derrubando um “dogma científico” de quase dois séculos, segundo o qual só um óvulo em estado natural seria capaz de ativar alterações na atividade dos genes de um espermatozoide para dar origem a uma prole saudável. No experimento, realizado com camundongos, os cientistas liderados por Tony Perry, do Departamento de Biologia e Bioquímica da Universidade de Bath, no Sudoeste da Inglaterra, usaram tratamentos químicos para “enganar” óvulos e fazer com que eles começassem a se desenvolver em embriões sem ter sido fertilizados. Mas, com apenas metade do código genético necessário para formar um organismo, esses embriões haploides, conhecidos como partenotos, são inviáveis, morrendo em poucos dias. Antes disso, no entanto, os pesquisadores injetaram neles espermatozoides, fornecendo a segunda metade dos pares de cromossomos necessários para que continuassem a se desenvolver em um ser diploide.

          Parecia, finalmente, a solução para que “casais” masculinos pudessem ter filhos. Só que não. As coisas permanecerão do jeito que Deus idealizou. Nada como um dia depois do outro para a gente sentir vergonha alheia de alguns coleguinhas da imprensa.

      Segundo matéria publicada no site da revista Science, tudo não passou de espetáculo. Os cientistas não descobriram como fazer “bebês sem mãe”, nem chegaram perto de criar um embrião sem o uso de um óvulo. Diz a matéria: “Um artigo publicado na Nature Communications provocou uma enxurrada de manchetes sobre formas futuristas de contornar a fórmula básica ‘espermatozoide + óvulo = embrião’. Foram contadas histórias de pesquisadores que teriam usado uma célula da pele, por exemplo, em vez de um óvulo, para fazer um bebê, o que, segundo eles, poderia tornar possível para um casal gay ter um bebê por meio da fusão do espermatozoide de um homem com a célula da pele do outro.”

        Só que, segundo a Science, o que foi divulgado não tem nada a ver com a ideia de criar um embrião sem o uso de um óvulo. Como a maioria dos livros de biologia introdutória explica, o que faz com que espermatozoide e óvulo sejam capazes de se fundir e dar origem a um novo organismo é que cada um deles contém apenas metade dos cromossomos. O termo técnico para isso é uma célula haploide. As células da pele são definitivamente não haploides, e ninguém chegou perto de descobrir como torná-las assim.

         Além disso, o óvulo contém poderosos fatores ainda desconhecidos que lhe permitem dirigir os primeiros passos do desenvolvimento embrionário. Resumindo, os óvulos ainda são insubstituíveis e revelam tremendo design inteligente e complexidade irredutível. Os mecanismos complexos que promovem a fecundação, como a afinidade bioquímica entre as duas células germinativas totalmente diferentes, e a capacidade do óvulo de dirigir o desenvolvimento do embrião deveriam estar presentes desde a primeira vez em que um óvulo foi fecundado por um espermatozoide, do contrário, não estaríamos aqui falando sobre isso.

       A matéria da Science também dá as dicas de como tornar uma pesquisa não conclusiva em um “fato” midiático. Anote aí:

1. Crie um título cheio de jargão: “Ratos produzidos por reprogramação mitótica do esperma injetado em partenogênese haploide.” Ou algo do gênero.

2. Divulgue sua pesquisa em linguagem mais acessível e crie um título interessante: “Esperma de rato gera descendência viável sem fertilização de um óvulo.”

3. Organize uma conferência para a imprensa com os autores do paper.

4. Consiga uma citação elogiosa de um cientista bem conhecido e respeitado. Tipo:
“[É] um tour de force técnico.”

E funciona. Veja a manchete no Telegraph: “Bebês sem mãe são possíveis: como os cientistas criaram descendência viva, sem necessidade de um óvulo feminino”; e no The Guardian: “Células da pele podem ser usadas em lugar de óvulos para fazer embriões, dizem cientistas.”


      Por enquanto, para continuar existindo, a espécie humana continua dependendo da maravilhosa união entre as células germinativas de um homem e uma mulher. E fica a grande lição: não confie em tudo o que lê e vê por aí. 

Michelson Borges

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Novos estudos reforçam a tese criacionista sobre a variabilidade dos seres vivos

     Matthew Ravosa, da Universidade de Notre Dame, liderou uma equipe que publicou recentemente um artigo na Biological Reviews[1, 2] a respeito da plasticidade dos aspectos físicos de uma dada espécie. Animais submetidos a dietas diferentes possuem desenvolvimentos diferentes nos mais diversos níveis, como afirma o professor Ravosa: 
“Durante o crescimento pós-natal, mostramos que essas variações no estresse de mastigação relacionadas à dieta induzem uma cascata de mudanças nos níveis celular, de tecidos, protéicos e genéticos, de forma a manter a integridade das estruturas craniomandibulares envolvidas no processamento de alimento.”[1]
As variações induzidas nesses experimentos chegam mesmo a ser comparadas a diferenças observadas entre espécies distintas: 
“Em terceiro lugar, dada a longa duração dos experimentos, somos capazes de demonstrar que um padrão dietético iniciado ainda no período pós-natal e de duração prolongada pode resultar em níveis de variações das mandíbulas de uma única espécie em par com aquelas observadas entre espécies.”[1] 
       O professor Ravosa também chama a atenção para o tipo de dificuldade que isso traz para a interpretação dos fragmentos de ossos encontrados no registro fóssil: 
“Essas análises longitudinais mostram que os efeitos morfológicos da ‘sazonalidade’ dietética são detectados apenas em algumas regiões do crânio, o que atrapalha ainda mais nossa habilidade de reconstruir acuradamente a biologia de organismos fósseis representados por espécimes singulares e fragmentados.”[1] 
    Em outras palavras, um pesquisador corre o risco de anunciar a descoberta de uma nova espécie com base em uns poucos fragmentos de ossos, quando na verdade o que tem em mãos pode ser apenas uma variação de uma espécie já conhecida induzida pela própria alimentação. Ressalte-se que a definição de espécies é, há muito tempo, um tema controverso.

     Os criacionistas, ao contrário do que afirmam determinados livros-texto universitários,[3] não são fixistas, isto é, não defendem que as espécies que existem hoje foram criadas da forma como as conhecemos desde o início. A própria tese criacionista para o repovoamento do mundo animal após o dilúvio depende da existência de variabilidade. Alguns chamam isso de microevolução, embora existam boas razões para utilizarmos termos como diversificação de baixo nível.

     O tipo de variabilidade que normalmente é encontrado no registro fóssil, e que é invocado exaustivamente como evidencia a favor da evolução, ajusta-se melhor à ideia criacionista de variações limitadas. É comum, quando se pesquisa o argumento em fonte evolucionista, encontrarmos um cenário que coloca de um lado a proposta evolucionista, que prevê variações, e do outro uma distorcida proposta criacionista, que não prevê variações. Diante das variações observadas em experimentos e no registro fóssil, argumenta-se então que a evidência é favorável à evolução. Nada mais enganoso.

    Quando se entende que ambas as propostas preveem variações, recai sobre os evolucionistas o ônus de demonstrar as transformações que excedem essas mudanças em pequena escala, ou o que muitos chamariam de macroevolução. Nas palavras de um evolucionista sincero nesse ponto, “é possível imaginar, por extrapolação, que, se os processos em pequena escala que vimos continuassem por um período de tempo suficientemente longo, eles poderiam produzir a variedade moderna da vida”.[3] E é este o ponto que realmente deveria figurar no centro do debate: Essa extrapolação é válida? Não seriam o grande número de fraudes e interpretações equivocadas sintomas de que a extrapolação evolucionista se sustenta forçosamente, mais apoiada em uma visão de mundo do que em evidência palpável?

(Rodrigo Meneghetti Pontes - Doutor em Química pela UEM)


[1] University of Notre Dame. “Reinterpreting the fossil record on jaws.” ScienceDaily, 17 August 2016.

[2] Matthew J. Ravosa, Rachel A. Menegaz, Jeremiah E. Scott, David J. Daegling, Kevin R. McAbee. “Limitations of a morphological criterion of adaptive inference in the fossil record”. Biological Reviews, 2015; DOI: 10.1111/brv.12199

[3] Mark Ridley, Evolução, 3a Ed., Artmed, 2006, p. 67, 77.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Qual o significado do termo bíblico “dura cerviz”?

       Vários textos bíblicos, referindo-se ao povo de Israel, chama-os em várias ocasiões de povo obstinado e de “dura cerviz”, como por exemplo:

“Disse mais o Senhor a Moisés: Tenho observado este povo, e eis que é povo de dura cerviz. ” (Êxodo 32:9)

“Disse-me ainda o Senhor: Atentei para este povo, e eis que ele é povo de dura cerviz; ” (Deuteronômio 9:13)

“Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz. ” (Deuteronômio 10:16)

“Porque eu sabia que és obstinado, que a tua cerviz é um nervo de ferro, e a tua testa de bronze. ” (Isaías 48:4)

“Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; como o fizeram os vossos pais, assim também vós. ” (Atos 7:51)

Mas qual o significado desse termo? Segundo Strong, o termo em hebraico significa:

qasheh: procedente de qashah:
1) duro, cruel, severo, obstinado;
1a) duro, difícil;
1b) severo;
1c) feroz, intenso, veemente;
1d) teimoso, de dura cerviz, obstinado;
1e) rigoroso (referindo-se a batalha)

E do grego, o sentido completo seria:

Sklerotrachelos: de skleros, significando duro, difícil, bruto, rígido.
1a) de pessoas: metaforicamente difícil, inflexível, severo;
1b) de coisas: violento, bruto, ofensivo, intolerável;
1) teimoso;
2) obstinado, inflexível, cabeçudo

     Em português, cerviz é a região cervical, parte posterior do pescoço, a nuca. Pessoas de dura cerviz são aquelas que não "abaixam a cabeça", não aceitam a correção, inflexíveis, obstinadas, rebeldes. A própria NVI na sua tradução de Atos 7:51 traz:

“Povo rebelde, obstinado de coração e de ouvidos! Vocês são iguais aos seus antepassados: sempre resistem ao Espírito Santo! ” (Atos 7:51)

“Disse o Senhor a Moisés: "Tenho visto que este povo é um povo obstinado. ” (Êxodo 32:9)

      Não seja um homem ou mulher "de dura cerviz", aceite a correção do Senhor, se humilhe aos Seus pés e encontrará misericórdia.

Soli Deo Glória!

Prof. Saulo Nogueira

Referência:
Dicionário Bíblico Strong. Léxico Hebraico, Aramaico e Grego.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Por que Deus endureceu o coração de faraó?

“Disse mais o Senhor a Moisés: "Quando você voltar ao Egito, tenha o cuidado de fazer diante do faraó todas as maravilhas que concedi a você o poder de realizar. Mas eu vou endurecer o coração dele, para não deixar o povo ir. ” (Êxodo 4:21) (NVI)

     Alguns críticos que estudam essa passagem de forma isolada e superficialmente, argumentam que Deus é um tirano cruel e faz com que as pessoas obrigatoriamente lhe desobedeça, com o simples intuito de puni-las e mostrar a Sua soberania de forma despótica. Nada mais longe da verdade! Um estudo mais acurado, demonstra que, na realidade, graças à sua omnisciência, Deus conhece os sentimentos mais íntimos de todas as pessoas e todas as coisas estão nuas e patentes diante dos Seus olhos. (cf. Sl:139; Hb. 4:12-13).

       Podemos começar argumentando que, Faraó, pelo que podemos perceber por várias passagens bíblicas, não era inocente ou piedoso, mas um homem obstinado e de dura cerviz, responsável pela opressão ao povo de Israel. Além disso, o povo egípcio através do governo dos seus faraós, que se consideravam autênticos “deuses”, escravizara durante mais de 400 anos o povo hebreu, e foram responsáveis por inúmeras mortes, como no caso da ordem para matar todos os bebês hebreus no momento em que nascessem.

     Existem várias linhas interpretativas concernente ao endurecimento do coração de Faraó, mas praticamente todas elas convergem para a mesma direção: a Soberania de Deus e a responsabilidade humana. Tanto Teólogos de linha arminiana, como os de linha calvinista tentam equilibrar a questão, demonstrando que em última análise, nos termos mais abrangentes possíveis, toda condição humana está sob o controle de Deus (cf. Is: 45.7)  Devemos analisar essa questão, em três estágios [1]: Primeiro, a pessoa endurece o coração conscientemente:
“Mas quando o faraó percebeu que houve alívio, obstinou-se em seu coração e não deu mais ouvidos a Moisés e a Arão, conforme o Senhor tinha dito. ” (Êxodo 8:15) (NVI) 
“Mas também dessa vez o faraó obstinou-se em seu coração e não deixou que o povo saísse. ” (Êxodo 8:32) (NVI) 
“Quando o faraó viu que a chuva, o granizo e os trovões haviam cessado, pecou novamente e obstinou-se em seu coração, ele e os seus conselheiros. O coração do faraó continuou endurecido, e ele não deixou que os israelitas saíssem, como o Senhor tinha dito por meio de Moisés. ” (Êxodo 9:34-35) (NVI)
       Faraó decidiu resistir e se opor à vontade de Deus e, assim, tornou o próprio coração mais inflexível. Segundo, em consequência disso, o coração se endurece pela ação das leis psicológicas (7.13-14,22; 9.7,34-35). 
“Contudo, o coração do faraó se endureceu e ele não quis dar ouvidos a Moisés e a Arão, como o Senhor tinha dito. Disse o Senhor a Moisés: O coração do faraó está obstinado; ele não quer deixar o povo ir. ” (Êxodo 7:13-14) (NVI) 
“Mas os magos do Egito fizeram a mesma coisa por meio de suas ciências ocultas. O coração do faraó se endureceu, e ele não deu ouvidos a Moisés e a Arão, como o Senhor tinha dito. ” (Êxodo 7:22) (NVI) 
“O faraó mandou verificar e constatou que nenhum animal dos israelitas havia morrido. Mesmo assim, seu coração continuou obstinado e não deixou o povo ir. ” (Êxodo 9:7) (NVI) 
“Quando o faraó viu que a chuva, o granizo e os trovões haviam cessado, pecou novamente e obstinou-se em seu coração, ele e os seus conselheiros. O coração do faraó continuou endurecido, e ele não deixou que os israelitas saíssem, como o Senhor tinha dito por meio de Moisés. ” (Êxodo 9:34,35) (NVI) (grifo meu)
    Terceiro, quando Deus viu que Faraó estava determinado a resistir, Ele mesmo endureceu o coração do monarca (7.3; 9.12; 10.1,20,27; 14.4,8). Tratava-se de julgamento divino sobre o indivíduo (9.11,12), o qual enquanto tivesse vida, coragem física e poder humano continuaria resistindo a Deus. [2] Certamente não devemos dizer que Deus leva o homem a ser mau. Faraó era responsável por sua má escolha e por afastar seu coração de Deus. Porém, quando a pessoa fixa sua vontade contra Deus, então Deus a entrega aos desejos ignóbeis que existe em seu coração (Rm 1.24); “como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, as sim Deus os entregou a um sentimento perverso” (Rm 1.28). Deus mostra misericórdia a quem se entrega a Ele e endurece a quem o resiste (Rm: 9.18). Talvez o julgamento de Deus coloque alguns que se afastam da luz em certo lugar onde eles não podem mais se voltar para Ele (Hb 10.26-30). Deus concedeu vida e habilidade para a resistência de Faraó a fim de fazer maior demonstração de seu poder e glória. [3] Deus só endurece o coração de quem primeiro endurece o próprio coração. Ele ocasiona este endurecimento mediante intervenção extraordinária ou pelas respostas comuns às experiências da vida. [4]

       O envolvimento pessoal e direto do Senhor nos negócios dos homens para que seus propósitos fossem realizados é revelado na maneira como Deus informou Moisés sobre o que aconteceria. Faraó também foi advertido de que a sua recusa traria juízo sobre ele (v. 23). Anteriormente fora dito a Moisés que Deus estava convicto da recusa de Faraó (3.19). Essa interação entre o endurecimento da parte Deus e o endurecimento do coração da parte de Faraó deve ser mantida em equilíbrio. Dez vezes (4.21; 7.3; 9.12; 10.1,20,27; 11.10; 14.4,8,17) o registro histórico observa especificamente que Deus endureceu o coração do rei, e dez vezes (7.13-14,22; 8.15,19,32; 9.7,34-35; 13.15) o registro indica que o rei endureceu o seu próprio coração. O apóstolo Paulo usou esse endurecimento como um exemplo da vontade inescrutável de Deus e seu absoluto poder para intervir como lhe apraz, obviamente, porém, nunca sem perder a responsabilidade pessoal pelas ações tomadas (Rm 9.16-18). O enigma teológico levantado por essa interação da ação de Deus com a ação de Faraó somente pode ser resolvido pela aceitação do relato da maneira como se encontra e refugiando-se na onisciência e onipotência de Deus, que planejou e realizou a libertação de Israel do Egito; ao fazer isso, Deus também de Faraó. Em cada ocasião é registrado: "como o SENHOR tinha dito". Portanto, o que aconteceu provém de duas perspectivas intimamente relacionadas: 

1) Deus estava cumprindo o seu propósito por meio de Faraó; e 
2) Faraó foi pessoalmente responsável pelas suas ações, como se vê no v. 13. [5]

       Após essa análise, gostaria de acrescentar à essa conclusão, um fato trazido á tona pelo arqueólogo bíblico, Randall Price em sua maravilhosa obra[6], que nos ajuda a elucidar ainda mais essa questão:

A pesagem do coração
      “Descobertas egípcias nos proporcionam uma fascinante explicação sobre como Deus pode ter decidido “endurecer” o coração de Faraó. Na teologia do antigo culto egípcio à morte, conforme descrito no egípcio “Livro dos Mortos, ” depois da morte, o falecido embalsamado e colocado na tumba tinha que enfrentar um julgamento na Sala do Julgamento para determinar sua culpa ou inocência. Se julgado culpado seu destino era a destruição; se inocente, então a vida eterna com suas recompensas. Para passar por este julgamento, o morto tinha que negar uma longa lista de pecados que era lida contra ele e com êxito declarar que era puro. Este ato era chamado de “Confissão Negativa, ”[7] e enquanto estava sendo conduzido, o coração do falecido (descrito num canopo) estava sendo pesado em escalas de julgamento contra o padrão da verdade (representado pelo símbolo dos hieróglifos para pena). Este julgamento é vividamente representado num mural pintado conhecido como “a pesagem do coração. ” 

Escaravelho de pedra
       Contra o testemunho do falecido, seu coração confessaria a verdade, mostrando que sua Confissão Negativa era uma mentira. O coração, portanto, subiria as escalas em favor do julgamento que resultaria em destruição. Uma vez que todos os homens pecam e que a inclinação do coração é confessar este pecado, os engenhosos egípcios desenvolveram um meio de evitar que o coração contradissesse a Confissão Negativa. Eles fizeram isso escrevendo encantamentos sobre uma imagem de pedra de seus escaravelhos sagrados que eram entalhados na forma de um coração. [8] Este coração em forma de escaravelho de pedra era então colocado dentro ou em cima da cavidade do peito durante a mumificação (um fato revelado por raios-X de múmias egípcias).[9] Vários encantamentos que ordenavam ao coração: “não se rebele contra mim” ou “não testemunhe contra mim” transferiam o caráter do coração de pedra para o coração de carne no pós-túmulo, tornando-o “duro” e incapaz de falar.[10] Este ritual de “endurecimento do coração” revertia a função natural do coração flexível e resultava na salvação, desde que o falecido fosse agora declarado sem pecado através do silêncio.[11]

       Todavia, quando Deus “endureceu” o coração de Faraó, que como um deus em si mesmo representava a salvação do Egito, Ele reverteu a esperança teológica de todos os egípcios. Este "endurecimento" resultou na incapacidade de Faraó naturalmente responder às assustadoras pragas, e assim pará-las, rendendo-se à solicitação de Moisés. Portanto, ao invés de o “endurecimento do coração” trazer salvação, ele trouxe destruição. [12] Assim, a arqueologia proveu nova perspectiva de um conceito teológico difícil dando-nos o cenário apropriado e o esquema das crenças egípcias que, através de Moisés, Deus queria confrontar. ” 

       Interessante como um maior aprofundamento na Palavra de Deus e a busca pelo seu entendimento nos traz paz e um maior conhecimento de Deus e de sua vontade.

Maranata!

Prof. Saulo Nogueira.

Referências:

[1] Comentário Bíblico Beacon. Pentateuco. Rio de Janeiro: CPAD, 4ª edição, 2012. pg. 153-154.

[2] EXELL, Joseph S. “Homiletical Commentary on the Book of Exodus”. The Preacher’s Complete Homiletical Commentary on the Old Testament. Nova York: Funk & Wagnalls, 1892. Pg. 139.

[3] CONNELL, J. Clement. “Exodus.” The New Bible Commentary. Editado por R. Davidson. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1954. Pg.110.

[4] JOHNSON, Philip C. “Exodus.”The Wycliffe Bible Commentary. Editado por Charles F. Pfeiffer e Everett F. Harrison. Chicago: Moody Press, 1962. Pg. 58.

[5] Bíblia de Estudo John MacArthur. 

[6] Price, Randall. Arqueologia Bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 5ª edição, 2005. pg. 101-102.

[7] F. W. Read, Egyptian Religion and Ethics (Londres: Watts & Company, 1925), pg. 110, 111.

[8] Para a completa documentação deste ritual, vide A. Hermann, “Das Steinhartes Herz”, Jahrbuch für Antike und Christentum, volume 4 (M unster: Aschendorffsche Verlagsbuchandlung, 1961), pg. 102, 103.

[9] James E. Harris e Kent R. Weeks, X-Raying the Pharaohs (Nova York: Charles Scribners Sons, 1973), pg. 49.

[10] Para outros encantamentos vide J. Zandee, Death As an Enemy (Leiden: E. J. Brill, 1960), pg. 259-262.

[11] E. A. W. Budge, Egyptian Magic (Londres: K. Paul, Trench, Tribner & Company, 1899), pg. 35-37.

[12] Para completa análise e defesa desta posição sobre as narrativas das pragas do Êxodo, vide Gregory K. Beale, “The Exodus Hardening Motif of YHWH as a Polemic”, tese de Mestrado em Teologia, Dallas Theological Seminary (Dallas, Texas, 1976), especialmente as pg. 46-52.

terça-feira, 19 de julho de 2016

CPAD cancela evento com Augustus Nicodemus após pressão de pastores assembleianos

    Foi lamentável saber que alguns pastores assembleianos se posicionaram contra uma Palestra que seria ministrada pelo Reverendo Augustus Nicodemus Lopes, na CPAD Mega Store no Rio de Janeiro, sobre o lançamento do Seu Livro Apóstolos: verdades bíblicas sobre o apostolado. (Que, aliás, estou lendo e considerando um livro esclarecedor!) A editora cedeu a pressão e emitiu uma nota de esclarecimento em razão de sua decisão:
“Em razão da repercussão não desejada que estava causando nas últimas semanas entre alguns irmãos em Cristo, a palestra foi… por hora, suspensa”, afirma a nota.  Acrescenta ainda que: “Não é do interesse da CPAD causar ou alimentar celeuma alguma dentro da igreja, mas promover a edificação do Corpo de Cristo”.
    Com essa situação, criou-se no mínimo um "incidente diplomático", pois trata-se do vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil e um grande defensor das verdades Ortodoxas do Evangelho. Compreendo que alguns líderes argumentam que, pelo fato da CPAD ser uma editora confessional, não poderia abrir espaço para um autor que siga uma linha doutrinária divergente (e também por ser cessacionista), e tenha em outras ocasiões criticado alguns exageros pentecostais. Porém, a palestra do reverendo não seria sobre assuntos Soteriológicos, onde reside a maior parte das divergências entre Arminianos e Calvinistas, mas uma apresentação da sua mais recente obra, o Livro Apóstolos, que fala sobre a “Nova Reforma Apostólica”, assunto pontual, visto a visão de alguns líderes em defender a autoridade e a restauração do ofício apostólico para os dias de hoje. Perderam uma grande oportunidade de ouvirem um homem de Deus expor um assunto que ele se aprofundou tanto para a edificação do corpo de Cristo e colaborar de forma positiva na construção de um melhor entendimento entre as várias confissionalidades.

Transcrevo na íntegra o desabafo do Pastor assembleiano, jornalista e escritor Geremias Couto, que é amigo pessoal de Nicodemus e foi um dos que escreveram uma breve nota no início do Livro em questão:
“Estive ontem na Mega Store da CPAD para assistir à palestra do rev. Augustus Nicodemus Lopes. Como fora de casa só tenho acesso à internet onde houver wifi, só fiquei sabendo do cancelamento quando lá cheguei por volta das 17:00hs. A decisão tinha sido tomada poucas horas antes. A nota publicada pela CPAD é mero eufemismo para não mencionar os verdadeiros motivos. Não tenho outra forma de qualificar a atitude, a não ser como vergonhosa, descortês, desrespeitosa e anticristã até porque o rev. Augustus já estava no Rio de Janeiro, quando foi comunicado da decisão. Criou-se no mínimo um "incidente diplomático", pois trata-se do vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil. 

Não é a fé reformada que está fazendo mal às Assembleias de Deus no Brasil. A ser assim, os livros reformados deveriam ser definitivamente banidos das estantes das lojas da CPAD. É incoerente vendê-los e fechar às portas a um de seus expoentes. É contraditório afirmar, como já fez um dos expoentes da CPAD, que são obras piedosas, ortodoxas, profundas e cristãs, no estrito sentido do termo, mas "desconvidar" de forma deselegante um de seus autores, como se fez ontem.

O que tem feito mal às Assembleias de Deus é a politicagem que há anos vem nela imperando da forma mais rasteira possível, principalmente entre a cúpula. O que tem feito mal às Assembleias de Deus é o coronelismo opressor, que se vale de um semipelagianismo disfarçado de Arminianismo para manter sob cabresto o povo que pouco conhece as doutrinas da graça.

O que tem feito mal às Assembleias de Deus é fechar os olhos, fazer vistas grossas, ao liberalismo teológico que hoje infesta as cátedras de nossas faculdades teológicas. É só ler certos textos no CPAD News e visitar a FAECAD em dias de aula que isso salta aos olhos. É o liberalismo teológico que mata a igreja! O que tem feito mal às Assembleias de Deus é a opulência de muitos líderes que vivem de forma nababesca, enquanto os seus obreiros que estão no campo sofrem com pouca renda e muitas vezes passam até fome. O que tem feito mal às Assembleias de Deus é a porta larga para as práticas do neo pentecostalismo e a liberdade dada aos pregadores triunfalistas, que propalam heresias a olhos vistos sem que sejam advertidos e mudem o conteúdo de suas mensagens. Estes jamais pregam em igrejas e denominações sérias.

Os "guerrilheiros" da internet ontem vibraram e zombaram como se tivessem ganho uma Copa do Mundo. Eu, de minha parte, com todos os dissabores que o episódio causou, prefiro acreditar que Deus, em sua soberania, já fez dele algo que redunde para a sua glória e vergonha para esses que "sobrevivem" à custa dessa "esquizofrenia" nas redes virtuais. Fica aqui o meu desagravo pessoal ao rev. Augustus Nicodemus Lopes. ”
     Só faltou o pastor falar sobre os absurdos pregados no Congresso Gideões, que tem sido um celeiro de heresias disseminadas no Brasil, uma vergonhosa farra de autopromoção de “levitas” e “conferencistas”e antro de prostituições. Fora a musicalidade triunfalista que infesta os "altares" das igrejas. Só nos resta clamar pela misericórdia do Senhor e que a editora reconsidere e, de fato realize o evento que servirá para a edificação do corpo de Cristo.

Maranata.


Prof. Saulo Nogueira.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Estudo científico comprova que ficar remoendo mágoa e não perdoar traz danos mentais

     Ficar “remoendo” mágoas já é comprovado cientificamente que se trata de um comportamento bastante prejudicial à saúde. De acordo com um novo estudo na revista científica Journal of Health Psychology , perdoar aos outros e si mesmo protege seu corpo de uma grande onda de estresse e te levar a uma boa saúde mental. Os responsáveis pelo estudo analisaram os efeitos do stress sobre a saúde mental de uma pessoa, e como as pessoas mais tolerantes saíram em comparação com pessoas que não eram tão compreensivas. Para fazer isso, eles pediram 148 jovens adultos para preencher questionários que avaliaram seus níveis de estresse, a sua tendência para perdoar e sua saúde física e mental.

       Não foi nenhuma surpresa para os autores quando analisaram os dados e viram que as pessoas que se cobravam muito a si e aos outros durantes suas vidas, tinham pior saúde mental e física. Mas, também ficou claro que as pessoas eram altamente tolerantes a si mesmos e os outros, eram praticamente livres de qualquer estresse ou doença mental.

"O ato de perdoar funciona como uma espécie de amortecedor contra o stress. Se você não tem tendência para perdoar, sente os efeitos brutos do stress de forma absoluta", disse Loren Toussaint, professor de psicologia na Luther College e principal autor do estudo.

       Embora não possam afirmar definitivamente de que forma o perdão resguarda a saúde contra os males do stress, os pesquisadores esperam que pessoas mais tolerantes tenham mais habilidade para lidar com as adversidades da vida ou ainda podem ter uma reação mais suave em situações estressantes. Toussaint acredita que todas as pessoas podem aprender a perdoar e serem mais tolerantes. Segundo ele, a prática é passível de ser trabalhada em sessões de terapia. “O perdão elimina a conexão entre stress e doença mental. Eu acho que a maioria das pessoas quer se sentir bem e o perdão lhes oferece essa oportunidade”, conclui.


Nota do Blog: O próprio Deus nos ensinou através da Sua Palavra a fórmula para a Felicidade: o Perdão.

"Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? " Jesus respondeu: "Eu lhe digo: não até sete, mas até setenta vezes sete." (Mateus 18:21,22)

"Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará.
Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas".
(Mateus 6:14,15)