terça-feira, 19 de julho de 2016

CPAD cancela evento com Augustus Nicodemus após pressão de pastores assembleianos

    Foi lamentável saber que alguns pastores assembleianos se posicionaram contra uma Palestra que seria ministrada pelo Reverendo Augustus Nicodemus Lopes, na CPAD Mega Store no Rio de Janeiro, sobre o lançamento do Seu Livro Apóstolos: verdades bíblicas sobre o apostolado. (Que, aliás, estou lendo e considerando um livro esclarecedor!) A editora cedeu a pressão e emitiu uma nota de esclarecimento em razão de sua decisão:
“Em razão da repercussão não desejada que estava causando nas últimas semanas entre alguns irmãos em Cristo, a palestra foi… por hora, suspensa”, afirma a nota.  Acrescenta ainda que: “Não é do interesse da CPAD causar ou alimentar celeuma alguma dentro da igreja, mas promover a edificação do Corpo de Cristo”.
    Com essa situação, criou-se no mínimo um "incidente diplomático", pois trata-se do vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil e um grande defensor das verdades Ortodoxas do Evangelho. Compreendo que alguns líderes argumentam que, pelo fato da CPAD ser uma editora confessional, não poderia abrir espaço para um autor que siga uma linha doutrinária divergente (e também por ser cessacionista), e tenha em outras ocasiões criticado alguns exageros pentecostais. Porém, a palestra do reverendo não seria sobre assuntos Soteriológicos, onde reside a maior parte das divergências entre Arminianos e Calvinistas, mas uma apresentação da sua mais recente obra, o Livro Apóstolos, que fala sobre a “Nova Reforma Apostólica”, assunto pontual, visto a visão de alguns líderes em defender a autoridade e a restauração do ofício apostólico para os dias de hoje. Perderam uma grande oportunidade de ouvirem um homem de Deus expor um assunto que ele se aprofundou tanto para a edificação do corpo de Cristo e colaborar de forma positiva na construção de um melhor entendimento entre as várias confissionalidades.

Transcrevo na íntegra o desabafo do Pastor assembleiano, jornalista e escritor Geremias Couto, que é amigo pessoal de Nicodemus e foi um dos que escreveram uma breve nota no início do Livro em questão:
“Estive ontem na Mega Store da CPAD para assistir à palestra do rev. Augustus Nicodemus Lopes. Como fora de casa só tenho acesso à internet onde houver wifi, só fiquei sabendo do cancelamento quando lá cheguei por volta das 17:00hs. A decisão tinha sido tomada poucas horas antes. A nota publicada pela CPAD é mero eufemismo para não mencionar os verdadeiros motivos. Não tenho outra forma de qualificar a atitude, a não ser como vergonhosa, descortês, desrespeitosa e anticristã até porque o rev. Augustus já estava no Rio de Janeiro, quando foi comunicado da decisão. Criou-se no mínimo um "incidente diplomático", pois trata-se do vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil. 

Não é a fé reformada que está fazendo mal às Assembleias de Deus no Brasil. A ser assim, os livros reformados deveriam ser definitivamente banidos das estantes das lojas da CPAD. É incoerente vendê-los e fechar às portas a um de seus expoentes. É contraditório afirmar, como já fez um dos expoentes da CPAD, que são obras piedosas, ortodoxas, profundas e cristãs, no estrito sentido do termo, mas "desconvidar" de forma deselegante um de seus autores, como se fez ontem.

O que tem feito mal às Assembleias de Deus é a politicagem que há anos vem nela imperando da forma mais rasteira possível, principalmente entre a cúpula. O que tem feito mal às Assembleias de Deus é o coronelismo opressor, que se vale de um semipelagianismo disfarçado de Arminianismo para manter sob cabresto o povo que pouco conhece as doutrinas da graça.

O que tem feito mal às Assembleias de Deus é fechar os olhos, fazer vistas grossas, ao liberalismo teológico que hoje infesta as cátedras de nossas faculdades teológicas. É só ler certos textos no CPAD News e visitar a FAECAD em dias de aula que isso salta aos olhos. É o liberalismo teológico que mata a igreja! O que tem feito mal às Assembleias de Deus é a opulência de muitos líderes que vivem de forma nababesca, enquanto os seus obreiros que estão no campo sofrem com pouca renda e muitas vezes passam até fome. O que tem feito mal às Assembleias de Deus é a porta larga para as práticas do neo pentecostalismo e a liberdade dada aos pregadores triunfalistas, que propalam heresias a olhos vistos sem que sejam advertidos e mudem o conteúdo de suas mensagens. Estes jamais pregam em igrejas e denominações sérias.

Os "guerrilheiros" da internet ontem vibraram e zombaram como se tivessem ganho uma Copa do Mundo. Eu, de minha parte, com todos os dissabores que o episódio causou, prefiro acreditar que Deus, em sua soberania, já fez dele algo que redunde para a sua glória e vergonha para esses que "sobrevivem" à custa dessa "esquizofrenia" nas redes virtuais. Fica aqui o meu desagravo pessoal ao rev. Augustus Nicodemus Lopes. ”
     Só faltou o pastor falar sobre os absurdos pregados no Congresso Gideões, que tem sido um celeiro de heresias disseminadas no Brasil, uma vergonhosa farra de autopromoção de “levitas” e “conferencistas”e antro de prostituições. Fora a musicalidade triunfalista que infesta os "altares" das igrejas. Só nos resta clamar pela misericórdia do Senhor e que a editora reconsidere e, de fato realize o evento que servirá para a edificação do corpo de Cristo.

Maranata.


Prof. Saulo Nogueira.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Estudo científico comprova que ficar remoendo mágoa e não perdoar traz danos mentais

     Ficar “remoendo” mágoas já é comprovado cientificamente que se trata de um comportamento bastante prejudicial à saúde. De acordo com um novo estudo na revista científica Journal of Health Psychology , perdoar aos outros e si mesmo protege seu corpo de uma grande onda de estresse e te levar a uma boa saúde mental. Os responsáveis pelo estudo analisaram os efeitos do stress sobre a saúde mental de uma pessoa, e como as pessoas mais tolerantes saíram em comparação com pessoas que não eram tão compreensivas. Para fazer isso, eles pediram 148 jovens adultos para preencher questionários que avaliaram seus níveis de estresse, a sua tendência para perdoar e sua saúde física e mental.

       Não foi nenhuma surpresa para os autores quando analisaram os dados e viram que as pessoas que se cobravam muito a si e aos outros durantes suas vidas, tinham pior saúde mental e física. Mas, também ficou claro que as pessoas eram altamente tolerantes a si mesmos e os outros, eram praticamente livres de qualquer estresse ou doença mental.

"O ato de perdoar funciona como uma espécie de amortecedor contra o stress. Se você não tem tendência para perdoar, sente os efeitos brutos do stress de forma absoluta", disse Loren Toussaint, professor de psicologia na Luther College e principal autor do estudo.

       Embora não possam afirmar definitivamente de que forma o perdão resguarda a saúde contra os males do stress, os pesquisadores esperam que pessoas mais tolerantes tenham mais habilidade para lidar com as adversidades da vida ou ainda podem ter uma reação mais suave em situações estressantes. Toussaint acredita que todas as pessoas podem aprender a perdoar e serem mais tolerantes. Segundo ele, a prática é passível de ser trabalhada em sessões de terapia. “O perdão elimina a conexão entre stress e doença mental. Eu acho que a maioria das pessoas quer se sentir bem e o perdão lhes oferece essa oportunidade”, conclui.


Nota do Blog: O próprio Deus nos ensinou através da Sua Palavra a fórmula para a Felicidade: o Perdão.

"Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? " Jesus respondeu: "Eu lhe digo: não até sete, mas até setenta vezes sete." (Mateus 18:21,22)

"Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará.
Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas".
(Mateus 6:14,15)

terça-feira, 21 de junho de 2016

Associação de pediatria dos EUA declara-se formalmente contra a ideologia de gênero

       Uma das associações médicas de pediatria mais influentes dos Estados Unidos publicou uma dura nota contra a teoria de gênero – também chamada de ideologia de gênero – como fundamento de políticas públicas. A declaração do American College of Pediatricians alerta educadores e parlamentares para que rejeitem qualquer medida que condicione as crianças a aceitarem como normal “uma vida que personifique química e cirurgicamente o sexo oposto”. A nota do grupo médico afirma, enfaticamente que “os fatos, não a ideologia, é que determinam a realidade”. Leia a seguir a tradução da íntegra da nota:

1. A sexualidade humana é uma característica biológica binária objetiva: “XY” e “XX” são marcadores genéticos saudáveis – e não marcadores genéticos de uma desordem. A norma da concepção humana é ser masculino ou feminino. A sexualidade humana é planejadamente binária com o propósito óbvio da reprodução e da prosperidade da nossa espécie. Esse princípio é autoevidente. As desordens extremamente raras no desenvolvimento sexual, que incluem, entre outras, a feminização testicular e a hiperplasia adrenal congênita, são todas desvios medicamente identificáveis da norma binária sexual, e são com razão reconhecidas como desordens da formação humana. Indivíduos que as portam não constituem um terceiro sexo.

2. Ninguém nasce com um gênero. Todos nascem com um sexo biológico. O gênero (uma consciência e um senso de si mesmo como homem ou mulher) é um conceito sociológico e psicológico, e não biologicamente objetivo. Ninguém nasce com a consciência de si como homem ou mulher: essa consciência se desenvolve com o tempo e, como todo processo de desenvolvimento, pode ser prejudicada por percepções subjetivas da criança, relacionamentos e experiências adversas desde a infância. Pessoas que se identificam como “se sentissem do sexo oposto” ou “nem masculinas nem femininas, algo entre os dois” não constituem um terceiro sexo. Elas permanecem, biologicamente, homens e mulheres.

3. A crença de uma pessoa de ser algo que ela não é, na melhor das hipóteses, é um sinal de pensamento confuso. Quando um menino biologicamente saudável acredita que é uma menina, ou uma menina biologicamente saudável acredita que é um menino, existe um problema psicológico objetivo, que está na mente, não no corpo, e deve ser tratado dessa forma. Essas crianças sofrem de disforia de gênero, formalmente conhecida como transtorno de identidade de gênero, uma desordem mental reconhecida na edição mais recente do Manual Diagnóstico e Estatístico da American Psychiatric Association. A psicodinâmica e as teorias de aprendizagem social dessa desordem nunca foram refutadas.

4. A puberdade não é uma doença e a injeção de hormônios bloqueadores da puberdade pode ser perigosa. Reversíveis ou não, hormônios bloqueadores de puberdade induzem um estado de enfermidade – a ausência de puberdade – e inibem o crescimento e a fertilidade em uma criança anteriormente saudável biologicamente.

5. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico, 98% dos meninos e 88% das meninas confusos com seu gênero aceitam seu sexo biológico naturalmente ao passar pela puberdade.

6. Crianças que usam bloqueadores de puberdade para personificar o sexo oposto precisarão de hormônios do sexo oposto no fim da adolescência. Esses hormônios estão associados com graves riscos para a saúde, incluindo pressão alta, coágulos sanguíneos, AVC e câncer, mas não se limitando a isso.

7. As taxas de suicídio são vinte vezes maiores entre adultos que usam hormônios do sexo oposto e passam por cirurgias de mudança de sexo, mesmo na Suécia, que é um dos países de maior ação afirmativa LGBQT. Que pessoa razoável e compassiva condenaria crianças a esse destino, sabendo que depois da puberdade 88% das meninas e 98% dos meninos aceitarão o seu sexo real e terão saúde física e mental?

8. Condicionar as crianças a acreditar que uma vida inteira de personificação química e cirúrgica do sexo oposto é normal e saudável é abuso infantil. Apoiar a discordância de gênero como normal por meio da educação pública e de políticas legais confundirá as crianças e os pais, levando mais crianças a procurar “clínicas de gênero”, onde tomarão drogas bloqueadoras da puberdade. Por sua vez, isso garantirá que elas “escolherão” uma vida toda de hormônios cancerígenos e tóxicos e provavelmente considerarão passar por uma mutilação cirúrgica desnecessária de partes saudáveis do seu corpo ao chegar à vida adulta.

O texto original encontra-se aqui.


Nota do Blog: Antes que alguém diga que o artigo é tendencioso e homofóbico, notem bem que o artigo não se atém a dar juízo de valor à opção sexual do adulto, significando que ele não seja contrário á opção sexual de indivíduos com sua consciência bem formada e com total plenitude e esclarecimento sexual. O artigo se foca no fato de que, não se deveria permitir uma mudança de sexo, ou tratamento hormonal, para crianças e adolescentes que enfrentam um problema de transtorno de identidade, como a disforia de gênero, por exemplo, que, na maioria dos casos, após passarem pela puberdade aceitarão o seu sexo real.


Prof. Saulo Nogueira

quarta-feira, 15 de junho de 2016

A mídia e sua tentativa de igualar islã e cristianismo

     Durante os últimos anos, relatos frequentes de cristãos sendo mortos no Oriente Médio apenas por não professarem a crença em Maomé, foram sistematicamente ignorados ou minimizados pela mídia. A Organização das Nações Unidas discutiu durante meses o que faria diante da situação, acabou por não tomar decisão concreta nenhuma. A onda de terror se espalhou e atingiu o norte da África e algumas áreas da Ásia. Desde 2001, a mídia americana vem tendo de lidar com a difícil tarefa de equilibrar os fatos com suas tentativas de não violar os padrões do “politicamente correto”. O restante do Ocidente seguiu esse padrão.
     Logo após o atentado terrorista deste domingo (12) numa boate gay em Orlando, Estados Unidos, parte de imprensa americana (e brasileira) tentou ligar o ato execrável a “fundamentalistas cristãos”, para logo em seguida lembrar dos discursos anti-imigração de Donald Trump. Até mesmo o governo hesitava em admitir que a motivação das mortes fosse religiosa. O presidente Obama culpou (e continua culpando) o caso à facilidade de acesso às armas em solo americano.
    Aos poucos, enquanto detalhes sobre a vida do atirador Omar Mateen eram divulgados, foi ficando cada vez mais difícil não fazer as ligações óbvias. Criado em uma família muçulmana, sabe-se que seu pai declaradamente apoia grupos terroristas. Filiado ao partido Democrata (de Obama e Hillary), ele ligou para a polícia antes de começar a matar, simplesmente para jurar lealdade ao grupo terrorista Estado Islâmico (EI). Some-se a isso o fato de os extremistas que dominam partes da Síria e do Iraque terem avisado semana passada que atacariam os Estados Unidos durante o Ramadã, tendo a Flórida como foco primário. O pai de Omar, Seddique Mateen gravou um vídeo onde afirma que seu filho era uma pessoa muito boa e que “cabe a Deus punir os homossexuais”. Esse foi o título da manchete em jornais pelo mundo todo. Contudo, nenhum deles teve a preocupação de tentar explicar que o Deus da civilização judaico-cristã não é o mesmo Alá descrito no Alcorão.
     A incoerência e a indignação seletiva pautaram os debates na maioria dos programas de TV e também nas redes sociais. Um estudo recente mostrou que a morte de cristãos é quase totalmente ignorada. Acostumados a tratar o avanço do islamismo como “multiculturalismo”, ignora-se o fato de o atirador ter claramente motivações religiosas. Afinal, pelo menos 10 países de maioria muçulmana e governados pela lei da sharia executam homossexuais simplesmente por causa de sua preferência sexual.
     Nos EUA, advogados da União Americana pelas Liberdades Civis usaram as redes sociais para responsabilizar o que chamam de “direita cristã” pelos ataques em Orlando. Chase Strangio usou as redes sociais para dizer que os verdadeiros responsáveis são os parlamentares cristãos que defendem leis “antiLGBT” e que o Islã não pode ser culpado.
Jornal O Dia coloca evangélicos como suspeitos de atendado islâmico.
Jornal O Dia coloca evangélicos como suspeitos de atendado islâmico.
No Brasil, o deputado Jean Wyllys (PSOL/RJ) foi na mesma linha, tentado ligar as mortes ao “fundamentalismo religioso”.
fobia
Você é culpado se simplesmente acredita na Bíblia.
   Quem foram os exemplos citados por ele? Várias personalidades evangélicas conhecidas como os deputados pastor Marco Feliciano (PSC/SP), pastor Eurico (PHS/PE), além do pastor Silas Malafaia, a psicóloga Marisa Lobo e a pastora/cantora Ana Paula Valadão. Também sobrou para seu conhecido desafeto Jair Bolsonaro (PSC/RJ).
      Obviamente que não é correto afirmar que todo seguidor do islamismo é um terrorista. Embora o radicalismo exista em todos os grupos religiosos, ninguém sofre mais que isso que os cristãos.
   Para efeitos de comparação, estatísticas apontam para um cristão martirizados a cada cinco minutos em algum lugar ao redor do mundo por causa da sua fé.
      Ao mesmo tempo, a grande mídia ignora que desde o 11 de setembro de 2011, que foi o primeiro capítulo dessa guerra atual, ocorreram 28.576 atos terroristas realizados por muçulmanos, como o total de vítimas na casa das dezenas de milhares. Somente este mês foram 401 mortes e 16 países (incluindo as de Orlando). Não há registro de nenhuma morte no mesmo período causada por “extremistas cristãos”.
Nota do Blog: Só nos faltava essa! Colocar um ato terrorista como este na conta dos cristãos. Ódio e cristianismo são duas linhas que nunca se cruzam. O fundamento do cristianismo é justamente o amor ao próximo e a busca pela boa convivência. Querer misturar o Islã com o Cristianismo é se mostrar ignorante e não conhecer os fundamentos das duas religiões. São antagônicas e mutuamente excludentes. Embora se baseiem em conceitos do Antigo Testamento e tem grande reverência pelos Patriarcas e profetas, as semelhanças terminam por aí. Um Cristão que segue os fundamentos da verdadeira fé cristã jamais irá realizar um ato desses. Por mais que consideramos a homossexualidade como pecado, em hipótese alguma buscaremos o mal para essas pessoas, mas muito pelo contrário, levamos até elas o Evangelho para que entreguem suas vidas ao Senhor Jesus Cristo e vivam de acordo com Sua Palavra. 
Paz do Senhor à todos.
Prof. Saulo Nogueira

quinta-feira, 2 de junho de 2016

10 armadilhas em que o apologeta tolo pode cair

      Um embaixador de Cristo deseja ser discreto, persuasivo, sensível e atencioso. Ser um bom apologeta e ser capaz de dar boas razões para a verdade do Cristianismo exige oração, paciência, estudo e persistência. Para aqueles que decidiram ter como meta se tornar bons defensores da fé, há certas disciplinas positivas e traços de caráter que seria bom que desenvolvessem. Mas, por outro lado, há certas armadilhas que podem aparecer que, quando não são controladas, podem se tornar traços de caráter de um apologeta tolo. Aqui listamos 10 delas:

1 – O apologeta tolo fala antes de ouvir

O apologista tolo fala antes de ouvir. Provérbios 18:13 diz: “O que responde antes de ouvir comete estultícia que é para vergonha sua.” Não só ele passa a mensagem aos outros de que ele não se importa sobre o que eles têm a dizer, como ele também se torna incapaz de dar uma boa resposta. O apologeta sábio é paciente, procura compreender, e evita monólogos.

2 – O apologeta tolo exagera no seu argumento

O apologeta tolo não tem “boas razões”. Em vez disso, ele tem “provas”. Ele pode mostrar algo sem nenhuma sombra de dúvida! Seus argumentos são apresentados com toda confiança (e é claro que ele não pode estar errado). Mesmo quando ele utiliza bons argumentos, ele exagera o que eles realmente mostram. Sem modéstia, e as pessoas o rejeitam. O apologeta sábio argumenta com confiança, mas com modéstia.

3 – O apologeta tolo quer ganhar todos os pontos

Quando a conversa fica complexa, ele precisa corrigir todos os erros que ele vê na opinião da outra pessoa. Não importa se a pessoa do outro lado da conversa esteja ficando ofendida por sua “cautelosa atenção aos detalhes.” Se ele comete um erro, pedalam para trás, sem haver qualquer admissão de que estava errado. O apologeta sábio pode discernir o que realmente importa em uma conversa.

4 – O apologeta tolo persegue pistas falsas

Se o assunto é a ressurreição, ele fala de evolução. A conversa segue em todas as direções. Ele não pode fazer qualquer progresso em um argumento, porque ele não pode detectar pistas falsas e distrações. Na verdade, ele pode muitas vezes desfrutar destes desvios de foco no diálogo, porque ele tem orgulho de sua sabedoria nessas áreas. O apologeta sábio sabe como se ater a um ponto.

5 – O apologeta insensato é orgulhoso de si mesmo

Ele gosta do fato de que ele conhece termos que fazem os “novatos” em torno dele ficarem constrangidos. Ele secretamente elogia a si mesmo por ler mais livros em um mês do que a maioria das pessoas faz em um ano. Ele gosta do som de sua própria voz, e acha que ele faz um bom trabalho em um fórum na Internet. A apologética é, na verdade, a sua ferramenta para mostrar ao mundo que ele pode malhar seu músculo intelectual. Ele recebeu sua recompensa. O apologeta sábio se humilha diante de Deus, e olha para si mesmo com o julgamento sóbrio.

6 – O apologeta tolo busca popularidade

Ele desfruta ser elogiado pelos outros, desfruta falar com muitas pessoas, gosta de ser um cara famoso. Ele joga seu nome nas telas e nos fóruns como uma maneira de mostrar aos outros o quão conectado ele é ao que está acontecendo. Ele não escolhe o lugar de humildade. O apologeta sábio floresce onde ele foi plantado, e onde Deus designou que ele estivesse.

7 – O apologeta tolo despreza a disciplina espiritual

Ele acha a filosofia mais interessante do que a leitura da Bíblia. A oração é rara e quando acontece é apressada. Na verdade, oração, meditação, estudo bíblico, adoração e comunhão estão em segundo lugar na lista de prioridades. Ele prefere bolar seus próprios argumentos antes de se conectar a Deus. O apologeta tolo engana a si mesmo, crendo que é espiritual. O apologeta sábio senta-se aos pés de Jesus.

8 – O apologeta tolo não tem amor

Ele pode falar a línguas dos filósofos e dos teólogos, mas ele não ama. Ele tem o dom da inteligência e conhece todos os mistérios e toda a ciência; seus argumentos podem mover montanhas, mas ele não ama – ele não é nada. Ele dá todo o seu tempo e energia para estudar, e rende suas finanças a diplomas universitários, mas não tem amor – e não tem nada. O apologeta sábio é motivado pelo amor a Deus e amor ao próximo.

9 – O apologeta tolo se isola dos outros

Ele não aprecia a correção. Ele tem seus próprios planos, a sua própria agenda, e seu próprio ministério pessoal. Ele se recusa a deixar que o ferro afie o ferro. Quando ele cai, ele não tem ninguém para ajudá-lo. Ele é responsável perante si mesmo. O apologeta sábio envolve-se com os conselheiros piedosos e companheiros de trabalho.

10 – O apologeta tolo não faz apologética

Ele se torna um viciado em apologética; um consumidor ao invés de um soldado alistado. Ele fala mais sobre defender a fé do que, de fato, defende a fé. Debates são um esporte para ele. Ele se esquece que almas estão em jogo e nem sequer pensa em pregar o Evangelho. O apologeta sábio quer que outros venham a Cristo mais que tudo – e ele usa a apologética como uma ferramenta para auxiliar nesta tarefa.

Deparou-se com qualquer uma dessas armadilhas em sua própria vida? Esta lista pode servir como um lembrete útil ou até mesmo servir como uma lista de pontos para pedidos de oração, tendo em vista o seu próprio desenvolvimento, para ser tornar um melhor embaixador de Cristo.

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Artigo escrito por Brian Auten
Via: Bereianos

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Biomimética: ciência inspirada no design inteligente

    O termo biomimética provém da combinação das palavras gregas bios, que significa vida, e mimesis, que significa imitação. Dito de modo simples, é a imitação da vida. A biomimética é uma nova área da ciência que estuda as estruturas biológicas e suas funções, procurando aprender com a natureza (e não sobre ela) e utilizar esse conhecimento em diferentes domínios da ciência para o desenvolvimento de soluções para os problemas humanos.[1, 2] Conforme afirmou o biólogo evolutivo Marc Weissburg, co-diretor do Centro de Design Biologicamente Inspirado do Instituto de Tecnologia da Geórgia, “todo organismo encontra-se projetado para resolver um problema”.[3] Janine Benyus, escritora científica e fundadora do Instituto de Biomimética (Montana, EUA), defende em seu livro Biomimética: Inovação Inspirada pela Natureza que, “diferentemente da Revolução Industrial, a Revolução Biomimética inaugura uma era cujas bases assentam não naquilo que podemos extrair da natureza, mas no que podemos aprender com ela”.[4: p. 10] Para o biólogo Dr. Phil Gates, professor da Universidade de Durham, “muitas das nossas melhores invenções foram copiadas de outros seres vivos ou já são utilizadas por eles. [...] Em algum lugar, entre os milhões de organismos que ainda não foram descobertos, há invenções naturais que poderiam melhorar nossa vida. Elas poderiam fornecer novos medicamentos, materiais de construção, modos de controle de pragas e lidar com a poluição”.[5: p. 5]

     Foi pensando na otimização dessas ideias inspiradoras da natureza que alguns cientistas criaram um banco de dados que já catalogou milhares de diferentes sistemas biológicos.[6] Um prático banco de dados para pesquisadores encontrar “soluções naturais para seus problemas de projeto”, diz a revista The Economist.[7] Os sistemas naturais mantidos nesse banco de dados são conhecidos como patentes biológicas. Sobre esse banco de dados de patentes biológicas, The Economist diz: “Por chamarem de ‘patentes biológicas’ as geniais ideias biomiméticas, os pesquisadores estão na realidade dizendo que a natureza é a legítima detentora dessas patentes.”

     Por outro lado, é curioso notar que frequentemente cientistas afirmam que não há design real na natureza. Richard Dawkins, por exemplo, disse que o design que vemos em organismos vivos é ilusão: “A ilusão de design é tão bem-sucedida que a maior parte dos americanos hoje [...] teimosamente se recusa a acreditar que é uma ilusão.”[8: p. 35] Ele acrescenta que “a ilusão [de design] é tão poderosa que enganou as mentes mais brilhantes durante séculos, até que Charles Darwin apareceu em cena”.[9: p. 416] A comunidade científica endossa esta tese: não existem sinais de inteligência empiricamente detectados na natureza.[10]

    Conforme indaga o historiador da ciência Enézio Eugênio de Almeida Filho, se o design é “ilusão”, por que buscar design inteligente na natureza? A ideia de “ilusão” vai contra o que se observa atualmente nas pesquisas aplicadas, pois, na prática, a biomimética é a certeza de que o objeto que se está a imitar possui design suficientemente bom para ser copiado. Um cientista não pode negar que, ao detectar o design “ilusório”, ele parte imediatamente para pesquisas visando a avançar o conhecimento científico, realizar aplicações práticas e, consequentemente, fornecer melhorias para a humanidade.[10] Então, o design é “ilusão”, mas é prático? Como isso é possível?

      De insetos a mamíferos, tudo na natureza está agora sendo visto sob nova perspectiva: agentes de inovação com quem os humanos podem aprender. Assim, apresento a seguir apenas alguns exemplos de pesquisas aplicadas dentre os milhares de estudos biomiméticos publicados ao longo da última década:

Carrapicho (e o velcro): o velcro é um dos exemplos mais antigos e conhecidos de produto biomimético, desenvolvido em 1941 pelo engenheiro suíço George de Mestral, após encontrar várias sementes de plantas do gênero Arctium (carrapicho) grudadas no pelo do seu cachorro durante suas caminhadas pelos Alpes. Ao ver a semente pelo microscópio, o engenheiro notou que ela era dotada de filamentos entrelaçados e com pequenos ganchos nas pontas. Com base nessa inspiração, ele criou uma alternativa para unir materiais de maneira simples e reversível. O design foi patenteado em 1952 e passou a ser comercializado por sua empresa, a Velcro S.A.[11]

Plantas (e a tecnologia de coleta de água do ar): algumas plantas possuem “cabelos” minúsculos (microfibras) em suas folhas que servem para recolher água doce do ar. As plantas que vivem em regiões áridas e montanhosas do planeta necessitam desse mecanismo para sobrevivência, mas até então não se sabia exatamente como conseguiam essa façanha. Os cientistas descobriram que as microfibras são responsáveis tanto pelo armazenamento quanto pela liberação de água.[12] Em épocas secas, a água armazenada é liberada para a folha. Essa tecnologia permitirá a construção de um aparelho capaz de coletar a água do ar para aliviar a escassez de água no mundo.

Plantas (e o reator que produz biocombustível solar): cientistas desenvolveram um reator capaz de produzir combustível líquido parecido com o conceito de fotossíntese artificial.[13, 14] O reator produz combustível usando a luz do sol, dióxido de carbono e água, mais um composto chamado óxido cérico. O combustível são hidrocarbonos, similares ao petróleo e aos bio-óleos. A distância da fotossíntese real ainda é gigantesca, mas a ideia de imitar a forma de conseguir energia tal como a das plantas parece ser um caminho mais concreto do que as “formas alternativas” já desenvolvidas pelo ser humano.

Planta liana (e as membranas de auto-cura): a planta liana, conhecida como “cipó”, possui anéis de estabilização de células que se curam espontaneamente após sofrer danos.[15] Como é que a liana repara suas lesões? Os cientistas explicam que “quando as células lignificadas dos tecidos de suporte externos que dão à planta a sua rigidez de flexão são danificadas, a planta administra ‘primeiros socorros’ para a sua ferida”. Células das camadas profundas se expandem de repente e fecham a lesão de dentro para fora. Apenas em uma fase posterior ela faz o processo de autocura e o tecido original volta a crescer. Cientistas se inspiraram na planta e desenvolveram um revestimento para barcos de borracha a base de um material que não só reduz a perda de pressão, caso a membrana seja danificada, mas também torna a estrutura inflável mais resistente.

Planta Drosera (e os adesivos de aplicações biomédicas): os tentáculos que saem da planta carnívora Drosera secretam um adesivo poderoso capaz de esticar um milhão de vezes seu tamanho. Cientistas buscaram aprender com os princípios biológicos dessa planta e aplicar engenharia para desenvolver um produto que utiliza os mesmos compostos.[16] Essa elasticidade notável faz o adesivo produzido pela planta ser uma escolha potencialmente eficaz para o revestimento de substituições de partes do corpo (quadris ou joelhos artificiais), para regenerar tecidos mortos, para curar feridas e melhorar adesivos sintéticos.

Planta Teixo (e os anticancerígenos): o taxol, extraído da casca do Teixo do Pacífico (Taxus brevifolia), é um importante medicamento natural anticancerígeno usado no tratamento contra o câncer de ovário e de mama.[17] Para Gordon Cragg, chefe da divisão de produtos naturais do National Cancer Laboratory (EUA), “a natureza é o químico supremo. Com o devido respeito ao talento dos químicos, não creio que eles fossem capazes de criar uma molécula como a do taxol”.[4: p. 149] O taxol compõe a lista da Organização Mundial da Saúde.[18] Em 2004, essa tecnologia foi premiada com o Presidential Green Chemistry Challenge Award (Prêmio Desafio em Química Verde).

Romã (e as superbaterias à base de silício): a fruta Romã serviu de inspiração para o desenvolvimento de um protótipo de bateria que consegue armazenar até dez vezes mais energia que os modelos convencionais.[19] Cientistas queriam criar baterias de lítio que usassem silício, porém, esse elemento se quebra no momento da recarga devido ao calor. Foi aí que a estrutura natural da romã se tornou útil. Foram unidas nanopartículas de silício em cápsulas resistentes de carbono, organizando-as da mesma forma que as sementes da romã; assim, a eletricidade é conduzida sem que se precise expor o silício. Foi observado que após mil ciclos de recarga a bateria ainda era capaz de funcionar em 97% de sua capacidade. Essa tecnologia permitirá a fabricação de baterias menores, mais leves e mais potentes para telefones celulares,tablets e carros elétricos.

Insetos (e a nova geração de aparelhos auditivos): cientistas criaram um sistema de aparelho auditivo moderno com base em um microfone inspirado em um inseto amarelo (Ormia ochracea) fêmea, a fim de resolver o problema de localização de sons e eliminar o ruído de fundo.[20] Esse projeto possui design inovador e usa um microfone direcional em miniatura, semelhante ao do ouvido de um inseto. O projeto também vai investigar técnicas de impressão 3D para otimizar o design do aparelho auditivo para que ele funcione melhor acusticamente em conjunto com o novo microfone. A promessa é a de que essa tecnologia aumentará a qualidade do apoio oferecido às pessoas afetadas pela perda auditiva.

Insetos (e os nanofilmes hidrofóbicos): a fim de projetar superfícies repelentes à água, cientistas se inspiraram nas propriedades hidrofóbicas de insetos aquáticos como a aranha-d’água, que andam sobre a água, e de borboletas que sacodem a água de suas asas.[21] Após as análises, foi possível criar uma fina película (nanofilme) repelente à água com a capacidade de controlar a direção de transporte do líquido. Essa tecnologia oferece a possibilidade de avanços significativos para a produção de novas gerações de revestimentos para aplicações navais, médicas e de energia.

Asas de gafanhoto (e os robôs voadores): cientistas estudaram a aerodinâmica das asas do gafanhoto e descobriram que eles voam durante muito tempo com muito pouca energia.[22] Infelizmente, para os engenheiros, a análise revelou também que a complexidade da venação das asas do inseto afeta diretamente a aerodinâmica – mudam radicalmente suas formas durante o vôo – graças à deformação da asa, o que torna difícil imitado o mecanismo. Os autores disseram: “Se queremos copiar o inseto, temos que extrair o máximo que pudermos do seu design e construir asas que façam a maior parte do que as asas do inseto conseguem fazer.” Se obtiverem êxito, os resultados serão aplicados na engenharia robótica e de aeronaves.

Abelhas (e a nova geração de sistemas de navegação): abelhas calculam a rota mais eficiente entre todas as flores em um ambiente, economizando energia para coletar néctar. Por meio de um algoritmo desconhecido, elas resolvem problemas de rastreamento de rotas complexos que confundiria a maioria dos humanos.[23] Os cientistas dizem que esse GPS High Tech das abelhas pode nos ensinar “como otimizar os projetos para redes de informação, cujas rotas não podem ser planejadas com antecedência”. A promessa é a de que algoritmos inspirados nas abelhas melhorem projetos de redes de informação (telefonia móvel e internet) ou de transportes (ônibus, trens) dos quais as sociedades modernas dependem.

Borboletas (e as telas de aparelhos eletrônicos): o projeto das telas “mirasol” foi inspirado nas asas da borboleta do gênero Morpho, azul-metálico iridescente.[24] Cientistas descobriram que asas de borboletas manipulam a luz com um cristal orgânico, que é também um amplificador ótico. As asas contem microestruturas que criam o efeito de coloração através de “coloração estrutural”, em vez de pigmentação. Ou seja, as asas de borboletas são constituídas de micropelículas arranjadas de tal forma que, quando a luz passa por elas, vemos diferentes cores que mudam de tonalidade de acordo com o ângulo sob o qual vemos. Portanto, inspirados nesse design, engenheiros projetaram telas de LCD com superfícies mais finas e leves, com alta qualidade de imagem e de visualização de baixíssimo consumo de energia.

Cupinzeiro (e o prédio sustentável): o edifício Eastgate Center (Harare, Zimbábue), projeto de autoria do arquiteto Mick Pearce em parceria com a ARUP engenharia, foi inspirado na arquitetura e no funcionamento dos túneis e condutos de ar de um cupinzeiro.[25] Portanto, o edifício não possui um sistema convencional de ar condicionado ou aquecimento, mas, mesmo assim, mantém ao longo de todo o ano sua temperatura regulada com uma economia dramática no consumo de eletricidade (redução de 65%), tudo graças a um design que seguiu os princípios da biomimética.


Biossonar dos golfinhos (e a ecolocalização artificial): a ecolocalização nos golfinhos é um sistema tecnológico natural bem sofisticado. É muito superior a qualquer sistema criado pelo ser humano. O golfinho possui um extraordinário sistema acústico de ecolocalização que lhe permite obter informações sobre outros animais e o ambiente, pois consegue emitir ondas ultrassônicas, na faixa de 150 kHz, sob a forma de “clicks” ou estalidos. Com base nessa capacidade natural, os seres humanos desenvolveram a “ecolocalização artificial”, com o advento do radar, do sonar, e até mesmo dos aparelhos de ultrassonografia.[26]

Baleia Jubarte (e as hélices eólicas): esse mamífero é ágil ao mergulhar e fazer curvas, e o segredo está nas saliências (tubérculos) de suas nadadeiras que canalizam o fluxo de água e criam turbulências. Cientistas estão imitando esse design a fim de aprimorar lemes de barcos, turbinas hidráulicas, hélices de helicópteros e hélices eólicas.[27, 28] Os testes aplicados em hélices eólicas mostraram uma eficiência de até 42% que beneficiará os moinhos, visto que constantemente eles recebem fortes rajadas de ventos que danificam sua estrutura. Essa tecnologia fará com que o vento seja desviado facilmente, permitindo um melhor aproveitamento e gerando mais energia ao aumentar a velocidade do giro e diminuindo a manutenção das hélices.[29]

Tubarão (e as superfícies de baixo atrito): pesquisas estão explorando soluções naturais para a redução de atrito da pele sobre superfícies sólidas, o que poderia resultar em inovações e aplicações em matéria de conservação de energia. Para tanto, cientistas se inspiraram na forma como a pele dos peixes reage ao contato com a água, realizando experimentos em um modelo de pele com dentículos de tubarão-mako, considerado o tubarão mais rápido.[30] Essa tecnologia tem sido aplicada também em cascos de navios, submarinos e mesmo aviões, aumentando a eficiência aerodinâmica/hidrodinâmica em até 30%.

Lagartixas (e as fitas adesivas): cientistas estudaram as propriedades adesivas naturais das patas da lagartixa (gecko), que são capazes de manobrar rapidamente em superfícies verticais e tem incrível capacidade de subida, que lhes permite escalar paredes a uma velocidade muito alta, ficar de cabeça para baixo no teto e liberar a adesão das patas em milissegundos.[31] Isso porque a pata da lagartixa possui milhões de cílios que interagem com superfícies usando a força molecular.[32] Esse sistema inspirou a criação do Gecko Tape, uma fita adesiva com quatro vezes mais poder de colagem que qualquer outra, capaz de fixar qualquer coisa sem usar nenhuma cola.[33]

Penas dos pássaros (e os sensores estabilizadores de voo): cientistas se inspiraram nos dispositivos antiturbulência presentes nas penas de pássaros a fim de desenvolver um sistema inovador que pode acabar com as turbulências em voos de aeronaves.[34] Eles observaram que os microaviões não tripulados (drones) tendiam a sair da rota devido às rajadas de vento que podiam estilhaçá-los no céu, enquanto os insetos e pássaros se saem muito melhor. O que os mantém tão estáveis? Os pesquisadores descobriram a técnica utilizada pelos pássaros e a imitaram ao criar um sistema que detecta a perturbação do fluxo antes que isso resulte na movimentação da aeronave.

Linha lateral dos peixes (e o chip sensorial para navegação de robôs subaquáticos): manobrar um robô subaquático é muito complicado. A saída é tentar imitar os peixes, sobretudo a chamada linha lateral deles, um órgão sensorial distribuído ao longo do corpo e que permite a detecção de movimentos. Os cientistas se inspiraram no órgão sensorial dos bagres cegos encontrados em cavernas e criaram um sensor baseado na tecnologia MEMS, que praticamente não consome energia.[35] O equipamento fornece imagens 3D dos objetos ao redor, fazendo um mapeamento do entorno do robô que é muito mais preciso do que qualquer informação obtida com imagens por câmeras ou com sonares.

Proteínas da albumina do ovo (e o plástico biodegradável): a albumina da clara de ovo inibe tão bem o crescimento bacteriano que poderia ser misturada com glicerol para criar “bioplásticos” esterilizados para aplicações biomédicas, bem como para ser biodegradável e, portanto, mais “amigo” do meio ambiente. Para um dos cientistas, “se você o colocar em um aterro sanitário, sendo este bioplástico feito a partir da proteína pura, ele vai se degradar”, e “se você o colocar no solo durante um mês, no máximo dois meses, esse plástico vai desaparecer”.[36] Essa tecnologia será aplicada em embalagens de alimentos e na área biomédica.

Magnetorecepção em animais (e o sensor magnético em humanos): magnetorecepção é um sentido que permite que bactérias, insetos e até vertebrados como salmões, tartarugas do mar, aves e tubarões detectem campos magnéticos para orientação e navegação. Os seres humanos, porém, são incapazes de perceber campos magnéticos naturalmente. Diante disso, cientistas desenvolveram um novo sensor magnético inspirado na natureza, que é fino, robusto e flexível o suficiente para ser facilmente adaptado à pele humana, mesmo em regiões mais flexíveis da palma da mão.[37] Essa tecnologia poderá equipar os seres humanos com sentido magnético.

Bússola biológica dos pássaros (e os smartphones): uma nova e melhor geração de smartphones vai poder empregar sensores de campo magnético inspirados na bússola biológica de migração dos pássaros. Cientistas criaram perfeitos fios moleculares unidimensionais que suprimem quase totalmente a condutividade elétrica por um campo magnético fraco à temperatura ambiente.[38] É possível que esse mecanismo subjacente esteja intimamente relacionado com a bússola biológica usada por algumas aves migratórias para encontrar sua localização no campo geomagnético.

Mexilhões (e a sensibilidade dos dentes): Sensibilidade dentária ocorre quando a dentina na linha da gengiva é desgastada, deixando os nervos expostos a sinais quentes, frios, doces ou azedos. Frente a esse problema, cientistas anunciaram uma forma de reconstruir o esmalte e a dentina dos dentes, inspirada nos mexilhões.[39] Mexilhões constroem um adesivo à prova d’água para se fixarem às rochas. Com base nesse design, cientistas desenvolveram uma “substância gosmenta” que reconstrói a dentina e o esmalte ao mesmo tempo. A promessa é a de que o adesivo manterá os minerais em contato com a dentina por tempo suficiente para que ocorra o processo de reconstrução.

Cérebro humano (e os processadores neuromórficos): cientistas estão usando silício e software para construir sistemas eletrônicos que imitam neurônios e sinapses, com vistas a construir uma geração de computadores mais eficientes e mais rápidos. O processador neuromórfico – supercomputador chamado Neugrid – foi construído para imitar o funcionamento dos neurônios do cérebro humano.[40] Dotado com o chip Hicann, ele consegue simular 512 neurônios, cada um equipado com 224 circuitos sinápticos. Porém, vale lembrar que o córtex de um camundongo, por exemplo, opera 9.000 vezes mais rápido e consome 40.000 vezes menos energia do que uma simulação feita em computador.

Baço humano (e o baço artificial): cientistas desenvolveram um aparelho (biospleen) inspirado no baço humano que é capaz de filtrar organismos patogênicos e toxinas do sangue de pacientes.[41] Depois que o sangue flui pelo biospleen, um imã puxa as toxinas do sangue e aí o líquido “puro” retorna ao paciente – tratamento parecido com o da hemodiálise. Os testes conseguiram retirar 90% dos patogênicos do sangue depois de cinco “rodadas” de limpeza. A tecnologia pode ser uma boa opção no caso dos tratamentos virais também, como HIV e ebola.

Lágrima humana (e a solução de limpeza para lentes de contato): cientistas criaram uma solução de limpeza para lentes de contato, Biotrue ONEday, inspirada na biologia dos olhos humanos.[42] A solução possui pH compatível com o da lágrima humana e umedece a lente da mesma forma que os olhos, pois usa um lubrificante também encontrado no olho humano, o que deve reduzir a reação alérgica a esse tipo de produto.[42, 43] “Isso é bastante novo em oftalmologia. Mas num futuro próximo veremos inúmeras soluções da biomimética aplicadas à medicina”, afirma Gary Orsborn, diretor de cuidados médicos da Busch & Lomb.[2]

Cristalino humano (e a lente para correção de catarata): a empresa norte-americana Bausch & Lomb lançou outro produto de design bioinspirado, dessa vez para correção de catarata: a lente intraocular acomodável Crystalens®.[31, 44] Esse implante de lente procura imitar o cristalino natural, tanto quanto possível. Projetado para se mover dentro do olho, o implante de lente permite que os pacientes enxerguem de perto, a médio alcance e à distância.

Articulações humanas (e o desenvolvimento de próteses): ao estudar a estrutura e função das articulações humanas (bacias, joelhos, ombros e tornozelos), cientistas se inspiraram para o desenvolvimento de dispositivos protéticos a fim de imitar e substituir a estrutura natural do corpo humano.[45, 46]

Hemáceas humanas (e o desenvolvimento de glóbulos vermelhos sintéticos): cientistas estão desenvolvendo glóbulos vermelhos sintéticos.[47] As células sintéticas foram projetadas para imitar as características estruturais e funcionais de hemácias do sangue humano a fim de transportar oxigênio através de capilares menores do que seu próprio diâmetro. O objetivo é o de que possam ser usados como veículos para agentes terapêuticos e de imagiologia, bem como para se tornar um sistema potencial de entrega de fármacos.

Tecidos humanos (e a engenharia de tecidos sintéticos): minúsculas partículas feitas de polímeros são uma grande promessa como andaimes estruturais para a construção de tecidos artificiais. Cientistas desenvolveram uma nova técnica que permite criar micropartículas que assumem praticamente qualquer forma, usando um micromolde que muda de forma em resposta à temperatura.[48] Foi possível organizar diferentes células em camadas para criar tecidos sintéticos que imitam a estrutura de tecidos naturais do corpo humano.

        Viu a lista? Isso é o que o design inteligente tem feito por você ultimamente. É por isso que o design inteligente se encaixa naturalmente com a Biomimética. Se modelos vivos não fossem tão bons, ninguém seria inspirado a imitá-los. Portanto, não é racional insultar bioengenheiros com a sugestão de que eles estão imitando tecnologias de última geração resultantes de um processo cego e não guiado em seus laboratórios.[49] Não a partir de nossa experiência uniforme, pois um bom projeto vem de uma boa mente.

    É impossível justificar tecnologias naturais como essas por meio dos mecanismos propostos pelo atual paradigma para a explicação da origem e evolução dos seres vivos. É na ausência de mecanismos naturais responsáveis pelo surgimento desses designs que repousa a necessidade de uma influência inteligente arquitetando tudo. Contudo, diante da impossibilidade de demonstrar em laboratório a origem desses sistemas de complexidades naturais, revistas científicas como a Nature têm apelado ao naturalismo filosófico e à metafísica: “Milhões de anos de evolução tornaram o mundo biológico em um laboratório de desenvolvimento de materiais extremamente eficaz. [...] As substâncias encontradas no mundo natural são inspiradoras imitações que podem, eventualmente, dotar os seres humanos com poderes sobre-humanos.”[50]

       O fato de a Biomimética ter tido uma rápida ascensão na última década é sinal de que as pessoas estão cansadas de histórias inúteis. O papo de Darwin cai fora da discussão quando o foco está no design natural que a ciência pode imitar para melhorar a vida humana. Esse é o início de uma nova forma de se fazer ciência com base em projetos inteligentes que vão trazer uma infinidade de benefícios para o mundo. Darwin está perdendo discípulos, e aqui vai uma dica: Neodarwinistas, mantenham suas mãozinhas fora da Biomimética. Ela não pertence a vocês! Quer saber se estou correto em minhas afirmações? Façamos alguns questionamentos: Quantas dessas pesquisas mencionaram a evolução? A teoria da evolução é realmente relevante para o projeto baseado em design?

(Everton Fernando Alves é mestre em Ciências da Saúde pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB])

Via: Criacionismo

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